terça-feira, 28 de abril de 2026

Crise institucional no Rio complica Flávio Bolsonaro, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 inverte a realidade e culpa STF por crimes cometidos por bolsonaristas

Contra o governador interino, Alerj quer quadruplicar as despesas com emendas

A presença do desembargador Ricardo Couto no Palácio Guanabara, com ações para moralizar a máquina pública e impedir que ela continue a ser usada para fins eleitorais, é uma espinha na garganta do grupo bolsonarista que desde 2019 domina o Rio de Janeiro e um entrave inesperado para as pretensões presidenciais do filho 01.

Sem a máquina e a adesão fisiológica de prefeitos do interior, o desempenho de Flávio Bolsonaro no colégio eleitoral do Rio, com 13 milhões de pessoas, fica em xeque. Outra dificuldade é o favoritismo de Eduardo Paes ao governo estadual, favoritismo embalado pelas pesquisas, pelo apoio de segmentos evangélicos e pelo fato de Douglas Ruas, principal adversário no pleito, ser pouco conhecido da população. Em 2022, Bolsonaro ganhou de Lula no reduto que o viu nascer, mas a diferença foi mais estreita se comparada a 2018, quando o candidato petista era Fernando Haddad.

Por falta de argumentos, Flávio Bolsonaro se aproveita do mau momento do STF para desacreditar Couto, atual dono da caneta. Joga a responsabilidade pelo vácuo de poder no colo de ministros que estariam, segundo ele, atuando para favorecer Lula.

O Supremo nada tem a ver com o gangsterismo na política fluminense. Aluno esforçado do pai, o senador nega a verdade, usando um recurso mais velho que o rascunho da Bíblia: acuse outra pessoa pelo crime que eu cometi.

O que detonou a crise institucional foi a prisão do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, por envolvimento com o Comando Vermelho, e a renúncia do ex-governador Cláudio Castro, numa manobra para escapar da cassação no TSE.

Em represália às medidas de austeridade do governador interino —cortar gastos, auditar contratos e limitar a 10% os cargos comissionados—, a Alerj quer mudar a Constituição Estadual para quadruplicar as despesas com emendas impositivas. Neste ano, o valor deve ficar em R$ 370 milhões. Se a proposta for aprovada, passaria a R$ 1,5 bilhão. Ou seja: restringiria o poder do Executivo, a exemplo do que faz o Congresso Nacional.

 

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