sábado, 25 de abril de 2026

Sob Castro, Palácio Guanabara virou um puxadinho bolsonarista, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Horas antes de sua condenação, ex-governador destinou R$ 730 milhões a prefeitos aliados

Ex-ministro da Saúde, general Pazuello ensinou a 'logística' da multiplicação de cargos

Cláudio Castro é um desmemoriado. No tempo recorde de um mês, esqueceu que no dia 24 de março o TSE o condenou por uso indevido da máquina pública nas eleições de 2022.

Castro faz caras e bocas de coitadinho. Reclama do governador interino, o desembargador Ricardo Couto, que promove uma faxina no Palácio Guanabara, transformado pelo antigo ocupante num enorme comitê eleitoral bolsonarista, com ramificações no crime organizado —a crise institucional explodiu com a prisão do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, candidato governista à sucessão acusado de envolvimento com o Comando Vermelho.

Castro renunciou para evitar a cassação e, agora, inelegível, se faz de vítima. Não lembra que, horas antes de sua condenação, mandou retirar R$ 730 milhões do Fundo Soberano, espécie de poupança feita com os royalties do petróleo para ser utilizada em projetos de infraestrutura de longo prazo, e destiná-los a 16 prefeituras do interior, todas administradas por aliados políticos. Couto determinou o bloqueio do dinheiro.
Responsável pela liberação de parte do fundo —R$ 250 milhões—, a Secretaria das Cidades não fez qualquer detalhamento para o uso da verba. Na ocasião, a pasta era comandada pelo deputado Douglas Ruas, candidato dos Bolsonaros ao governo do Rio de Janeiro.

A vassoura do desembargador desentoca aqueles que se fingem de mortos. Por trás da Subsecretaria de Gastronomia, criada em julho de 2025, estava o deputado federal Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde no governo Bolsonaro. General tido como craque em logística, Pazuello empregou sua especialidade para realizar uma proeza. Chefiada por um empresário do ramo, a subsecretaria nasceu de um único cargo de assessor da Imprensa Oficial que se multiplicou em 12 cabides de emprego.

Além de três secretarias extintas, o número de exonerados que ocupavam cargos de "confiança" passa de 600. A maioria sequer deixava o paletó pendurado na cadeira. Não tinha senha de acesso ao sistema nem usava crachá. Uma milícia camuflada.

 

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