O Estado de S. Paulo
Cadê nossa bandeira, o nosso verde e amarelo? A polarização comeu
Cadê o nosso verde e amarelo? Onde estão as
bandeiras do Brasil, que sempre encheram de luz, alegria e esperança o País em
época de Copa do Mundo, fosse na ditadura militar, no início da
redemocratização, nos governos de esquerda, de direita ou de qualquer coisa?
Não foi o gato que comeu e nada disso subiu na árvore. Aliás, nem é por desconfiança na seleção do Ancelotti, nem pelas dúvidas sobre o Neymar, nem mesmo pela aposta do comentarista Juca Kfouri de que o Marrocos iria vencer na estreia brasileira. Então, o que aconteceu com as nossas cores, a bandeira, as camisetas, a torcida interna? A polarização política tragou. Milhões de brasileiros e brasileiras, inclusive aqui na capital da República, onde eu testemunho ao vivo, têm medo de serem confundidos com seus adversários. É o que se ouve por aí: “Eu? Eu, não. Para acharem que sou bolsonarista?”
Nessas horas fazem falta os grandes líderes,
com coragem para dizer as verdades que precisam ser ditas, enfrentar os
desafios e bancar com toda a clareza e ar nos pulmões: vamos usar as cores
brasileiras, minha gente!
Não interessa se você é Bolsonaro, Lula,
Caiado, Zema, Renan ou Aécio. Não interessa que partido você apoia, se é rico,
pobre, tem carro ou não, mora em mansão ou em comunidade, tem diploma ou não.
Se você é brasileiro/a, você torce para a nossa Seleção, honra a bandeira, tem
alma verde e amarela.
Vamos lá, ainda dá tempo! Tem muito jogo,
emoção, alegrias e – tomara que não – tristezas pela frente. Dá para sofrer, só
não dá para entregar os pontos e jogar fora a esperança antes do tempo, antes
de cada resultado.
Essa Copa, aliás, parece bem diferente em
tudo. Nos Estados Unidos de Donald Trump? Com o ICE pintando e bordando? Com a
Fifa agindo como um gatinho assustado diante da potência?
O fato histórico da Copa de 2026 é o veto ao
respeitado árbitro Omar Artan, que, apesar de ter visto americano, ser quem é,
ter função relevante no torneio, não pôde entrar no país. E se trata de uma
Copa, não de um evento dos EUA. Artan foi barrado porque nasceu na Somália,
incluída na longa lista do racismo, claro, explícito, de Trump, onde só há
países pobres, com maioria negra. Nem vou repetir aqui o que Trump disse sobre
os somalis... É revoltante.
A própria divisão da Copa, entre EUA, Canadá
e México, é estranha, como se um imperador potencial quisesse confirmar seu
sonho, ou ameaça, de dominar e anexar os vizinhos.
Já se sabia que o Brasil e o mundo andam de
ponta-cabeça, o que não se esperava é que nem a Copa, que enfeitiça bilhões de
pessoas, há tantas décadas, passaria ilesa. Ou será que a gente já imaginava?

Um comentário:
Pois é,nem lembro que estamos em tempo de copa,estamos fechados em copas.Sei.
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