sábado, 18 de julho de 2026

Na antessala das eleições, tarifaço aproxima Lula de empresários, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Ministros, que andavam desorientados sobre como ajudar na campanha, agora perguntam aos empresários: 'Do que que vocês precisam?'

Petista pegou carona na janela aberta pelas novas tarifas e aproveitou para reforçar a defesa incondicional do Pix

Um ano após o primeiro tarifaço do governo dos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro deu um baita presente para o presidente Lula ao estimular que o balcão de negócios de Donald Trump virasse tema eleitoral no Brasil.

Na antessala do início oficial da campanha política, no dia 16 de agosto, Lula voltou a abraçar o discurso da soberania depois que o pré-candidato do PL foi até os Estados Unidos participar da negociação comercial e pediu ao governo Trump que adiasse a decisão do tarifaço para depois do resultado das eleições.

Lula, que já tinha obtido ganhos políticos no ano passado com o tarifaço num momento de baixa popularidade do seu governo, pegou carona na janela aberta pelas novas tarifas e aproveitou para reforçar a defesa incondicional do Pix, sistema que é praticamente uma unanimidade no Brasil.

Os ministros de Lula, que andavam desorientados sobre como ajudar o presidente na campanha eleitoral sem ferir as regras do defeso eleitoral, que impõem restrições à ação do governo nos três meses que antecedem as eleições, estão agora sentados com os representantes dos setores afetados pelo tarifaço.

Eles podem perguntar aos empresários: do que vocês precisam? Muitas dessas lideranças empresariais são de setores que tinham pouca relação com esse governo. Em alguns casos, até aversão.

As negociações passam a ser de novas políticas compensatórias ao tarifaço, o que dá poder à equipe do presidente de negociar e acionar medidas de estímulo fiscal e de crédito sem que isso seja visto como medida eleitoreira. Os ministros ganharam uma pauta.

Fora a Fiesp, que divulgou uma nota responsabilizando o governo pelo novo tarifaço, os empresários não compraram até o momento a narrativa de que a diplomacia brasileira teria colocado a ideologia acima dos interesses do país –embora apontem que algumas falas do presidente Lula não ajudaram a selar a paz.

O maior risco que o Brasil enfrenta hoje é o governo não perceber o tamanho do presente e retaliar, produzindo uma escalada que dê medo na galera.

 

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