quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Regras de conduta para Judiciário são bem-vindas

Por O Globo

Fachin faz bem em combater conflitos de interesse nas instâncias inferiores. Deveria levar iniciativa ao Supremo

É oportuna a proposta do ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de criar uma política de prevenção e gestão de conflitos de interesses no Judiciário. As regras estabelecidas pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional na década de 1970 e as posteriores, como as determinadas pelo Código de Ética da Magistratura de 2008, já demonstraram ser insuficientes. A imparcialidade dos juízes tem sido manchada com frequência por relações impróprias e conflitos de interesses.

O texto de Fachin prevê diretrizes para identificar potenciais problemas antes que surjam. Disciplina a participação dos magistrados em eventos patrocinados, o recebimento de presentes e o relacionamento profissional de seus familiares com grandes litigantes. Por não estar subordinado ao CNJ, o STF está infelizmente fora do escopo da iniciativa. Por isso mesmo, a formulação do Código de Ética prometido por Fachin para integrantes do Supremo deveria correr em paralelo, sem atrasos.

Genial/Quaest: Lula lidera todos os cenários de 2º turno, mas perde pontos de vantagem sobre Flávio, por Júlia Cople

O Globo

Candidato à reeleição possui 44% das intenções de voto em disputa contra o senador, que marca 39%; na sondagem anterior, petista aparecia com 45%, contra 37% do filho do ex-presidente

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue liderando todos os cenários testados de segundo turno nas eleições. Na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na corrida ao Planalto, o petista aparece com 44% das intenções de voto, contra 39% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O cenário representa uma oscilação positiva para Flávio, que, na sondagem anterior, perdia por 45% a 37%, embora os dados variem dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

É a oitava pesquisa do instituto no ano para as eleições de outubro — e a primeira da empresa depois das convenções que escolheram os candidatos a presidente, do novo tarifaço de Donald Trump, da reconciliação entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar novas investigações contra Lulinha, filho de Lula.

Pesquisa mostra que a direita começa a se reorganizar e entregas do governo perdem força, por Míriam Leitão

O Globo

A direita começa a se reorganizar, e as entregas do governo Lula deixaram de produzir o mesmo ganho. Esse é o resumo da pesquisa Genial/Quaest que acaba de ser divulgada, na qual a diferença entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro caiu três pontos percentuais. Um dos indicadores que mostram essa reorganização da direita é que perguntados se as pazes públicas entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro foi positivo ou negativo, 88% da direita não bolsonarista considera positivo e 90% da direita bolsonarista.

Fantasma da corrupção abala fase de calmaria de Lula, por Vera Magalhães

O Globo

Depois de negligenciar denúncias de desvios no INSS, presidente vê desdobramentos das investigações atingirem filho e assessor mais próximo

A proximidade do início para valer da campanha eleitoral interrompeu a calmaria que vinha reinando no quartel-general de Lula. O fantasma da corrupção, que já havia reaparecido com o caso Master, ganhou contornos mais assustadores com a entrada do assessor mais próximo ao presidente nas investigações.

Marco Aurélio Santana Ribeiro, que nunca viu problema em ser conhecido nacionalmente pela alcunha de Marcola, recebeu dinheiro de uma lobista que vem a ser amiga próxima de Lulinha, o filho do presidente conhecido de outros carnavais e casos rumorosos. A explicação dada por ele diante da eclosão do assunto — de que Lula e seu entorno já tinham conhecimento há alguns meses — é um clássico em casos do tipo: ele afirmou ter contraído um empréstimo junto a Roberta Luchsinger, a amiga de Lulinha, e pagado depois, tudo sem contrato.

Presidente desperdiça a campanha, por Elio Gaspari

O Globo

Lula ‘porreta’ atrapalha o candidato

No ocaso de um governo sem marca, Lula falou demais (62 minutos numa reunião do PT) e disse pouco. Anunciou cinco compromissos: “resolver definitivamente o papel da educação”; criar um programa para idosos; fortalecer a indústria militar; manter a riqueza das terras-raras “para os brasileiros”; programas para a transição energética.

É muito mais do que Flávio Bolsonaro defende, mas é fala de palanque. Dos cinco compromissos, um — “resolver definitivamente o papel da educação” — não quer dizer nada, pois o problema da educação não é de “papel” mal resolvido. Os outros quatro são vagas generalidades. Podem dar certo, errado, ou mesmo em nada.

Revogação de visto de embaixadora é ato de chantagem dos EUA ao Brasil, por Bernardo Mello Franco.

O Globo

Casa Branca reforça ofensiva para interferir na eleição presidencial

Donald Trump ainda não havia completado dois meses de sua volta ao poder quando decidiu expulsar o embaixador da África do Sul nos EUA. Ao anunciar a medida, o secretário Marco Rubio citou o Breitbart, site de extrema direita conhecido por divulgar notícias falsas e teorias conspiratórias.

O caso de Ebrahim Rasool foi relembrado ontem por diplomatas brasileiros. Eles ainda tentavam digerir a informação de que o Departamento de Estado havia revogado o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti.

O embaixador da África do Sul foi alvo de uma campanha de desinformação que acusava o país de ameaçar e perseguir a minoria branca. Influenciado pelo bilionário Elon Musk, Trump chegou a oferecer asilo aos chamados africâneres, sul-africanos de origem holandesa. Rasool criticou a ideia num debate virtual, o que serviu de justificativa para sua expulsão.

Briga por comando do Senado corre nos bastidores, por Fernando Exman

Valor Econômico

Para dirigentes partidários governistas e de oposição, há grandes chances de vingar o projeto bolsonarista de conquistar mais da metade das cadeiras

A revelação de que o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu repasses da lobista que está no centro do escândalo do INSS deu ao senador Flávio Bolsonaro a oportunidade de se reposicionar na disputa presidencial. O pré-candidato do PL reagiu e, horas depois de dizer que batalharia até o dia 15 para atrair o Centrão para a sua chapa, comunicou que anteciparia a definição de quem ocupará a sua Vice para esta quarta-feira (5). O vai e vem sobre o preenchimento da vaga já vinha, nos bastidores, antecipando alguns movimentos da disputa que ocorrerá em fevereiro pela presidência do Senado nos próximos dois anos.

Plano de logística quer investir R$ 1,225 tri até 2050, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Pela primeira vez, previsão de investimentos privados em logística chegará a 60% do total, superando os públicos

Nos próximos 15 anos, a quantidade de carga a ser transportada no país vai aumentar 300%, impulsionada pelas exportações de commodities. “Entendeu o tamanho do problema?”, questionou o ministro dos Transportes, George Santoro. Ele lança no próximo dia 12 o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, que prevê investimentos de R$ 1,225 trilhão, conforme cálculos que ainda são refinados e que foram antecipados à coluna.

Pela primeira vez, a previsão de investimentos privados em logística chegará a 60% do total, superando os públicos. Serão R$ 734,4 bilhões ante R$ 490,5 bilhões.

Escândalo do INSS chega ao Planalto e põe campanha de Lula na defensiva, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O caso equaliza os desgastes de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), com seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do rombo do Banco Master

Era pedra cantada que o escândalo do INSS se transformaria numa dor de cabeça para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O que não estava no radar dos gerenciadores de crise do Palácio do Planalto era que, além das investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o caso chegaria a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, assessor discreto e poderoso, que atendia as ligações para o celular do presidente da República e entrava no seu gabinete sem se anunciar.

A violência não termina quando a tela se apaga, por Márcia Lopes*

Correio Braziliense

A violência digital contra as mulheres não pode ser tratada como um efeito colateral inevitável da tecnologia. A inovação deve estar a serviço das pessoas, e não transformar suas vidas em matéria-prima para o ódio, a exploração ou a humilhação

Durante muito tempo, aprendemos a identificar a violência contra as mulheres pelas marcas deixadas no corpo. Mas existem violências que não deixam hematomas visíveis e, ainda assim, destroem reputações, relações, oportunidades e projetos de vida. 

Uma fotografia íntima publicada sem consentimento. Uma ameaça enviada de madrugada. Uma mulher perseguida pelas redes sociais. Uma imagem falsa, produzida por inteligência artificial, que coloca seu rosto em uma cena sexual que nunca existiu. Uma campanha organizada para humilhar, silenciar ou expulsar uma mulher do espaço público. 

A campanha ‘porreta’ de Lula, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Marcola recebe pagamento de lobista que é amiga de Lulinha e PT culpa PF por crise

A descoberta de que Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, recebeu pagamento da empresária Roberta Luchsinger serviu para escancarar os atritos que têm marcado as relações entre a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a cúpula do PT.

Não é de hoje que o ministro do STF André Mendonça reclama do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A portas fechadas, Mendonça chegou a dizer que a cúpula da PF segurava investigações contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e amigo de Roberta, por causa das eleições. Além disso, avisou que se todas as apurações não fossem enviadas a seu gabinete, o diretor-geral da PF responderia por obstrução de Justiça.

Fingindo-se de morto, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O melhor que o Copom tem a fazer hoje é divulgar comunicado enxuto, sem dar margem a polêmicas

A principal missão do Banco Central ao fim da reunião de hoje do Copom será evitar causar – a todo custo – os ruídos da última decisão, quando os argumentos para justificar o corte da taxa Selic pegaram os analistas de surpresa e suscitaram até questionamentos à sua credibilidade. Agora, o melhor é o Copom se fingir de morto e soltar um comunicado enxuto, sem dar margem a polêmicas.

O isolamento de Flávio Bolsonaro na nova podridão do sistema político, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Novo poder do Congresso explica apenas em parte solidão partidária do candidato do PL

Parlamento-centrão começa a institucionalizar novo modo de saque extrativista do Estado

O isolamento partidário de Flávio Bolsonaro (PL) em parte confirma a impressão de que a perda de poder do governo federal para o Congresso diminui a relevância de alianças firmes com presidentes para o objetivo de dominar dinheiros do Estado. É isso, mas não só. Vai além da eleição, é outra história.

O Congresso-centrão institucionaliza um outro modo de extração de recursos estatais, em parte concatenada com crimes diversos, corrupção entre eles. Emendas são parte disso. De modo legal ou ilegal, servem para valorizar o capital político e o capital privado de políticos (e de associados).

Note-se também o caso Vorcaro, o mais explícito dos sintomas pornopolíticos do favorecimento empresarial extrativista no Parlamento e de associação da política com fundos da finança bandida. É ingenuidade chamar o aumento do poder do Congresso de "semiparlamentarismo", mesmo de modo provisório.

Quanto à eleição, o mais importante, se diz do centrão ao direitão, é fazer bancadas grandes de modo a ter mais controle sobre emendas, fundos partidários e eleitorais e sobre poucos cargos ainda rendosos (em termos de dinheiro e prestígio) ou que facilitam negócios com empresas e finança.

Lulinha é problema para Lula? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Investigações sobre filho do presidente, mesmo que avancem, não devem mudar muito panorama das pesquisas eleitorais

Revelação de conexão entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro não fez candidatura murchar, como deveria ocorrer em mundo racional

As investigações da PF contra Lulinha estão avançando. O Lulão deve se preocupar com isso? Um pouco. Seria obviamente preferível iniciar o período oficial de campanha sem carregar um filho contra o qual pesam suspeitas, mas é improvável que o cerco policial, mesmo que revele coisas mais concretas do que o que apareceu até aqui, mude muito o panorama eleitoral.

Eleitorado neste ano vai às urnas ressentido, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Há menos uma guerra ideológica que um embate de sentimentos negativos mutuamente alimentados

Favoritos alimentam esse ambiente de mal-estar geral, na falta de terem algo melhor a dizer à população

Eleições são ganhas com apoio popular, respaldo político-partidário e expertise para se valer de erros do campo adversário. Foi assim que Tancredo Neves chegou vitorioso ao colégio eleitoral de 1985, marco fundador da transição democrática.

O mineiro administrou a frustração com a derrota da emenda Dante de Oliveira, atraiu o capital da movimentação nacional em prol das diretas-já, aproveitou-se da desorganizada divisão do governo em torno dos nomes de Paulo Maluf, Mário Andreazza, Aureliano Chaves e do desejo do que seria o último ditador em prorrogar o próprio mandato.

Milei pode ter sido um erro na largada de Flávio Bolsonaro, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Ao entregar palco ao argentino, candidato agradou aos convertidos e pode ter afastado eleitores de que precisa

Convidado do PL proclamou a liberdade no Brasil e voltou ao seu país para policiar mensagens de torcedores

Talvez Flávio Bolsonaro ainda não tenha calculado o tamanho do erro cometido na largada de sua campanha. Para devolver à base bolsonarista o prazer de ouvir Lula e Alexandre de Moraes sendo xingados, trouxe a São Paulo Javier Milei, entregou-lhe o palco da convenção do PL e deixou que o argentino fizesse o serviço.

Milei chamou o presidente da República de ladrão e presidiário e tratou um ministro do Supremo como "lixo careca". A plateia vibrou. Resta saber quem, além dela, foi conquistado.

A eleição presidencial tem tudo para ser um campeonato de rejeição, vencido não pelo candidato mais amado, mas por quem provocar menos aversão. Flávio e Lula lideram a lista daqueles em quem os eleitores afirmam que não votariam de jeito nenhum.

Como a grande mídia tenta reconfigurar a disputa de 2026, por Chico Cavalcante

Revista Fórum

O que se viu na semana que antecedeu a pesquisa foi uma operação clássica de Agenda Setting, orquestrada pela grande imprensa com a precisão de quem conhece o poder de pautar o debate público.

A oitava rodada da pesquisa Nexus, contratada pelo BTG Pactual, divulgada nesta segunda-feira, traz números que merecem mais do que uma leitura superficial. O levantamento, realizado entre 31 de julho e 2 de agosto com 2.002 eleitores, aponta Lula com 41% das intenções de voto no primeiro turno contra 37% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o empate técnico se confirma, 46% a 45%. Mas o dado mais relevante não está na margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Está na inflexão detectada pelo instituto e no que provocou tal inflexão.

Brasil enfrentado a sus fantasmas, por Fernando de la Cuadra

El Clarin (Chile)

Faltan apenas dos meses para que las elecciones de octubre sean realizadas y la mayoría de los candidatos está en campaña, pese a que el inicio de la corrida electoral solo comienza oficialmente el 16 de agosto. Casi todas las coaliciones ya escogieron sus candidatos a presidente y vicepresidente, siendo que la Federación Brasil de la Esperanza, el pacto entre el PT y otros dos partidos (PV y PC do B) junto al PSB, PSOL, Rede y PDT ya confirmaron al actual presidente Lula da Silva y a su vice Geraldo Alckmin como los representantes de ese conglomerado de centro izquierda para la próxima contienda.

A Sociedade em Rede no Século XXI: uma Perspectiva Retrospectiva, por Manuel Castells

 

Poesia | Elegia 1938, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | MPB4 - Vira Virou