segunda-feira, 20 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Proibição de celular nas escolas é um sucesso

Por O Globo

Medida conta com apoio de pais, professores e tem melhorado desempenho dos alunos

Em janeiro de 2025, quando foi sancionada a lei federal que proibiu celulares em salas de aula para fins não pedagógicos, havia dúvidas se a medida, que já vigorava em redes de ensino municipais e estaduais, vingaria. Era nítido o desafio de privar crianças e adolescentes de um de seus bens mais caros e desejados. A julgar por uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) com diretores de escolas, um ano e meio depois as incertezas se dissiparam. A restrição não apenas obteve adesão significativa, como apresentou resultados auspiciosos.

Largada para as convenções partidárias nesta semana, por Renato Souza, Danandra Rocha e Luíza Altoé

Correio Braziliense

A partir desta semana, os partidos começam a anunciar oficialmente as candidaturas e as chapas para as eleições de outubro deste ano, e, com isso, os escolhidos vão mergulhar definitivamente nas campanhas, seja nas ruas, seja na internet a partir de 16 de agosto

Há pouco mais de um mês, a Seleção Brasileira entrou em campo para disputar a taça da Copa do Mundo e tentar conquistar o hexacampeonato de futebol. A frustração veio mais cedo do que se esperava, com a equipe canarinha sendo eliminada ainda nas oitavas de final. Assim que o elenco do Brasil foi desclassificado pela Noruega, no último dia 5, as redes sociais foram inundadas de comentários sobre as eleições. Os internautas diziam que a disputa agora seria nas ruas, nas campanhas e na internet.

No entanto, apesar da antecipação do clima eleitoral, em razão da frustração com o futebol, a corrida para a vaga de presidente da República, assim como de deputados e senadores, começa hoje, com o início das convenções partidárias, fase que marca a entrada oficial dos candidatos, que deixam de ser pré-postulantes aos cargos e mergulham definitivamente na disputa política.

Economia será decisiva para eleições, diz José Guimarães, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Ministro atribui melhora de Lula a novos programas do governo, vê Palácio ‘sem crises’ e minimiza tensão com o Senado

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, disse ao Valor que as últimas pesquisas eleitorais o convenceram de que a economia terá um peso decisivo na disputa pelo Palácio do Planalto. Ele atribuiu a melhora na aprovação do governo a programas com impacto no bolso do eleitor, como o Desenrola.

Responsável pela articulação política, ele vê mais integração entre o time de ministros que dialoga com o Congresso e classifica a aprovação na Câmara dos Deputados da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 como a principal vitória de sua gestão na pasta. A matéria, no entanto, não avançou no Senado, onde o Executivo ainda enfrenta um clima de tensão desde o afastamento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Tarifaço amplia crise em pré-campanha de Flávio, por Beatriz Roscoe e Gabriela Guido

Valor Econômico

Parte do entorno do senador avalia que episódios impediram avanço de agenda positiva; time tenta emplacar pauta de propostas, como plano para mulheres

O anúncio do tarifaço dos Estados Unidos na semana passada aprofundou o diagnóstico que já vinha sendo feito por aliados e interlocutores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): a pré-campanha ao Palácio do Planalto acumula crises e erros desde o lançamento, em dezembro de 2025. A avaliação é que sucessivos erros políticos, falhas de comunicação, dificuldades de articulação e conflitos internos impediram que a pré-campanha conseguisse emplacar uma agenda positiva.

Para essas fontes, a decisão de Flávio de acionar o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e viajar a Washington para tentar convencer autoridades americanas a reverter a taxa de 25% sobre produtos brasileiros ampliou o desgaste e desviou novamente o foco das propostas que vêm sendo anunciadas por ele.

Ataques a Moraes fragilizam imagem de ‘moderado’, por Tiago Angelo

Valor Econômico

Pré-candidato do PL sobe o tom contra Alexandre de Moraes, diz que não irá ‘abaixar a cabeça’ para ‘tirano nenhum’ e afirma que ministro ‘parece sem alma’ e usado por um ‘demônio’

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmaram em reserva ao Valor que declarações recentes do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre Alexandre de Moraes fragilizam a imagem de que o político é mais “moderado” que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Tarifaço machuca, mas nem tanto, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Efeitos do tarifaço são limitados, e muitos setores compensaram perdas redirecionando exportações

Donald Trump não aliviou e cumpriu a ameaça de sobretaxar nossas exportações. Valendo-se de uma investigação sobre supostas práticas desleais, o órgão de defesa comercial americano aplicou uma tarifa extra de 25% sobre os produtos brasileiros.

É mais um capítulo da novela que começou ainda durante a campanha eleitoral, quando Trump começou seu bullying contra parceiros comerciais. Daí veio o Liberation Day, em 02/04/2025, com a aplicação de tarifas seletivas para cada país, que nos brindou com a alíquota mínima de 10%. Mas em junho de 2025 o presidente americano resolveu apontar seu armamento comercial para o Brasil. Com objetivos políticos e defendendo interesses de grandes empresas, iniciou o processo que agora confirmou a sobretaxa de 25%.

Mulheres e negros unidos contra o retrocesso, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Uma sociedade racista e viciada em desigualdades é resistente a mudanças que visam garantir direitos aos negros e proteção às mulheres

Grupos precisam se unir contra o retrocesso de conquistas civilizatórias alcançadas ao longo de décadas de lutas

Por mais que não seja uma surpresa, dada a trajetória histórica que nos trouxe ao atual patamar de desigualdades nacionais vigentes, a cruzada empreendida por agentes políticos contra as cotas étnico-raciais, a misoginia e a criminalização do racismo são impressionantes.

Se a proposição de um projeto de lei flagrantemente inconstitucional é, por si, uma afronta à democracia, a insistência em contrariar o pacto federativo para fazer valer uma tese que, além de ferir a Constituição, contraria a fartura de dados e evidências sobre a preponderância do fator étnico-racial na estruturação das desigualdades ultrapassa todos os limites da civilidade, da moralidade e do chamado "espírito republicano".

A política da nova opacidade, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Por que o combate à corrupção pelo STF e TCU nas emendas orçamentárias não se volta para essas próprias instituições?

Consolidou-se um modelo em que parlamentares preservam influência sobre o gasto público enquanto reduzem a visibilidade de sua participação.

Por que um parlamentar abriria mão de receber o crédito por uma obra, um hospital ou uma quadra que ajudou a financiar? A pergunta é contraintuitiva. Durante décadas, a ciência política explicou a política distributiva justamente pela busca desse reconhecimento. O deputado destinava recursos ao seu reduto, inaugurava obras e esperava transformar a visibilidade em votos.

Contra a corrupção do outro, por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Sob polarização, as instituições passam a ser julgadas por quem elas atingem 

Poucos temas produzem tanto consenso no Brasil quanto o combate à corrupção. Pesquisas de opinião mostram, há décadas, que a maioria dos brasileiros considera a corrupção um dos principais problemas do País. Ainda assim, convivemos com uma sensação permanente de impunidade.

O maior obstáculo ao combate à corrupção talvez não seja apenas a fragilidade das leis ou das instituições. Mas, sim, a incapacidade dos próprios eleitores de julgarem a corrupção com o mesmo critério, independentemente de quem esteja sendo investigado.

Brasil também é protecionista, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

As tarifas de importação são elevadas em relação a outros países emergentes e desenvolvidos

O Brasil é protecionista. Há décadas. Isso significa que as tarifas de importação são elevadas em relação a outros países emergentes e desenvolvidos. Há uma lógica por trás disso. Trata-se de uma vertente de política econômica que, simplificando, indica que o país deve proteger sua indústria da concorrência externa. O objetivo é dar tempo para que a produção local se desenvolva.

Temos um exemplo bem atual: a partir deste mês, todo veículo eletrificado que entrar no Brasil pagará um imposto de importação de 35%. Trata-se de um tarifaço, o nível mais alto permitido pelas regras da Organização Mundial do Comércio.

Rússia lembra que tem a bomba, por Demétrio Magnoli

O Globo

Putin concluiu que só pode triunfar por meio de uma capitulação política dos EUA e da Europa

A revista The Economist publicou, há pouco, um texto de Andrey Melnichenko, magnata russo dos fertilizantes cujas fábricas participam da economia de guerra destinada a sustentar a invasão da Ucrânia. A revista o apresenta como “o homem que mudaria a Rússia” e interpreta seu artigo como “alerta de fadiga ou descontentamento” oriundo da oligarquia econômica russa. Trata-se de um raro equívoco de leitura de um veículo que não pode ser acusado de ingenuidade. De fato, Melnichenko dirige ao Ocidente — aos governos e à opinião pública — uma mensagem cifrada do Kremlin.

Polícia não pode ser responsável por tudo, por Preto Zezé

O Globo

Transformamos problemas de saúde, álcool e drogas, educação, urbanismo e proteção à infância em ocorrências policiais

Imagine uma ocorrência de embriaguez e desordem em um sábado à noite. A polícia chega para conter a confusão e encontra uma mulher agredida, crianças vivendo em um ambiente de violência e uma família abandonada pelo poder público. Quando a ocorrência termina e todos chegam à delegacia, aparece uma das grandes distorções do nosso sistema. O homem que provocou a violência passa a responder também como vítima, alegando lesão corporal, invasão de domicílio ou prisão ilegal. A mulher e os filhos, que precisavam da intervenção do Estado para interromper o ciclo de violência, tornam-se testemunhas. E o policial chamado para proteger a família passa a ocupar o banco dos réus. Não discuto a responsabilização de abusos policiais quando eles existem. O que essa situação revela é outra coisa: a ausência das demais políticas públicas empurra a polícia para resolver, sozinha, problemas que nunca foram só policiais.

Poesia | Lola Flores -. Requiem por Frederico Garcia Lorca

 

Música | Joan Manuel Serrat - Cantares - Último concierto en Madrid