quinta-feira, 9 de abril de 2026

Ministros em campanha por Messias, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Chegada de novo ministro ao STF pode mudar correlação de forças em meio à crise interna

A campanha que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) fazem pela aprovação de Jorge Messias no Senado não é de todo desinteressada. Nos bastidores, integrantes de diferentes alas da Corte lutam para engordar seu próprio time – e, assim, conquistarem um aliado quando Messias passar pelo crivo dos parlamentares.

Diante de um tribunal conflagrado, uma parceria a mais é bem-vinda. Hoje, a ala crítica ao comando de Edson Fachin está numericamente empatada com o time do presidente. A correlação de forças internas pode mudar com a chegada do novato.

De um lado, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, que são aliados no Supremo e fazem oposição a Fachin em temas que o presidente considera cruciais, pedem votos aos senadores em favor de Messias. Correm pelo outro lado André Mendonça e Kassio Nunes Marques – que apoiam a gestão de Fachin e as prioridades eleitas por ele.

Nesse cenário, o time de Fachin leva vantagem. A atuação de Mendonça rompeu os bastidores e ganhou contornos públicos na segunda-feira, quando discursou a favor de Messias em evento na Assembleia Legislativa de São Paulo. Na presença do candidato à cadeira vaga no Supremo, Mendonça disse que torce para o advogado-geral da União chegar logo à Corte.

Nunes Marques é amigo de Messias há mais tempo, desde que moravam no Piauí. Depois que Jair Bolsonaro indicou Nunes Marques para o STF, Messias foi o principal articulador da aproximação do ministro com o presidente Lula. Nunes Marques conseguiu emplacar aliados em tribunais de Brasília e, agora, quer fazer o mesmo pelo advogado-geral.

Embora as duas alas sejam matematicamente iguais, o time de Gilmar e Zanin fala mais alto – especialmente pela maior capacidade de articulação política interna e externa. Estão nesse time também Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Dias Toffoli. Ao lado de Mendonça e Nunes Marques estão Cármen Lúcia, Luiz Fux e Fachin.

A divisão política do STF ficou mais patente depois que estourou o escândalo do Banco Master. Fachin passou a defender um comportamento mais sóbrio dos colegas e a aprovação de um código de conduta para a Corte. Esbarrou na contrariedade da ala de Moraes e Toffoli. Ambos foram mencionados no caso Master por relações mantidas com Daniel Vorcaro.

A turma de Fachin ficou enfraquecida nesse processo. O presidente do STF insiste na aprovação do código de ética. E quer encerrar o inquérito das fake news para demonstrar à política disposição para distensionar o clima polarizado em Brasília. A esperança dessa ala é de que a chegada de Messias fortaleça o presidente da Corte.

 

Nenhum comentário: