terça-feira, 21 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Análise do TCU sobre emendas Pix exige investigação

Por O Globo

Em amostra de 2020 a 2024, oito em dez emendas apresentaram algum indício de irregularidade

A Polícia Federal (PF) deve dar prioridade à análise de auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as emendas Pix, transferidas diretamente para o caixa de estados e municípios, assim que o plenário da Corte aprová-la em plenário. Oito em dez das emendas examinadas apresentaram algum tipo de irregularidade. Apenas no universo da amostra, existem indícios de problema em R$ 49,1 milhões repassados entre 2020 e 2024. Como a quantia total deve ser muito maior, é urgente investigar, indiciar os suspeitos, condenar os eventuais culpados e garantir o retorno das verbas aos cofres públicos.

Pequeno glossário gramsciano, por Alvaro Bianchi e Daniela Mussi*

Revista Cult

Bloco histórico

O conceito, inspirado na obra de Georges Sorel (1847-1922), foi utilizado por Gramsci para repensar as relações entre estrutura-superestrutura em uma chave anti-economicista. Expressa a unidade entre estrutura e superestrutura, natureza e espírito. No bloco histórico, as forças materiais são o conteúdo e as ideologias, as formas. Mas essa distinção entre forma e conteúdo é apenas didática, uma vez que na realidade histórica as forças materiais não seriam concebidas sem suas formas e as ideologias não teriam eficácia sem essas forças materiais. O conceito de bloco histórico não designa uma aliança de classes ou partidos políticos.

Cultura

Tema persistente nos escritos de Antonio Gramsci, cultura adquiria sentido amplo e uma série de desdobramentos em seu pensamento. Nos artigos de juventude, a cultura aparecia associada à atividade intelectual necessária para o fortalecimento “interior” do ambiente socialista, capaz de superar tanto as reduções neopositivistas do marxismo como o neoidealismo que avançava sobre as ideias de Karl Marx, revisando-as e incorporando-as em um paradigma liberal. Nos cadernos redigidos da prisão encontramos essa concepção ampliada e complexificada, resultado do interesse e contato de Gramsci com a experiência soviética desde 1917, além dos demais desdobramentos da crise aberta com a I Guerra Mundial na Europa, especialmente na Itália sob o fascismo. A cultura passava a ser pensada, ainda, como reforma intelectual e moral, ou seja, como o coração de uma estratégia de organização política. Também era investigada como parte de uma nova historiografia que reconhecia na formação do Estado moderno a unidade contraditória entre as formas da vida e atividade de governados e governantes.

Um presidente de mãos atadas, por Fernando Gabeira

O Globo

No fundo, todos sabemos que governo não tem dinheiro, exceto o que recebe de todos nós. Já temos tanta dor de cabeça

Acabou a Copa do Mundo; agora, nosso tema comum é a eleição. É preciso afirmar algo tão inconveniente agora quanto foi dizer que, com aquele time, o Brasil não ia longe, apesar da fanfarra comercial do “rumo ao hexa”.

Depois de muito debate e emoção, o presidente que escolhermos chegará ao poder de mãos quase atadas. Ele simplesmente não terá dinheiro para executar suas promessas. A causa disso é muito simples: o Congresso sequestrou parte do Orçamento. Ele gasta cerca de R$ 61 bilhões por ano só em emendas parlamentares. Sobra pouco para o governo.

Orçamento é um tema muito chato. É uma quantidade abstrata de recursos, que a gente costuma pensar como o dinheiro do governo. No fundo, todos sabemos que governo não tem dinheiro, exceto o que recebe de todos nós. Já temos tanta dor de cabeça com as contas do nosso dia a dia. Por que se preocupar com o que gasta o governo?

As surpresas do inesperado, por Merval Pereira

O Globo

O ex-presidente Tancredo Neves dizia que Presidência é destino. A História do Brasil está repleta de exemplos da verdade dessa afirmação.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dizia que se tivesse sido eleito prefeito de São Paulo em 1985 — foi derrotado por Jânio Quadros — dificilmente chegaria à Presidência da República em 1994. O mesmo se pode dizer do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Candidato mais provável da direita à sucessão presidencial, foi esnobado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em favor do filho Flávio, e hoje está perto de se reeleger governador no primeiro turno. Com a vitória, mesmo que seja no segundo turno, Tarcísio se verá livre de dois “fantasmas” em 2030. Lula estará fora da disputa presidencial, e provavelmente da política, e Jair Bolsonaro estará enfraquecido com a provável derrota de Flávio, e inelegível, condição que pode se estender até 2060 se considerada também uma condenação criminal posterior.

Cenário eleitoral começa a se definir com consolidação de candidaturas, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Estruturas de poder, palanques compartilhados, recursos financeiros e tempo de televisão fazem toda a diferença, mas também existe o imponderável, como em 2018

A campanha presidencial entrou numa nova fase. A abertura do período das convenções partidárias, nesta segunda-feira, transforma as pré-candidaturas em candidaturas formais e obriga os partidos a fechar suas alianças, escolher os candidatos a vice e armar os palanques estaduais, que acabam tendo muito peso na disputa pela Presidência. Renan Santos, do Missão, foi o primeiro presidenciável a oficializar seu nome, numa convenção antecipada, realizada ontem, ao lado do militar da reserva Aroldo Medina.

Fora da bolha, eleitor ficou mais sabido e desapegado, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Perfil do TSE mostra eleitorado mais velho, mais escolarizado e mais numeroso em regiões ignoradas pelo noticiário nacional

Há mais brasileiros conectados à internet (168,7 milhões) do que aptos a votar - 158.745.463 segundo os dados do perfil do eleitorado divulgado nesta segunda pelo Tribunal Superior Eleitoral. Não se tire daí a conclusão de que esta eleição será determinada pelas redes sociais.

O jovem que as movimenta estará mais ausente. Dados compilados pela Justiça Eleitoral em São Paulo mostram que, depois de crescer 51% em 2022, quando a cantora Anitta fez uma campanha para que se alistassem, o número de eleitores com menos de 18 anos caiu 23%. Já os idosos, mais distantes das redes, cresceram 13%.

Condenado cá, premiado lá, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ainda brasileiro, conquistou algo mais importante do que um mero troféu decorativo por trabalhar a favor de Donald Trump e dos interesses americanos contra o Brasil. O prêmio de agradecimento foi bem concreto: um green card com o qual pode morar, estudar e trabalhar nos Estados Unidos.

Não é pouca coisa e não é para qualquer um, especialmente nesses tempos de Trump e ICE perseguindo, prendendo, deportando, humilhando e até separando pais de filhos, não de qualquer país, mas daqueles menos brancos e menos chiques. Como os da América Latina e da África, por exemplo.

O mal-estar da República, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Está na praça – sob a categoria tem de ler – o livro-ensaio A Oligarquia dos Poderes, de Joaquim Falcão, um dos intérpretes deste Brasil em que a concertação dissimula o conluio. Parece que Flávio Dino já o leu. Deveria lê-lo – não lhe deixa de ser uma biografia indireta – Gilmar Mendes. Não o lerá Alexandre de Moraes.

São 254 páginas de diagramação arejada, fonte generosa para com os de vista cansada e texto papo reto sobre “a crise da democracia”, esse mal-estar social derivado da percepção difusa de que a elite delegada a nos representar terá corrompido a própria existência, um fim em si mesmo, alargado e aprofundo o fosso que a separa do povo.

“O mal-estar provoca certo desprezo da sociedade pelo Estado. A maioria popular sente.” O autor trata da violação do contrato social, produto do estabelecimento de um sistema trancado em que os donos da República protegeriam uns aos outros. O Poder instrumentalizado, fachada à constituição autoritária de apropriadores, para além da locupletação simples conforme consagrada neste país.

Administrando os casuísmos, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Decisão do STF de ir mantendo desembargador à frente do governo fluminense é a melhor para o Rio

O problema é que ela atropela a ordem sucessória prevista na Constituição estadual e na federal

Tá tudo dominado. É pequena a chance de a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) tomar boas decisões. Seria uma temeridade colocar o novo presidente da Casa, que também é candidato a governador, para comandar interinamente o estado após a crise de múltiplas vacâncias.

É provavelmente com base nessas verdades autoevidentes que o STF vem mantendo o presidente do TJ fluminense, desembargador Ricardo Coutoà frente do Palácio Guanabara, em vez do deputado estadual Douglas Ruas. Vale ainda ressaltar que Couto está fazendo um bom trabalho como administrador provisório.

Estilo antigo separa Kassab e Valdemar, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Presidente do PL deu-se mal ao generalizar a ingerência de dirigentes partidários nas emendas

Ficará falando sozinho se os demais colegas negarem a prática, como fez o presidente do PSD

No segundo dos dez dias dados pelo ministro Flávio Dino para que presidentes de partidos digam se interferem, ou não, na destinação de emendas parlamentaresGilberto Kassab (PSD) foi logo negando a prática.

Apressou-se em puxar uma fila que provavelmente será seguida pelos demais dirigentes. Deixarão Valdemar Costa Neto (PL) pendurado na escada em que subiu ao tentar, numa entrevista à GloboNews, normalizar a usurpação das direções partidárias de atribuições exclusivas dos donos de mandato legislativo.

Tariflávio é apelido perfeito para quem tem culpa no cartório, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Sanção econômica dos EUA escancara interferência nas eleições

Além de Lula, adversários da candidatura bolsonarista são Trump, Master e Michelle

O período de Copa do Mundo, quando geralmente se espera um refresco nas maquinações políticas, foi devastador para a campanha de Flávio Bolsonaro. Primeiro veio o vídeo da ex-primeira-dama Michelle, horas antes de a seleção brasileira enfrentar a Escócia (acabou vencendo por 3 a 0 e dando uma falsa esperança aos torcedores).

O filho 01 disse que "hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece". Quem dera. Michelle abriu um buraco na candidatura do enteado, afastando o voto evangélico e, sobretudo, o feminino.

The Economist: Ataque ao Pix reforça 'paixão' pelo sistema de pagamento

Por O Globo

Revista britânica afirma que argumentos dos EUA não encontram respaldo em fatos, embora afirme que ele pressiona para baixo as taxas cobradas por empresas de cartões

Pix brasileiro entrou na mira do governo do presidente Donald Trump e foi usado como um dos argumentos para os Estados Unidos aprovarem uma sobretaxa de 25% sobre uma série de produtos importados do Brasil, após a conclusão de uma investigação comercial que durou um ano e que classificou como "injustas" determinadas práticas comerciais adotadas pelo país.

As críticas reforçaram ainda mais o apelo do sistema de pagamento, diz a revista, que cita o fato dele já fazer parte da rotina da população. Cerca de 170 milhões de pessoas ou quase 80% da população usam o sistema de pagamento gratuito e instantâneo.

Tarifas de Trump não vão funcionar e fortalecerão Lula, diz Nobel de Economia, por Mônica Mariotti

BBC News Brasil em Londres

economista americano Paul Krugman publicou um artigo nesta segunda-feira (20/7) no qual afirma que as tarifas impostas pelo governo Donald Trump ao Brasil não vão funcionar — e vão fortalecer o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Usar as tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá sucesso", afirma o economista, em artigo publicado no site Substack. Confirmadas na semana passada, as tarifas entram em vigor na próxima quarta-feira (22/07).

Poesia | E agora José? de Carlos Drummond de Andrade. Voz Paulo Autran

 

Música | Maria Bethânia e Lenine - Nem o Sol, nem a Lua, nem Eu (Lenine)