Folha de S. Paulo
Petista não percebe o caminhão de gente
contra ele; e não são só bolsonaristas
Com Executivo e Judiciário nas cordas, há
desequilíbrio entre os Poderes
Marco temporal das terras indígenas, saidinhas de presos, flexibilização do licenciamento ambiental, IOF, redução de penas a condenados no 8 de Janeiro invalidando a Lei Antifacção. A lista de derrotas do governo impressiona pela falta de articulação e reação. Até a reforma tributária, considerada a maior conquista de Lula 3, teve alguns pontos desconsiderados. Se o presidente não contava com o veto a Jorge Messias na indicação ao STF, podia ao menos se precaver da rasteira. Do jeito que foi desferido, o golpe o deixou estatelado faltando cinco meses para as eleições.
Em seu terceiro mandato, Lula se mostra
alheio à realidade. Míope e com a percepção amarrada a um passado sem volta,
demora a perceber que há em Brasília um caminhão de gente contra ele. Não são
só bolsonaristas. No complô, há até quem use toga.
Na tarde de quarta-feira (29), enquanto
Messias era sabatinado após meses na geladeira, um mapa elaborado pelo governo,
sob a responsabilidade do senador Jaques Wagner, confiava na barganha de cargos
e emendas e na escrita de 132 anos sem recusa de uma indicação presidencial. O
levantamento não podia estar mais errado: previa o apoio do centrão, de parte
da oposição e da bancada evangélica ao nome do advogado-geral da União.
As contas beiravam o delírio, apontando 49 votos favoráveis —no placar final, o indicado somou 34.
Na sabatina, Jorge Messias cumpriu seu papel à risca. Mais realista que o
Planalto e temendo a reprovação, disse ser contra o aborto,
sem sequer citar os casos em que a Constituição o permite. E que só pediu as
prisões do 8/1 "por dever do cargo". Ao se declarar evangélico,
chorou: "Aqui vos fala um servo de Deus".
Enquanto o espetáculo seguia na CCJ do Senado, Davi
Alcolumbre ligava para seus colegas pedindo que votassem contra
Messias, com a promessa de que não pautaria uma nova indicação do presidente.
O combate entre os Poderes nunca esteve tão quente. O Executivo e o Judiciário não saem das cordas; o Legislativo empurra e acotovela.
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