Dos 195 países oficiais existentes no mundo,
bem menos da metade podem ser considerados democráticos. Na Rússia, de Putin;
na China, de Xi Jinping; no Irã, de Khamenei; na Coréia do Norte, de Kim
Jong-un; nas teocracias árabes; em inúmeros países africanos; em Cuba e na
Venezuela; encontramos regimes políticos que não respeitam as liberdades políticas,
sindicais, de opinião, de imprensa, de organização. Não há eleições livres e
democráticas e alternância no poder. Não há três poderes e um sistema de
controles cruzados, freios e contrapesos. Não há liberdade, e a sociedade e os
indivíduos são controlados a partir da ação do Estado. Às vezes, com alguma
sutileza. Em outras, com enorme desfaçatez e cinismo, como recentemente na
decisão de Daniel Ortega, de suprimir as eleições na Nicarágua.
Nenhuma conquista é definitiva. A democracia
correu perigo nos EUA, em 2020, e no Brasil, em 2023. “O preço da liberdade é a
eterna vigilância”. É uma construção permanente. Há que se aprimorar sempre:
ritos, regras, instituições.
Nosso processo de redemocratização comemorou
41 anos, em 2026. Caminhamos para mais uma eleição geral, livre e democrática. No
entanto, existem problemas, contradições, desafios e avanços necessários.
Por isso, em boa hora, será lançado, pela
Fundação Fernando Henrique Cardoso (iFHC), o documento “O FORTALECIMENTO DO
LEGISLATIVO NO BRASIL: contribuição para o aperfeiçoamento institucional do
Congresso”.
O texto parte da inequívoca constatação do
fortalecimento, nas últimas duas décadas, do papel do Congresso Nacional no
processo decisório brasileiro, com a recuperação e avanço de suas prerrogativas,
Aponta que, de 1988 a 2000, 85% das leis aprovadas tiveram origem no Palácio do
Planalto. Esse quadro mudou radicalmente. 2009 foi o primeiro ano em que se
aprovou mais leis de origem parlamentar do que as nascidas no Executivo.
Se o fortalecimento do parlamento é positivo
para a democracia, inibindo qualquer tentação autoritária da presidência da
República, distorções foram acumuladas e muitos expedientes informais se
cristalizaram. O documento traz propostas para a institucionalização de ritos e
regras, desconcentração do poder interno no Congresso, valorização das
comissões permanentes, reformulação das emendas parlamentares ao orçamento,
aprimoramento do voto remoto, limitação do apensamento de PECs, alteração do
rito de análise de medidas provisórias e dos processos de impeachment,
institucionalização do colégio de líderes, diminuição das reuniões
extraordinárias e dos requerimentos de urgência, extinção dos “jabutis”, etc.
São propostas pontuais e incrementais, não
trazendo ideia alguma de transformação traumática e disruptiva. O objetivo é
aumentar a previsibilidade e a transparência no processo decisório brasileiro.
Todo o esforço liderado pelo iFHC visa, através de mudanças simples e objetivas, fortalecer a democracia brasileira, o Congresso Nacional e seus vínculos com a sociedade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário