sexta-feira, 24 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Desinformação de Flávio sobre urnas exige vigilância do TSE

Por O Globo

Pré-candidato à Presidência alimentou teoria conspiratória contra integridade do sistema eleitoral

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, demonstra dificuldade em aprender a lição dada pelas instituições brasileiras desde o início desta década. Repetidas decisões reafirmaram o caráter inegociável da democracia garantida pela Constituição. Tentativas de erodir a confiança nas urnas, sem apresentar indício algum, meramente por cálculo político em benefício próprio, são inaceitáveis. Copiando comportamento de seu pai, foi exatamente o que fez Flávio em encontro em Brasília com a presença de membros do corpo diplomático.

Autofagia eleitoral bolsonarista, por Flávia Barbosa*

O Globo

O Master feriu de morte a premissa de Jair ao escolher Flávio. Colou o clã a um gigantesco caso de corrupção, decepcionou parte da base e repeliu aliados

Sete meses após ser ungido pelo pai candidato à Presidência, e três meses após aparecer na liderança da corrida ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro desidrata. Uma sucessão de crises, iniciada em 13 de maio com a descoberta da multimilionária contribuição de Daniel Vorcaro à cinebiografia de Jair, somada a erros de estratégia política, vem transformando o Zero Um numa opção tóxica às vésperas da convenção que o confirmará candidato do PL. Hoje, cabe a pergunta: a quem interessa sua vitória em outubro?

Por que Flávio questiona as urnas? Por Pablo Ortellado

O Globo

É um comportamento persistente que não nasce de evidências

Flávio Bolsonaro questionou a confiabilidade das urnas brasileiras em evento com diplomatas estrangeiros na última terça-feira. O episódio lembra o encontro com embaixadores convocado pelo então presidente Jair Bolsonaro em julho de 2022 no qual também atacou as urnas.

O caso levou à inelegibilidade do ex-presidente. Embora Jair Bolsonaro fosse à época presidente da República e tivesse convocado os embaixadores usando a estrutura de governo e Flávio seja apenas pré-candidato, convidado a um evento privado com diplomatas, o paralelo se impõe.

Do ponto de vista da estratégia eleitoral, há duas explicações para o movimento arriscado de Flávio.

Daniel Ortega escancarou nova ditadura familiar na Nicarágua, por Bernardo Mello

O Globo

Líder da Revolução Sandinista de 1979 imita métodos de autocrata que ajudou a derrubar

O aviso foi dado por Daniel Ortega, presidente da Nicarágua: “Não haverá mais eleições aqui”. O líder da Revolução Sandinista discursava em Manágua, no último domingo. Depois do anúncio, explicou: vai proibir o voto porque a oposição não pode chegar ao poder.

Ortega participou da guerrilha que derrubou a ditadura de Anastasio Somoza. O levante de 1979 empolgou a esquerda latino-americana, sufocada por regimes militares no Brasil, na Argentina e no Chile.

Pesquisa ou adivinhação? Por José de Souza Martins*

Valor Econômico

A proposta do presidente do TSE é apenas um gesto de policiamento indireto, que nem aponta os problemas estatísticos nem os resolve

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral convocou dirigentes de institutos de pesquisa de opinião para discutir procedimentos de investigação que neutralizem a interferência das pesquisas nos resultados da eleição. Criou um prêmio para as pesquisas que sejam confirmadas no resultado eleitoral.

Provavelmente o correto e seguro teria sido convocar um seminário de especialistas em matemática e estatística das boas universidades. E ouvi-los. Conhecedores que são das várias e diferentes mediações da pesquisa científica baseada em quantificação e das interferências que podem intencional ou acidentalmente sofrer.

Esses pesquisadores poderiam explicar que o conhecimento quantitativo nessa área não é adivinhação, nem é loteria ou aposta. Não expressa o acaso e o fortuito, mas o provável.

Quem seria o ‘único Bolsonaro’ com mandato em 2027, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Flávio teve de fazer mais de um vídeo e mais de um gesto para se aproximar de Michelle

Uma máxima, ouvida com frequência em Brasília, diz que “a política não é para amadores”. Tradicionalmente dirigido às raposas do Centrão, pode ser aplicada, agora, sem titubear, à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que emergiu altiva da crise com o enteado, o presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ).

A propósito, é curiosa a deferência de alguns à ex-primeira-dama. Internamente, ela é chamada de “dona Michelle”. Porém, mesmo fora da presidência do PL Mulher, o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, se dirige a ela como “presidente Michelle”.

Zanin autoriza PF a investigar suposta venda de sentenças no STJ, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Decisões atribuídas ao gabinete de Moura Ribeiro supostamente favoreceram interesses ligados ao lobista Andreson Gonçalves e à advogada Miriam Ribeiro

A advertência de James Madison de que “se os homens fossem anjos, não seria necessário haver governos” não se destinava apenas a justificar a existência de um poder central para as antigas 13 colônias inglesas, mas estabelecer um princípio que viria ser essencial para a democracia ocidental: todo poder exercido por seres humanos precisa ser submetido a controles. No ensaio nº 51 de “O federalista”, Madison mostrou a dificuldade de habilitar o governo a controlar os governados; depois, obrigá-lo a controlar a si mesmo.

É mais ou menos esse o sentido da insistência com que o presidente do Supremo Tribunal federal, ministro Édson Fachin, adverte sobre a necessidade de autocontenção do Judiciário. O poder dos ministros dos tribunais superiores é imenso e a responsabilidade deles maior ainda. Magistrados não dependem diretamente do voto popular, contam com garantias funcionais e têm a prerrogativa de decidir sobre a liberdade, o patrimônio e os direitos dos cidadãos. Mas para isso precisam conquistar a liderança moral da sociedade.

Líder, liderança, por José Sarney*

Correio Braziliense

A grande crise política do Brasil é a desintegração dos partidos, vítimas da ausência de democracia interna.

Em 1958, eu, deputado federal no Rio de Janeiro (a sede da Câmara ainda era lá); e Afonso Arinos, líder da oposição ao governo de Juscelino Kubitschek, propôs o meu nome para vice-líder da UDN. Eu tinha apenas 28 anos, mas já construíra minha reputação combatendo o governo e exercendo uma presença forte em nossa bancada. 

A vice-liderança representa uma função de muita responsabilidade. Uma das principais tarefas confiadas aos vice-líderes consiste em emitir um parecer preliminar para orientar os deputados — servindo como recomendação oficial do partido para a bancada. Naturalmente, ouvíamos as bancadas estaduais, consultávamos os estatutos e o próprio líder — naquele tempo, o meu era Carlos Lacerda — sobre a orientação política. Todos, com disciplina, seguiam a orientação oficial. Quando alguém divergia e queria votar diferente, só o fazia depois de autorizado, após examinadas e aprovadas as razões de consciência. 

O custo dos 37,5% para Flávio, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Quanto Flávio Bolsonaro vai pagar pelos novos 37,5% de Trump? E que candidato vai lucrar?

Duas perguntas rondam a política e as eleições de outubro no Brasil. Quanto as novas tarifas de 37,5%, aplicadas por Donald Trump a produtos brasileiros, vão custar a Flávio Bolsonaro, que será formalizado candidato do PL neste sábado? E quem pode se beneficiar com a fragilidade crescente de Flávio, só Lula?

O novo ataque de Trump é um desastre histórico, empurra o Brasil mais e mais para a China e novos mercados e não pode, nem vai passar em branco nas eleições, como o próprio Flávio percebeu e tentou reverter, sem sucesso.

PF complica Flávio, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Investigação sobre filme chega num momento de uma maré de notícias negativas

A Polícia Federal suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas dos recursos utilizados para financiar o filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. O valor vultoso e o complexo caminho do dinheiro despertaram dúvidas entre os investigadores.

São mais de R$ 61 milhões que saem da Entre Investimentos, que pertence a Daniel Vorcaro, do Banco Master, e chegam a um fundo no Texas, controlado por advogado próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, para depois retornar ao Brasil para a Go Up Entertainment, ligada à empresária Karina Ferreira da Gama.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou que era prudente investigar e teve o aval do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Relator do caso Master, Mendonça mostra independência, mesmo tendo sido indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Transparência sem comprometer a integridade das pesquisas eleitorais, por João Francisco Meira*

Folha de S. Paulo

Até a urna, eleitor pode mudar de posição, indecisos podem se decidir e campanhas podem alterar o ambiente

Também merece cautela a proposta de divulgar locais das entrevistas, sob risco de comprometer a amostragem

O Tribunal Superior Eleitoral exerce papel essencial na garantia de eleições livres, limpas e confiáveis. É positiva a mobilização do TSE pela transparência e pelo aprimoramento metodológico das pesquisas. A reunião e o diálogo promovidos pela corte com os institutos é louvável e estamos à disposição para conversar e construir soluções.

As propostas partem de uma intenção legítima: estimular qualidade, transparência e confiança. Precisamos, porém, avaliar seus efeitos, evitando que mecanismos criados para fortalecer as pesquisas comprometam sua integridade científica.

O que querem os Bolsonaros? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Investida de Flávio contra as urnas eletrônicas arranha tentativa de posar de moderado

Se o clã fracassar em mais uma disputa, a marca Bolsonaro já não valerá muito

pregação contra as urnas eletrônicas de Flávio Bolsonaro representa um desafio hermenêutico. Com tal gesto, o jovem Bolsonaro anula ou ao menos enfraquece a imagem de moderação que se esforçava para construir. E esse era um cálculo que fazia sentido, já que, para vencer um eventual segundo turno contra Lula, ele precisará do apoio de eleitores independentes normalmente avessos a radicalismos.

A interpretação mais plausível para a mudança de atitude é que, diante dos percalços por que passa a campanha, Flávio já prepara o discurso para uma derrota. Se Lula triunfar, não terá sido porque recebeu mais votos, mas sim porque o sistema, o "deep state" tupiniquim, conspira contra os Bolsonaros. Uma punição do TSE pelas mentiras sobre as urnas só reforçaria esse discurso.

Direita profissional acha Flávio amador, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Família Bolsonaro acreditou que o centrão daria apoio de graça, por gravidade e identidade ideológica

Enganou-se ao não considerar que esse pessoal atua no mercado futuro da política, de olho na melhor oferta

PL chega à sua convenção nacional sem conseguir atrair parceiros para formar uma coligação. O fato em si não é determinante para o desempenho de candidaturas. Em 2018, o PSDB de Geraldo Alckmin formou a mais ampla das alianças e terminou a eleição com menos de 5% dos votos.

O problema é a razão pela qual a campanha de Flávio Bolsonaro tem recebido explícitas e constrangedoras negativas de adesão por parte da direita profissional, que não se dá bem com amadorismos. Veterano no ramo, Valdemar Costa Neto chamou atenção para o despreparo. O senador e companhias podem ser bons de lacrações, mas são ruins no jogo da política.

Fala golpista e lamaçal no Rio não ajudam Flávio Bolsonaro, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Insinuações sobre urnas eletrônicas repetem mentira do pai que tentou desacreditar eleição

Senador terá de responder sobre relação com acusados de corrupção na política fluminense

A conversa de Flávio Bolsonaro com diplomatas, na qual repete mentiras de seu pai para questionar as urnas eletrônicas e as eleições no Brasil, não pode deixar de ser vista em sua dimensão golpista. O senador, que já havia perdido o entusiasmo de setores da direita democrática, deu mais um passo para despertar desconfianças sobre sua candidatura. Não por acaso, vemos direitistas empurrando suas fichas para 2030.

Além do pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro (que será investigado pela PF), das relações com a Casa Branca e dos atritos com a madrasta Michelle, que geraram problemas com parte do eleitorado feminino e evangélico, a situação de Flávio não é favorecida pelo quadro de contaminação da política do Rio pelo crime organizado.

Poesia | Caso Pluvioso, de Carlos Drummond de Andrade (por Paulo Autran)

 

Música | Milton Nascimento - Comunhão ( Milton Nascimento & Fernando Brant