Folha de S. Paulo
Pelos dados da inflação, o BC teria errado se
tivesse parado o corte ou até subido a Selic
Que estrago adicional teria sido uma
precipitação do Banco Central para uma economia que sofre com juros altos
dA desaceleração
da inflação para 0,16% em junho, após marcar 0,58% em maio, mostrou
que foi exagerado o barulho
criado pelo mercado financeiro após a decisão do Banco Central de cortar os
juros na última reunião do Comitê de Política Monetária.
Há menos de um mês, o cenário instalado no mercado era de fim do mundo com a decisão do Copom de continuar afrouxando a taxa Selic em um momento em que os índices inflacionários seguiam subindo para além do teto da meta de inflação.
O BC optou por uma condução mais suave
dos juros,
olhando de forma antecipada para o cenário inflacionário do primeiro
trimestre de 2028, o que causou um tremendo ruído. O dólar e os
juros futuros dispararam, e economistas renomados chegaram a defender uma forte
subida de 3 pontos percentuais da Selic de uma vez.
O fim do mundo não aconteceu e 90% dos
agentes do mercado passaram a projetar que o BC tem que
cortar a Selic. Analistas falam agora que os dados da inflação
reforçam que o diagnóstico de condução da política monetária pelo BC estava
mais consistente do que sugeria parte do mercado.
Os relatórios dos especialistas chamam
atenção para a surpresa de baixa da inflação (o mercado projetava 0,31% em
junho) disseminada em alimentos, serviços e bens industriais.
A reação do BC ao resultado de um indicador
de preços de curto prazo não pode ser a mesma que a das mesas do mercado. Pelos
dados desta sexta-feira do IPCA, o BC teria errado se tivesse parado o corte ou
até subido o juro. Que estrago adicional teria causado uma precipitação do BC
em uma economia que sofre com juros altos.
Fato é que o
mercado de juros está machucado, porque não é de hoje que perde
dinheiro. Primeiro, apostou que o BC, sob a direção de Gabriel
Galípolo (indicado por Lula), não subiria os juros no começo do
seu mandato. Em seguida, apostou que ele não ia segurar os juros, e mais tarde
que iria cortar rápido. Errou.
O episódio da "tempestade" de junho
no mercado serve de alerta. Em ano eleitoral, o cuidado vale mais ainda. Nem o
mundo acabou, nem os problemas da inflação e da economia brasileira estão
resolvidos

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