Folha de S. Paulo
Caso de Jaques Wagner não se compara ao de
Ciro Nogueira, mas é um desastre
Quem sobra para criticar Estado tomado por
corruptos, facções e orcrims empresariais?
As corrupções da política ainda vão ser tema
relevante da campanha para presidente? A imundície está tão espalhada que
dificilmente haverá flagrante grandioso o suficiente para tirar o país da
resignação com a sujeira.
Não se trata de dizer que todo mundo é
corrupto ou que todas as turmas políticas contem com corruptos de igual
grandeza. Mas há rolo bastante para que candidaturas relevantes se joguem
imundícies umas nas outras, em particular pelas redes. Sendo assim, as
campanhas talvez deixem o assunto para lá. Será o consenso da podridão.
O lamento não é udenismo, lavajatismo ou demagogia picareta que o valha. Governos do país apodrecem rapidamente, o crime chegou ao poder em alguns estados, entramos na rota de sermos um Estado fracassado.
O senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu quantidade de pontos importantes,
longe de letal, quando foi pego pedinchando
dinheiro a Daniel Vorcaro e por ter mentido sem parar sobre seu
caso de amor fraterno com o gangster. Mumunhas e delinquências recentes de sua
família, como as do
irmão Eduardo, não fizeram estrago maior.
A ficha corrida de Flávio e família poderia
reemergir na campanha eleitoral. Os tropeços levaram até gente aliada da
direita a plantar em jornais que se estuda alternativa à candidatura Flávio.
Com imundície generalizada, as mutretas ainda vão fazer diferença, ameaçar
candidaturas?
O senador
Jaques Wagner (PT-BA) não é candidato a presidente. Apesar de
amigão de Luiz Inácio Lula da
Silva, ex-ministro de governos petistas e líder do governo no Senado,
mal é conhecido fora da Bahia. A Polícia Federal acaba de
tirar uns pedaços de corpos de gavetas de Wagner. Não se
compara às covas coletivas dos Bolsonaro. Nem mesmo ao caso do também senador Ciro
Nogueira (PP-PI), teúdo e
manteúdo de Vorcaro, ex-ministro de Jair Bolsonaro e que até o
início do ano queria ser vice de Flávio. Não refresca para Wagner.
O senador petista alega que ajudava a filha
a comprar um
apartamento, pedindo, digamos, uma
espécie de empréstimo-ponte a um sujeito da turma de Vorcaro. Que
fosse apenas isso. Imagine-se gente comum (e com alguma sorte na vida), que
junta dinheiro de trabalho, vende carro e pede empréstimo a banco para comprar
casa. O que vai achar? E quem não tem nada?
No mínimo, Wagner e pares preferem dever
favor à ralé endinheirada, pegam carona
em jatinho e confraternizam com escroques naquelas
cafajestadas cafonas e arrivistas de fumar charuto e tomar uísque.
Sim, isso é fichinha. Vide como o Congresso aprova medidas
destrutivas da economia nacional, dando dezenas de bilhões a
empresários suspeitos do setor elétrico, como está
para fazer de novo. Quanto vai custar? Bem mais do que um
charuto.
Há muito cadáver para sair do armário da
corrupção. Política e Estado apodrecem sem parar. Afora policiais e promotores,
pouca gente mais liga para o desastre do Rio de Janeiro. A Assembleia Legislativa
do estado (Alerj) estava infiltrada até a cúpula por facções, como Comando
Vermelho ou Terceiro Comando. Quem mandava na Alerj e no governo era a turma do
PL e aliados, turma de Flávio Bolsonaro.
No entanto, no mínimo, Wagner entrou em uma
barca do inferno de Vorcaro. A extrema direita, que ganhou força também por
velhas corrupções petistas, pode agora pensar em empatar o jogo da imundície ao
menos no campo virtual. Se está todo mundo na lama ou assim parece, não é por
aí que o eleitorado vai se decidir.
.jpg)
Um comentário:
Gostei do ''ralé endinheirada'',ralé no aspecto moral.
Postar um comentário