quinta-feira, 7 de junho de 2018

Articulação para unir o centro é ‘conversa de bêbado’, diz Maia

Deputado afirma que campo ainda não apresentou candidato relevante

Bruno Góes, Cristiane Jungblut e Roberto Maltchik | O Globo

-RIO E BRASÍLIA- Um dia após o lançamento de uma frente de políticos de sete partidos, que tem por objetivo unir as forças de centro nas eleições deste ano, o presidente da Câmara e pré-candidato do DEM à Presidência, Rodrigo Maia (RJ), afirmou que este debate é semelhante a uma “conversa de bêbado”. Na sabatinado promovida ontem pelo jornal “Correio Braziliense”, Maia disse que, por enquanto, não está disposto a deixar sua candidatura para apoiar um outro nome.

— O problema é que estamos falando muito em centro e a sociedade não enxerga o centro como entendemos. Então, fica uma conversa meio de bêbado. A sociedade não encontra nenhum candidato como de centro. Na minha opinião, pelas pesquisas, o único candidato de centro era o Joaquim Barbosa. Por isso, é muito difícil tomar uma decisão hoje. Não acredito que essa candidatura apareceu ainda para a sociedade — disse Maia.

Para o presidente da Câmara, o centro é um campo em que há o diálogo constante com forças de esquerda e de direita. Ele avalia que, se algum nome relevante tivesse aparecido para organizar as forças políticas, o cenário seria diferente. Mas, até agora, isso não aconteceu.

No “Manifesto por um polo democrático”, esta frente de políticos de centro conclama as forças “democráticas e reformistas” a se unirem durante a disputa. O movimento foi idealizado pelo senador Cristovam Buarque (PPS-DF) e pelo secretário-geral do PSDB, Marcus Pestana (MG). E ganhou o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de cientistas políticos.

A posição de Maia é mais um revés às articulações do pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que pretende unir o maior número de partidos em torno de sua candidatura. Aliados do ex-governador afirmaram ontem que o tucano está muito perto de fechar o apoio de quatro legendas: PPS, PTB, PV e PSD. 

ALCKMIN: “FUTRICA DA CORTE”
A ideia é que nenhum deles indique o nome para o vice na chapa. Os tucanos esperam uma sinalização do DEM, com a retirada da candidatura de Maia, para que o partido assuma este posto. Ontem, em entrevista à emissora CNT, que será transmitida no domingo, Alckmin elogiou Maia, a quem chamou de “um grande quadro” da política nacional. E negou qualquer possibilidade de desistir da disputa por causa do baixo desempenho eleitoral.

— Isso (a possibilidade de desistir por falta de apoio do partido) é futrica da corte. É a fofoca do momento. O que existe? A campanha só vai começar a partir de agosto. Mudou a lei. Não existe campanha eleitoral. As pessoas ficam impactadas com pesquisa. É como querer saber o resultado do jogo antes do campeonato, da copa do mundo. É tudo chute. A campanha só começa quando você sabe quem são os candidatos, quem não é. Quem é o vice, quais são as alianças. Deixa começar a televisão. Enquanto não começar o horário eleitoral você não tem o interesse das pessoas.

Também ontem, o pré-candidato do PSD à Presidência, Afif Domingos, ironizou o movimento lançado ontem. Ele batizou a união de partidos de centro de “unidos da Lava-Jato”, numa referência ao fato de que integrantes destes partidos são investigados ou mesmo presos pela operação. Afif disse ter certeza de que terá o apoio do partido para efetivamente ser candidato, mas não garantiu o apoio do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, que também é citado na Lava-Jato.

— A ideia desastrosa de fazer união pelo centro já tem um nome, que eu dei: unidos da Lava-Jato. Vai ter que ter disputa sim. vamos ter diversidade de candidaturas, para que eleitor não possa ser manipulado — disparou Afif.

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