quinta-feira, 2 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Justiça tem de deter roubo de conteúdo por robôs de IA

Por O Globo

Quase 400 jornais americanos abrem processo contra OpenAI por violação de direitos autorais

Editoras de quase 400 jornais e sites em 33 estados americanos abriram processo contra a OpenAI, criadora do ChatGPT, e sua parceira Microsoft pelo uso, sem autorização, de conteúdo protegido por direito autoral no desenvolvimento de seus modelos de inteligência artificial (IA). Na ação, as editoras afirmam que o empreendimento altamente lucrativo da IA cometeu “violação desenfreada” de direitos autorais. “A Microsoft e a OpenAI criaram e distribuíram reproduções das obras” ao usar tais conteúdos “para treinar seus grandes modelos de linguagem” e ao implantar produtos novos. O processo pede uma compensação financeira proporcional ao tamanho do roubo e solicita que a decisão seja tomada por um júri.

O cálculo de Michelle na mira do gabinete do ódio, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Ex-primeira-dama investe em imagem de liderança que foi além do sobrenome e cavou seu próprio espaço

Ao repudiar, num jogo combinado, o libelo medieval de Paulo Figueiredo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) marchou para preservar alguma chance numa disputa em que o voto das mulheres predomina. A dúvida é se será suficiente. Não apenas para destronar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também para evitar a fagocitose do espólio bolsonarista.

Desde 2018, o bolsonarismo tornou-se o vetor da direita. O que Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama estão a fazer é a fratura não apenas deste campo mas do próprio bolsonarismo. Superaram as desavenças do pós-lulismo com o esgarçamento antecipado do pós-bolsonarismo. E, como é do seu feitio, pelas redes sociais.

A campanha em movimento, por Míriam Leitão

O Globo

A crise do PL se aprofunda, a briga dos Bolsonaro escala, e as ofensas às mulheres pioram tudo. PSD tenta virar opção e Lula pode ser beneficiado pelo fim da guerra

A escolha do PSD de fazer uma chapa puro-sangue, com o presidente do partido Gilberto Kassab como candidato a vice de Ronaldo Caiado, se deve principalmente à falta de opção. Eles tentaram atrair o PP e o União Brasil e não foi possível. Informações do próprio PSD são de que ouviram nos dois partidos que a tendência seria o apoio ao presidente Lula. A legenda vê a pré-campanha de Flávio Bolsonaro em apuros, avalia que a crise vai se aprofundar e que, portanto, há a possibilidade de crescimento de candidatura alternativa da direita. A aposta continua sendo no prestígio de Ronaldo Caiado como gestor, atestado pelos altos índices de aprovação.

Sua senhoria, os fatos, por Merval Pereira

O Globo

O pré-candidato do PSD, ex-governador Ronaldo Caiado, aguarda os possíveis erros da candidatura do PL para ver se consegue reverter sua situação na corrida presidencial

A crise familiar dos Bolsonaros pode ter desdobramentos na campanha eleitoral para a Presidência da República. O prazo para registro das candidaturas termina em 5 de agosto, e até lá os partidos podem mudar seus pré-candidatos. Há quem desconfie de que o ex-presidente Jair Bolsonaro não esteja totalmente alheio aos movimentos de sua esposa, Michelle, e de que ela não teria gravado sem aquiescência dele aquele vídeo em que praticamente rompe com a candidatura de seu enteado Flávio.

Embora à primeira vista pareça quase impossível que o pai abandone o filho por causa da madrasta, os ventos políticos podem fazer com que a candidatura de Flávio se inviabilize. Pelo menos é o que parece esperar Michelle. O temor, ou desconfiança, de que surgirão novos fatos contra Flávio domina parte do grupo bolsonarista, e a insegurança é grande no seu entorno. As próximas pesquisas podem indicar um caminho novo ou confirmar a candidatura de Flávio, caso os escândalos recentes não o tenham ferido de morte.

Galego tinha razão, por Julia Duailibi

Por O Globo

Demissão do amigo Galego ocorre como algo protocolar, cujo objetivo principal era estancar a crise

O presidente Lula fez ontem um elogio ao senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do seu governo no Senado. Em viagem à Bahia, Lula o chamou de irmão, o abraçou e posou no palanque a seu lado, uma semana depois de ele deixar o posto. Com seu gesto, o presidente mostrou o que realmente acha das denúncias apresentadas pela Polícia Federal, envolvendo os favores prestados a Wagner por um empresário que manteve conexões com o Master: uma grande bobagem.

A nova guerra santa, por Ruy Castro*

Folha de S. Paulo

Michelle e Fernanda Bolsonaro brigam à base de capítulos e versículos da Bíblia

Resta saber se Flávio Bolsonaro sobreviveria a uma sabatina por pastores com Ph.D

É uma guerra santa, em que as contendoras, cada qual com uma Bíblia como munição, disputam o monopólio da Verdade. As armas são os capítulos e versículos de autoria dos influencers apostólicos. O campo de batalha, os bazares e covis das redes sociais. Em combustão, o ódio embutido em palavras como "amor", "alegria" e "mansidão". Por trás das duas generalas, exércitos de fiéis equipados com as novas tábulas, os smartphones, despejando insultos nada evangélicos contra uma ou outra. O botim, algo nunca previsto nas Escrituras: uma candidatura à Presidência do Brasil.

A soberania nacional se decide na Amazônia, por Maria Hermínia*

Folha de S. Paulo

Região transformou-se em crise de segurança e de governança

Crime organizado transnacional é grande ameaça

O presidente Lula prometeu incluir a questão da defesa nacional em seu programa de governo. O compromisso público ocorreu na sexta-feira (26), no batismo de uma fragata que faz parte do principal projeto de renovação do poder naval brasileiro. Segundo Lula, a nova embarcação, mais do que um navio, exprime "um país que vai assumir, de fato e de direito, o direito de ser soberano".

Se ele se reeleger e se a defesa da soberania nacional for mais do que uma oportuna proposta de campanha para enfrentar o bolsonarismo, a centro-esquerda terá um encontro marcado com a amazônia.

Trump inicia combate à lavagem de dinheiro do PCC nos EUA, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Ação permanece circunscrita à jurisdição norte-americana e ao combate à lavagem de dinheiro no plano jurídico. Entretanto, seu significado político é muito maior

A decisão de o governo Donald Trump classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras deixou de ser uma declaração política para se transformar em efetiva ação de Estado. As sanções anunciadas nesta semana pelo Departamento do Tesouro contra brasileiros e empresas acusados de integrar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC representam um novo patamar na nova estratégia americana ao combate ao narcotráfico.

Ontem, foram sancionados os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, bem como as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda; Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda; Wave Construções Inteligentes Ltda; e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (de Portugal) — todos acusados de movimentar de recursos provenientes do narcotráfico dentro do sistema financeiro americano.

O céu é o limite para os americanos, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Primeiras sanções contra brasileiros e três empresas sediadas em São Paulo suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC indicam que vem mais pressão por aí

É fácil prever que esse primeiro movimento dos americanos é só o começo, e tudo indica que vai acabar chegando indiretamente nos envolvidos no escândalo do Master

O governo Donald Trump não perdeu tempo. Um mês depois de os Estados Unidos decidirem classificar o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas, os americanos anunciaram as primeiras sanções contra brasileiros e três empresas sediadas em São Paulo suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para a facção paulista.

A aplicação das sanções nesta quarta-feira (1º) indicou não só que o governo dos EUA tem acesso a informações detalhadas do esquema das empresas envolvidas para ocultar a origem dos recursos ilícitos e escapar da fiscalização, como sinalizou também que eles podem estar sendo abastecidos de informações repassadas diretamente por brasileiros envolvidos nas investigações.

O pastor que escondia dinheiro no armário e os escândalos na gaveta do bolsonarismo, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

PF investiga deputado federal Sóstenes Cavalcante, que segue líder dos bolsonaristas

Excesso de barracos na direita talvez abafe o caso do dinheirão vivo sem origem justificada

Jaques Wagner (PT-BA) foi saído da liderança do governo no Senado por suspeitas de fazer negócio com gente vorcarenta. Levou uns dias até cair. Talvez pelo odor de santidade, digamos, o pastor Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do seu partido na Câmara, resiste faz meses, desde que a Polícia Federal achou um saco de dinheiro no flat brasiliense desse deputado federal, em dezembro do ano passado.

Sóstenes disse que a dinheirama viria da venda de um imóvel em Ituiutaba (MG). Eram R$ 467,8 mil em notas de cem, juntadas em um saco plástico achado em um guarda-roupa. Não caberia tudo em roupas de baixo, decerto. A polícia e parte do Supremo suspeitam que o dinheiro seria resultado de desvios de verba parlamentar.

O silêncio de araque, por William Waack

O Estado de S. Paulo

O tempo está ficando curto para a candidatura do senador Flávio Bolsonaro

Na fotografia do momento não há boas notícias para a candidatura de Flávio Bolsonaro, a não ser que se considere boa notícia o fato de não ter aumentado ainda mais sua desvantagem em relação a Lula. O que os números mais recentes das pesquisas parecem demonstrar é que o “piso” da candidatura está virando “teto”.

Já era preocupante a convergência de pesquisas indicando que outros nomes de oposição fariam tão bonito (ou tão feio, como se quiser) como Flávio caso alcançassem um segundo turno. Muito pior é constatar, segundo a AtlasIntel, que outros nomes no lugar de Lula na cédula (Haddad ou Alckmin) levariam vantagem sobre o ungido por Jair Bolsonaro.

Urnas vão julgar políticos antes do STF, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Eleitores, e não a nata do Judiciário, vão decidir primeiro quem do caso Master deve ser punido

As urnas vão definir, antes do Supremo Tribunal Federal (STF), quem são os culpados e os inocentes no escândalo do Banco Master. A Polícia Federal poderá concluir a investigação sobre o esquema de Daniel Vorcaro antes de outubro. O ritmo das apurações será mais ágil após a rejeição de duas propostas de delação premiada do ex-banqueiro, com expectativa de acontecer o mesmo com a terceira tentativa.

Ainda assim, não haverá tempo hábil para a Corte encerrar o processo judicial até lá. Finalizada a parte da PF, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar ou não denúncias ao Supremo contra os eventuais indiciados. Nos bastidores, a expectativa é de que Paulo Gonet não tenha pressa para fazer isso, especialmente no meio do processo eleitoral.

A súmula vinculante da responsabilidade fiscal, por Felipe Salto*

O Estado de S. Paulo

A súmula da responsabilidade fiscal vai silenciar Ulisses ou, ao menos, reforçar os nós das cordas do zelo pelo dinheiro público

Nas democracias consolidadas, as mudanças são quase sempre incrementais. As propostas precisam amadurecer para a construção de consensos, dos quais surgem as inovações legais e constitucionais. A atuação do Estado melhora e, no limite, a coletividade se beneficia. No caso da responsabilidade fiscal, não é diferente.

A Proposta de Súmula Vinculante n.º 150, de autoria do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), “visa a consolidar o entendimento do tribunal sobre projetos de lei que criem despesas obrigatórias ou envolvam renúncia de receita”, conforme o site do STF. Se aprovada por dois terços dos seus membros, o País conseguirá aprimorar fortemente o modus operandi dos poderes públicos.

Poesia | Ode a 2 de Julho, de Castro Alves

 

Música | Hino do Estado da Bahia