sexta-feira, 12 de junho de 2026

Hora de voltar a atenção ao Republicanos, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Se não perder nenhuma batalha, o partido poderá começar 2027 governando São Paulo e Minas Gerais, os Estados mais ricos do país

Por volta de 2023, quando Progressistas (PP) e União Brasil intensificaram o diálogo para criar a federação que, dois anos depois, se tornaria a maior força política do país, tentaram, à exaustão, atrair o Republicanos. Em conversas privadas, o presidente da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), explicava a interlocutores que no jogo do poder, é melhor ser “cabeça de sardinha do que rabo de baleia”.

Um ano após o anúncio da super federação, que nasceu com 109 deputados federais e quase R$ 1 bilhão de fundo eleitoral (projeção com base em valores do pleito de 2024), a percepção de aliados de Pereira é de que ele não errou ao optar por investir no fortalecimento do Republicanos. Embora preserve o fundo bilionário, a federação PP-União encolheu para 98 deputados, e perdeu quadros relevantes, como o senador Efraim Filho (PB) que trocou o União pelo PL a fim de concorrer ao governo da Paraíba; e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado que deixou o União para disputar o Palácio do Planalto pelo PSD.

Num momento em que a polarização parece restringir a política brasileira ao embate entre PT e PL, é hora de prestar atenção no projeto de poder do Republicanos. No melhor cenário, se não perder nenhuma dessas batalhas, o partido poderá começar 2027 governando São Paulo e Minas Gerais, os Estados mais ricos do país, e com os maiores eleitorados. Deverá, ainda, reconduzir o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para mais dois anos à frente da Casa. Lembrando que o cargo é o segundo na linha de sucessão da Presidência da República, logo depois do vice-presidente.

Toda eleição é uma estrada longa e sinuosa, mas as pesquisas servem de bússolas. Assim, há meses, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição, lidera a corrida para o governo de São Paulo. Da mesma forma, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) vem encabeçando os levantamentos sobre a disputa para o governo de Minas Gerais.

Há quem enxergue mais longe, para além de onde a vista alcança. Nas projeções para 2030, nos cálculos que consideram o pós-Lula e o fim da polarização, o Republicanos poderá estrear na corrida presidencial com um dos prováveis nomes mais competitivos: Tarcísio de Freitas. Para isso, antes, cabem duas ressalvas: se Tarcísio se reeleger em outubro, e se fizer uma ótima gestão no segundo mandato. “No pós-Lula, sem a polarização, vai se abrir um desenho mais claro para as forças de centro”, disse à coluna uma liderança do Republicanos.

Porém, muito antes que tantos projetos se materializem, há impasses a serem contornados, a começar pela divisão interna, em que uma ala atua para que o Republicanos formalize a aliança com o presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ); enquanto outro grupo, que prefere fazer campanha para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defende que o partido fique neutro no plano nacional.

Quem se opõe à aliança com o PL argumenta que caminhar com Flávio Bolsonaro não é bom para o Republicanos, que tem tudo para continuar crescendo nos próximos cinco anos. O cálculo é de que, se eleito, Flávio poderia ficar até oito anos no poder, e ainda abrir caminho para outro “Bolsonaro” sucedê-lo, enquanto Lula, se reeleito, só terá mais quatro anos no poder. “A vitória do Lula é muito melhor para o Tarcísio e para o Republicanos”, sustenta um aliado do governador. Ele defende que o foco da sigla nestas eleições seja ampliar a bancada federal, hoje com 43 integrantes, e se fortalecer nos Estados. A meta é eleger entre 50 e 55 deputados federais.

Segundo essa fonte, a ala que defende a aliança com Flávio, encabeçada pelos senadores Hamilton Mourão (RS) e Damares Alves (DF), lideranças do bolsonarismo, teve mais influência na virada do ano, mas perdeu fôlego com o desgaste do aliado. A aliança formal com o Republicanos é estratégica para o PL, porque ampliaria o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, que mesmo em tempos de redes sociais, mantém relevância.

Em outra frente, um grupo maior, que contempla lideranças como Hugo Motta, o ex-ministro Silvio Costa Filho e o líder da bancada, deputado Augusto Coutinho (PE), militariam pela independência do Republicanos no pleito de outubro. Em seus Estados - Paraíba e Pernambuco, respectivamente - o partido marchará com o PT.

Mas o partido ainda enfrenta percalços em São Paulo e Minas, mesmo com o favoritismo de Tarcísio e de Cleitinho. No primeiro caso, o governador não tem um time expressivo de prefeitos do lado dele. Mas um aliado minimizou essa ausência. Relembrou que em 2022, ele tinha 9 prefeitos com ele, contra um esquadrão de 550 prefeitos junto com o então governador Rodrigo Garcia (PSDB). “Tarcísio não é um político tradicional, ele consegue se eleger sem os prefeitos com ele”, justificou.

Em Minas, o que se desenha é uma chapa pura: o candidato a vice de Cleitinho seria o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão, também do Republicanos, ex-presidente da Associação Mineira de Municípios. A principal interrogação continua sendo o próprio candidato: há receio de que na última hora, Cleitinho recue. A principal aposta dos adversários, e o maior temor do Republicanos convergem para a conhecida instabilidade do senador mineiro.

 

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