sábado, 18 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Socorro para exportadores deve respeitar limites

Por O Globo

A crise do tarifaço não é desculpa para mais oportunismo do governo e do Congresso em ano eleitoral

Exige cautela a preparação de socorro para as empresas que serão afetadas a partir da quarta-feira pelo tarifaço de 25% imposto pelo presidente americano Donald Trump. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio estima que a nova taxação afetará 18% das exportações para os Estados Unidos, fatia correspondente a US$ 7,4 bilhões. A mudança não deverá ter reflexo macroeconômico significativo, mas é fato que setores fora da lista de exceções, como a indústria de calçados e mobiliário, sofrerão.

A terceira face de Janus, por Ricardo Marinho*

A ideia da terceira face de Janus refere-se a uma interpretação filosófica, poética e analítica desse mito romano. Enquanto a representação clássica ele possui duas faces (uma olhando para o passado e outra para o futuro). A terceira face simbolizaria o presente, o momento de transição e a tomada de decisão no agora, na conjuntura.

A terceira face de Janus está aí, convertido num terceiro ator que se une à conjuntura mundial, onde estados e sociedades podem regredir para uma estrutura anacrônica internacional, na qual a força prevalece sobre a razão, e tornou-se mais difícil conviver com base em regras acordadas, que permitem um contexto de acordos multilaterais que geram uma realidade com imperfeições. mas capaz de se desenvolver de forma civilizada, sem a ameaça, o medo e a liquidação do outro.

A globalização e a Copa, por Marcus Pestana

Amanhã, teremos a final da maior Copa do Mundo da história do futebol. Foram 48 seleções dos cinco continentes. O modelo sofreu críticas, mas é inegável, que num planeta abalado por conflitos como os da Ucrânia e do Oriente Médio, patrocinou um momento de grande congraçamento entre os povos. Foi um formato que permitiu a participação de países como Curaçao, Jordânia, Cabo Verde, Catar, Congo e Uzbequistão, que provavelmente estariam fora nas regras anteriores.

Nem tudo foram flores. México e Canadá deram aula de acolhimento e simpatia. Já Trump e seu governo envergonharam a opinião pública internacional com atitudes explícitas de preconceito e xenofobia. Submeteram seleções africanas e asiáticas a revistas humilhantes, impuseram à seleção iraniana uma situação absurda, barraram a entrada do juiz somali Omar Artan, eleito o melhor da África em 2025, por supostas ligações com organizações terroristas. E a subserviência da FIFA foi vergonhosa.

Psicodrama eleitoral, por Murillo de Aragão

Revista Veja

A plateia não está gostando nada do que está assistindo

As eleições percorrem uma trilha novelesca que transita pelo gangsterismo clássico, ora passando pelos crimes de colarinho branco, quase sempre envolvendo histórias de corrupção. Tudo regado a fortes doses de influência política e advocacia administrativa. Em 2026, o enredo vai além: inclui brigas de família no arraial bolsonarista e ameaças entre presidentes. Vale dizer que as relações de Lula com Trump sempre foram permeadas de bravatas de lado a lado.

Permanência com aprendizado, por Cristovam Buarque

Revista Veja

A escola precisa louvar o prazer de estar numa sala de aula

Em 1994, a Editora Paz e Terra publicou A Revolução nas Prioridades: da Modernidade Técnica à Modernidade Ética. Além de formular o conceito das duas modernidades e apresentar um capítulo sobre os dez erros da modernização brasileira, o livro propunha 100 medidas para orientar o futuro do Brasil. A primeira era o pagamento de uma renda mensal às mães para que seus filhos não faltassem às aulas; a segunda, o depósito anual de um valor em poupança ao final de cada ano se o aluno fosse aprovado, a ser liberado quando ele concluísse o ensino médio. Em 1995, o governo do Distrito Federal adotou essas duas medidas, com os nomes de Bolsa-Escola e Poupança-Escola. Cinco anos depois, a primeira foi levada para todo o Brasil pelo governo Fernando Henrique Cardoso; em 2004, o presidente Lula a transformou no Bolsa Família, retirou sua gestão do MEC e ampliou seus beneficiários a todos que precisavam de ajuda; em 2003, seu então ministro da Educação apresentou um projeto de lei para estender a Poupança-­Escola a todo o Brasil, mas somente 21 anos depois, graças à deputada Tabata Amaral, a proposta foi finalmente adotada, com o nome Pé-de-Meia.

Guerra contra a Justiça, por Jamil Chade

CartaCapital

Trump age para desmantelar o Tribunal Penal Internacional

Donald Trump declarou guerra contra a Justiça internacional. Em uma operação diplomática de chantagem e de ameaças, o governo norte-americano colocou em prática a maior ofensiva contra a ideia do direito internacional e a perspectiva de criminosos de guerra não ficarem impunes. Na segunda-feira 13, de maneira solene, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que sua missão passou a ser a de desmantelar o Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia.

Casos de família, por Pedro Serrano

CartaCapital

O perigo persiste, pois os dramas do clã Bolsonaro tendem a produzir pouca ou nenhuma repercussão em base eleitoral, acometida por uma cegueira deliberada

Nos últimos dias, revivemos, pelo noticiário, os conflitos da família Bolsonaro. Em vez de coalizões republicanas, que naturalmente antecedem os processos eleitorais, as movimentações têm se assemelhado a programas de televisão nos quais as desavenças familiares são expostas de forma crua.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo em que expõe desentendimentos com Flávio Bolsonaro, apontado pré-candidato à Presidência da República. Em resposta, o senador tornou pública uma carta escrita pelo pai. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, entendeu que houve violação da medida cautelar imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que o proíbe de utilizar redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, e proibiu Flávio de visitá-lo por 90 dias.

Presente de grego, por André Barrocal

CartaCapital

De volta à berlinda por causa das emendas, o Parlamento aprova pautas-bombas e entra em recesso

O Congresso sai de recesso e volta para valer ao batente apenas após a eleição de outubro. Até lá, haverá ­duas semanas de “esforço concentrado”, em agosto e setembro, um costumeiro faz de conta com o qual ­deputados e senadores tentam mostrar ao eleitor que não estão com a cabeça somente na própria campanha. Antes de fechar as portas, o Legislativo aprovou (mais) uma “bomba” financeira para o governo. É a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde. Cerca de 400 mil trabalhadores serão beneficiados, caso o Supremo Tribunal Federal dê sinal verde. A equipe econômica pretende recorrer ao STF pois, em um julgamento anterior, a Corte decidiu que o Legislativo precisa apontar fontes de receita sempre que criar despesa nova, o que não ocorreu neste caso. Estima-se um gasto extra de 2,7 bilhões de reais por ano em uma década com essa inatividade especial. Por se tratar de mudança constitucional, o Parlamento tem de marcar uma sessão para promulgá-la. Ainda não há data, depende do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre.

A relação financeira Brasil-China, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

A emissão de Panda Bonds pelo mercado brasileiro é mais um passo rumo à mudança do sistema monetário

Registram o China Daily e o ­Global Times, jornais chineses: em reunião em Pequim, autoridades do país e brasileiras celebraram o acordo que permite a emissão de Panda Bonds. Os Panda são títulos, públicos e privados, denominados em renminbi nos mercados financeiros da China. O Brasil foi a primeira nação autorizada a emitir títulos Panda. Outras certamente estão na fila.

Isso nos faz recordar os trabalhos elaborados para as reuniões que precederam as reformas de Bretton Woods em julho de 1944. John Maynard Keynes formulou a proposta mais avançada e internacionalista de gestão da moeda internacional. Com base nas regras de administração da moeda bancária, o Plano Keynes previa a criação de uma entidade pública e supranacional encarregada de controlar o sistema internacional de pagamentos e de providenciar liquidez aos países deficitários. Tratava-se não só de contornar o inconveniente de submeter o dinheiro universal às políticas econômicas do país­ emissor, como observamos agora, mas de evitar que a moeda internacional assumisse a função de perigoso agente da instabilidade financeira internacional.

Poesia | A velhice pede desculpas, de Cecília Meireles

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Música | Gal Costa - Camisa Amarela, de Ary Barroso