terça-feira, 14 de abril de 2026

Gilmar quer reforço, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Jorge Messias vem aí. Vencidas, algumas codevasfs depois, as principais dificuldades forjadas por Davi Alcolumbre, os seus wevertons já afrouxam as cordas e apontam para aquela sabatina teatral padrão. Messias vem aí. E Gilmar Mendes o reivindica para si. Quer reforço à sua bancada no Supremo, também a bancada do governo na Corte constitucional – o terceiro parlamento, com todos os ônus eleitorais decorrentes da associação de Lula ao “companheiro” Alexandre de Moraes, a própria imagem de um tribunal percebido ao mesmo tempo como agente líder em operação abafa (contra as investigações do caso Master) e extensão proativa do Planalto.

Messias vem aí, talvez mesmo a tempo – de pedido de vista em pedido de vista – de formar maioria pela eleição suplementar direta no Rio de Janeiro; ou talvez, não havendo mais tempo de organizar a eleição suplementar, para formar maioria a que haja somente a eleição regular de outubro e, já em outro patamar de intervenção, a que o presidente do Tribunal de Justiça governe o Estado até janeiro, ignorada a linha sucessória a ser recomposta com a eleição de novo presidente da Assembleia Legislativa.

A bancada que precisa de reforço: além de Mendes e Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino. (Paulo Gonet, PGR, é assessor-parlamentar do bloco.) Messias vem aí, para assegurar a maioria e, contra o código de Fachin, reafirmar a vigência do direito xandônico. Leal a Lula, como Zanin e Dino, o principal critério para indicação neste mandato; e doravante devedor do decano, cuja carga em senadores que têm foro no STF não pode ser desvalorizada.

“Apoio de peso” – li em algum lugar, sobre a defesa de Gilmar às credenciais do candidato, cousa de repente normal um ministro do Supremo fazendo campanha pública, em rede social, para que o advogado-geral da União se junte ao time. Já há muito natural que tenham candidatos a todos os cargos de indicação política em Brasília – e que trabalhem por eles.

Gilmar Mendes quer reforço à bancada porque o caso Master a expôs e enfraqueceu. Moraes, ainda que ferido, mantém-se de pé, mesmo sem meios para explicar o contrato do escritório da esposa – R$ 80 milhões pagos em 22 meses – com o banco. Não tendo como explicar o valor do serviço nem a mensagem em que Vorcaro lhe questiona, no dia em que seria preso, sobre se conseguira bloquear algo, reage disparando investigações-intimidações via inquérito xandônico infinito e onipotente.

Xandão tem fibra e é útil. Ainda. Não se poderá dizer o mesmo de Dias Toffoli, outrora anulador-geral da República, hoje moribundo dependente da blitz bloqueadora que o time promove para lhe blindar o sigilo da empresa – blitz que o tem por fachada para a blindagem, afinal, do próprio Supremo. Dias Toffoli, descartável, tornou-se especialmente tóxico, pois inconfiável; os membros da bancada – que decidiriam não investigar a trairagem – não tendo se esquecido de que alguém gravara e vazara a reunião secreta em que deliberaram sobre seu afastamento da relatoria do caso Master. Messias vem aí e Gilmar tem pressa.

 

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