O Globo
O senador, como o pai, cavalga o antipetismo,
e só. Os eleitores independentes migraram e passaram ao largo de Romeu Zema e
Ronaldo Caiado. Em 2026 o antipetismo está num nicho, encolhido por falta de
agenda
O filme parcialmente financiado por Daniel
Vorcaro, a diplomacia suicida e a plataforma oca de Flávio
Bolsonaro cobraram seu preço na última pesquisa Quaest. Lula
ultrapassou-o, marcando 44% contra 38%. Junho é cedo para se prever o resultado
de uma eleição marcada para outubro, mas alguma coisa vai mal com o candidato.
Lula conseguiu sair de um viés de queda para outro, de alta, na segunda metade de um terceiro mandato e a poucos meses da eleição. De novo, nesta eleição, até agora a única novidade é a recuperação do presidente. Essa proeza foi conseguida muito mais pelos escorregões e abulias dos adversários do que por mais de três anos de desempenho.
Flávio, como o pai, cavalga o antipetismo, e
só. Os eleitores independentes migraram e passaram ao largo de Romeu Zema e
Ronaldo Caiado. Em 2026 o antipetismo está num nicho, encolhido por falta de
agenda. Bolsonaro deu a Lula o auriverde pendão desta terra e ele está enrolado
nela. Zema e Caiado parecem sem rumo. Como a campanha ainda não começou,
qualquer dos três anti-Lula pode, em tese, dar uma disparada, mas quem melhor
cultiva a pista é Lula. Ele semeou-a mudando a tabela de alíquotas do Imposto
de Renda e oferece a escala 5x2. A proximidade de Lulinha com o Careca do INSS
não tem o efeito do áudio de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro.
Até agora, o antipetismo tem só dois ativos,
a segurança pública e Donald Trump. No primeiro, o governo apresenta planos
árduos e a oposição põe na mesa chacinas como a da Penha. No segundo, depois da
carta neurastênica do ano passado, Trump bombardeia o Brasil com tarifaços que
afetam a economia nacional e, com ela, os eleitores.
No século passado, John Kennedy asfixiava o
governo de João Goulart enchendo a bola dos governadores da oposição com
programas de moradia e agendas reformistas. Trump enche a bola dos Bolsonaro
com fotografias e frases banais.
(Vale lembrar que em janeiro de 1964, quando
a derrubada de Goulart já estava no baralho, o embaixador americano Lincoln
Gordon passou por Washington e pediu para ser recebido pelo presidente Lyndon
Johnson. Pedido negado. Gordon baixou a bola e pediu para tirar uma fotografia
com Johnson, pois isso o ajudaria no Brasil. Pedido igualmente negado.)
Trump recebeu sua bancada brasileira.
Eremildo, o idiota
Eremildo é um idiota a está convencido de que
as russas e ucranianas levadas para as farofas do banqueiro Daniel Vorcaro eram
estudiosas do Direito. O que o cretino não entende é a fogueira de vaidades em
que se transformou o processo de sua colaboração com a Viúva.
Pelo que lhe contam, Vorcaro se julga
inocente, vítima de uma perseguição. É possível. Nesse caso, nada há a
negociar. Ele espera o julgamento. Se for absolvido vai pra casa. Condenado,
rala.
Aventureiros e larápios
Está chegando às livrarias “Aventureiros e
larápios - Histórias de quem abalou e quase quebrou os mercados”, de Roberto
Teixeira da Costa e Fábio Pahim Jr. Um conhece o mercado e foi o primeiro
presidente da Comissão de Valores Mobiliários e o outro é um repórter com larga
experiência no mercado.
É um livrinho pequeno (202 páginas) com a
história de 15 figuras e um manual para quem tem dinheiro a perder (ou a
ganhar). Seis personagens são brasileiros: O Barão de Mauá, Naji Nahas, Edemar
Cid Ferreira, Eike Batista, Carlos Ghosn e Daniel Vorcaro.
Nem todos, como Mauá, são simples
aventureiros/visionários, muito menos larápios. Outros, como Elizabeth Holmes
da empresa de exames médicos Theranos (encarcerada), são vigaristas que
espelharam a ganância do andar de cima do mundo da tecnologia. Com o capítulo
de Jesse Livermore (matou-se), visita-se a crise de 1929 e com a de Bernard
Madoff a reencarnação de Charles Ponzi que ralou na cadeia e morreu no Rio,
aposentado pelo falecido IAPC.
Nenhum conseguiu eleger o filho John
presidente dos Estados Unidos, como o fauno germanófilo Joseph Kennedy. Todos
deixaram marcas na economia e/ou na política de seus países.
Cada um deles teve ao seu lado uma versão da
Faria Lima.
EUA e Argentina
Com jeito de quem não quer nada, a Argentina
e os Estados Unidos assinaram um convênio com duração de cinco anos pelo qual
as Marinhas dos dois países estreitaram seus laços. A Marinha americana
colaborarão na modernização da argentina, inclusive com o fornecimento de
drones.
O convênio faz parte de um “Programa de Proteção
a Bens Comuns Globais” e permitirá que o Comando Sul dos EUA participe do
patrulhamento do mar argentino.
A oposição argentina não gostou. Incomodou-se
com a expressão “bens comuns globais”.
Bandidos protestam
Foram presos o ex-chefe dos investigadores da
Delegacia de Entorpecentes de Campinas (SP), um ex-policial civil e um
ex-estagiário do Ministério Público, acusados de serem quadros do Primeiro
Comando da Capital. O Sindicato dos Bandidos Autônomos de São Paulo voltará ao
governador Tarcísio de Freitas para protestar contra a concorrência desleal que
lhe faz a máquina da segurança pública de São Paulo.
A trinca é acusada de planejar o assassinato
de um procurador que estava no encalço de ramificações do PCC.
Desalento no Judiciário
O ministro Edson Fachin, presidente do
Supremo Tribunal Federal criou um grupo de trabalho no Conselho Nacional de
Justiça para passar um pente-fino nos penduricalhos da magistratura. Foram
escolhidos cinco juízes. Em tese, os magistrados não devem receber mais que um
ministro do STF (R$ 46.366 mensais).
Num único ano, o quinteto recebeu cerca de R$
8 milhões. Quem recebeu menos, ganhou o equivalente a R$ 72,4 mil mensais e
quem levou mais recebeu R$ 175,7 mil.
O coordenador do comitê teve a melhor
remuneração, somando R$ 2,7 milhões no ano (R$ 1,7 milhão líquidos). Em
dezembro, o contracheque do doutor foi de R$ 332 mil brutos. R$ 102 mil eram de
indenizações e abonos de férias, R$ 71 mil referiam-se a pagamentos retroativos
acumulados e mais uma gratificação natalina de R$ 65 mil. Tudo legal.
Como ensinou o Barão de Itararé, de onde
menos se espera, é que não sai nada.
Fila do INSS
Tendo prometido acabar com a “vergonhosa fila
do INSS” no seu primeiro dia do seu terceiro mandato, Lula promete acabar com
ela até o fim do ano.
Já a nova presidente do INSS, Ana Cristina
Silveira, é mais precisa e diz que zera a fila até setembro, um mês antes da
eleição.
Ela está em queda mas tem 2,2 milhões de
vítimas.
A ver.
Lula conseguiu sair de um viés de
queda para outro, de alta, na segunda metade de um terceiro mandato e a poucos
meses da eleição. De novo, nesta eleição, até agora a única novidade é a
recuperação do presidente. Essa proeza foi conseguida muito mais pelos
escorregões e abulias dos adversários do que por mais de três anos de
desempenho.
Flávio, como o pai, cavalga o antipetismo, e só. Os eleitores independentes
migraram e passaram ao largo de Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Em 2026 o
antipetismo está num nicho, encolhido por falta de agenda. Bolsonaro deu a Lula
o auriverde pendão desta terra e ele está enrolado nela. Zema e Caiado parecem
sem rumo. Como a campanha ainda não começou, qualquer dos três anti-Lula pode,
em tese, dar uma disparada, mas quem melhor cultiva a pista é Lula. Ele
semeou-a mudando a tabela de alíquotas do Imposto de Renda e oferece a escala
5x2. A proximidade de Lulinha com o Careca do INSS não tem o efeito do áudio de
Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro.
Até agora, o antipetismo tem só
dois ativos, a segurança pública e Donald Trump. No primeiro, o governo
apresenta planos árduos e a oposição põe na mesa chacinas como a da Penha. No
segundo, depois da carta neurastênica do ano passado, Trump bombardeia o Brasil
com tarifaços que afetam a economia nacional e, com ela, os eleitores.
No século passado, John Kennedy
asfixiava o governo de João Goulart enchendo a bola dos governadores da
oposição com programas de moradia e agendas reformistas. Trump enche a bola dos
Bolsonaro com fotografias e frases banais.
(Vale lembrar que em janeiro de
1964, quando a derrubada de Goulart já estava no baralho, o embaixador
americano Lincoln Gordon passou por Washington e pediu para ser recebido pelo
presidente Lyndon Johnson. Pedido negado. Gordon baixou a bola e pediu para
tirar uma fotografia com Johnson, pois isso o ajudaria no Brasil. Pedido
igualmente negado.)
Trump recebeu sua bancada
brasileira.
Eremildo, o idiota
Eremildo é um idiota a
está convencido de que as russas e ucranianas levadas para as farofas do
banqueiro Daniel Vorcaro eram estudiosas do Direito. O que o cretino não
entende é a fogueira de vaidades em que se transformou o processo de sua
colaboração com a Viúva.
Pelo que lhe contam, Vorcaro se julga inocente, vítima de uma perseguição. É
possível. Nesse caso, nada há a negociar. Ele espera o julgamento. Se for
absolvido vai pra casa. Condenado, rala.
Aventureiros e larápios
Está chegando às livrarias
“Aventureiros e larápios - Histórias de quem abalou e quase quebrou os
mercados”, de Roberto Teixeira da Costa e Fábio Pahim Jr. Um conhece o mercado
e foi o primeiro presidente da Comissão de Valores Mobiliários e o outro é um
repórter com larga experiência no mercado.
É um livrinho pequeno (202
páginas) com a história de 15 figuras e um manual para quem tem dinheiro a
perder (ou a ganhar). Seis personagens são brasileiros: O Barão de Mauá, Naji
Nahas, Edemar Cid Ferreira, Eike Batista, Carlos Ghosn e Daniel Vorcaro.
Nem todos, como Mauá, são simples
aventureiros/visionários, muito menos larápios. Outros, como Elizabeth Holmes
da empresa de exames médicos Theranos (encarcerada), são vigaristas que
espelharam a ganância do andar de cima do mundo da tecnologia. Com o capítulo
de Jesse Livermore (matou-se), visita-se a crise de 1929 e com a de Bernard
Madoff a reencarnação de Charles Ponzi que ralou na cadeia e morreu no Rio,
aposentado pelo falecido IAPC.
Nenhum conseguiu eleger o filho
John presidente dos Estados Unidos, como o fauno germanófilo Joseph Kennedy.
Todos deixaram marcas na economia e/ou na política de seus países.
Cada um deles teve ao seu lado
uma versão da Faria Lima.
EUA e Argentina
Com jeito de quem não quer
nada, a Argentina e os Estados Unidos assinaram um convênio com duração de
cinco anos pelo qual as Marinhas dos dois países estreitaram seus laços. A
Marinha americana colaborarão na modernização da argentina, inclusive com o
fornecimento de drones.
O convênio faz parte de um
“Programa de Proteção a Bens Comuns Globais” e permitirá que o Comando Sul dos
EUA participe do patrulhamento do mar argentino.
A oposição argentina não gostou. Incomodou-se com a expressão “bens comuns
globais”.
Bandidos protestam
Foram presos o ex-chefe
dos investigadores da Delegacia de Entorpecentes de Campinas (SP), um
ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público, acusados de serem
quadros do Primeiro Comando da Capital. O Sindicato dos Bandidos Autônomos de
São Paulo voltará ao governador Tarcísio de Freitas para protestar contra a
concorrência desleal que lhe faz a máquina da segurança pública de São Paulo.
A trinca é acusada de planejar o
assassinato de um procurador que estava no encalço de ramificações do PCC.
Desalento no Judiciário
O ministro Edson Fachin,
presidente do Supremo Tribunal Federal criou um grupo de trabalho no Conselho
Nacional de Justiça para passar um pente-fino nos penduricalhos da
magistratura. Foram escolhidos cinco juízes. Em tese, os magistrados não devem
receber mais que um ministro do STF (R$ 46.366 mensais).
Num único ano, o quinteto recebeu
cerca de R$ 8 milhões. Quem recebeu menos, ganhou o equivalente a R$ 72,4 mil
mensais e quem levou mais recebeu R$ 175,7 mil.
O coordenador do comitê teve a
melhor remuneração, somando R$ 2,7 milhões no ano (R$ 1,7 milhão líquidos). Em
dezembro, o contracheque do doutor foi de R$ 332 mil brutos. R$ 102 mil eram de
indenizações e abonos de férias, R$ 71 mil referiam-se a pagamentos retroativos
acumulados e mais uma gratificação natalina de R$ 65 mil. Tudo legal.
Como ensinou o Barão de Itararé,
de onde menos se espera, é que não sai nada.
Fila do INSS
Tendo prometido acabar com
a “vergonhosa fila do INSS” no seu primeiro dia do seu terceiro mandato, Lula
promete acabar com ela até o fim do ano.
Já a nova presidente do INSS, Ana
Cristina Silveira, é mais precisa e diz que zera a fila até setembro, um mês
antes da eleição.
Ela está em queda mas tem 2,2 milhões de vítimas.
A ver.

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