O Estado de S. Paulo
Flávio tem potencial para trazer Trump de volta para a política e a eleição no Brasil?
A expectativa de Flávio Bolsonaro
corresponde, na mesma proporção, ao temor do presidente Lula e do Planalto: o
de que o imprevisível Donald Trump dê mais uma de suas guinadas e volte a se
meter não apenas em assuntos políticos, jurídicos e econômicos no Brasil, mas
também, e diretamente, nas eleições presidenciais.
Trump comandou a primeira reunião do Conselho de Paz de Gaza, idealizado por ele, montado por ele e presidido por ele ao seu bel-prazer, cercado de líderes mais do que conservadores e batendo no peito para enaltecer seu próprio papel na vitória desses convidados.
Aqui da nossa seara foram Javier Milei, da
Argentina, e Santiago Peña, do Paraguai, representando metade do Mercosul
original, além do Nayib Bukele, de El Salvador, visto pela direita como herói
contra o crime e, pela esquerda, como sanguinário.
Em síntese, Trump disse que não está nem aí
para a regra diplomática de não ingerência em assuntos internos de outros
países, apoia quem quiser e o importante é o resultado, ou seja, a vitória dos
seus candidatos. O resto é o resto.
Enquanto Flávio embarcava para os EUA na mesma quinta-feira, numa nova tentativa de sair de lá com algum sinal promissor para sua campanha, Planalto e Itamaraty tentavam traduzir o recado trumpista e seu significado na eleição brasileira.
E Lula? Estava muito distante de Washington,
assinando acordos com Índia e Coreia do Sul, inclusive sobre minerais críticos,
com os indianos, e assim atropelando seus acertos com Trump num tema delicado.
Consta, aliás, que Lula nunca respondeu nem sim nem não ao convite de Trump
para participar do Conselho de Gaza – que ironiza (ou seria condena?) como “a
ONU do Trump”.
Logo, a aproximação entre os dois presidentes
ia de vento em popa, mas não se sabe até onde vai. Trump chegou a aplicar um
tarifaço de 40% no Brasil, a Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes e sua
mulher, a suspensão de vistos de ministros do Executivo e do Judiciário, tudo
isso em nome da amizade ou seja lá o que for com Jair Bolsonaro. Mas ele não
gosta de derrotados.
Foi Bolsonaro ser condenado pelo Supremo para
Trump passar a investir na sua “química” com Lula, um presidente com a caneta
na mão e favorito para a reeleição. Rei morto, rei posto. A candidatura de
Flávio, porém, ameaça ressuscitar o reinado da família e, portanto, o interesse
de Trump.
Tudo depende, inclusive, do tratamento de
Lula a Trump, mas um fator é bem objetivo: as pesquisas eleitorais. Vem aí a
rodada da Atlas-Intel, logo após um carnaval desastroso para Lula e o aumento
do ritmo de campanha de Flávio. Não é só o Brasil que está atento ao sobe e
desce, Washington também está.

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