Folha de S. Paulo
Governador teme que desastre fiscal atrapalhe
eleição ao Senado
Sua candidatura, porém, ainda depende de
absolvição no TSE
Cláudio Castro fez três pedidos ao gênio da lâmpada. A urgência é escapar da condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A ação no TSE teve início em novembro, dias depois da chacina nos complexos do Alemão e da Penha. A relatora Isabel Gallotti votou pela cassação e inelegibilidade. O ministro Antônio Carlos Ferreira pediu vista, e a expectativa é que o processo seja retomado em fevereiro.
O segundo desejo depende do primeiro, pois
Castro recebeu a ordem de se candidatar ao Senado, ordem dada por Bolsonaro. As
especulações eram que ele deixaria o governo após o Carnaval. No entanto, o
presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto —o primeiro na
linha sucessória—, foi comunicado da permanência no cargo até 5 de abril, prazo
limite fixado pela legislação eleitoral.
A jogada é fazer do chefe da Casa Civil,
Nicola Miccione, um governador-tampão em uma possível eleição indireta na
Assembleia Legislativa. A escolha de Miccione —que se filiou ao PL, mas não agrada os
bolsonaristas— reforça a aliança de Castro com Eduardo Paes,
que, em sua candidatura ao governo do estado, enfrentaria um concorrente sem o comando
da máquina. André Ceciliano, ex-presidente da Alerj, deve entrar no páreo pela
interinidade, com apoio da esquerda.
O certo é que Castro tem pressa em deixar o
Palácio Guanabara. Uma das razões é fugir da bomba prestes a explodir com o
déficit orçamentário de R$ 18,9 bilhões. A outra envolve o Banco Master,
que anda puxando a esfera política para um buraco negro. Estados e municípios
serão responsáveis finais por cobrir rombos em fundos de previdência caso
tenham prejuízos ligados ao Master. O Rioprevidência investiu R$ 970 milhões
num curto espaço de tempo. Os aportes surgiram depois de o Tribunal de Contas
do Estado do Rio ter alertado para graves irregularidades na relação da
autarquia com o banco.
Mais complicado de todos, o terceiro desejo
encomendado ao gênio interrompe uma tradição fluminense. Cláudio Castro pediu
para não ser preso.
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