Folha de S. Paulo
Enquanto os eleitores brigam nas ruas, o
bolsonarismo se uniu ao maior algoz do ex-presidente Jair Bolsonaro
O enredo da novela, que já estava confuso, se
transformou numa salada geral
Enquanto os eleitores brigam nas ruas, o
bolsonarismo se uniu ao maior algoz do ex-presidente Jair
Bolsonaro, o ministro do STF Alexandre de
Moraes, para derrubar a indicação de Messias sob a bênção do
presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
No dia seguinte da votação, a derrota embalou a derrubada do veto ao projeto da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados por golpe de Estado, incluindo Bolsonaro. A CPI do Master, defendida pela oposição, foi enterrada.
Cobra, periquito, lagarto, tem de tudo no
meio dessa votação, como definiu o senador Cid Gomes.
O enredo da novela, que já estava confuso, se transformou numa salada geral.
Traição, vingança, intimidação, conspiração,
conchavos para as próximas eleições e dinheiro de campanha. Tem também o medo
das investigações do Master.
Rodrigo Pacheco, preterido por Lula na indicação ao STF e o
nome preferido de Moraes e Gilmar Mendes, deu uma de bonzinho, mas votou contra
Messias e agora sinaliza que não será candidato ao governo de Minas.
Davi, Moraes e importantes aliados do senador
na campanha presidencial, como o senador Ciro Nogueira, têm muito a perder com o avanço das
investigações.
O papel de Jaques Wagner, líder do governo, é um episódio à parte por ser
um político com ligações com o Master. O vídeo do abraço dado em Davi fala mais do que qualquer
desculpa pela derrota.
Os ministros Nunes Marques e André Mendonça, responsável pelo processo Master, ligaram
pedindo voto para Messias. O argumento colocado à mesa foi que o AGU era mais
próximo das posições deles do que as de Dias Toffoli, Flávio Dino e
Moraes, e que a sua aprovação ajudaria na correlação de forças interna.
Mas Nunes Marques também tem familiar
envolvido com Vorcaro. Messias, por outro lado, deixou de incluir o sindicato
do irmão de Lula dos pedidos de bloqueio de recursos em fraudes do INSS.
A rejeição foi uma demonstração de força da
união do bolsonarismo com Moraes. O que ninguém sabe é se Mendonça vai querer
proteger os chegados, e se Davi e Moraes vão conspirar juntos por um novo nome
ao STF.

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