Folha de S. Paulo
O candidato que já foi vários personagens
agora se lança nas vestes do sujeito 'porreta'
O presidente precisa convencer o eleitor de
que desta vez fará o que não fez em governos passados
O candidato Luiz Inácio da Silva tem dois
meses daqui até a eleição para convencer os brasileiros indecisos a aderir às
fileiras dos convertidos, para os quais apresentou um esboço
de plano de governo na convenção petista de domingo último (2).
O presidente Lula, por sua vez, tem a difícil tarefa de, no mesmo espaço de tempo, explicar ao público em geral por que nos 18 anos de governo que o PT está prestes a completar já não se fez o prometido para adiante, quando o partido fizer 22 anos de poder.
A autodenominada metamorfose ambulante
—justificativa para incoerências em roupagem pop— já encarnou vários
personagens e agora se lança nas vestes de "porreta"; um sujeito
ponta firme, em tradução de gíria arcaica.
Essa pessoa extraordinária, que na sua
própria visão tomará posse em 5 de janeiro de 2027, vai começar por dar uma
"solução definitiva" para a educação no Brasil. Como? Dizem na
campanha que os detalhes chegarão no comício
de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), marcado para o próximo dia
16.
Ali será possível também que se esclareça o
que significam duas frases: "Vai ter briga com as emendas" e
"vai ter briga com o papel do Poder Legislativo". Aguardemos para
saber como a nova identidade pretende enfrentar —na base do, talvez, porrete—
um Congresso que na eleição anterior prometera levar "no diálogo",
mas que levou o Executivo na conversa.
"Quero estar preparado para que ninguém
invada este país para levar o presidente." Assim, no modo autorreferido da
soberania de palanque, a Defesa e os sucessivos cortes de verbas entraram em
cena, enquanto nossas fronteiras são autênticas peneiras a serviço do crime
organizado.
O noticiário que esmiuçou os ditos na convenção pontuou as ausências dos temas que mais preocupam os brasileiros: segurança, economia (contas públicas) e corrupção. São assuntos que não se prestam a fantasias. Tampouco deixam o presidente e o candidato numa posição confortável para o gostoso, mas improdutivo, exercício da autoexaltação.

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