O Estado de S. Paulo
Chegada de novo ministro ao STF pode mudar correlação de forças em meio à crise interna
A campanha que ministros do Supremo Tribunal
Federal (STF) fazem pela aprovação de Jorge Messias no Senado não é de todo desinteressada.
Nos bastidores, integrantes de diferentes alas da Corte lutam para engordar seu
próprio time – e, assim, conquistarem um aliado quando Messias passar pelo
crivo dos parlamentares.
Diante de um tribunal conflagrado, uma parceria a mais é bem-vinda. Hoje, a ala crítica ao comando de Edson Fachin está numericamente empatada com o time do presidente. A correlação de forças internas pode mudar com a chegada do novato.
De um lado, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin,
que são aliados no Supremo e fazem oposição a Fachin em temas que o presidente
considera cruciais, pedem votos aos senadores em favor de Messias. Correm pelo
outro lado André Mendonça e Kassio Nunes Marques – que apoiam a gestão de
Fachin e as prioridades eleitas por ele.
Nesse cenário, o time de Fachin leva
vantagem. A atuação de Mendonça rompeu os bastidores e ganhou contornos
públicos na segunda-feira, quando discursou a favor de Messias em evento na
Assembleia Legislativa de São Paulo. Na presença do candidato à cadeira vaga no
Supremo, Mendonça disse que torce para o advogado-geral da União chegar logo à
Corte.
Nunes Marques é amigo de Messias há mais
tempo, desde que moravam no Piauí. Depois que Jair Bolsonaro indicou Nunes
Marques para o STF, Messias foi o principal articulador da aproximação do
ministro com o presidente Lula. Nunes Marques conseguiu emplacar aliados em
tribunais de Brasília e, agora, quer fazer o mesmo pelo advogado-geral.
Embora as duas alas sejam matematicamente
iguais, o time de Gilmar e Zanin fala mais alto – especialmente pela maior
capacidade de articulação política interna e externa. Estão nesse time também
Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Dias Toffoli. Ao lado de Mendonça e Nunes
Marques estão Cármen Lúcia, Luiz Fux e Fachin.
A divisão política do STF ficou mais patente
depois que estourou o escândalo do Banco Master. Fachin passou a defender um
comportamento mais sóbrio dos colegas e a aprovação de um código de conduta
para a Corte. Esbarrou na contrariedade da ala de Moraes e Toffoli. Ambos foram
mencionados no caso Master por relações mantidas com Daniel Vorcaro.
A turma de Fachin ficou enfraquecida nesse
processo. O presidente do STF insiste na aprovação do código de ética. E quer
encerrar o inquérito das fake news para demonstrar à política disposição para distensionar
o clima polarizado em Brasília. A esperança dessa ala é de que a chegada de
Messias fortaleça o presidente da Corte.

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