Agora, a crise
envolvendo o Banco MASTER coloca em xeque novamente a estrutura do poder e as
instituições republicanas, com denúncias que alcançam de A a Z nos mais
diversos segmentos do espectro ideológico e engolfa setores dos três poderes da
República.
Democracia
implica em um governo em que o povo exerce a sua soberania através de dirigentes
e representantes eleitos pelos cidadãos em eleições livres. O Estado, peça
central na vida do País, conduzido pela força política conjunturalmente
majoritária, sob o olhar e a ação plural do Congresso, e restringido pelas leis
e pela ação do sistema judiciário, precisa de legitimação permanente junto à
sociedade. Afinal a vitória eleitoral não concede uma procuração em branco para
o governo. São os desafios dessa invenção humana chamada democracia – o melhor
caminho descoberto para arbitrar conflitos de ideias e interesses presentes na
sociedade. As ditaduras espalhadas pela América Latina, Ásia, África e Oriente
Médio não enfrentam estes dilemas.
Ao andarmos
pelas ruas e convivermos em ambientes comunitários, fora das bolhas militantes
e apaixonadas, é fácil perceber crescente desalento e falta de esperança, em
pleno ano eleitoral. Isto sempre ocorre quando o sistema político deixa de gerar
respostas eficientes para as angústias e os problemas do povo e a corrupção se
alastra.
Max Weber, em
seu clássico texto “A política como vocação”, demonstra como a legitimidade do
poder nasce ou da tradição ou do carisma ou da legalidade. Quando as boas
tradições são abandonadas, as lideranças não exercem carisma que seduza a
população e a legalidade é vista como mar de interrogações, graças a má conduta
de líderes das instituições republicanas, se forma o caldo de cultura da
antipolítica, gerando riscos imponderáveis. Weber identifica como qualidades
dos líderes políticos a paixão, a responsabilidade e o senso de proporção.
Quando elas vão pelo ralo, é natural o aparecimento de um abismo entre cidadãos
e elites no poder. Desaparecem tanto a ética da consciência, absoluta em suas
intenções puras focadas no salvamento da alma e nos princípios, mas não só ela,
também a ética da responsabilidade, centrada nos objetivos e fins pretendidos,
ainda que com concessões e relativização parcial do rigor com os meios. Resta
um estranhamento dos cidadãos em relação à dinâmica de funcionamento do poder e
suas elites.

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