quinta-feira, 30 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Trégua nos preços, riscos à frente

Por Folha de S. Paulo

Prévia da inflação surpreende positivamente e melhora perspectivas para reduzir a taxa Selic

Convergência à meta ainda enfrente muitos obstáculos, sobretudo os relacionados ao desequilíbrio fiscal produzido pelo governo Lula

A inflação enfim começa a dar sinais mais consistentes de arrefecimento. O IPCA-15 de julho, prévia da inflação oficial calculada pelo IBGE, surpreendeu positivamente ao subir apenas 0,06%, a menor variação para o mês em três anos, puxado sobretudo pela queda dos preços dos alimentos.

O alívio se espalha por diferentes componentes do índice, levou consultorias a reduzir suas projeções para o IPCA deste ano e reforça a expectativa de que o Banco Central volte a cortar a taxa de juros na reunião da próxima semana, hoje em 14,25% ao ano.

Fortes em GO e MG, Caiado e Zema não conseguem nacionalizar candidaturas, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Que país queremos? Essa pergunta está posta novamente nas eleições, com o agravante de os liberais não terem um projeto claro

A eleição presidencial mostra uma polarização assimétrica. Candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a disputa nacionalmente e conserva vantagem nas simulações de segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro demonstra resiliência suficiente para permanecer como seu principal adversário. Apesar das denúncias, erros e brigas na campanha de Flávio, as possibilidades de uma terceira via continuam restritas. Os ex-governadores Ronaldo Caiado (GO) e Romeu Zema (MG), apesar da projeção conquistada como governadores, não conseguem transformar seus redutos regionais em alavanca para nacionalizar suas candidaturas.

Os principais colégios eleitorais mostram dois Brasis, o meridional e o setentrional. Essa divisão foi apontada a primeira vez em 1920, Populações Meridionais do Brasil, de Oliveira Viana. Escrito entre 1916 e 1918, levou dois anos para ser publicado, pela livraria José Olympio. O que dizia Viana? Ele definia três arquétipos para o povo brasileiro: o sertanejo, o matuto e o gaúcho, os quais foram sucedidos pela publicação meteórica de mais quatro ensaios: “O idealismo da Constituição” (1920), “Pequenos estudos da psicologia social” (1921), “Evolução do povo brasileiro” (1923) e “O ocaso do Império” (1924). O primeiro volume de “Populações meridionais do Brasil” dedicou aos paulistas, fluminenses e mineiros; o segundo, ao campeador rio-grandense. Partia do homem para criticar as instituições da época.

A campanha eleitoral dentro de um carro chinês, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Campanha arrisca passar ao largo de temas como a transformação do país no maior mercado de carros chineses do mundo

Na tarde deste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC onde disse que a abertura do mercado brasileiro ao carro chinês levou a indústria automobilística a investir em modelos híbridos e vender mais. Dali, Lula embarcou para Brasília onde falaria às 22h com o dirigente chinês, Xi Jiping.

No relato da agência Xinhua, Xi apoiou o Brasil na ‘defesa de sua soberania e independência em oposição a interferências externas’, o que vai de encontro à tradição do país de não se escudar em proteção alheia. Dois dias depois, a manchete do Valor desenhou a curva da estrada: “Brasil já é o maior importador de carro chinês do mundo”.

As urnas em números, por Merval Pereira

O Globo

O PT hoje vive uma dicotomia. Enquanto “desmelhora” no Nordeste, onde sempre reinou, “despiora” no Sudeste

Não é apenas em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, que se decide a eleição presidencial, mas também em São Paulo, o maior. Em Minas, há uma divisão regional comparável à do Brasil, por isso o vencedor lá geralmente ganha no país. É como se o estado fosse uma amostra do país. Mesmo que vencer em São Paulo não signifique vencer no país, uma vitória expressiva no maior colégio eleitoral pode garantir a eleição. Em 2018, Jair Bolsonaro saiu de São Paulo com 8,1 milhões de votos à frente de Fernando Haddad, garantindo uma vitória ampla sobre o PT. Em 2022, quando perdeu para Lula, a diferença a favor de Bolsonaro caiu para 2,7 milhões, redução de 5,4 milhões de votos.

O risco que Lula corre na eleição, por Míriam Leitão

O Globo

Interlocutores do governo identificaram um clima de “já ganhou” entre autoridades, o que é um duplo erro. É preciso ter projeto para o mandato

Há uma avaliação entre interlocutores do atual governo, de que teria se espalhado dentro da administração a convicção de que a eleição está ganha. Em vez de apresentar um projeto para o próximo período, a presidência e os ministros apenas dizem que os programas seriam a continuidade do atual. O erro primeiro é que nenhuma eleição está resolvida de véspera; apesar do favoritismo do presidente Lula há incertezas pela frente. O segundo equívoco é não perceber que o próximo mandato presidencial tem desafios específicos que precisam ser enfrentados com propostas sólidas.

Nunes Marques e o deepfake do bem, por Julia Duailibi

O Globo

Se ele inovar, na contramão do tribunal que preside, lançará o conceito da desinformação inofensiva

Quis o destino — ou o sistema de distribuição dos processos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — que a ação movida pelo PT contra o senador Flávio Bolsonaro, pelo uso de IA na convenção do PL, fosse parar nas mãos do ministro Nunes Marques. Caberá agora ao presidente do TSE decidir se segue o entendimento atual, que proíbe o uso de deepfake nas campanhas, ou se inova e propõe a liberação da tecnologia na eleição deste ano, endossando os argumentos da campanha de Flávio.

O TSE proíbe o uso de IA para criar imagem e voz de pessoas de maneira realista nas eleições, conhecido como deepfake. Resolução de 2019, alterada e reforçada por outras duas, em 2024 e em 2026, veda a tecnologia, seja para prejudicar ou favorecer determinada candidatura, seja com ou sem autorização daquele cuja imagem e voz foram sintetizadas.

Tanto faz, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Para alguns dos maiores grupos políticos, serve qualquer Presidente

Alguns dos principais partidos políticos no Brasil consagraram a abordagem “tanto faz” para as eleições presidenciais. Tanto faz, pois consideram que saem ganhando não importa o candidato. Não, não é mais o famoso “toma lá, dá cá”.

Esse “vamos ganhar de qualquer jeito” não precisa aguardar o segundo turno. As maiores agremiações que declararam neutralidade – juntas, têm 40% da Câmara – só pensam em aumentar bancadas na Câmara e no Senado. E encontraram um jeito de evitar “queimar”, em campanha presidencial eventualmente perdedora, preciosos recursos dos fundos partidário e eleitoral.

Ministros veem abuso e querem frear IA, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Vídeo de Bolsonaro não deve causar cassação do registro de Flávio, mas pode gerar alerta

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está diante do primeiro grande desafio sobre o uso de inteligência artificial nas campanhas deste ano. A Corte está para decidir se configura ou não abuso o vídeo exibido na convenção do PL com um avatar de Jair Bolsonaro pedindo voto para o filho Flávio, candidato a presidente.

Três dos sete ministros do TSE falaram à coluna em caráter reservado. Para um deles, não houve abuso. Segundo esse ministro, a tecnologia pode ser usada em qualquer situação, desde que não seja para disseminar notícia falsa ou para prejudicar alguém.

Sua Excelência, a restrição orçamentária, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

Não se escapa de um ajuste fiscal mais profundo, desta vez, porque a realidade está se impondo

Muitos políticos agem como se o dinheiro público jorrasse do Lago Paranoá. Essa prática fere a Constituição e compromete o futuro do País. Mas, afinal, o que é responsabilidade fiscal?

Responsabilidade fiscal traduz-se num Orçamento equilibrado, com receitas suficientes para financiar as despesas públicas. Não erra, portanto, o senso comum: só se gasta o que se ganha. Mas é um pouco mais complicado.

O País não começa, a cada ano, “do zero”. Há um estoque de endividamento, cuja consequência é um volume anual de gastos com juros de R$ 1,1 trilhão. Além disso, a dívida emitida no passado vence no presente e, no lugar dela, novos títulos públicos são emitidos e mais juros são contratados.

Esses empréstimos, no caso do governo, são os títulos públicos emitidos. Quem os adquire aposta em certa probabilidade de o governo “quebrar” no prazo acordado na compra do papel. Na verdade, os emprestadores aceitam uma taxa de juros que, em sua percepção, será suficiente para cobrir esse risco e preservar o poder de compra do seu capital.

A política de Trump veio para ficar? Por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O presidente Trump vai produzindo uma reviravolta na ordem econômica mundial. Jogou o livre comércio no lixo e decretou o intervencionismo do Estado.

Segue-se a pergunta da hora: até que ponto esse rodopio é coisa exclusiva do presidente Trump e do Partido Republicano, que poderia ser revertida com mudança de governo, a partir do dia em que o Partido Democrata recuperasse a presidência dos Estados Unidos?

Os analistas políticos já levam em conta a possibilidade de que o presidente Trump perca a maioria nas duas casas do Congresso nas eleições de novembro. A forte queda da popularidade de Trump parece fortalecer esse resultado.

Nunes desmonta patrimônio cultural de São Paulo, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Demolição do Cruz da Esperança, tradicional espaço de cultura preta, é desrespeito à capital paulista

Revela uma visão de cidade: a do cercadinho, de um lado, e a do espaço público para todos, de outro

Realizada nesta quarta-feira (29), a demolição do Espaço Cruz da Esperança, no bairro da Casa Verde, na zona norte da capital paulista, é um dos últimos exemplos de desrespeito da Prefeitura de São Paulo com o patrimônio cultural da cidade. Fundado em 1958, o Espaço Cruz era um dos principais locais de cultura preta na metrópole, com rodas de samba, capoeira, futebol e práticas religiosas. Ao longo do dia, chegaram à imprensa denúncias de desrespeito ao patrimônio religioso, como demolição sem respeitar rituais de locais sagrados de terreiro.

Flávio repetirá Trump e Milei sobre a OMS? Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Candidato irá se comprometer publicamente a manter o Brasil na organização ou a saída do órgão faz parte dos seus planos de governo?

Desfiliação tornou-se uma bandeira da direita nas Américas, implementada pelo por Trump e seu colega argentino

A desfiliação da OMS (Organização Mundial da Saúde) tornou-se uma bandeira da direita nas Américas, implementada pelo presidente Donald Trump e o seu colega argentino Javier Milei.

A saída do Brasil também chegou a ser cogitada por Jair Bolsonaro em 2020. No auge da pandemia da Covid-19, Bolsonaro disse que poderia deixar de integrar a organização se ela não abandonasse o que chamou de viés ideológico.

Um banana no Planalto, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Flávio B. em campanha se reduz a um coadjuvante choramingas de quem estiver ao seu lado

Se é pífio como candidato, imagine como presidente; mas, e se for isso que a Faria Lima quer?

O sujeito não para em pé, suspira a Faria Lima. Na pífia cerimônia do lançamento de sua candidatura à Presidência na semana passada, em São Paulo, Flávio Bolsonaro deu mais um motivo para os agros, financistas e empresários suspeitarem que (por falar em cavalo) estão apostando no cavalo errado. Flávio B. reduziu-se a coadjuvante de seu convidado, o bufão Javier Milei, e de um telão estrelado por uma piedosa IA de seu pai e por sua madrasta, a gélida Michele. É o papel historicamente reservado ao 01 –sempre próximo de zero.

Brasil e Argentina para além de Milei, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Apoio aos Bolsonaros rompe padrão de relacionamento estabelecido quando os dois países se democratizaram

Faltou às duas nações vontade de criar estruturas supranacionais resistentes

Nada como a extrema direita para degradar a política em espetáculo de grosseria e vulgaridade! Foi o que se viu do presidente argentino Javier Milei, na convenção do PL que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Em seu prolixo discurso, entrecortado por palavrões, o mandatário do país vizinho ofendeu o presidente Lula e um ministro do Supremo. Terminou sua participação cantando, em tom alucinado, um rock que dizia: "Eu sou o leão, rei de um mundo perdido", "sou o rei e te destroçarei". Na verdade, o autoproclamado manda-chuva das selvas veio ao Brasil como arauto da "onda azul", tratando de adular Donald Trump, que se empenha em transformar a América Latina em território dominado por aliados ultradireitistas.

Poesia | O Elefante, de Carlos Drummond de Andrade, por Paulo Autran

 

Música | Luiza Lara - A Violeira (Tom Jobim/Chico Buarque)