quinta-feira, 23 de abril de 2026

Flávio Bolsonaro não resiste a 24 horas de ajuste fiscal, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

No Congresso, o filho do ex-presidente nunca foi um defensor desse tipo de política durante a gestão do seu pai

Propostas para ajuste de contas são granada no pé de um candidato

O senador Flávio Bolsonaro (PL) não resistiu a 24 horas de ajuste fiscal nas redes sociais. Pré-candidato à Presidência da República, chamou de fake news reportagem da Folha de que fará um ajuste inicial da ordem de dois pontos percentuais do PIB, caso seja eleito.

Para isso, teria como planos reajustar aposentadorias e despesas com saúde e educação só pela inflação.

O senador esqueceu de combinar o jogo com a equipe a cargo do seu programa econômico. Em busca de apoio, seus assessores têm passado para a Faria Lima e setores empresariais a mensagem de que ele seria o ministro da tesourada das despesas.

O próprio pré-candidato vem se vendendo como salvador das contas públicas em contraponto a Lula, apontado como presidente gastador.

As propostas de ajuste têm sido detalhadas nos bastidores, como antecipou o jornalista Fernando Canzian na reportagem que incomodou, pois atiçou os lulistas.

Não é fake news. São consideradas pela sua equipe a desvinculação de despesas com saúde e educação e a separação entre a política de aumento real do salário mínimo de trabalhadores na ativa e os reajustes da Previdência e do BPC. A desindexação é a mais difícil das medidas.

A negativa do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro revela que propostas de ajuste fiscal são uma granada no pé de um candidato.

No Congresso, Flávio nunca foi um defensor do ajuste fiscal durante a gestão de seu pai. A chamada PEC "DDD" (Desobrigar, Desindexar, Desvincular), apresentada em 2019 como solução para as contas públicas pelo ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, não teve apoio do bolsonarismo, além de palavras de ordem vazias em favor da responsabilidade fiscal.

Jair Bolsonaro rejeitou acabar com abono salarial, um benefício sabidamente ineficiente, e patrocinou a PEC Kamikaze, com custo de bilhões

Se o 01 de Bolsonaro diz que é fake news, terá que falar de viva voz o que pretende fazer para ajustar as contas. Do contrário, ou está vendendo gato por lebre para o mercado ou está fazendo estelionato com eleitores.

 

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