sábado, 11 de julho de 2026

IPCA mais baixo mostra que ruído contra BC foi exagerado, Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Pelos dados da inflação, o BC teria errado se tivesse parado o corte ou até subido a Selic

Que estrago adicional teria sido uma precipitação do Banco Central para uma economia que sofre com juros altos

dA desaceleração da inflação para 0,16% em junho, após marcar 0,58% em maio, mostrou que foi exagerado o barulho criado pelo mercado financeiro após a decisão do Banco Central de cortar os juros na última reunião do Comitê de Política Monetária.

Há menos de um mês, o cenário instalado no mercado era de fim do mundo com a decisão do Copom de continuar afrouxando a taxa Selic em um momento em que os índices inflacionários seguiam subindo para além do teto da meta de inflação.

O BC optou por uma condução mais suave dos juros, olhando de forma antecipada para o cenário inflacionário do primeiro trimestre de 2028, o que causou um tremendo ruído. O dólar e os juros futuros dispararam, e economistas renomados chegaram a defender uma forte subida de 3 pontos percentuais da Selic de uma vez.

O fim do mundo não aconteceu e 90% dos agentes do mercado passaram a projetar que o BC tem que cortar a Selic. Analistas falam agora que os dados da inflação reforçam que o diagnóstico de condução da política monetária pelo BC estava mais consistente do que sugeria parte do mercado.

Os relatórios dos especialistas chamam atenção para a surpresa de baixa da inflação (o mercado projetava 0,31% em junho) disseminada em alimentos, serviços e bens industriais.

A reação do BC ao resultado de um indicador de preços de curto prazo não pode ser a mesma que a das mesas do mercado. Pelos dados desta sexta-feira do IPCA, o BC teria errado se tivesse parado o corte ou até subido o juro. Que estrago adicional teria causado uma precipitação do BC em uma economia que sofre com juros altos.

Fato é que o mercado de juros está machucado, porque não é de hoje que perde dinheiro. Primeiro, apostou que o BC, sob a direção de Gabriel Galípolo (indicado por Lula), não subiria os juros no começo do seu mandato. Em seguida, apostou que ele não ia segurar os juros, e mais tarde que iria cortar rápido. Errou.

O episódio da "tempestade" de junho no mercado serve de alerta. Em ano eleitoral, o cuidado vale mais ainda. Nem o mundo acabou, nem os problemas da inflação e da economia brasileira estão resolvidos

 

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