O Estado de S. Paulo
Ibaneis Rocha diz que nada sabe. Celina Leão
tenta vender ativos, mas encontra dificuldades
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi pego pelos investigadores da Polícia Federal em conversas para lá de comprometedoras com o exbanqueiro Daniel Vorcaro.
Poucas vezes em investigações de corrupção
encontraram-se provas tão robustas.
“Conversei com a minha esposa e estaremos em
SP na próxima semana. Seria legal mostrar o apartamento para ela. Assim, ela
também vai se ambientando”, escreveu Paulo Henrique Costa.
“Vou te passar uma pessoa que te mostrará o apartamento”, responde Vorcaro.
Em outro ponto das mensagens apreendidas no celular
do ex-banqueiro, Vorcaro recomenda a corretora encarregada de mostrar o imóvel.
“Preciso dele feliz. Reverte isso aí.”
Aliás, imóveis, no plural. São seis
apartamentos de alto padrão nos pontos mais caros de São Paulo e Brasília
avaliados em R$ 146,5 milhões. Eles seriam repassados por Vorcaro a Paulo
Henrique Costa por meio de rede de laranjas como compensação pela aquisição das
carteiras fraudulentas do Master pelo BRB e, eventualmente, pela compra total
do banco falido. Parece muito dinheiro. Mas é pouco diante do rastro de
prejuízo que o esquema deixou para o contribuinte do Distrito Federal.
Como costuma acontecer em casos de corrupção,
a propina está na casa dos milhões e o prejuízo causado aos cofres públicos
gira em torno dos bilhões.
O BRB, banco distrital, tem um rombo ainda
sem valor definido, porque deixou de apresentar balanço.
Estima-se hoje que a diferença entre ativos e
passivos esteja entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões. O banco precisa de um
aporte do governo do DF ou de socorro do governo federal, que se recusa a pagar
a conta, ainda mais de um opositor político.
O ex-governador Ibaneis Rocha diz que nada
sabe. A nova governadora Celina Leão tenta vender ativos, mas encontra
dificuldades – o mercado quer, obviamente, um baita desconto.
A PF desconfia que Paulo Henrique Costa não
agiu sozinho. Nesta quarta fase da Operação Compliance Zero, não só prendeu o
ex-executivo como apreendeu seu celular.
Podem estar lá as respostas para o real
envolvimento de Ibaneis no caso e outras conexões que mantinham o executivo no
comando do banco.
Na polêmica acareação entre Paulo Henrique
Costa, Daniel Vorcaro e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de
Aquino, quando o relator ainda era o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias
Toffoli, Paulo Henrique Costa entregou um celular e um notebook em “sinal de
boa vontade”.
Só que o aparelho apreendido ontem é outro. •

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