quarta-feira, 10 de junho de 2026

A estratégia de Lula para queimar Flávio, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Campanha petista escala time de influenciadores e diz ter vídeo de senador com Vorcaro

Diante do sucesso da hashtag “Tariflávio” nas redes sociais, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai aproveitar o período de Copa do Mundo para ampliar a estratégia de desconstruir a candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

A partir de agora, grupos de influenciadores digitais e líderes políticos, intitulados “Porta-Vozes do Lula”, entrarão em cena nas redes para espalhar notícias positivas sobre o governo e o presidente, desfazer o que a campanha classifica de fake news e comparar a gestão do PT com a de Jair Bolsonaro (PL).

Mas não é só: a ordem é usar a distribuição de conteúdo para queimar Flávio em fogo brando, segurando as denúncias mais robustas para os últimos dias da campanha. Haverá no mínimo 40 mil núcleos de ativistas espalhados pelo País para disparar mensagens nas redes.

Enquanto Daniel Vorcaro poupa o filho 01 de Bolsonaro em suas tentativas de colaboração premiada, aliados de Lula dizem ter provas da ligação perigosa entre o senador, o dono do Banco Master e seus operadores financeiros.

O arsenal explosivo guardaria até mesmo um suposto vídeo mostrando Flávio, hoje o principal desafiante de Lula, em confraternização com Vorcaro. O encontro teria ocorrido em uma fazenda do empresário e pastor Fabiano Zettel.

Cunhado de Vorcaro, Zettel também está preso e, de acordo com a Polícia Federal, atuou como braço direito do banqueiro em atividades ilícitas. Flávio admitiu, em entrevista à CNN, que um “videozinho” dele com Vorcaro poderá vazar ao longo da disputa eleitoral. Assegurou, porém, que sua relação com o banqueiro era “apenas” para tratar do filme Dark Horse, que conta a trajetória política de Bolsonaro.

No mês passado, um áudio no qual Flávio negocia com Vorcaro um aporte de R$ 134 milhões para a produção do filme abalou a campanha do senador. Novos documentos revelados ontem pelo site Intercept Brasil detalharam em planilhas o caminho percorrido pelo dinheiro.

Investigações da Polícia Federal apuram agora se uma parte desses recursos foi empregada para custear a estadia do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, nos EUA.

Resta saber, ainda, se o senador conseguirá se descolar da pecha de “Tariflávio” após o Escritório de Representação Comercial da Casa Branca propor tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. Embora a punição seja fruto de investigação que acusa o Brasil de práticas desleais, apontando o dedo até para o Pix, o anúncio da sobretaxa – dias depois do encontro entre o senador e o presidente dos EUA, Donald Trump – foi um prato cheio para o PT. E, ao menos por enquanto, Lula saiu das cordas.

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