sábado, 20 de junho de 2026

Ano eleitoral arromba e faz a limpa nos cofres públicos, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Lula 3 mira motoristas de aplicativo; Congresso, agro e templos evangélicos

Farra com dinheiro do contribuinte também contempla agregados da família Bolsonaro

Lula 3 anunciou uma linha de crédito, que no total pode chegar a R$ 4 bilhões, para financiar a compra de motos e bicicletas elétricas por entregadores com carteira assinada e motoristas de aplicativo. É mais uma das bondades do ano eleitoral, incluindo capacetes de graça para mulheres.

Tecnocratas calculam que há um público potencial entre 700 mil e 1,2 milhão de entregadores em todo o país. O número parece subestimado. Basta olhar para as ruas cheias de motos em zigue-zague e alta velocidade.

Nunca houve tanta gente trabalhando no setor de transporte e entregas, a chamada economia de plataformas digitais. O resultado é o caos no trânsito das médias e grandes cidades, além dos acidentes que atualmente representam 7 em cada 10 atendimentos por trauma nas redes municipais de saúde —um problemão até agora desprezado pelas autoridades.

Lula tenta entender e se aproximar do novo mundo do trabalho. Muitas pessoas, em especial as mais jovens, não se definem como trabalhadores, mas como empreendedores. Rechaçam a ideia de trabalhar com carteira assinada.

O Congresso Nacional não quer modernizar-se. Sua meta é eternizar-se. Sabe quem deve favorecer —empresários com direito a lobbies e bancadas. Igual ao Executivo, não dá a mínima para as contas públicas.

Dois projetos avançam nos recursos do Orçamento. O primeiro, com impacto de R$ 140 bilhões, permite o uso de receitas do pré-sal para financiar descontos de dívidas do setor rural. Sem multas, juros e encargos por inadimplência, o agro ficaria mais pop. Com o segundo, que amplia a renúncia fiscal para templos evangélicos, alguns exploradores da fé poderão ostentar mais riqueza.

Na farra com dinheiro do contribuinte, entram famílias de estimação. Entre janeiro e abril, o PL desembolsou do fundo eleitoral quase R$ 500 mil para remunerar os apadrinhados de Bolsonaro, entre os quais o inelegível Cláudio Castro. Após degustar com Daniel Vorcaro o uísque de US$ 1 milhão num evento em Nova York, o ex-governador do Rio desfruta o cala-boca.

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