Por Jeniffer Gularte – O Globo
Novo líder do PT no Senado admite que "ficou um arranhão" na relação entre Lula e Davi Alcolumbre após Jorge Messias ser derrotado para a vaga do STF
Ex-ministro da Educação e atual integrante da
coordenação de campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o
senador Camilo Santana (PT-CE) afirma que o PT não deveria ter candidatura
própria em Minas Gerais, sob pena de sofrer um revés eleitoral importante no
segundo maior colégio eleitoral do país. Santana admite que a memória de
avaliação ruim do governo de Fernando Pimentel no estado dificulta a
viabilidade eleitoral da legenda no estado.
O parlamentar defende que o PT apoie um nome
de partido aliado e classifica essa indefinição como "a maior
preocupação" da definição dos palanques, a poucos dias do início do
período das convenções. Enquanto o governo anuncia um pacote de medidas com
impacto fiscal às vésperas da eleição, o ex-ministro admite a necessidade de um
ajuste nas contas no início de um eventual quarto mandato.
Ao assumir a liderança do PT no Senado, Camilo Santana afirma que tem atuado para distensionar a relação entre Lula e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), mas admite que "ficou um arranhão" após Jorge Messias ser derrotado para a vaga do Supremo Tribunal Federal. Defensor de que não se deve "fechar a porta para ninguém", Santana afirma que as sucessivas crises da campanha de Flávio Bolsonaro têm aberto diálogo para uma aliança da federação União-PP com Lula durante a corrida presidencial.
Em Minas, o PT tem defendido
candidatura própria, mas a última gestão petista no estado, de Fernando
Pimentel, foi muito mal avaliada. Corre-se o risco do PT sofrer um revés importante
em MG se manter candidatura própria?
Esse é um dos motivos pelo quais eu defendo
que não seja um nome do PT, por conta do resultado do governo do (Fernando)
Pimentel (o petista governou Minas entre 2015 e 2018). Mesmo levando em conta
todas suas justificativas da época, as dívidas com a União, a avaliação do PT
por lá foi muito ruim. Não é risco de fiasco, mas a melhor estratégia para
Minas é ter um candidato que não seja do partido, que seja do arco de alianças.
Claro que vamos ter que ver a disponibilidade e a disposição desses.
Nomes como Jarbas Soares
(PSB) e Gabriel Azevedo (MDB)?
O Edinho está conversando com todos, mas
claro que é importante ouvir o PT do estado, porque as realidades são
distintas. Mas para fortalecer a campanha do presidente Lula em Minas é
importante ter um arco de alianças maior, com candidatos que possam ter
viabilidade eleitoral.
Marília Campos, um dos
principais nomes do PT em MG, rejeita a ideia de disputar o governo para
disputar o Senado, contrariando partido. Como avalia a postura dela?
Respeito a decisão pessoal dela, mas acho que
há determinados momentos que tem missão a cumprir. O próprio Haddad, que não
queria ser candidato em São Paulo e é um nome importante, com viabilidade. O
resultado só temos quando termina o jogo. O nome mais competitivo hoje do PT
seria Marília e ela tem resistido, colocado o nome dela para o Senado.
Os desgastes sucessivos da
campanha de Flávio têm abalado a relação do PL com União Brasil e PP. Ciro
Nogueira há poucos dias elogiou Lula, disse ter uma admiração enorme pelo
presidente. Dá para buscar aliança com esses partidos para a campanha?
Acho que dá e Edinho tem feito isso. Vamos
procurar dialogar com todos que queiram conversar. E hoje há um diálogo
concreto com o União Brasil, a federação (com o PP), discutindo o futuro do
Brasil e essas eleições. Tanto a discussão dos estados e também cenário
nacional, inclusive para possibilidade de uma aliança ou não. Eu defendo que
tem que fazer uma aliança, quanto mais tempo de televisão melhor.
O senhor acha que é possível
fechar uma aliança com União-PP?
O prazo é até 5 de agosto. Está em diálogo
essa possibilidade ou a possibilidade de uma neutralidade junto a nível de
presidente e aí construir as parcerias que forem possíveis nos estados brasileiros.
As crises na campanha do
Flávio, como o caso Dark Horse, facilitam as conversas?
Não tenho dúvida de que isso foi que permitiu
esse diálogo. A fragilidade do Flávio nas pesquisas, isso tudo ajuda, porque os
partidos querem perspectiva de vitória, isso faz parte do movimento do jogo de
xadrez nas eleições. Hoje eu acredito que há uma possibilidade nesse sentido.
Defendo que a gente não deve fechar portas para ninguém.
Partidos do Centrão costumam
apoiar em troca de espaço em um futuro governo. Isso está em discussão?
Sou contra qualquer negociação antecipada e
de participação no governo. Eu sempre digo: "Olha, nós queremos vocês para
eleição e queremos vocês para governar". Faz parte da do jogo democrático
da política. Com certeza teremos espaços para todos aqueles aliados, isso faz
parte da história da política e é natural.
Mas Antônio Rueda faz
críticas públicas ao governo. Ciro Nogueira também não está próximo de Lula.
Por isso que a possibilidade de neutralidade,
como no caso do MDB, é a mais possível. Da mesma forma, como União e o PP, pode
caminhar também para isso.
A disputa entre a direita
pelo governo do Ceará foi o epicentro da briga entre Michelle e Flavio
Bolsonaro. Qual é o risco do PT perder no estado?
Nós vamos trabalhar muito para manter o PT
governando o Estado de Ceará. O que está acontecendo no Ceará é o interesse do
deputado federal André Fernandes em querer eleger o pai dele senador e ele sabe
que um senador precisa ter uma candidatura de governo com possibilidade de
disputa e tem o Ciro que tomou a decisão de mudar de lado. Qual é a incoerência
que a ex-primeira-dama Michelle fala? É só ver o que Ciro falava dos
bolsonaristas, era os piores nomes que você possa imaginar e, de uma hora para
outra, estão juntos e são maravilhosos. Nós vamos mostrar o que essa turma
representa para o Ceará e o que nós fizemos, o que Elmano fez e aí é só
comparar. Quem mudou de lado foi o Ciro e nem o irmão dele (Cid Gomes) está do
lado dele.
Ciro Gomes aparece 11 pontos
à frente de Elmano na pesquisa Ipec. É uma ameaça?
Vamos ver agora (próximas pesquisas). O Evandro começou a campanha com
4% em Fortaleza, o Elmano começou com 8%, foi eleito em primeiro turno. Ciro
Gomes teve 6% dos votos na eleição passada para presidente da República em
Sobral, na cidade dele, é bom lembrar disso. Perdeu até para o Bolsonaro. Ele
está se apresentando como salvador da pátria, mas é a turma da mentira, da fake
news. Se for olhar em todas as áreas do Ceará, nós melhoramos. A população
ainda não está preocupada com eleição.
A briga de Flavio e Michelle
pode ajudar o PT no Ceará?
A Michelle está sendo coerente. O candidato
que representa o bolsonarismo no Ceará não é o Ciro, é o senador Eduardo Girão
(Novo-CE). Como é que a pessoa pode se sentir? Bolsonaro foi agredido pelo Ciro.
Falaram mal do marido, falaram mal dela, falaram mal dos filhos e agora é o meu
candidato do Ceará? Incoerência. Será que a política é um vale tudo? Não faço
política dessa forma, política é feita em cima de ideias. Michelle está sendo
coerente pela história e pelo passado do candidato. É o oportunismo do momento.
Se for necessário, o senhor
vai disputar o governo do Ceará?
Não, o candidato é o Elmano e ele será
reeleito.
O senhor disse que o PCC e o
Comando Vermelho causam terrorismo no Brasil inteiro, em apoio à classificação
feita pelos EUA, o que contraria a posição do governo. Por quê?
Se tiver alguma palavra ou adjetivo ainda
pior do que terrorista para classificar as facções criminosas, temos que
classificar. As facções criminosas causam terror na população. Isso não
significa concordar com a atitude que o governo americano tomou. Agora, o que
que nós queremos do governo americano? Queremos ajuda? Queremos. Queremos
parceria, colaboração, respeitando a nossa soberania e o nosso país.
O senhor defende um discurso
mais duro para tratar de segurança pública, mas o PT ainda contemporiza muito o
tema. O senhor conversa sobre essa abordagem com o presidente?
Ele sabe que eu sou mais linha dura nesse
aspecto. Mas o governo federal não pode assumir essas responsabilidades, sem
ter o poder constitucional para isso. Então, a PEC da Segurança dá mais poder
para que o governo federal possa coordenar essa questão a nível nacional. E
partir daí, criar o Ministério da Segurança, discutir orçamento, construir estratégia
e já ter ações
A aprovação da PEC da
Segurança depende de uma reaproximação de Lula com Alcolumbre?
O presidente do Senado praticamente não tem
colocado as pautas mais importantes do governo em votação em razão da crise com
o Messias. Falta aí um pouco de diálogo. O próprio presidente Alcolumbre tem
colocado que deseja uma reaproximação e um diálogo com o presidente. Ele mesmo
tem colocado a muitos interlocutores. E meu papel na liderança do PT é tentar
distensionar, ajudar a Teresa, ela já tem feito um esforço grande. Queremos
garantir esse diálogo do presidente Lula com Alcolumbre para distensionar e
aprovar a PEC da Segurança e o fim da escala 6x1.
Lula demonstra não estar com
pressa para ter esse encontro.
O presidente teve uma agenda muito intensa nas
últimas semanas por conta dos prazos de poder inaugurar as entregas e obras. É
claro que ficou um arranhão na relação, mas eles vão conversar, vão
distensionar isso pelo bem do Brasil.
Você acha que vai ter
conversa entre eles antes das eleições?
Claro. Com certeza.
As relações de Jaques Wagner
com o ex-sócio do Master, Augusto Lima, criam constrangimento para campanha?
O Jaques é o cara que a gente conhece ao
longo da sua história, a sua passagem como senador, como ministro, é uma pessoa
muito correta. Ele tem se articulado seus advogados para apresentar a sua
defesa. Só tenho a prestar a minha solidariedade pela toda sua história de vida
pública.
Lula tem feito um pacote de
bondades nesse período pré-eleitoral, especialmente com estímulo de crédito. Segundo
economistas, as medidas somam R$ 215 bilhões. Lula está usando a máquina para
se reeleger?
O governo precisa estar em sintonia com as
necessidades do povo brasileiro. O Desenrola 2 foi lançado verificando que a
população brasileira está precisando de medidas governamentais para resolver o
problema do crédito e do endividamento. Não é pacote de bondades, é tratar os
reais problemas da população com soluções concretas.
Vai ser necessário um ajuste
nas contas no início de um eventual quarto mandato?
Sempre vai. Só acho que a gente precisa encontrar um mecanismo de fazer o Brasil crescer mais rápido, ter mais investimento público e privado, ter mais investimento em educação. Porque, se você for para olhar os indicadores da educação, nós conseguimos melhorar todos. Mas nós precisamos fazer com que o Brasil inteiro ande mais rápido do ponto de vista educacional. O Brasil está começando a envelhecer, está perdendo uma janela de oportunidades enorme.
Ex-ministro da Educação e atual integrante da coordenação de
campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Camilo
Santana (PT-CE) afirma que o PT não deveria ter candidatura própria em Minas
Gerais, sob pena de sofrer um revés eleitoral importante no segundo maior
colégio eleitoral do país. Santana admite que a memória de avaliação ruim do
governo de Fernando Pimentel no estado dificulta a viabilidade eleitoral da
legenda no estado.
O parlamentar defende que o PT
apoie um nome de partido aliado e classifica essa indefinição como "a
maior preocupação" da definição dos palanques, a poucos dias do início do
período das convenções. Enquanto o governo anuncia um pacote de medidas com
impacto fiscal às vésperas da eleição, o ex-ministro admite a necessidade de um
ajuste nas contas no início de um eventual quarto mandato.
Ao assumir a liderança do PT no Senado, Camilo Santana afirma que tem atuado
para distensionar a relação entre Lula e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre
(União-AP), mas admite que "ficou um arranhão" após Jorge Messias ser
derrotado para a vaga do Supremo Tribunal Federal. Defensor de que não se deve
"fechar a porta para ninguém", Santana afirma que as sucessivas
crises da campanha de Flávio Bolsonaro têm aberto diálogo para uma aliança da
federação União-PP com Lula durante a corrida presidencial.
Em Minas, o PT tem defendido
candidatura própria, mas a última gestão petista no estado, de Fernando
Pimentel, foi muito mal avaliada. Corre-se o risco do PT sofrer um revés importante
em MG se manter candidatura própria?
Esse é um dos motivos pelo quais
eu defendo que não seja um nome do PT, por conta do resultado do governo do
(Fernando) Pimentel (o petista governou Minas entre 2015 e 2018). Mesmo levando
em conta todas suas justificativas da época, as dívidas com a União, a
avaliação do PT por lá foi muito ruim. Não é risco de fiasco, mas a melhor
estratégia para Minas é ter um candidato que não seja do partido, que seja do
arco de alianças. Claro que vamos ter que ver a disponibilidade e a disposição
desses.
Nomes como Jarbas Soares (PSB)
e Gabriel Azevedo (MDB)?
O Edinho está conversando com
todos, mas claro que é importante ouvir o PT do estado, porque as realidades
são distintas. Mas para fortalecer a campanha do presidente Lula em Minas é
importante ter um arco de alianças maior, com candidatos que possam ter
viabilidade eleitoral.
Marília Campos, um dos
principais nomes do PT em MG, rejeita a ideia de disputar o governo para
disputar o Senado, contrariando partido. Como avalia a postura dela?
Respeito a decisão pessoal dela,
mas acho que há determinados momentos que tem missão a cumprir. O próprio
Haddad, que não queria ser candidato em São Paulo e é um nome importante, com
viabilidade. O resultado só temos quando termina o jogo. O nome mais
competitivo hoje do PT seria Marília e ela tem resistido, colocado o nome dela
para o Senado.
Os desgastes sucessivos da campanha de Flávio têm abalado a relação do PL com
União Brasil e PP. Ciro Nogueira há poucos dias elogiou Lula, disse ter uma
admiração enorme pelo presidente. Dá para buscar aliança com esses partidos
para a campanha?
Acho que dá e Edinho tem feito
isso. Vamos procurar dialogar com todos que queiram conversar. E hoje há um
diálogo concreto com o União Brasil, a federação (com o PP), discutindo o
futuro do Brasil e essas eleições. Tanto a discussão dos estados e também
cenário nacional, inclusive para possibilidade de uma aliança ou não. Eu
defendo que tem que fazer uma aliança, quanto mais tempo de televisão melhor.
O senhor acha que é possível
fechar uma aliança com União-PP?
O prazo é até 5 de agosto. Está
em diálogo essa possibilidade ou a possibilidade de uma neutralidade junto a
nível de presidente e aí construir as parcerias que forem possíveis nos estados
brasileiros.
As crises na campanha do
Flávio, como o caso Dark Horse, facilitam as conversas?
Não tenho dúvida de que isso foi
que permitiu esse diálogo. A fragilidade do Flávio nas pesquisas, isso tudo
ajuda, porque os partidos querem perspectiva de vitória, isso faz parte do
movimento do jogo de xadrez nas eleições. Hoje eu acredito que há uma
possibilidade nesse sentido. Defendo que a gente não deve fechar portas para
ninguém.
Partidos do Centrão costumam
apoiar em troca de espaço em um futuro governo. Isso está em discussão?
Sou contra qualquer negociação
antecipada e de participação no governo. Eu sempre digo: "Olha, nós
queremos vocês para eleição e queremos vocês para governar". Faz parte da
do jogo democrático da política. Com certeza teremos espaços para todos aqueles
aliados, isso faz parte da história da política e é natural.
Mas Antônio Rueda faz críticas
públicas ao governo. Ciro Nogueira também não está próximo de Lula.
Por isso que a possibilidade de neutralidade, como no caso do MDB, é a mais
possível. Da mesma forma, como União e o PP, pode caminhar também para isso.
A disputa entre a direita pelo
governo do Ceará foi o epicentro da briga entre Michelle e Flavio Bolsonaro.
Qual é o risco do PT perder no estado?
Nós vamos trabalhar muito para
manter o PT governando o Estado de Ceará. O que está acontecendo no Ceará é o
interesse do deputado federal André Fernandes em querer eleger o pai dele
senador e ele sabe que um senador precisa ter uma candidatura de governo com
possibilidade de disputa e tem o Ciro que tomou a decisão de mudar de lado.
Qual é a incoerência que a ex-primeira-dama Michelle fala? É só ver o que Ciro
falava dos bolsonaristas, era os piores nomes que você possa imaginar e, de uma
hora para outra, estão juntos e são maravilhosos. Nós vamos mostrar o que essa
turma representa para o Ceará e o que nós fizemos, o que Elmano fez e aí é só
comparar. Quem mudou de lado foi o Ciro e nem o irmão dele (Cid Gomes) está do
lado dele.
Ciro Gomes aparece 11 pontos à
frente de Elmano na pesquisa Ipec. É uma ameaça?
Vamos ver agora (próximas pesquisas).
O Evandro começou a campanha com 4% em Fortaleza, o Elmano começou com 8%, foi
eleito em primeiro turno. Ciro Gomes teve 6% dos votos na eleição passada para
presidente da República em Sobral, na cidade dele, é bom lembrar disso. Perdeu
até para o Bolsonaro. Ele está se apresentando como salvador da pátria, mas é a
turma da mentira, da fake news. Se for olhar em todas as áreas do Ceará, nós
melhoramos. A população ainda não está preocupada com eleição.
A briga de Flavio e Michelle pode ajudar o PT no Ceará?
A Michelle está sendo coerente. O
candidato que representa o bolsonarismo no Ceará não é o Ciro, é o senador
Eduardo Girão (Novo-CE). Como é que a pessoa pode se sentir? Bolsonaro foi
agredido pelo Ciro. Falaram mal do marido, falaram mal dela, falaram mal dos
filhos e agora é o meu candidato do Ceará? Incoerência. Será que a política é
um vale tudo? Não faço política dessa forma, política é feita em cima de
ideias. Michelle está sendo coerente pela história e pelo passado do candidato.
É o oportunismo do momento.
Se for necessário, o senhor vai
disputar o governo do Ceará?
Não, o candidato é o Elmano e ele
será reeleito.
O senhor disse que o PCC e o
Comando Vermelho causam terrorismo no Brasil inteiro, em apoio à classificação
feita pelos EUA, o que contraria a posição do governo. Por quê?
Se tiver alguma palavra ou
adjetivo ainda pior do que terrorista para classificar as facções criminosas,
temos que classificar. As facções criminosas causam terror na população. Isso
não significa concordar com a atitude que o governo americano tomou. Agora, o
que que nós queremos do governo americano? Queremos ajuda? Queremos. Queremos
parceria, colaboração, respeitando a nossa soberania e o nosso país.
O senhor defende um discurso
mais duro para tratar de segurança pública, mas o PT ainda contemporiza muito o
tema. O senhor conversa sobre essa abordagem com o presidente?
Ele sabe que eu sou mais linha
dura nesse aspecto. Mas o governo federal não pode assumir essas responsabilidades,
sem ter o poder constitucional para isso. Então, a PEC da Segurança dá mais
poder para que o governo federal possa coordenar essa questão a nível nacional.
E partir daí, criar o Ministério da Segurança, discutir orçamento, construir
estratégia e já ter ações
A aprovação da PEC da Segurança depende de uma reaproximação de Lula com
Alcolumbre?
O presidente do Senado
praticamente não tem colocado as pautas mais importantes do governo em votação
em razão da crise com o Messias. Falta aí um pouco de diálogo. O próprio
presidente Alcolumbre tem colocado que deseja uma reaproximação e um diálogo
com o presidente. Ele mesmo tem colocado a muitos interlocutores. E meu papel
na liderança do PT é tentar distensionar, ajudar a Teresa, ela já tem feito um
esforço grande. Queremos garantir esse diálogo do presidente Lula com
Alcolumbre para distensionar e aprovar a PEC da Segurança e o fim da escala
6x1.
Lula demonstra não estar com
pressa para ter esse encontro.
O presidente teve uma agenda
muito intensa nas últimas semanas por conta dos prazos de poder inaugurar as
entregas e obras. É claro que ficou um arranhão na relação, mas eles vão
conversar, vão distensionar isso pelo bem do Brasil.
Você acha que vai ter conversa
entre eles antes das eleições?
Claro. Com certeza.
As relações de Jaques Wagner
com o ex-sócio do Master, Augusto Lima, criam constrangimento para campanha?
O Jaques é o cara que a gente
conhece ao longo da sua história, a sua passagem como senador, como ministro, é
uma pessoa muito correta. Ele tem se articulado seus advogados para apresentar
a sua defesa. Só tenho a prestar a minha solidariedade pela toda sua história
de vida pública.
Lula tem feito um pacote de
bondades nesse período pré-eleitoral, especialmente com estímulo de crédito. Segundo
economistas, as medidas somam R$ 215 bilhões. Lula está usando a máquina para
se reeleger?
O governo precisa estar em
sintonia com as necessidades do povo brasileiro. O Desenrola 2 foi lançado
verificando que a população brasileira está precisando de medidas
governamentais para resolver o problema do crédito e do endividamento. Não é
pacote de bondades, é tratar os reais problemas da população com soluções
concretas.
Vai ser necessário um ajuste nas contas no início de um eventual quarto
mandato?
Sempre vai. Só acho que a gente
precisa encontrar um mecanismo de fazer o Brasil crescer mais rápido, ter mais
investimento público e privado, ter mais investimento em educação. Porque, se
você for para olhar os indicadores da educação, nós conseguimos melhorar todos.
Mas nós precisamos fazer com que o Brasil inteiro ande mais rápido do ponto de
vista educacional. O Brasil está começando a envelhecer, está perdendo uma
janela de oportunidades enorme.

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