Folha de S. Paulo
Filho 01 inverte a realidade e culpa STF por
crimes cometidos por bolsonaristas
Contra o governador interino, Alerj quer
quadruplicar as despesas com emendas
A presença do desembargador Ricardo Couto no Palácio Guanabara, com ações para moralizar a máquina pública e impedir que ela continue a ser usada para fins eleitorais, é uma espinha na garganta do grupo bolsonarista que desde 2019 domina o Rio de Janeiro e um entrave inesperado para as pretensões presidenciais do filho 01.
Sem a máquina e a adesão fisiológica de
prefeitos do interior, o desempenho de Flávio Bolsonaro no
colégio eleitoral do Rio, com 13 milhões de pessoas, fica em xeque. Outra
dificuldade é o favoritismo de Eduardo Paes ao governo estadual, favoritismo
embalado pelas pesquisas, pelo apoio de segmentos evangélicos e pelo fato de
Douglas Ruas, principal adversário no pleito, ser pouco conhecido da população.
Em 2022, Bolsonaro ganhou de Lula no reduto que o viu nascer, mas a diferença
foi mais estreita se comparada a 2018, quando o candidato petista era Fernando
Haddad.
Por falta de argumentos, Flávio Bolsonaro se
aproveita do mau momento do STF para
desacreditar Couto, atual dono da caneta. Joga a responsabilidade pelo vácuo de
poder no colo de ministros que estariam, segundo ele, atuando para favorecer
Lula.
O Supremo nada tem a ver com o gangsterismo
na política fluminense. Aluno esforçado do pai, o senador nega a verdade,
usando um recurso mais velho que o rascunho da Bíblia: acuse outra pessoa pelo
crime que eu cometi.
O que detonou a crise institucional foi a
prisão do ex-presidente da Alerj, Rodrigo
Bacellar, por envolvimento com o Comando
Vermelho, e a renúncia do ex-governador Cláudio
Castro, numa manobra para escapar da cassação no TSE.
Em represália às medidas de austeridade do
governador interino —cortar gastos, auditar contratos e limitar a 10% os cargos
comissionados—, a Alerj quer mudar a Constituição Estadual para quadruplicar as
despesas com emendas impositivas. Neste ano, o valor deve ficar em R$ 370
milhões. Se a proposta for aprovada, passaria a R$ 1,5 bilhão. Ou seja:
restringiria o poder do Executivo, a exemplo do que faz o Congresso
Nacional.
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