Folha de S. Paulo
Família Bolsonaro acreditou que o centrão
daria apoio de graça, por gravidade e identidade ideológica
Enganou-se ao não considerar que esse pessoal
atua no mercado futuro da política, de olho na melhor oferta
O PL chega à sua
convenção nacional sem
conseguir atrair parceiros para formar uma coligação. O fato em si não
é determinante para o desempenho de candidaturas. Em 2018, o PSDB de Geraldo
Alckmin formou a mais ampla das alianças e terminou a eleição com
menos de 5% dos votos.
O problema é a razão pela qual a campanha de Flávio Bolsonaro tem recebido explícitas e constrangedoras negativas de adesão por parte da direita profissional, que não se dá bem com amadorismos. Veterano no ramo, Valdemar Costa Neto chamou atenção para o despreparo. O senador e companhias podem ser bons de lacrações, mas são ruins no jogo da política.
Surpreendem-se com a resistência do centrão
em aderir por falta de conhecimento sobre o terreno onde pisam. Contavam que os
partidos cairiam no colo dos Bolsonaros por gravidade, identificação ideológica
e rejeição ao PT de
Luiz Inácio da Silva.
Consideraram o campo da direita como fava
contada, que seria submissa às ordens dadas. Ignoraram que esse pessoal esteve
com Lula nos
primeiros governos, neste ainda ocupa ministérios e atua no mercado futuro da
melhor oferta.
Essas cobras criadas têm as antenas bem
afinadas e narizes especialmente treinados para detectar a formação de
tempestades, bem como não exibem dificuldade em fazer cara de paisagem ante as
atribulações que assolam a candidatura do filho de Jair.
A recusa ao embarque nessa canoa pode não
ficar restrita ao primeiro turno. A depender do rumo das coisas, pode chegar ao
segundo com atividade restrita a braços cruzados no camarote.
O time dos profissionais prefere investir na
eleição de Parlamento forte para enfrentar um Lula reeleito sem perspectiva de
continuidade no poder do que ver Flávio na cadeira presidencial com direito à
reeleição em 2030.
Para a fila de postulantes para daqui a
quatro anos, é um bom negócio se ver livre das trapalhadas da família, cujo
teatro da vulgaridade, travestida de autenticidade de resultados, a
descendência não consegue sustentar.

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