Folha de S. Paulo
Trump sobrevive a terceiro atentado em menos
de dois anos
Fim precípuo da democracia é prevenir
episódios de violência
Em menos de dois anos, Donald Trump já sobreviveu a três tentativas de assassinato. Nas duas mais recentes, a da Flórida em setembro de 2024 e a deste fim de semana em Washington, os serviços de segurança conseguiram impedir o perpetrador de disparar contra o republicano, mas, na da Pensilvânia em julho de 2024, foram as forças do acaso que salvaram Trump. A bala de fuzil passou raspando por sua cabeça.
Apesar de a violência política ser um elemento constitutivo da história
americana, tudo aponta para um recrudescimento do fenômeno nos últimos anos.
Relatório do BDI, um centro de pesquisa ligado à Universidade Princeton,
mostrou um aumento de 30% nos incidentes de violência política entre 2024 e 2025.
No mesmo período, a polícia legislativa contou um aumento de 58% nas ameaças
contra congressistas.
O suspeito de sempre é a polarização afetiva, à
qual podemos acrescentar um outro mal da modernidade que é a extrema facilidade
que as pessoas têm para radicalizar a si mesmas na internet. Até alguns anos
atrás, para tornar-se um radical era em geral preciso integrar-se fisicamente a
um grupo radical.
É uma deterioração preocupante, se considerarmos que o fim precípuo da
democracia é justamente evitar a violência política. A democracia muda o
cálculo dos riscos. Enquanto ela vigora, sai mais em conta para quem perde uma
eleição passar um tempo na oposição do que tentar resistir pela força e talvez
deflagrar uma guerra civil. Daí a gravidade de atitudes como as de Trump em
6/1/21 e de Bolsonaro em 8/1/23 de estorvar a transferência pacífica do poder.
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