O Globo
Francisco Mendes é favorito para assumir
confederação antes da próxima Copa
No último domingo, a seleção perdeu para a
Noruega e encerrou sua pior campanha em Copas do Mundo desde 1990. Dois dias
depois, Gilmar Mendes foi às redes expressar “gratidão” aos jogadores. “Meu
agradecimento a cada atleta pela dedicação e pelo compromisso com que honraram
(sic) a camisa do Brasil”, escreveu.
O supremo ministro aproveitou para anunciar o início de um “novo ciclo”. “A permanência de Carlo Ancelotti à frente da equipe dá solidez a esse recomeço, e a seleção que se renova encontrará no torcedor, uma vez mais, a sua maior força”, pontificou. Ao pé do tuíte de estadista, usuários do X acrescentaram uma nota informativa: “Gilmar Mendes não mencionou, mas ele próprio e o filho têm grande influência na CBF”. As 15 palavras expuseram o conflito de interesses que o decano do STF preferiu omitir.
Filho de Gilmar, Francisco Mendes é
vice-presidente da Federação Matogrossense de Futebol. Não tem cargo formal na
CBF, mas manda mais que o presidente da entidade. Em conversas informais antes
da Copa, apresentou-se como o responsável pela convocação de Neymar.
O herdeiro do decano também se diz patrono da
CBF Academy, a autoproclamada “instituição educacional do futebol brasileiro”.
A escola foi criada pela confederação e pelo IDP. A faculdade, que pertence à
família de Gilmar, fica com 84% de suas receitas. Como o mundo da bola é pequeno,
o diretor-geral do IDP é Francisco Mendes. Um caso único de jurisconsulto,
cartola, empresário e filho de ministro. Não necessariamente nesta ordem.
O polímata de Mato Grosso tem a quem puxar.
Além de comentar jogos e incentivar jogadores, Gilmar usa a toga para arbitrar
conflitos na CBF. Em 2024, anulou o afastamento de Ednaldo Rodrigues da
presidência da confederação. Depois devolveu o caso à Justiça do Rio, que
removeu o dirigente. Apesar das conexões com a cúpula da entidade, o supremo
ministro nunca se julgou impedido de atuar em seus processos.
Desde 2012, a CBF teve cinco presidentes
afastados ou presos. O capitão do time é Ricardo Teixeira, que conseguiu ser
banido pela Fifa por má conduta. O chefe atual, Samir Xaud, balança sob
suspeita de uso indevido de verbas. Para a Copa de 2030, o favorito a sucedê-lo
é Francisco Mendes. Agora o hexa vem.

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