Folha de S. Paulo
Irmãos Bolsonaro usam Casa Branca para
atingir Lula, mas tentativas vão saindo pela culatra
Bajulação bolsonarista contempla doutrina
Donroe que quer nos transformar em quintal dos EUA
Depois de quase um ano de investigações, o
escritório de representação comercial dos Estados
Unidos apresentou suas conclusões em documento que propõe novas tarifas
sobre exportações brasileiras e condena o Pix.
A manifestação do governo de Donald Trump,
personagem deletério bajulado por Eduardo e Flávio
Bolsonaro, cita 20 vezes a plataforma eletrônica de transações
financeiras criada pelo Brasil e adotada de maneira eficaz, democrática e
popular pelo Banco Central.
Os filhos do capitão golpista, condenado e preso, vêm tramando com a potência estrangeira modos de atingir o presidente Lula, mas na realidade estão acertando o Brasil, sua economia, dignidade e soberania. No afã de abafar seus escândalos e tentar ganhar simpatias eleitorais, puxam a arminha, mas o tiro parece estar saindo pela culatra.
No debate público, parecem irrefreáveis os
esforços de certo "centro" antipetista, com suas melancólicas viúvas
da terceira via, para insistir em fantasiosa moderação de Flávio e manter acesa
a chama de uma candidatura da pior espécie, metida em variadas mutretas.
Trata-se de um candidato sem nenhum preparo
para a Presidência e com evidente inclinação golpista, que pede dinheiro ao
"irmão" Daniel
Vorcaro para supostamente financiar o filme "Dark
Horse". São conhecidas suas relações com gente das milícias e
de facções ora
designadas terroristas pelo Departamento de Estado americano. E
são fartas as suspeitas em torno de negócios inexplicados.
É conveniente que se considere a atuação de
Flávio apenas do ponto de vista eleitoral, com análises do tipo "ah, acho
que agora ele marcou um ponto!" —quando estamos assistindo de fato a uma
conspiração antidemocrática, antinacional e antipopular, conduzida de maneira
inequívoca para contemplar a chamada doutrina
Donroe, que faz do Brasil um quintal americano.
Já contei e reconto aqui: em janeiro de 2019,
logo após a posse de Jair
Bolsonaro, um grupo de brasileiros foi recebido para um jantar na
casa de Steve Bannon,
em Washington.
A "townhouse" era uma espécie de
embaixada do campeão da alt-right, que liderou a primeira campanha vitoriosa de
Donald Trump à Casa Branca e foi seu estrategista-chefe no início do governo.
Olavo de Carvalho, o ideólogo reacionário
brasileiro, era a grande atração da noite, inaugurada com palavras
entusiasmadas pelo banqueiro Gerald Brant, meio americano, meio brasileiro.
Disse ele: "É um sonho que se torna realidade. Trump está na Casa Branca e
Bolsonaro, em Brasília. E nós estamos em Washington: Bannon e Olavo de Carvalho
face a face. Isso é um mundo novo, amigos!".
E quem estava lá naquela noite? Quem, quem,
quem? Eduardo Bolsonaro.
Tudo está no livro "A Guerra pela
Eternidade" (Editora da Unicamp), de Benjamin Teitelbaum,
etnógrafo e pesquisador norte-americano, também presente no encontro.
Pois bem, o sonho desse "mundo
novo", com Trump lá e os Bolsonaros aqui, está novamente em pauta. É disso
que se trata.
Curiosamente, os dois não deram mostras de
sabedoria política e eleitoral. Donald perdeu a reeleição nos EUA, enquanto
Jair perdeu aqui —e acabou parando no xadrez. Muitos viram vantagem para Flávio
com sua visita a Trump. Os desdobramentos não parecem corroborar a análise otimista.

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