Folha de S. Paulo
Lula 3 mira motoristas de aplicativo;
Congresso, agro e templos evangélicos
Farra com dinheiro do contribuinte também
contempla agregados da família Bolsonaro
Lula 3
anunciou uma linha de crédito, que no total pode chegar a R$ 4 bilhões, para
financiar a compra de motos e bicicletas elétricas por entregadores com
carteira assinada e motoristas de aplicativo. É mais uma das bondades do ano
eleitoral, incluindo capacetes de graça para mulheres.
Tecnocratas calculam que há um público potencial entre 700 mil e 1,2 milhão de entregadores em todo o país. O número parece subestimado. Basta olhar para as ruas cheias de motos em zigue-zague e alta velocidade.
Nunca houve tanta gente trabalhando no setor
de transporte e entregas, a chamada economia
de plataformas digitais. O resultado é o caos no trânsito das médias e
grandes cidades, além dos acidentes que atualmente representam 7 em cada 10
atendimentos por trauma nas redes municipais de saúde —um problemão até agora
desprezado pelas autoridades.
Lula tenta entender e se aproximar do novo
mundo do trabalho. Muitas pessoas, em especial as mais jovens, não se definem
como trabalhadores, mas como empreendedores. Rechaçam a ideia de trabalhar com
carteira assinada.
O Congresso Nacional não quer modernizar-se.
Sua meta é eternizar-se. Sabe quem deve favorecer —empresários com direito a
lobbies e bancadas. Igual ao Executivo, não dá a mínima para as contas
públicas.
Dois projetos avançam nos recursos do
Orçamento. O primeiro, com impacto de R$ 140 bilhões, permite o uso de receitas
do pré-sal para financiar descontos de dívidas
do setor rural. Sem multas, juros e encargos por inadimplência, o agro
ficaria mais pop. Com o segundo, que amplia a renúncia
fiscal para templos evangélicos, alguns exploradores da fé poderão
ostentar mais riqueza.
Na farra com dinheiro do contribuinte, entram
famílias de estimação. Entre janeiro e abril, o PL desembolsou
do fundo eleitoral quase R$ 500 mil para remunerar os apadrinhados de
Bolsonaro, entre os quais o inelegível Cláudio
Castro. Após degustar com Daniel
Vorcaro o uísque de US$ 1 milhão num evento em Nova York, o
ex-governador do Rio desfruta o cala-boca.
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