quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Suspeitas justificam investigar filho e ex-assessor de Lula

Por O Globo

Acusações contra Lulinha e ex-chefe de gabinete de presidente não podem ser atribuídas a motivação eleitoral

É preciso esclarecer a fundo as suspeitas de tráfico de influência e corrupção que rondam o Palácio do Planalto. Elas envolvem personagens como o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que deixou o governo para atuar na coordenação da campanha à reeleição de Lula, depois se viu constrangido a deixar a própria campanha diante das denúncias.

O ajuste fiscal e a pergunta que o Brasil precisa fazer, por Giovanni Bevilaqua*

Correio Braziliense

Quando as decisões sobre as prioridades do orçamento passam a dar mais peso às expectativas de quem empresta dinheiro ao governo do que as necessidades de quem depende da aposentadoria, da saúde e dos outros serviços públicos, a democracia perde seu equilíbrio

Toda vez que o tema volta à mesa, a receita já vem pronta. Desindexar o salário mínimo do crescimento do PIB. Afrouxar os pisos constitucionais de saúde e educação. A justificativa é sempre a mesma: não há alternativa, o país precisa escolher entre o ajuste e o abismo. Há, de fato, um problema real. As despesas obrigatórias crescem mais rápido que a receita, e a trajetória da dívida pública preocupa quem acompanha o tema com seriedade.

O que incomoda não é o diagnóstico. É a certeza com que se encerra o debate antes mesmo de ele começar, como se existisse apenas um caminho possível e ele passasse, inevitavelmente, pelo bolso de quem tem menos margem para reclamar. Setenta por cento dos benefícios do INSS seguem o salário mínimo. O SUS depende de seu piso constitucional para manter o atendimento onde ele é mais necessário. Quando a sustentabilidade fiscal escolhe justamente esses dois alvos como prioridade, cabe perguntar: por que o ajuste começa sempre por quem mais depende do Estado? E, afinal, quem deve pagar essa conta?

Com tarifaço e interferência nas nossas eleições, Trump pode dar um tiro pela culatra, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Conflito fortalece a narrativa de que existe uma frente internacional empenhada em derrotar o governo brasileiro, mas alimenta críticas da oposição à diplomacia de Lula

“O Brasil não é para principiantes”, atribuída ao compositor e maestro Tom Jobim, a frase serve como uma luva para Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano e principal arquiteto da mudança de orientação dos Estados Unidos para a América Latina. A política de pressão concebida em Washington que pretende enfraquecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser um tiro pela culatra.

Até agora, deu a Lula a oportunidade de transformar a crise diplomática numa disputa em defesa da soberania nacional. O tarifaço contra produtos brasileiros, os contatos de integrantes do governo Trump com aliados de Flávio Bolsonaro, a tentativa de enviar funcionários do Departamento de Estado para discutir a integridade das urnas e a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti são iniciativas consideradas ingerências nas eleições deste ano pelo Palácio do Planalto. Washington condiciona a restauração do visto de Viotti à aprovação de Daniel Perez como embaixador dos Estados Unidos.

O efeito bumerangue da escolha de Gaspar, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Escolha de vice mostra Flávio Bolsonaro de costas para as mulheres e agarrado na pauta da corrupção que também pode ricochetear em sua candidatura

“Na maior parte das vezes, quem tem que tomar conta dos idosos são justamente as mulheres. Eu fiz duas filhas exatamente para isso, quando eu ficar velhinho quem vai tomar conta de mim são elas”.

O candidato do PL à Presidência fez este preâmbulo ao anunciar o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice. A visão tacanha sobre o papel da mulher é uma das explicações sobre o risco tomado por Flávio Bolsonaro com a escolha.

No último dia da CPMI do INSS, depois de o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) irromper a sessão acusando-o de estuprador, Gaspar, que foi o relator da comissão, negou a acusação. Atribuiu o protagonismo a um primo e fez exame de DNA que, disse, não comprovaria a paternidade da criança. Em vídeo, a filha em questão confirmou sua versão.

Como o crime de “estupro de vulnerável” pressupõe apenas a existência de uma relação sexual com um menor de 14 anos, o deputado e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) protocolaram uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal que é relatada pelo ministro Gilmar Mendes, em segredo de justiça.

Insana corrida para salvar o BRB, por Maria Clara R. M. do Prado

Valor Econômico

Na ponta do lápis, as contas não fecham, a menos que escolas, postos de saúde e outros serviços prestados à população do DF deixem de funcionar

Há muito tempo não se via uma movimentação política tão intensa para salvar um banco quebrado. Desde que assumiu carteiras de créditos podres em negociação suspeita com o banco Master, o Banco de Brasília (BRB) se arrasta aos trancos e barrancos, com problemas de liquidez e de patrimônio. Como não há publicação de balanço (o último data do segundo trimestre de 2025) não se sabe ao certo o tamanho do buraco. Sabe-se, sim, que é expressivo, qualquer que seja a indicação de prejuízo que se queira considerar.

Em nome do pai, por Merval Pereira

O Globo

O tempo é curto para uma virada de posições tão radical quanto a necessária para retirar Flávio do segundo turno

Os números se movem nas pesquisas eleitorais para presidente da República. Os dois candidatos mais bem cotados se aproximam e se distanciam à medida que as notícias vão se desenrolando, mas o que trava a corrida de cada um são os escândalos de corrupção envolvendo os dois. O que muda menos é o índice de rejeição de cada, e partimos para uma disputa entre quem é menos corrupto que o outro.

“Em nome do pai” é o slogan da campanha de Flávio Bolsonaro, uma admissão de que está concorrendo por ser filho de Jair. A escolha do relator da CPI do INSS para vice na chapa de Flávio revela que o tema será objeto direto da campanha da oposição, e o relatório da comissão, que não foi aprovado por trabalho do governo e pedia até mesmo o indiciamento de Lulinha, filho do presidente, deve ser ressuscitado como se fosse a verdade encoberta pelo poder do pai.

Flávio conta com mãozinha do PT, por Julia Duailibi

O Globo

Nesta semana, os mais lúcidos aliados de Lula lamentavam a entrega de munição ao adversário

O PT prestou um serviço para Flávio Bolsonaro. O candidato do PL estava em baixa, sem conseguir nenhuma aliança e passando o chapéu pelo Centrão em busca de um vice. Até que o Q.G. de Lula colocou a bola no pé do adversário. À moda Vorcaro, uma lobista do INSS conseguiu chegar com seus tentáculos à antessala do gabinete presidencial — isso depois de já ter alcançado a família do presidente. Flávio, tóxico para os mais versados na arte da política depois do caso “Dark Horse”, viu que daquele limão dava para fazer uma limonada.

Mesmo com interferência estrangeira, disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro cheira a mofo, por Malu Gaspar

O Globo

Pode-se dizer que a corrida presidencial começou para valer com a oficialização dos candidatos e suas chapas e com a definição do quinhão de tempo de TV e rádio de cada um. Como sempre, os discursos nas convenções, as escolhas de vices e a formação (ou não) de coligações movimentaram o noticiário. Olhando bem, porém, à exceção das tentativas de Argentina e Estados Unidos de se enfronhar no processo eleitoral, que ainda podem ter consequências, todo o resto cheira a mofo.

O tumulto na campanha de Flávio Bolsonaro (PL), inaugurado com as revelações do caso “Dark Horse” e agravado pela briga pública com Michelle Bolsonaro, teve uma trégua com a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para vice. Os números da pesquisa Genial/Quaest divulgados ontem mostram que a relativa calmaria na campanha ajudou o candidato do PL a recuperar um pouco do terreno perdido para Lula.

Tensão nos casos Master e INSS, por Míriam Leitão

O Globo

A maneira como estão sendo conduzidos os vários inquéritos nas mãos de André Mendonça provoca uma distorção institucional

A tensão entre o relator dos processos do INSS e do Caso Master, ministro André Mendonça, e a Polícia Federal é maior do que a que houve entre a PF e o ministro Dias Toffoli. O ministro Mendonça está exigindo despachar diretamente com os delegados e agentes, sem passar pela direção da Polícia e, pior, requereu todo o material bruto e indexado. E esse indexado não é um detalhe. É o que permite fazer busca específica. Basta colocar um nome que será possível encontrar todas as citações àquela pessoa. É possível direcionar a investigação.

O motim das máquinas, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Não está descartada a possibilidade de hora dessas, passarmos por uma hecatombe pavorosa, um Chernobyl digital

Há coisa de duas semanas, circulou a notícia de que dois modelos de inteligência artificial, desenvolvidos pela OpenAI, saíram de controle e invadiram arquivos de uma empresa concorrente. Como o desvio foi rapidamente identificado e não sucedeu nada de mais sério, ninguém parece ter ficado muito preocupado. O fato foi recebido como “parte da rotina”, num cenário de improvisos que lembra o velho samba de Billy Blanco, Piston de Gafieira. Quase deu para ouvir, na gafieira digital, o pistão que “tira a surdina e põe as coisas no lugar”. Nas big techs animadas, os mandachuvas (outra palavra do vocabulário de antigamente) deram de ombros e tocaram adiante.

A marcha dos encrencados, por William Waack

O Estado de S. Paulo

As próximas eleições provocam angústia não só em políticos. Mas também entre integrantes do STF, que enxergam na permanência do atual governo sua melhor chance de sobrevivência. São os encrencados em escândalos, que temem perder a condição atual de intocáveis. Eles manobram em dois eixos de atuação que, no fundo, são uma coisa só. Operam sob um sentido de urgência.

O primeiro é exercer o que puderem de controle sobre as investigações da Polícia Federal. Isso se dá por laços pessoais, mas também institucionais, como se viu recentemente na tentativa do diretor-geral da PF de acionar a AGU contra um dos ministros do Supremo, André Mendonça, o principal alvo dos encrencados.

Fachin e a guerra do código, de ética, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Ministro tem chance de vencer no CNJ, mas deve comprar briga no STF e com juízes de todo o País

Edson Fachin começou pela batalha menos difícil para tentar vencer a guerra do código de ética. Na terça-feira, apresentou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) propostas para reduzir conflitos de interesse na magistratura. Deixou para depois o desafio maior: propor ao Supremo Tribunal Federal (STF) outro documento, para orientar a conduta dos ministros.

Fachin deve sair vitorioso da batalha no CNJ, especialmente porque integrantes do órgão consideraram respeitosa a forma como o presidente agiu. Ele deu prazo de dois meses para os conselheiros sugerirem mudanças antes de votar o texto.

O risco de uma eleição decidida na delegacia, no medo e na raiva, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Escândalos definem diferenças de votos; falta novidade política e até mentiras são velhas

Cresce fosso entre partidos e elites programáticas, reformistas ou forças sociais inovadoras

A eleição presidencial de 2026 será decidida na delegacia, influenciada por rolos policiais e judiciais que afetam em maior ou menor grau as candidaturas principais?

Até aqui, o grosso das preferências está definido pela aversão a Bolsonaros ou a Luiz Inácio Lula da Silva. No grupo menor de eleitores oscilantes, o escândalo da vez parece levar uns três pontos percentuais de votos para lá ou para cá. A eleição vai ser isso, o balanço da aversão dos eleitores "nem-nem" (bolsonarista ou lulista) a imundícies ou à propaganda mais ou menos falsa da imundície adversária?

Quase sempre sabemos do sentido da eleição depois de encerradas as apurações, o clichê do "recado das urnas". Isto é, sabemos de algo novo da opinião pública por meio dos tamanhos das votações. Parece obviedade, mas não prestamos atenção a essa afirmação acaciana enquanto tentamos prognosticar o que vai sair das urnas.

Flávio joga parado na economia e não é cobrado, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Presidenciável do PL tem sido beneficiado por não ser o candidato incumbente e pelo baixo nível de cobrança de diversos atores

A conta de suas promessas não fecha; não precisa ser economista para chegar a essa conclusão

O presidenciável Flávio Bolsonaro joga parado nas promessas que faz para a economia durante a campanha eleitoral.

Ele tem sido beneficiado por não ser o candidato incumbente, diferentemente do presidente Lula, e pelo baixo nível de cobrança dos analistas do mercado financeiro, dos eleitores e também da mídia que acompanha seu périplo diário na disputa pelo Palácio do Planalto.

Instado a falar sobre medidas econômicas que adotará caso ganhe as eleições, o candidato do PL fala de "tesouraço" nas despesas do Orçamento, gatilhos para contenção de gastos, redução de ministérios, corte de cargos comissionados e mudanças na reforma tributária.

Tarcísio passa recibo e piora a imagem das privatizações, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Governador acusou greve de política, mas é o que faz com as concessões apressadas

Caso dos trens foi atestado de políticas mal planejadas, que também atingem parques

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, acusou a greve de ferroviários em seu estado, já encerrada, de política. Greves são políticas em sentido amplo e essa característica pode se acentuar em períodos eleitorais. Na disputa, acusações sempre aparecem.

O fato é que o movimento teve uma dimensão trabalhista. Por outro lado, não há dúvida de que certas concessões e privatizações em curso em São Paulo se enquadram bem no rótulo de políticas —ainda que mal feitas.

No afã de cunhar uma marca eleitoral e ganhar pontos com o empresariado e a opinião pública antipetista, Tarcísio —recente anfitrião do presidente da Argentina, o libertário Javier Milei— vem contribuindo para o questionamento do dogma liberal que afirma ser sempre preferível privatizar, pois aquilo que a iniciativa privada for capaz de fazer, fará melhor do que o setor público.

O admirável mundo novo de Mr. Musk, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Quando o presente é o assunto, o visionário vira fascista

A conversa fica tensa e a amabilidade dá lugar à crítica agressiva à imprensa profissional

Durante 1 hora e 24 minutos, o homem mais rico do planeta expôs à editora-chefe da revista The Economist suas ideias sobre o futuro e o presente. Criador do sistema de pagamentos eletrônico Paypal, Elon Musk é proprietário da Tesla, que fabrica carros elétricos; do aplicativo de mensagens X (antigo Twitter) —além de fundador da empresa SpaceX, que pretende revolucionar a tecnologia espacial para fazer dos seres humanos uma espécie interplanetária, capaz de colonizar Marte.

Durante os primeiros sete meses desta segunda administração Trump, Musk chefiou o Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês) —o qual, a pretexto de reduzir desperdícios, fechou agências estatais, cortou recursos e destruiu muitos órgãos federais importantes. A entrevista pode ser vista em The Insider, publicação digital exclusiva para os assinantes do semanário britânico.

EUA ignoram vias legais e escolhem o método do caos, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Ao revogar visto de embaixadora brasileira, os EUA decidem reverter a ordem prevista na lei internacional

Governo Trump usa alavanca para que a direita ganhe as próximas eleições no Brasil

A única explicação plausível para que o governo Trump tenha decidido revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington é a aposta no caos como alavanca para que a direita ganhe as próximas eleições no Brasil e, assim, a onda neotrumpista latina possa inundar o Planalto Central. Este, ao menos, é o sonho de Marco Rubio, secretário de Estado americano.

Poesia | Mensagem à Poesia, de Vinicius de Moraes

 

Música | Beth Carvalho - Vai Passar, de Francis Hime e Chico Buarque