O Estado de S. Paulo
Trump usa PCC, CV e Seção 301 para mandar no Brasil e dominar o ‘quintal dos Estados Unidos’
A classificação de PCC e CV como organizações terroristas, uma ameaça inaceitável à soberania brasileira, num contexto de intervenção na América Latina, pode não ser a única arma de Donald Trump contra o Brasil. Planalto, Itamaraty e setores alvos já se preparam para uma nova bomba: a conclusão do processo americano com base na Seção 301, que pode fazer grandes estragos na economia. O prazo está vencendo...
A Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA dá
direito a Washington de investigar, retaliar e impor sanções a qualquer país,
sob pretexto de práticas comerciais consideradas contra os interesses
americanos. Ou seja, vale tudo. A abertura da ação citou de PIX à Rua 25 de
Março em São Paulo. Seria cômico, não fosse trágico. Trump recuou do tarifaço
de 50% e da aplicação da Lei Magnitsky, mas voltou com tudo ao trocar a
relevante cooperação da PF com FBI e DEA por uma intervenção unilateral da CIA,
que atua com espionagem e faz o que bem entende nos países, à revelia dos
governos. Tudo com a 301 pairando no ar. Por trás desse movimento estão a
eleição brasileira e a família Bolsonaro.
A intenção de Trump, o imperador do mundo, parece clara: transformar o Brasil num joguete nas suas mãos e consolidar o caminho para mandar no “quintal dos EUA”. Em tese, pode usar PCC e CV para impor navios na costa brasileira, espionar governos, empresas e organizações e, em última instância, promover ações armadas e prender nossos nacionais, como na Venezuela. Enquanto isso, avança sobre Cuba, México, Chile...
O mais estarrecedor nem é a loucura de Trump,
mas a ação antipatriótica e traiçoeira dos Bolsonaro. Eles, porém, têm de
combinar, não com os russos, mas com todos os brasileiros, que tendem a se
dividir quanto a esse assalto à soberania na mesma proporção da polarização
política. Por ora, o efeito imediato do ataque americano é que não se fala mais
em Dark Horse, em pedido de R$ 134 milhões, no envio do “máximo” para os EUA,
enquanto as forças políticas se realinham para as eleições em torno dos
“terroristas” (como o próprio Lula passou a chamar) PCC e CV.
Flávio foca na segurança, no combate ao crime
e no status de próximo da Casa Branca. Lula mira na democracia, na soberania e
conclama os brasileiros a defenderem o Brasil contra a ingerência da potência.
Caiado e Zema imaginam colher os frutos que caem das duas árvores.
O risco, porém, não é restrito ao campo e ao momento eleitoral, mas é principalmente para o depois, a partir de 2027. O que está em jogo é: o Brasil aceita uma intervenção americana, um governo submisso e um “imperador” mandando no País e no seu futuro?

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