quinta-feira, 24 de julho de 2014

Panorama Político :: Ilimar Franco

- O Globo

FH no centro do ringue
A campanha da presidente Dilma à reeleição apostará na comparação entre os oito anos do governo FH e os 12 anos da gestão Lula-Dilma. A estratégia foi revelada aos aliados na reunião do Alvorada. Mas a campanha de Aécio Neves (PSDB) não pretende esconder FH, como fizeram Serra e Alckmin. Deve reafirmar a política de privatizações e de concessões, visando fortalecer a iniciativa privada.

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"O Fernando Henrique é uma referência para Aécio Neves. Ele é o modelo do que queremos fazer. Não vamos escondê-lo como em outras campanhas"
José Agripino, senador (RN), presidente do DEM e coordenador da campanha de Aécio Neves.
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OAB: um dia depois do outro
A OAB do Rio participa dos protestos contra a prisão de 23 pessoas que, segundo investigação documentada da Polícia Civil, pretendiam promover atos violentos. E a Comissão Estadual da Verdade critica o vazamento de informações da Operação FireWall, que motivou a ação policial. Mas a postura da entidade e da Comissão mudam quando se trata do atentado contra a OAB do Rio, em agosto de 1980. As polícias Federal e Civil apanham até hoje por não terem, de fato, identificado os responsáveis por aquele ato violento, que causou a morte da senhora Lyda Monteiro. A vida não é justa. A polícia é colocada no pelourinho quando age ou quando se omite.

O capital
Além da aproximação com os evangélicos, aliados da presidente Dilma sugeriram que ela melhore sua interlocução com os empresários, onde há muita resistência à sua candidatura.

Modelo uruguaio
Candidata do PSOL ao Planalto, Luciana Genro concluiu monografia de pós-graduação em Direito Penal sobre "O fracasso da guerra às drogas". Nas conclusões, ela defende a "descriminalização das drogas, começando pela maconha, de menor potencial lesivo e com maior aceitação social". A proposta consta de seu programa de governo.

Debaixo do tapete
Nem o PT nem o PSDB acreditam no potencial de Eduardo Campos (PSB) e muito menos na alavancagem de Marina Silva (Rede). A tática do momento é não hostilizar o socialista, na expectativa de ter seu apoio no segundo turno.

Lula, o cabo eleitoral
Azarão na disputa pela vaga ao Senado do Rio, o presidente do PDT, Carlos Lupi, ficou esfuziante quando a presidente Dilma, voltando-se para seu vice, Michel Temer, disse: "O nosso candidato é o Lupi". O trabalhista espera receber, esta semana, gravação do ex-presidente Lula que ele vai usar na abertura de seu programa eleitoral na TV.

Traduzindo o clima
O vice Michel Temer articula agenda de Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo paulista, com a presidente Dilma. Quanto a rejeição à Dilma, Temer diz que ela vem de eleitores que já votam no PSDB do governador Geraldo Alckmin.

A guerra regional
O TRE do Maranhão rejeitou pedido liminar do candidato ao governo Lobão Filho (PMDB) para impedir que seu adversário, Flávio Dino (PCdoB), use as imagens da presidente Dilma em seu comitê. O PMDB e o PCdoB apoiam a presidente.
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A secretária-executiva da SAE Suzane Dieckmann nega conflito com o general G. Dias, que será nomeado para a Secretaria Geral da Presidência.

Brasília-DF :: Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

O motivo do mau humor
Está explicado o porquê da má vontade da base aliada para com a campanha em prol da reeleição da presidente Dilma Rousseff, especialmente, do PMDB. Como na maioria das vezes, tem dinheiro no meio. As contas feitas pelo partido indicam que o saldo a liberar de emendas dos anos anteriores chega a R$ 1,3 bilhão de um total de R$ 1,6 bilhão. Pagaram até julho R$ 271 milhões em emendas dos peemedebistas.

Essa represa aos restos a pagar de emendas peemedebistas é vista como o maior indício de que os petistas agem deliberadamente para tentar derrotar o PMDB nos estados. Não é à toa que, no Rio de Janeiro, por exemplo, o Aezão (apoio do governador Luiz Fernando Pezão a Aécio) ganha fôlego entre os parlamentares da legenda.

Nem vem...
O presidente do PMDB de Minas Gerais, Toninho Andrade, reuniu os deputados federais e prefeitos para cobrar fidelidade ao PT, de Fernando Pimentel e Dilma Rousseff. Descobriu que a maioria não deseja sequer os "santinhos" em conjunto com os petistas que concorrem a cargos majoritários.

...Que não tem
Até aqui, Toninho Andrade não conseguiu convencer ninguém a mudar a estratégia. Os deputados federais disseram que não estão dispostos a correr riscos de perder a eleição para ajudar Fernando Pimentel ou Dilma. A maioria dos prefeitos continua aecista e, por tabela, os deputados.

Precedente
Depois que o Tribunal de Contas da União tirou os integrantes do conselho de administração da Petrobras do processo envolvendo a refinaria de Pasadena (EUA), ficou para muitos no governo e fora dele a sensação de que qualquer um pode ser nomeado para essas funções. Do quitandeiro (com todo respeito às quitandas) a um grande executivo. Afinal, ninguém é responsável pelas decisões, ainda que equivocadas.

Na labuta eleitoral
O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, passou horas reunido com o presidente do PCdoB, Renato Rabelo. No fim da tarde, foi a vez do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha. Embora ninguém assuma publicamente, Mercadante é hoje um dos coordenadores políticos da campanha petista, praticamente empatado com Rui Falcão. Os dois só perdem para Lula.

No estaleiro/ O líder do PR, Bernardo Santana, está em ponto de desistir da campanha pela reeleição por problemas cardíacos. A família insiste para que ele se dedique a cuidar da saúde.

Segura o Vitalzinho!/ O PT vai insistir na intervenção do partido na Paraíba. Tudo para não perder o apoio do senador Vital do Rêgo Filho (foto), que preside as duas CPIs da Petrobras. É consenso na Casa que o colegiado só vai pegar depois da eleição.

Solta o Marco Maia!/ Os petistas, entretanto, querem o relator da CPMI, deputado Marco Maia, solto no Rio Grande do Sul fazendo campanha pela reeleição da presidente. Afinal, a CPI só vai esquentar mesmo depois da eleição.

Funcionários em alerta/ Enquanto a campanha rola nos estados, os assessores dos partidos de oposição e do governo vão ficar de plantão analisando os documentos que chegaram à CPI. Sabe como é, vai que tem alguma coisa capaz de interferir em algum resultado eleitoral.

Diário do Poder :: Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• Oposição centra fogo em Cerveró no caso Petrobras
De olho no estrago eleitoral que o escândalo da Petrobras poderá causar à reeleição da presidenta Dilma, partidos de oposição decidiram voltar a centrar fogo em Nestor Cerveró, diretor internacional da estatal na época da compra da velha refinaria de Pasadena (EUA). O ex-diretor foi tomado por bode expiatório pelo Planalto e está entre os condenados ontem pelo TCU a devolver US$ 792 milhões pelos prejuízos causados ao erário.

• Homem-bomba
Cerveró chegou a avisar a membros da CPMI ter interesse em abrir o bico, mas recuou. A aposta é que agora ele já não tem para onde correr.

• O dia D
Acusado pelo Planalto de redigir “parecer falho”, que teria induzido a erro a presidenta Dilma, Cerveró vai depor na CPMI no dia 13 de agosto.

• Déjà vu
O líder do SD, Fernando Francischini (PR), acredita que Cerveró corre o risco de pagar pelos pecados alheios e “virar um Marcos Valério da vida”.

• Pode se redimir
Para Rubens Bueno (PR), líder do PPS, o TCU isentou Dilma, mas terá nova chance para cumprir a lei na Tomada de Contas Especial instalada.

• Anac se omite e empresas abandonam o pudor
Empresas aéreas agora embolsam dinheiro da clientela sem o menor pudor. Um casal de Brasília comprou passagens de ida e volta para o final da Copa do Mundo, mas chegou ao Rio antes, por outro meio. A TAM cancelou o retorno sem avisar e não devolveu o dinheiro. Por que? “Normas da empresa”, disse o funcionário, frio como um cadáver. O casal ludibriado teve de comprar outros bilhetes de volta para casa.

• Impunidade
A TAM embolsou a grana das passagens adquiridas 3 meses antes da final da Copa, e o dinheiro dos novos bilhetes. Ninguém foi preso.

• Amigas do alheio
As empresas aéreas alegam cinicamente que clientes perdem direito a restituição de passagens compradas em promoção. A Anac nada faz.

• Inutilidade
O casal de Brasília tentou se queixar da Anac contra a TAM, mas foi inútil. A Agência Nacional de Aviação Civil não aparece em aeroportos.

• Licença programada
O presidenciável Aécio Neves (PSDB) não quer dar margem a críticas e já prepara o discurso para despedida do Senado no dia 5 de agosto. Assumirá a cadeira o suplente Elmiro Alves do Nascimento (DEM-MG).

• Jogo duplo
Coordenador da campanha de Aécio Neves, o presidente do DEM, José Agripino, ficou de defenestrar do comando do Nordeste o vice-governador Thomaz Nonô, que estaria jogando também com Eduardo Campos (PSB)

• Paga pra ver
O presidenciável Eduardo Campos (PSB-PE) apostou com prefeitos, em ato na Zona da Mata Sul, no sábado (19), que o socialista Paulo Câmara terá um milhão de votos a mais que Armando Monteiro (PTB) ao governo.

• Dentro dos conformes
O MEC esclarece que a licitação aberta nesta quarta (23) para contratar empresa de eventos obedece a todos os procedimentos legais. Em nota, o ministério informou que os dados estão disponíveis no site Comprasnet.

• Ciumeira
A cúpula do PMDB colocou na conta da Câmara o vazamento da notícia de que receberia R$40 milhões do PT. Segundo dirigentes, os deputados estão inseguros com o estreitamento das relações do Senado com Dilma.

• A origem
O PMDB suspeita ainda que a história dos R$ 40 milhões tenha sido alimentada pelo próprio presidente do PT, Rui Falcão, para já inviabilizar uma eventual doação e estimular a briga da Câmara com o Senado.

• Só na promessa
Prefeitos se dizem enganados por Cid Gomes (CE), que teria prometido R$ 140 milhões em troca de apoio a Camilo Santana (PT), mas cancelou os convênios assinados após 5 de julho, como manda legislação eleitoral.

• Rir é o remédio
A repercussão nas redes sociais do encontro entre a presidenta Dilma e executivos da Tim foi bem-humorada. Internautas avaliaram que tal como a petista nas pesquisas, ligações da operadora continuam só caindo.

• Apatia geral
O PSOL e o PV identificaram que o principal desafio nesta eleição será convencer o eleitor qualificado – do dito voto de opinião – a votar.

Morre aos 87 anos o escritor Ariano Suassuna, o cavaleiro do sertão

• Autor paraibano foi vítima de uma parada cardíaca, em Recife, onde viveu a maior parte de sua vida

O Globo

RIO - O escritor paraibano Ariano Suassuna morreu às 17h28m desta quarta-feira, aos 87 anos, vítima de uma parada cardíaca provocada pela hipertensão intracraniana. Ele estava internado no Real Hospital Português, em Recife, Pernambuco, desde segunda-feira, depois de sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico. O autor passou por uma cirurgia de emergência, acabou entrando em coma e não resistiu. Integrante da Academia Brasileira de Letras, Suassuna teve seis filhos e 15 netos. Defensor da cultura popular brasileira, era um dos maiores dramaturgos do país, além de autor de romances e poemas.

O velório começou pouco antes das 23h desta quarta-feira no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do estado de Pernambuco. Ariano Suassuna será enterrado às 16h de quinta-feira no Cemitério Morada da Paz, no município de Paulista, região metropolitana de Recife.

No dia 21 de agosto do ano passado, ele foi atendido no mesmo hospital por causa de um infarto, “com comprometimento cardíaco de pequenas proporções”. Uma semana depois, passou mal e voltou a ser internado, sendo submetido a uma arteriografia para corrigir um aneurisma que vinha lhe provocando fortes dores de cabeça.

Nascido em 16 de junho de 1927 em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, capital da Paraíba, Ariano Vilar Suassuna era filho de João Suassuna, então governador de seu estado natal. Com o fim do mandato, um ano depois, toda a família se mudou para o interior.

O velho contador de histórias do sertão tinha apenas 3 anos quando um fato trágico marcou sua infância. No desenrolar da Revolução de 1930, um pistoleiro de aluguel assassinou seu pai com um tiro pelas costas, numa rua do Rio de Janeiro.

O assassinato foi motivado por boatos que apontavam o patriarca da família Suassuna como mandante da morte de João Pessoa, seu sucessor no governo, fato que serviu de estopim para a revolução. Um ambiente assim, com dívidas de sangue e rivalidade entre famílias, cobrava dos órfãos a vingança. Mas, um dia antes de ser assassinado, João Suassuna deixou uma carta aos nove filhos pedindo que eles não se tornassem assassinos por sua causa.

Uma biblioteca de herança
Ariano Suassuna obedeceu. Em vez disso, dizia estar perto de perdoar os criminosos que mataram seu pai. A mãe e viúva também ajudou, ao dizer que o pistoleiro responsável pelo crime já havia morrido (era mentira). Com a tragédia, a família mudou-se para a pequena cidade de Taperoá, no interior da Paraíba. E Ariano herdou a biblioteca do pai, onde encontrou livros importantes para sua formação. Um dos mais importantes, sem dúvida, foi “Os sertões”, de Euclides da Cunha. A obra lhe apresentou um dos personagens que mais marcaram sua vida: Antônio Conselheiro, profeta e líder de Canudos.

Em 1942, Suassuna foi para Recife concluir o ensino básico. Anos depois, na faculdade de Direito, ajudou a fundar o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, encenou sua primeira peça: “Uma mulher vestida de sol”. Nove anos depois, levaria aos palcos seu texto mais conhecido, “Auto da Compadecida”, que ganharia adaptações na TV e no cinema.

Por causa do teatro, deixou o Direito de lado seis anos após ter se formado. O romance surgiu mais tarde em sua vida. Em 1971, Ariano Suassuna lançou seu “Romance d’a pedra do reino e o príncipe do sangue vai-e-volta”, com nome comprido como seus cordéis tão adorados e pensado para ser uma trilogia. Com o livro, o escritor avança em relação à literatura regionalista dos anos 1930, representada por João Guimarães Rosa e José Lins do Rego. Mais tarde, Ariano Suassuna diria que “A pedra do reino” era, de certa forma, uma tentativa de trazer seu pai de volta à vida.

Havia quem acusasse o escritor de lutar contra moinhos de vento: o escritor se apresentava como um defensor da cultura popular brasileira, contra a invasão da indústria cultural norte-americana. Falava mal de Madonna e Michael Jackson. Não à toa, quando foi secretário de Cultura do governo Miguel Arraes, nos anos 1990, tornou-se um ferrenho opositor do maracatu eletrônico e do manguebeat. Ele se recusava, por exemplo, a chamar Chico Science, o vocalista da Nação Zumbi, pelo nome artístico. Dizia “Chico Ciência”.

A defesa da cultura nacional, que muitas vezes lhe rendeu o rótulo de xenófobo, já vinha no sangue e no nome da família. Na onda nacionalista depois da Independência, em 1822, vários brasileiros adotaram nomes indígenas. Seu bisavô Raimundo Sales Cavalcanti de Albuquerque escolheu Suassuna, de origem tupi, e nome de um riacho da região onde a família vivia. Nos anos 1970, fazendo jus ao nacionalismo da linhagem, Ariano fundou o Movimento Armorial, que defendia a criação de uma cultura erudita com bases na cultura popular — e toda a sua obra orbita em torno desse ideal.

Em 1989, o sertanejo foi eleito para a cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono era Araújo Porto-Alegre. Sexto ocupante da cadeira, Suassuna nunca foi um imortal de frequentar os eventos da instituição. Era uma espécie de filho pródigo da ABL.

Nova obra vinha sendo escrita há mais de 20 anos
Para além de sua obra, o escritor paraibano ficou famoso também por dar aulas em que dissecava a cultura brasileira, as suas origens ibéricas, a tradição dos violeiros, dos cantadores, das rabecas, dos cordéis. Eram aulas-espetáculo. E a última foi na sexta-feira passada, no 24º Festival de Inverno de Garanhuns, a 230 quilômetros de Recife. O Teatro Luiz Souto Dourado ficou lotado, como sempre acontecia nesses eventos. Um dos motivos de tanto sucesso era o bom humor do escritor, uma de suas marcas. Não que tenha sido sempre assim. Suassuna atribuía o aparecimento do humor em sua vida ao encontro com Zélia, sua mulher há mais de 50 anos. Para Suassuna, ela havia “desatado alguma coisa” dentro dele. “O riso a cavalo e o galope do sonho são as duas armas de que disponho para enfrentar a dura tarefa de viver”, escreveu em “A pedra do reino”.

Ariano Suassuna trabalhava em um novo livro, "O jumento sedutor", havia mais de 20 anos, e planejava o lançamento para este ano. A demora não era para menos. Seu processo de criação era lento: escrevia e reescrevia, várias vezes, à mão. Depois, copiava para a máquina de escrever e, só então, corrigia. Era aí que o escritor passava tudo a limpo, novamente à mão. Às vezes, descartava todo o material e voltava ao começo do processo. Como ilustrava os próprios livros e ainda parava para dar suas famosas aulas-espetáculo pelo país, demorava mais ainda. Sem título, o romance seria a continuação de “A pedra do reino”.

Além do amor pela literatura, havia espaço para o futebol: seu time do coração era o Sport Club do Recife, que até o homenageou em seu uniforme em 2013 com uma frase que ele costumava repetir: "Felicidade é ser Sport". Suassuna tinha fama de pé quente.

Entre as muitas homenagens que recebeu, uma das que mais o marcaram foi o desfile da escola de samba Império Serrano, que levou para a avenida o enredo "Aclamação e coroação do imperador da pedra do reino Ariano Suassuna", em 2002. "Um escritor que ama o seu país não pode querer homenagem maior que esta", disse.

Em 2007, ele assumiu a secretaria de Cultura de Pernambuco a convite do governador Eduardo Campos, e chegou a ocupar outros cargos até deixar o governo recentemente, em abril de 2014.
O ano de 2007 também foi marcado pela celebração dos 80 anos do escritor em todo o Brasil. As homenagens o levaram a viajar de Norte a Sul do país. Uma epopeia para um homem que, além de apreciar o sossego, detestava avião. Mesmo assim, o apaixonado e muitas vezes polêmico defensor da cultura popular brasileira seguia adiante. Mas brincava: se soubesse que chegar aos 80 anos daria tanto trabalho, teria ficado nos 79.

Elis Regina - O mestre-sala dos mares

Ferreira Gullar: Evocação de silêncios

O silêncio habitava
o corredor de entrada
de uma meia morada
na rua das Hortas

o silêncio era frio
no chão de ladrilhos
e branco de cal
nas paredes altas

enquanto lá fora
o sol escaldava

Para além da porta
na sala nos quartos
o silêncio cheirava
àquela família

e na cristaleira
(onde a luz
se excedia)
cintilava extremo:

quase se partia

Mas era macio
nas folhas caladas
do quintal
vazio

e
negro
no poço
negro

que tudo sugava:
vozes luzes
tatalar de asa

o que
circulava
no quintal da casa

O mesmo silêncio
voava em zoada
nas copas
nas palmas
por sobre telhados
até uma caldeira
que enferrujava
na areia da praia
do Jenipapeiro

e ali se deitava:
uma nesga dágua

um susto no chão

fragmento talvez
de água primeira

água brasileira

Era também açúcar
o silêncio
dentro do depósito
(na quitanda
de tarde)

o cheiro
queimando sob a tampa
no escuro
energia solar
que vendíamos
aos quilos

Que rumor era
esse ? barulho
que de tão oculto
só o olfato
o escuta ?

que silêncio
era esse
tão gritado
de vozes
(todas elas)
queimadas
em fogo alto ?

(na usina)

alarido
das tardes
das manhãs

agora em tumulto
dentro do açúcar

um estampido
(um clarão)
se se abre a tampa.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Opinião do dia: Hannah Arendt

 Na verdade, as duas palavras politicamente mais significativas para designar a atividade humana, fala e ação (lexis e práxis), estão conspicuamente ausentes da história. A única ocupação dos habitantes da caverna é olhar para a parede; é obvio que lhes encanta ver por ver, independentemente de qualquer necessidade prática. Os habitantes da caverna, em outras palavras, são retratados como homens comuns, mas também naquela qualidade específica que estes compartilham com os filósofos: são representados por Platão como filósofos em potencial, ocupados na escuridão e na ignorância com a única coisa de que o filósofo se ocupa à plena luz e com pleno conhecimento. A alegoria da caverna é, pois, concebida para descrever não exatamente como a filosofia se parece do ponto de vista da política, mas como a política, a esfera dos assuntos humanos, se parece do ponto de vista da filosofia. E seu propósito, é descobrir, na esfera da filosofia, parâmetros apropriados para uma cidade de habitantes da caverna, é certo, mas também para habitantes que, embora na escuridão e na ignorância, formaram suas próprias opiniões a respeito dos mesmos temas do filósofo.

Hannah Arendt (1906-1976) . A promessa da Política, p. 75. Difel, Rio de Janeiro, 2008

Ibope: Levantamento aponta estabilidade na disputa presidencial

• Em cenário estável, Dilma venceria no 2º turno

Daniel Bramatti, José Roberto de Toledo e Rodrigo Burgarelli – O Estado de S. Paulo

Pesquisa Ibope contratada pelo Estado e pela Rede Globo mostra estabilidade na disputa presidencial. A presidente Dilma Rousseff (PT) soma 38% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, de 15 de junho, Dilma tinha 39%. O candidato do PSDB, Aécio Neves, tem 22% das intenções de voto, ante 21% do levantamento anterior. O candidato do PSB, Eduardo Campos, tem 8% das intenções de voto – eram 10% na pesquisa anterior. As oscilações estão todas dentro da margem de erro. Nas simulações de segundo turno, Dilma venceria tanto Aécio quanto Eduardo, por 8 pontos e por 12 pontos, respectivamente.

Completando a chapa do primeiro turno, o pastor Everaldo (PSC) é escolhido por 3% dos eleitores, mesmo patamar anterior. Luciana Genro (PSOL), José Maria (PSTU) e Eduardo Jorge (PV) têm 1% cada. Outros nanicos somam 1%. Brancos e nulos são 16% e indecisos, 9%. Na pesquisa de junho, brancos e nulos eram 13% e indecisos, 8%.

2º turno. No cenário de segundo turno contra o tucano, Dilma soma 41% das intenções de voto contra 33% de Aécio. Brancos e nulos são 18% e indecisos, 8%. Na pesquisa anterior, de meados de junho, Dilma tinha 43% e Aécio, 30%. No levantamento do início de junho, a petista tinha 42% contra 33% do tucano.

Quando Eduardo é o adversário, a presidente tem 41% das intenções de voto contra 29% do pessebista. Brancos e nulos somam 20% e indecisos, 10%. Na pesquisa imediatamente anterior, Dilma tinha 43% contra 27% de Campos. No levantamento do início de junho, a petista tinha 41% ante 30% de Campos.

Espontânea. Na pesquisa espontânea, Dilma Rousseff é citada por 26% dos eleitores. Aécio Neves é mencionado por 12% e Eduardo Campos, por 4%. Outros somam 2%, brancos e nulos, 17%, e 39% não sabem ou não responderam.

Rejeição. As taxas de rejeição a Dilma e Aécio oscilaram negativamente de junho para cá. No mês passado, 38% dos eleitores disseram que não votariam de jeito nenhum na presidente. Hoje são 36%. No mesmo período, a rejeição ao tucano variou de 18% para 16%.

A taxa de rejeição a Eduardo Campos caiu de 13% para 8%, e a do pastor Everaldo foi de 18% para 11%. Segundo o levantamento, 13% disseram que poderiam votar em todos os candidatos.

Favoritismo. A maioria absoluta dos eleitores acredita que Dilma vai se reeleger em outubro. Para 16%, Aécio Neves, é o favorito na disputa. Apenas 5% acreditam que o próximo presidente será Eduardo Campos. Quase um quarto dos eleitores (24%) não soube responder à questão.

Metodologia. O levantamento do Ibope foi realizado entre os dias 18 e 21 de julho, por encomenda da Rede Globo e do jornal O Estado de S.Paulo. Foram feitas 2002 entrevistas em todas as regiões do Brasil. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, em um nível de confiança estimado de 95%. Ou seja, se fossem feitas 100 pesquisas idênticas a esta, 95 deveriam apresentar resultados dentro da margem de erro. A pesquisa foi registrada na Justiça eleitoral com o número BR-235/2014.

No Rio para lançar livro, Serra diz que campanha de Aécio está apenas no aquecimento

• Para o ex-governador de SP, a corrida presidencial vai engrenar quando começarem as propagandas na TV

Juliana Castro – O Globo

RIO — Candidato ao Senado por São Paulo, o ex-governador José Serra (PSDB) disse nesta terça-feira que não é possível ainda fazer uma avaliação do andamento do presidenciável tucano, Aécio Neves, porque a campanha está no aquecimento. O tucano lançou no Rio seu livro "Cinquenta anos esta noite", em que fala sobre as origens e os desdobramentos do golpe militar de 1964, quando era presidente da UNE.

— Ainda não dá para avaliar (como está a campanha de Aécio). Campanha eleitoral a gente vai avaliar depois que começar o horário eleitoral. Por enquanto, é só aquecimento — afirmou o tucano, que participará nesta quarta-feira de um evento na Firjan, no centro do Rio.

Em entrevista durante a sessão de autógrafos, Serra comentou ainda sobre o Produto Interno Bruto (PIB). O governo reduziu para 1,8% a previsão de crescimento do PIB em 2014. Até então o índice esperado era de 2,5%.

— Nenhuma surpresa. Que a economia brasileira está num processo de "estaginflação" está claro já há muito tempo. Dava para prever e aconteceu. Eu preferia ter errado a previsão que fiz há muitos anos a respeito do que iria acontecer depois de 2010 - declarou o ex-governador.

Serra disse que não vê uma causalidade direta entre economia e eleição, mas há fatores que influenciam:

— Acho que não há causalidade linear entre economia e eleição, mas é indiscutível que tem peso. Aí, não é o PIB. O PIB é um cálculo, o que vale é salário real, inflação, a combinação dessas variáveis que são políticas e econômicas. Emprego desacelerou, inflação em alta, rendimentos reais não crescem e vendas a varejo lá em baixo, essas são as quatro variáveis que mais influência tem na eleição. O governo perdeu muita a credibilidade, muito anuncio, muita propaganda, muita promessa e pouco cumprimento, e frustração. Isso pesa contra.

'Acho que não houve nada', afirma serra sobre caso de aeroporto
O ex-governador afirmou que não vê problemas na construção do aeroporto na cidade de Cláudio, em Minas. A obra foi feita em área que pertencia a um tio-avô de Aécio, segundo reportagem da "Folha de S.Paulo".

— Acho que não houve nada. Você pavimentar aeroportos no interior de repente bate na sua família, mas isso não significa que seja um proveito. Eu fui governador, não tenho familiares no interior e, se tivesse, provavelmente tinha passado perto. Se você faz um programa de aeroportos bom, isso não significa nenhuma questão de benefício.

Aécio não comparece ao lançamento do livro
O presidenciável Aécio Neves não compareceu ao lançamento do livro de Serra no Rio. Em São Paulo, o tucano já não tinha comparecido.

— Ele tinha programa em São Paulo - explicou Serra, dizendo que a forma que tem para ajudar Aécio é fazer sua campanha ao Senado junto com ele em São Paulo.

No debate do qual participou antes do lançamento do livro, no Leblon, na Zona Sul do Rio, Serra comentou a prisão de manifestantes determinada pela Justiça.

— Acho que as prisões são outra questão. Não acho que eles encaram nenhuma vanguarda de luta politica. Para ser sincero, não tenho acompanhado muito de perto — afirmou, dizendo que o Estado de Direito tem regras e uma pessoa não pode fazer tudo o que quiser.

O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga compareceu à livraria onde ocorreu o lançamento do livro, mas foi embora enquanto Serra ainda participava do debate. Também foram ao evento o deputado federal Otavio Leite (PSDB), o presidente do PSDB no Rio, Luiz Paulo, o ex-deputado Indio da Costa (PSD), que foi vice na chapa de Serra em 2010, além de outros tucanos.

Serra defende Aécio no episódio do aeroporto

Wilson Tosta - Agência Estado

O candidato do PSDB ao Senado por São Paulo, José Serra, defendeu na noite desta terça-feira o postulante tucano à presidência, Aécio Neves, da acusação de favorecimento por ter construído, quando era governador de Minas Gerais, um aeroporto dentro da fazenda de um parente, no município mineiro de Cláudio.

"Um programa de construção de aeroportos no interior de repente bate na família. Não quer dizer que houve favorecimento. Eu não tenho parentes no interior. Se tivesse, poderia ter acontecido", afirmou Serra.

Ele afirmou que fará campanha por Aécio em São Paulo junto com sua campanha para senador, e declarou que ainda não é possível avaliar como será a disputa desta ano. "A gente só vai poder avaliar depois que começar o horário eleitoral. Agora é só aquecimento". Afirmou
.
Serra declarou não ser "nenhuma surpresa" a previsão de nova queda no PIB brasileiro neste ano. "A economia brasileira está em processo de estagflação (estagnação mais inflação) há muito tempo, como previ que aconteceria após 2010. Preferia ter errado a previsão", afirmou.

O tucano destacou que o PIB é apenas um número, que se expressa em variáveis: emprego desacelerando, inflação alta, rendimentos que não crescem e vendas no varejo estagnadas.

O candidato ao Senado concedeu entrevista durante o lançamento de sua autobiografia, "50 anos
Esta Noite", em um shopping da zona sul do Rio. Aécio Neves não compareceu ao evento - segundo Serra, o candidato a presidente tinha um compromisso em São Paulo que inviabilizou sua ida ao Rio.

Antes de começar a autografar os livros, o candidato falou sobre a obra e comentou a sensação de, cinco décadas depois, ouvir duas gravações radiofônicas de sua voz, registradas na noite do golpe. "É muito impressionante a gente se ver e se ouvir 50 anos depois", afirmou ele. "Não é bom envelhecer, porque (a juventude) era uma época em que tinha certezas".

Em reunião com partidos aliados, Dilma promete maior espaço na campanha

• Presidente disse ser mais competitiva que seus adversários, mostrou-se otimista com a economi e afirmou que seu governo terá muito a apresentar na propaganda política de TV

Ricardo Della Coletta e Rafael Moraes Moura - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Em mais de duas horas de reunião com os presidentes dos partidos que integram a coligação da campanha à reeleição, a presidente Dilma Rousseff disse ser mais competitiva que seus adversários, mostrou-se otimista com a situação econômica do País, apesar do pífio crescimento, e afirmou que seu governo terá muito a apresentar na propaganda política de TV, a partir de 19 de agosto.

Dilma pediu união dos aliados e prometeu reuniões semanais com os líderes dos partidos. Durante o encontro, no Palácio do Alvorada, a presidente tentou mudar a imagem de que é avessa à política. Sorridente, garantiu que todos passarão a integrar o núcleo da coordenação da campanha, com direito a opinar sobre o programa de TV, a cargo do marqueteiro João Santana.

"A primeira conclusão é que, embora tenhamos grande tempo na TV, ele é insuficiente para mostrar tudo o que o governo fez", disse o vice-presidente Michel Temer, numa referência ao espaço que Dilma ocupará diariamente no horário eleitoral gratuito. Nessa divisão, ela terá 11 minutos e 48 segundos, o candidato do PSDB, Aécio Neves, ficará com 4 minutos e 31 segundos e Eduardo Campos (PSB), 1 minuto e 49 segundos.

Temer assegurou que haverá empenho dos presidentes dos partidos para sensibilizar líderes e candidatos nos Estados a se engajar na campanha de Dilma. "A reunião foi marcada por profundo otimismo", emendou o vice-presidente ao comentar o clima do encontro no Alvorada. Questionado sobre as dificuldades na economia, prestes a entrar em recessão, Temer procurou amenizar os problemas nessa seara. "Se não vamos ter um PIB extraordinário, também não teremos um negativo", argumentou ele.

Segundo o presidente do PDT, Carlos Lupi -- que participou da reunião no Alvorada --, Dilma fez uma avaliação positiva do cenário e disse que "tudo está dando certo". O governo ficou aliviado com a pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, 22, encomendada pelo Estado e pela Rede Globo, que mostrou estabilidade no quadro eleitoral. De acordo com o levantamento, se houver segundo turno, Dilma venceria Aécio. No diagnóstico do governo e do PT, o candidato do PSB, Eduardo Campos, não vai conseguir se consolidar como terceira via na disputa.

Dilma convocou os presidentes dos partidos aliados, que compõem o Conselho Político do governo, para tentar integrá-los à campanha. "Minha impressão é de que, agora, todos se sentiram comandando a campanha diretamente", comentou Lupi.

Governo comemora pesquisa e oposição aposta em desejo de mudança

Vera Rosa, Tânia Monteiro, Daiene Cardoso, Ricardo Brito – O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – A pesquisa Ibope, contratada pelo Estado e a TV Globo, foi festejada pelo comando da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), líder na sondagem, por mostrar estabilidade do quadro eleitoral em um momento de economia estagnada. Na oposição, a pesquisa foi comemorada pelo candidato Aécio Neves (PSDB), em segundo na corrida ao Palácio do Planalto, por apontar para a realização de um segundo turno e mostrar um “sentimento de mudança”.

Terceiro colocado, Eduardo Campos (PSB) avalia que a situação deve mudar a partir do início da propaganda de rádio e TV, em meados de agosto, quando ele começará a ser mais conhecido dos eleitores. No governo, a pesquisa provocou alívio. Dois ministros disseram ao Estado que o levantamento coincide com pesquisas em poder da equipe de Dilma, mostrando estabilidade do quadro eleitoral.

O governo e o PT temiam uma queda de Dilma justamente em uma hora ruim para a economia. Não só isso não ocorreu, avalia-se no governo, como Dilma venceria Aécio Neves em eventual segundo turno.

Embora o cenário atual seja de estabilidade, a pesquisa Ibope revelou um forte desejo de mudança, que aumentou de 65% para 70%. A coordenação da campanha de Dilma aposta, porém, que a propaganda na TV, a partir de 19 de agosto, será fator importante para reverter esse quadro.

Aécio Neves comentou a pesquisa Ibope: “É mais uma pesquisa que aponta para a realização do segundo turno. E a minha percepção é de que o sentimento de mudança no Brasil é crescente”. Para ele, o desejo por transformações é “ampliado a cada dia pelos preocupantes resultados na economia e pela incapacidade do governo de dar respostas às questões fundamentais que afetam a vida do brasileiro”.

Com o maior tempo no horário eleitoral gratuito – cerca de 11 minutos por bloco -, a propaganda de Dilma vai comparar as mudanças dos 12 anos do PT no governo, incluindo a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, com os oito anos de Fernando Henrique Cardoso, padrinho de Aécio. Candidato a vice na chapa tucana, o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) afirmou que a indicação de um segundo turno mostra que Aécio Neves “está trabalhando com o vento a favor, tanto nas intenções de voto quanto na campanha com aliados”.

Os aliados de Eduardo Campos afirmam que a candidatura do ex-governador de Pernambuco ainda não deslanchou porque ele ainda é desconhecido de boa parte do eleitorado. “Ninguém pode crescer a galope. Ele não é conhecido como os outros e vai crescer na hora certa”, disse o líder do PSB na Câmara dos Deputados, Beto Albuquerque (RS).

Na opinião dele, sem a exposição da mídia eletrônica “é difícil ter mudanças” no cenário das pesquisas. “Quem está com a máquina é que tem que estar preocupada por estar empacada nas pesquisas”, afirmou, em referência a Dilma.

Completando a chapa do primeiro turno, o pastor Everaldo (PSC) é escolhido por 3% dos eleitores, mesmo patamar anterior. Luciana Genro (PSOL), José Maria (PSTU) e Eduardo Jorge (PV) têm 1% cada. Outros nanicos somam 1%. Brancos e nulos são 16% e indecisos, 9%. Na pesquisa de junho, brancos e nulos eram 13% e indecisos, 8%.

Pesquisa. O levantamento mostrou que a presidente Dilma Rousseff (PT) soma 38% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, de 15 de junho, Dilma tinha 39%. O candidato do PSDB, Aécio Neves, tem 22% das intenções de voto, ante 21% do levantamento anterior. O candidato do PSB, Eduardo Campos, tem 8% das intenções de voto – eram 10% na pesquisa anterior.

As oscilações estão todas dentro da margem de erro. Nas simulações de segundo turno, Dilma venceria tanto Aécio quanto Eduardo, por 8 pontos e por 12 pontos, respectivamente.

Desejo de mudança. Aumentou do desejo de mudança do eleitorado em relação à pesquisa anterior. No levantamento de maio, 65% diziam que gostariam de mudar tudo ou quase tudo no governo. Agora, os mudancistas são 70%. Eles se dividem em dois grupos: 29% gostariam que o próximo presidente mudasse totalmente o governo do País (eram 30% em maio), e outros 41% querem que o próximo governante mantenha alguns programas mas mude muita coisa – ante 35% na pesquisa anterior.

Segundo 18% dos eleitores, o próximo presidente deveria fazer poucas mudanças e manter muitas coisas – ante 21%. Para 10%, a próxima gestão deveria dar total continuidade ao atual governo. Os que queriam total continuidade eram 9% em maio.

A cúpula da campanha de Eduardo Campos (PSB) à Presidência da República avaliou que o resultado da pesquisa Ibope divulgada nesta noite deve mudar a partir do início da propaganda de rádio e TV, em meados de agosto. O levantamento apontou que Campos segue em terceiro lugar, com 8% das intenções de voto, atrás da presidente Dilma Rousseff (38%) e do tucano Aécio Neves (22%).

Embora o candidato do PSB tenha perdido dois pontos porcentuais, o discurso no núcleo da campanha é de que a campanha mal começou, que ainda não há cobertura diária dos veículos de comunicação e que a avaliação real do cenário só poderá ser realizada depois do dia 19 de agosto, início da propaganda diária no rádio e na TV. “Estamos agora iniciando um processo, saindo de um período de Copa do Mundo e as pessoas estão começando a se ligar que haverá uma eleição nos próximos meses”, concluiu Bazileu Margarido, um dos coordenadores da campanha de Campos.

Campanha começa com mentiras, diz Aécio

Elizabeth Lopes e Pedro Venceslau - Agência Estado

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, acusou o PT de promover um ataque à honra dos adversários, em razão da notícia de suposta irregularidade na construção de um aeroporto na cidade de Cláudio (MG) em terras desapropriadas de seu tio-avô. "A campanha começa como nossos adversários gostam, com mentiras, e ataques à honra dos adversários, essa é uma praxe do PT."

Aécio disse que a informação divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo de que houve construção por parte do governo de Minas Gerais numa área privada de seu parente é "mentirosa". Segundo ele, a desapropriação foi feita por R$ 1 milhão e seu tio-avô apresentou uma proposta de R$ 9 milhões.

"Se houve alguém favorecido foi o Estado (de MG) e não meu parente." Aécio informou que buscou o parecer de dois ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Brito e Carlos Veloso para atestar a legalidade do ato promovido pelo governo de Minas Gerais. Segundo ele, os dois ex-presidentes "atestaram a legalidade da operação".

Aécio disse também que o Ministério Público de Minas Gerais investigou essa mesma obra em abril deste ano e arquivou o processo porque não encontrou nenhuma irregularidade. "A obra foi feita dentro da lei." O presidenciável, que participou na tarde de hoje de um encontro promovido pela deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), com pessoas com necessidades especiais, lamentou ainda que a campanha presidencial esteja começando "com essa deturpação da verdade"

Aécio cobra de Dilma opinião sobre prisões

Adriano Barcelos - Folha de S. Paulo

RIO - A coordenação de campanha do candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, cobrou, em nota, posicionamento da presidente Dilma Rousseff (PT), que concorre à reeleição, sobre a prisão de ativistas no Rio por suposto envolvimento deles em protestos violentos desde 2013.

A nota, assinada pela coligação Muda Brasil, diz que, "após investigação que durou sete meses, [a polícia] prendeu líderes de manifestações violentas, que atacavam policiais e promoviam a destruição de patrimônio público".

O texto do PSDB faz referência a uma nota emitida pelo PT no dia 17. No documento, assinado pelo presidente nacional da sigla, Rui Falcão, pelo secretário de Movimentos Populares, Bruno Elias, e pelo coordenador do Setorial de Direitos Humanos, Rodrigo Mondego, o partido afirma que "as prisões representam grave violação de direitos e das liberdades democráticas".

No fim, a nota da campanha de Aécio salienta: "É preciso saber qual [é] a posição da presidente Dilma Rousseff sobre a nota de seu partido". Procurada, a coordenação de campanha de Dilma afirmou não querer comentar a nota do PSDB.

Os nossos 'presos políticos': O Estado de S. Paulo - Editorial

O fenômeno do "ativismo" ora em curso no País atingiu de vez o nível do delírio. Convictos de que estão acima das leis e de que o Estado é, por definição, um ente inimigo, os chamados ativistas, também conhecidos como militantes, se dedicam dia após dia a atormentar os cidadãos comuns nas grandes cidades, sob o argumento de que a democracia lhes faculta o direito de bloquear avenidas, de depredar a propriedade alheia e de praticar outros delitos.

Quem disso discorda e defende a necessária ação da polícia e da Justiça contra a baderna e o vandalismo é logo acusado, por uma barulhenta rede de simpatizantes espalhados pelas universidades e pela internet, de advogar a "criminalização das lutas sociais". Quando finalmente o Estado decidiu agir, encarcerando vândalos que se dizem "ativistas", essa rede imediatamente reagiu, dizendo que os detidos e os indiciados são "perseguidos políticos" - uma farsa que expõe seja a má-fé, seja a confusão moral dessa turma.

O caso mais recente, envolvendo uma advogada que diz prestar assistência jurídica a manifestantes, dá a exata medida dessa tentativa cínica de desmoralização do Estado Democrático de Direito no Brasil. A advogada Eloísa Samy, acompanhada de dois adeptos da violenta tática Black Bloc, foi ao Consulado do Uruguai no Rio de Janeiro para - pasmem - pedir asilo político.

Eloísa, de 45 anos, é considerada foragida da Justiça, porque foi denunciada pelo Ministério Público do Rio por associação criminosa. Ela e outros 22 "ativistas" tiveram a prisão decretada pela 27.ª Vara Criminal do Rio. O inquérito da Polícia Civil que baseou a denúncia concluiu, conforme revelou o jornal O Globo, que os acusados planejavam atacar seus alvos com explosivos no dia 13 de julho, quando foi disputada a final da Copa do Mundo.

Em vídeo que gravou para expor sua versão, Eloísa afirma que está sendo perseguida em razão de sua "atuação na defesa do direito de manifestação". O promotor Luís Otávio Figueira Lopes afirma, no entanto, que a advogada, "escudando-se em um suposto exercício da atividade profissional", prestou "apoio logístico" aos delinquentes, "cedendo sua residência para reuniões" de preparação de atos violentos.

É bem possível que Eloísa e seus colegas acreditassem que o Uruguai fosse mesmo lhes dar asilo. Afinal, o país é governado por José Mujica, aquele presidente simpático e modernoso que defende a liberação da maconha. Ele receberia, pois, os "perseguidos políticos" de braços abertos.

A reação da diplomacia uruguaia, porém, escancarou o ridículo da situação. A cônsul-geral Myriam Fraschini Chalar informou aos solicitantes que o Brasil "é um autêntico Estado Democrático de Direito", razão pela qual não há perseguidos políticos no País nem motivo para conceder asilo. A deputada Janira Rocha, do PSOL, que foi ao consulado para dar apoio aos "ativistas", disse à diplomata uruguaia que "o problema não é o Brasil, o problema é o Estado do Rio, que está agindo como um verdadeiro estado de exceção". Pela lógica desse pessoal, até um condômino pode pedir asilo político ao Uruguai se acreditar que está sendo perseguido pelo síndico do prédio.

A patetice, no entanto, não deve servir de pretexto para que os tais "ativistas" sejam tratados com a candura dispensada aos inimputáveis. É o caso de enfatizar que, no inquérito policial sobre os black blocs, Elisa Quadros, vulgo "Sininho", considerada a líder do bando, é acusada de incitar seus companheiros a atear fogo à Câmara Municipal do Rio durante protesto no ano passado - o ato só não se consumou porque militantes mais ajuizados impediram. É o caso também de relembrar que a ação desses delinquentes já produziu um morto, o cinegrafista Santiago Andrade. Eles não estão para brincadeira.

Resta agora às autoridades investigar com rigor as possíveis ligações desses "ativistas" com sindicatos e partidos políticos radicais. Há cada vez mais indícios de que os militantes vândalos podem estar atuando como uma espécie de "braço armado" de organizações que se constituíram graças à democracia, mas que não têm nenhum apreço por ela.

Entre a liberdade de manifestação e a criminalidade: O Globo - Editorial

• Partidos, políticos e sindicatos que ajudam esses grupos cometem ilegalidade por serem cúmplices de atentados, e apoiarem organizações antidemocráticas, contrárias à Carta

Não demorou muito para que grupos de black blocs e vândalos em geral aproveitassem a onda de manifestações de rua convocadas à margem de partidos e máquinas sindicais, no meio do ano passado, para barbarizar.

Os ataques ao patrimônio público e privado passaram a se suceder, também em São Paulo. Repórteres da imprensa profissional também se transformaram em alvo. Até que, em fevereiro, um rojão disparado por dois black blocs, na região da Central do Brasil, no Rio, matou o cinegrafista Santiago Andrade, da Bandeirante. A polícia agiu e prendeu os autores do homicídio, Caio Silva de Souza e Fábio Raposo, réus à espera de sentença.

Os desdobramentos das investigações reforçaram a ideia de que havia alguma organização e planejamento por trás, inclusive com apoio em gabinetes de partidos mais à esquerda. O PSOL, um deles, continua a negar.

O trabalho da polícia avançou até que, no sábado 12, véspera da final da Copa, a Justiça decretou a prisão preventiva de um grupo, entre eles Elisa Quadros, Sininho, militante com liderança entre os black blocs. Depois, liberada parte do material colhido pela polícia nas investigações, ficou-se sabendo que poderia ter havido uma carnificina na manifestações que programaram para o dia seguinte, o da final, na Tijuca.

A reação de políticos é despropositada. Os deputados do PSOL Jean Wyllys e Chico Alencar, e Jandira Fegalli (PCdoB) chegaram a formalizar no CNJ reclamação com o juiz fluminense Fávio Itabaiana. Pouco depois, o GLOBO começou a publicar trechos do relatório encaminhado pela polícia à Justiça, sobre o grupo, em que grampos legais registram, entre outros, Sininho e uma professora de filosofia da UERJ, Camila Jourdan, em conversas para a compra de fogos de artifício, com referências à confecção de bombas molotov e outras armas artesanais usadas nas ruas.

O pedido de asilo ao consulado do Uruguai pela advogada Eloísa Samy, com prisão decretada, denuncia a visão distorcida da realidade brasileira que têm black blocs e aliados. Esquecem-se de que vigora há tempos no Brasil o estado de direito democrático, em que há leis a serem cumpridas por instituições republicanas. O Uruguai, com acerto, não concedeu o asilo, por este mesmo motivo.

O trabalho exemplar da Polícia e da Justiça fluminenses demonstra que a liberdade de expressão não pode ser usada para a prática da violência — homicídio, destruição do patrimônio público e privado. É assim em qualquer democracia no mundo. Partidos e sindicatos (Sepe, Sindiprev, Sindipetro) que ajudam esses grupos precisam estar conscientes que cometem uma ilegalidade, por serem cúmplices de atentados, e apoiarem organizações antidemocráticas, contrárias à Constituição.

Asilo quando há colapso das instituições; prisão por mera ilação não é justa

Carlos Roberto Siqueira Castro* - O Estado de S. Paulo

Em primeiro lugar, penso que o Consulado Geral do Uruguai, no Rio de Janeiro, agiu com prudência e com boas razões para negar o asilo político requerido pela advogada Eloísa Samy.

Isto porque a concessão de asilo político só se justifica em caso de um colapso no funcionamento das instituições democráticas, notadamente quando os órgãos do Poder Judiciário não estejam funcionando ou estejam sendo cerceados pela prática de autoritarismo, e isto coloque em risco o pleno exercício das liberdade públicas e dos direitos fundamentais previstos na Constituição.

Nessa situação de patologia dos poderes orgânicos da soberania, o exercício do direito de reunião, a livre manifestação de pensamento e o direito de participação política, que são insuprimíveis no Estado Democrático de Direito, ficam sem condições de serem protegidos em plenitude pelos juízes e tribunais. Aí, sim, justifica-se e recomenda-se a concessão do asilo político. Esta não é a realidade em nosso país, onde os Poderes e as instituições do Estado brasileiro estão funcionado perfeitamente nos termos ditados pela Constituição. Este é um dos aspectos da questão.

Por outro lado, é importante destacar que a prisão preventiva decretada contra 23 pessoas e manifestantes pelo Juiz da 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, pela suposta prática de atos de vandalismo, de depredação de patrimônio público e privado, de queima de ônibus e do prédio da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, além de lesão corporal e de homicídio, isto com relação aos acusados de portar o rojão que lamentavelmente atingiu e matou o cinegrafista Santiago Andrade, precisa estar fundamentada nos requisitos do art. 312 do Código de Processo Penal.

Assim sendo, o decreto de prisão preventiva desses acusados só se justifica e satisfaz os preceitos legais se atender à garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de sua autoria. Evidentemente, a prisão preventiva pode ser impugnada e revertida em processo de habeas corpus impetrados em favor dos acusados se não estiverem presentes e demonstrados os requisitos que justificam a prisão de natureza cautelar.

Além disto, cumpre assinalar que não é justo e tampouco legal e democrática a decretação de prisão cautelar em razão de meras ilações, suposições e conjecturas, como, por exemplo, a possibilidade subjetiva de os acusados estarem articulando uma manifestação que aconteceria no Rio durante a Copa do Mundo. Ninguém pode ser preso por receios meramente especulativos. Isto levaria à própria abolição de todo tipo de manifestação política em logradouro público, o que o regime democrático desautoriza e deplora.

O decreto de prisão deve identificar claramente a materialidade do delito e a respectiva autoria atribuída individualmente a cada acusado. Não se pode, numa indevida perspectiva de coletivismo delitivo, supor que todos os participantes de uma manifestação política irão desbordar para atos criminosos contra a vida e o patrimônio de terceiros.

Por outra lado, sendo a Eloísa Samy uma advogada e militante da advocacia no campo dos direitos humanos, sua prisão só pode ser realizada com estrita observância das prerrogativas constitucionais e legais dos advogados, que são concedidas, não apenas em benefício apenas dos advogados, mas sobretudo em prol da sociedade e dos jurisdicionados defendidos pelos advogados contra os abusos de poder e das autoridades públicas.

Com efeito, a Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB) inclui, no art. 7º, inciso IV, dentre os direitos dos advogados, “ter a presença de representante da OAB, quando preso em flagrante, por motivo ligado ao exercício da advocacia, para lavratura do auto respectivo, sob pena de nulidade e, nos demais casos, a comunicação expressa à seccional da OAB”.

Em seguida, o § 3º do art. 7º da Lei 8;906/94 dispõe que “o advogado somente poderá ser preso em flagrante, por motivo de exercício da profissão, em caso de crime inafiançável, observado o disposto no inciso IV deste artigo.”. Desse modo, além dos direitos e garantias concedidas pela Constituição a todos os acusados na jurisdição criminal, a Eloísa Samy é titular das prerrogativas próprias da classe dos advogados, que devem ser integralmente respeitadas, sob pena da ilegalidade da prisão.

*Sócio Sênior da Siqueira Castro – Advogados
Graduado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), “Master of Laws” (L.L.M.) pela University of Michigan, EUA e Doutor em Direito Público pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Conselheiro Federal da Ordem dos Advogados do Brasil em terceiro mandato consecutivo.

Estado do Rio tem a disputa mais acirrada para a Câmara dos Deputados

• Relação candidato/vaga é de 22,5; à Assembleia, estado só perde para o DF

Juliana Castro, Paula Ferreira e Rafaela Marinho – O Globo

RIO — No vestibular da política, o Rio tem uma concorrência acirrada. O estado apresenta a maior relação candidato/vaga do país na briga por uma vaga na Câmara dos Deputados e a segunda maior na corrida por uma cadeira de deputado estadual. A bancada federal do Rio tem 46 cadeiras que são disputadas por 1.034 candidatos. A relação candidato/vaga é de 22,5. Nenhum outro estado tem número tão alto. O levantamento foi feito pelo GLOBO com base em dados postos à disposição pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) tem 70 deputados estaduais, e essas cadeiras são pleiteadas por 1.932 candidatos. A relação candidato/vaga é de 27,6, menor apenas que a do Distrito Federal, onde o índice é de 41,6. No caso do DF, a eleição é para deputados distritais, e não estaduais. Em 2010, no Rio, foram 929 postulantes ao posto de deputado federal e 1.849 ao de deputado estadual. O número de vagas continua o mesmo.

Em PE, concorrência é menor
Pernambuco tem a disputa mais tranquila para uma vaga na Câmara dos Deputados (6,8). E Sergipe é o estado com a briga menos acirrada para uma cadeira de deputado estadual (7,2). Considerando os números em todas as unidades da Federação, a relação candidato/vaga é de 16,1 para as assembleias e 13 para a Câmara.

Os dados do TSE permitem ainda traçar um perfil dos candidatos aos cargos de deputado estadual e federal. A maioria tem entre 40 e 59 anos. Os empresários são os que mais disputam a eleição deste ano. Tanto na concorrência à Câmara dos Deputados quanto para as Assembleias, a proporção é de 70% de candidatos homens e 30% de mulheres. A lei eleitoral estabelece que “cada partido ou coligação preencha o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo”. Isso foi feito para estimular a participação feminina no processo eleitoral.

Ampliando a análise dos dados do TSE a todos os candidatos (Presidência, governos estaduais, Senado, Câmara e Assembleias), mais da metade (54%) não tem ensino superior completo. Ainda assim, o perfil educacional dos que disputarão o pleito está acima da média, quando comparado com a realidade da Educação no Brasil. Isso porque, no total da população brasileira, apenas 8,5% têm nível superior completo. Os níveis de instrução declarados pelos candidatos variam desde aqueles que dizem saber somente ler e escrever até os que têm diploma universitário.

11.429 têm diploma
Dos cerca de 25 mil candidatos à eleição deste ano, 254 sabem somente ler e escrever; 824 têm ensino fundamental incompleto e 1.803, completo; 782 têm ensino médio incompleto e 7.438, completo. Na graduação, 2.416 candidatos não concluíram, enquanto 11.429 terminaram a universidade.

Na disputa pela Presidência da República, nove dos 11 candidatos declararam ter ensino superior completo (81,82%). Os que, de acordo com o TSE, não têm essa formação são: Levy Fidelix, do PRTB, que diz ter ensino superior incompleto; e Zé Maria (PSTU), que declarou ter concluído o ensino médio. Todos os candidatos a vice-presidente informaram ter diploma universitário.

Entre os políticos que concorrem ao governo, a maioria (79,53%) tem diploma universitário. Não há nenhum candidato a governador que apenas saiba ler e escrever, e os que têm menor grau de instrução ocupam a faixa do ensino médio incompleto.

Na disputa pelo Senado, a maioria dos candidatos tem ensino superior completo (75,69%). Entre os candidatos que concorrem à Câmara Federal, 49,15% têm diploma universitário. O segundo maior percentual de instrução é o dos que têm ensino médio completo (31,78%). Já entre os candidatos que disputam cargo de deputado estadual, 57,29% não têm ensino superior completo.

Rio: menos de 40% dos candidatos tem curso superior
Os dados do TSE também revelaram que 62% dos candidatos do Rio não têm ensino superior completo. Entre os candidatos a governador, Lindberg Farias (PT) é o único que não possui esse grau de escolaridade. Para o Senado, Romário e Liliam Sá são os que não têm diploma de nível superior. De todos os que irão concorrer, cinco apenas leem e escrevem, três deles são do PEN.

No Rio de Janeiro, 37,67% (1.163) dos candidatos têm ensino superior completo, seguidos de 35,63% (1.100) com ensino médio concluído e 10,27% com superior incompleto. Em relação às outras faixas de escolaridade, 9,59% tem ensino fundamental completo e 3,27% incompleto, apenas 0,16% somente lê e escreve.

Para disputar o cargo de Deputado Federal, 59,9% dos candidatos não têm ensino superior. Entre os que irão concorrer no Rio, 428 têm diploma, 117 têm ensino superior incompleto, 362 tem ensino médio completo. Três candidatos apenas leem e escrevem, dois deles do Partido Ecológico Nacional (PEN), Jacinta de Lourdes e Dayse Lessa, e um do PR, Carlos José dos Reis. O restante dos candidatos se agrupa nas categorias ensino médio incompleto, ensino fundamental completo e incompleto.

Na eleição de Deputado Estadual, 64,3% não têm escolaridade superior completa. Para esse cargo, a faixa de instrução com maior número de candidatos é a de Ensino Médio Completo, com 733 nomes. Em seguida, aparecem os que têm diploma de nível superior completo, com 707 pessoas, e os de Ensino Fundamental Completo, 208 casos. Dois apenas leem e escrevem, Dauvelice Vieira (PEN) e Lela Reys (PRB).

O perfil de quem vai pedir o seu voto

- Correio Braziliense

Dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permitem ver algumas características do "candidato médio" que se inscreveu para participar da disputa de outubro. Ele é homem (70,3% do total em todos os cargos), declara ter ensino superior completo (45,8%), e tem entre 45 e 49 anos (é a faixa etária mais comum, representada por 17% dos concorrentes), embora a idade avance um pouco nos cargos majoritários, como os de senador.

O cargo com o maior número de candidatos é o de deputado estadual, que será disputado por pouco mais de 65% dos postulantes, ou 16.246 pessoas. O hipotético "candidato médio" é empresário, ocupação declarada por 9,3%. Em seguida, aparecem outras profissões tradicionais entre os políticos, como a de advogado (5,5% do total), servidor público e professor. Curiosamente, 1.067 concorrentes, ou 4,2% do total, disseram ser "deputados", como se o cargo fosse uma profissão. Outros 1.050 candidatos adotaram vereador como profissão. A disponibilização dos dados dos 24.917 candidatos na internet foi realizada pela Justiça Eleitoral brasileira na tarde de ontem.

A quantidade de candidatos é a primeira surpresa: o número é 10,5% maior do que o de 2010, quando 22.538 cidadãos disputaram as eleições gerais. Nunca antes tanta gente quis conquistar um cargo eletivo, mesmo que eles, os políticos, tenham saído com a imagem mais arranhada do que nunca dos protestos de junho passado.

Outra mudança significativa diz respeito aos partidos. Em 2010, o campeão em número de candidatos foi o Partido Verde, que então abrigava a candidatura à Presidência da ex-senadora Marina Silva. Agora, em 2014, os petistas serão maioria entre os candidatos aos diversos cargos em disputa. Já o PSB, partido pelo qual Marina concorre à Vice-Presidência este ano, saltou do quinto para o segundo lugar em número de candidatos.

"Formiguinha"
Entre cientistas políticos ouvidos pelo Correio, há divergências quanto à importância do número de candidatos para o desempenho dos candidatos à Presidência da República. Para Ricardo Caldas, a principal influência é nas eleições proporcionais (para deputados estaduais e federais), em que o maior número "significa apenas que o partido arregimentou mais candidatos. E não necessariamente impacta nas eleições majoritárias". "O maior impacto é nas proporcionais. É a chamada "estratégia formiguinha". Quando o partido não tem um nome forte, um "puxador", ele investe em várias candidaturas que o ajudem a atingir o coeficiente eleitoral, nas eleições proporcionais, para eleger parlamentares", diz.

Já para o analista Antônio Augusto de Queiroz, mais conhecido como Toninho do Diap, faz sentido que os partidos com candidatos à Presidência tentem garantir apoios locais com os concorrentes proporcionais. "Esses candidatos servem de suporte para os presidenciáveis em seus estados e em suas localidades", sustenta ele. O grande número de postulantes também traria outros "efeitos colaterais" importantes para os partidos, segundo Toninho. "A votação do partido na disputa pelo Congresso também impacta a fatia que ele vai receber do fundo partidário e no tempo de tevê do horário partidário regular. Então, esse é outro fator que faz com que os partidos busquem aumentar a quantidade de candidatos tanto quanto possível", diz.

O pequeno PSol, com apenas três representantes na Câmara dos Deputados, é o partido com o maior número de candidatos a governador, tendo se apresentado para a disputa em 26 estados e no Distrito Federal. Na corrida pelo Senado, outra pequena legenda de esquerda terá o maior número de postulantes: o PSTU terá candidatos em 20 unidades da Federação, apesar de não ter nenhum representante no parlamento atualmente. O PSol vem logo pouco atrás, com 19 concorrentes ao Senado.

O cientista político e professor da UnB Ricardo Caldas lembra que a tática é comum, e já foi vista em outros anos. "É uma estratégia voltada para a valorização da imagem do partido. É muito comum que legendas pequenas busquem lançar o maior número de candidatos possível, para dar visibilidade à sigla durante o pleito", diz ele. Entre os partidos com as maiores bancadas no Congresso, o maior número de candidatos a governador pertence ao PMDB, com nomes próprios em 18 estados. Em seguida, vêm o PT, com 17, e o PSDB, com 12.

Mulheres representam 30% das candidaturas

- Correio Braziliense

Pela primeira vez, as mulheres representam quase 30% do total de pessoas que vão concorrer nas eleições de outubro. Das 24.917 candidaturas divulgadas ontem à tarde pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 7.410 (29,7%) são do sexo feminino. Em quase todos os cargos proporcionais — para deputado estadual (30,04%), federal (30,45%) e distrital (29,91%) —, a representação feminina gira em torno do mínimo exigido proporcionalmente por gênero na Lei Eleitoral para essas funções. Já nos cargos majoritários para presidente, governador e senador, em que a cota não é estipulada, o índice cai: 18,8%, 9,94% e 19,34%, respectivamente. Apesar do avanço, na análise de especialistas, o Brasil ainda está atrás de muitos países em termos de participação feminina. Na América Latina, apenas o Haiti e Panamá têm menos mulheres nos órgãos equivalentes à Câmara dos Deputados do que o Brasil, segundo dados do Inter-Parliamentary Union (IPU), que traz dados do parlamento no mundo.

Em relação a 1994, quando as mulheres representavam apenas 6,9% das postulantes, as candidaturas femininas cresceram quase 10 vezes (841). De uma eleição para outra, o maior salto ocorreu em 2010, quando 22% dos candidatos eram mulheres — contra 14% de 2006. A mudança ocorreu logo após uma alteração na Lei Eleitoral. Antes, a legislação estabelecia que os partidos deveriam reservar 30% das candidaturas por gênero — o mínimo para homens e mulheres. Os partidos, no entanto, não se sentiam na obrigatoriedade de preenchê-las. Em 2009, então, houve uma alteração no termo, que passou de "reservará" para "preencherá", indicando uma condição para a disputa.

O ministro substituto do TSE Admar Gonzaga avalia o número de 2014 como positivo. "Já mostra que há um cumprimento da lei. Está cada vez melhor", comemora. Segundo ele, o respeito à lei está sendo observado pelos tribunais regionais eleitorais (TREs). "Se o partido ou coligação não atender essa regra, cai todo mundo. Vai ter de substituir para alcançar a cota", diz. As sanções pelo descumprimento da lei foram aplicadas em 2010, mas de forma mais resumida, e ficaram mais rigorosas nas eleições municipais em 2012. Para este ano, o ministro do TSE Henrique Neves garante que o critério será "integralmente cumprido". "A análise é feita pelos tribunais na apreciação da regularidade do partido político e, se for constatada irregularidade, o partido é intimado para corrigir aquilo em 72 horas", explica. Os tribunais analisam o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários e, entre os critérios, avaliam a cota de gênero.

Melhora discreta
Doutor em demografia e professor na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE), José Eustáquio Diniz Alves avalia que esse foi um primeiro passo, mas ainda há muito o que fazer. O professor explica que o debate sobre a importância da participação feminina só foi fortificado em uma conferência em Pequim, em 1995. De lá para cá, segundo ele, o Brasil não avançou tanto quanto outros países. Nesses quase 10 anos, a presença de mulheres no parlamento no mundo saltou de 10% para 22%, segundo o IPU. No Brasil, no entanto, o avanço foi apenas de 6% para 8,6% na Câmara dos Deputados. O único país em que as mulheres superam os homens no parlamento é Ruanda.

Segundo um cálculo feito pelo professor, se a participação na Câmara se mantiver nessa tendência, só haverá um número igualitário de parlamentares daqui a 250 anos. Alves também comenta que muitos partidos lançam candidatas "laranjas" para cumprir a cota. "Ele inscreve a mulher, a secretária, pessoas que nem sequer vão fazer campanha apenas para atingir o mínimo", diz. O ministro do TSE Admar avalia que a questão das "candidatas laranjas" precisa ser devidamente observada. "Tem que ter uma efetiva participação, se não vira burla. Mas, nesse caso, a Justiça só atua se for provocada", diz. Em fevereiro, o TSE divulgou uma campanha institucional incentivando as mulheres a se lançarem candidatas para ampliar a participação feminina e evitar a figura das "fantasmas".

A socióloga e especialista em pesquisa de opinião do Instituto Patrícia Galvão, Fátima Pacheco Jordão, avalia os dados como inicialmente positivo, mas ressalta que é preciso melhorar. "O cumprimento ainda é minoritário e geral. O que ainda prevalece é que os partidos são organizações institucionalmente atrasadas e muito conservadoras", avalia.

Merval Pereira - Estabilidade enganosa

• A boa notícia para Dilma que a pesquisa do Ibope traz é a estabilidade da disputa, apesar de sua tendência de queda e do crescimento de Aécio

• A situação para um eventual 2º turno mostra Dilma com distância pequena, mas consistente, contra Aécio

• A maneira como Dilma governa o país é desaprovada por metade (50%) dos eleitores, e aprovada por 44%. São números que mostram uma estabilidade enganosa

- O Globo

A boa notícia para a presidente Dilma que a pesquisa do Ibope Inteligência, feita a pedido da TV Globo e do jornal “O Estado de São Paulo”, traz é a estabilidade da corrida presidencial, embora sua tendência de queda tenha sido registrada, assim como o crescimento da candidatura oposicionista de Aécio Neves, ambas dentro da margem de erro.

Os indícios de que o futuro não guarda boas notícias para a incumbente estão, porém, registrados na pesquisa, assim como o noticiário econômico reforça a ideia de que ela não tem boas notícias daqui até a eleição. O fato de o próprio governo já estar admitindo uma inflação mais alta, próxima do teto da meta de 6,5% no ano, e o crescimento mais baixo, de 1,9%, já indica que dificilmente a situação econômica ajudará o projeto de reeleição.

A perspectiva de que entremos em uma recessão técnica, com dois trimestres negativos, é uma realidade que o governo terá que enfrentar. Esses dados têm como consequência a má avaliação do governo Dilma, com apenas 31% dos eleitores considerando-o bom ou ótimo, quando as pesquisas mostram que dificilmente um candidato à reeleição consegue êxito se tem avaliação de ótimo e bom abaixo de 35%.

A situação para um eventual 2º turno, que a pesquisa do Ibope indica ser provável, mostra Dilma com uma distância pequena, mas consistente, contra seu principal adversário, o candidato tucano Aécio Neves.

Melhor situação que o empate técnico apontado pelas pesquisas do Datafolha e do Sensus, mas sendo reduzida ao longo da campanha. Todos os gráficos mostram um crescimento dos oposicionistas e um decréscimo da presidente. Ela é escolhida por 41% dos eleitores, enquanto o candidato do PSDB recebe 33%. É sintomático que Dilma cresça apenas três pontos em relação ao 1º turno, e que Aécio acrescente 11 pontos percentuais.

Até o candidato do PSB Eduardo Campos, que não cresce na pesquisa do 1º turno, na simulação de um 2º turno contra Dilma aumenta incríveis 20 pontos percentuais, enquanto Dilma fica nos mesmos 41%.

A resiliência de Dilma é uma força de sua candidatura. Independentemente de em quem irão votar, o Ibope constatou que mais da metade dos eleitores (54%) acredita na reeleição.

Isso não impede que Dilma continue sendo a candidata mais rejeitada de todos os
que concorrem à Presidência. Tem 36% de rejeição, contra 16% de Aécio e 8% de Campos.

A maneira como Dilma está governando o país é desaprovada por metade (50%) dos eleitores, e aprovada por 44%. São números que mostram uma estabilidade enganosa, mas
destacam também a dificuldade que os candidatos de oposição estão tendo para convencer que são capazes de realizar as mudanças desejadas por nada menos que 70% dos eleitores.

O tal mercado
A propósito da coluna que escrevi recentemente sobre a influência dos mercados na política e vice-versa, recebi do cientista político Nelson Paes Leme interessantes comentários que podem esclarecer melhor os leitores.

“Mercado e democracia sempre andaram juntos desde os primórdios da civilização. Era no Ágora grego, no Século de Péricles, onde se discutiam as grandes questões econômicas, filosóficas e sociais. É tão forte essa relação entre democracia e mercado que esse fenômeno se intensifica depois nas praças medievais florentinas, genovesas e venezianas e avança pela Renascença.

Quem viaja a Bruges, no antigo condado de Flandres, atual Bélgica, ou a Fribourg, na Suíça, pode ainda visitar sempre a ‘praça do mercado’, precursora das bolsas de valores e das assembleias legislativas, como em inúmeras outras cidades medievais da Europa.

Era lá, na praça, onde se discutia política, economia e finanças, simultaneamente com o pregão que depois vai, comportadamente, para dentro das bolsas de valores.

Até hoje, no cantão de Appenzell, na Suíça, vota-se na praça as grandes questões administrativas, financeiras e econômicas cantonais.

Os termos ‘cheque desta praça’ e ‘quebrar a banca’ vêm desse momento muito rico. Neste último caso, o conjunto dos comerciantes e mercadores, com o placet popular, literalmente ‘quebravam’, em público, a banca do comerciante que não cumpria com seus compromissos, como emblema de que ali, naquela praça, não mais poderia vender suas mercadorias. Daí vem o termo ‘quebrar’ para designar ‘falir’, utilizado até
os nossos dias.”

Dora Kramer: Na hora do aperto

- O Estado de S. Paulo

Uma grande reunião estava marcada para o final da tarde de ontem, no Palácio da Alvorada, com todos os partidos aliados para discutir os rumos da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Os jornais de hoje naturalmente trazem os resultados. Antes de entrarmos no mérito, cumpre mais uma vez apontar o demérito da questão: o governo continua a usar dependências oficiais para fins eleitorais sem ser legalmente admoestado.

Vai ver em algum momento revogaram-se as disposições em vigor e não fomos avisados de que já é permitido a todos nos locupletarmos. De qualquer modo, melhor andar na linha ainda que governantes não o façam.

O toque de reunir da presidente à sua tropa não quer dizer que o PT pretenda transferir nem dividir com os parceiros (PMDB, PDT, PC do B, PSD, PRB, PROS e PRB) o comando da campanha. As decisões fundamentais continuam nas mãos do núcleo original: Lula, Rui Falcão, Edinho Silva, Franklin Martins, João Santana e Gilles Azevedo.

Portanto, de fundamental seguramente nada de novo surgiu naquele front. A razão do chamamento é a necessidade de manter unida a tropa, ou o que resta dela. Até agora era relegada a um plano totalmente subalterno.

Mas, como a coisa começa a ficar muito apertada, e não só nas pesquisas, mas no mundo bastante real da economia em que o governo um eterno otimista já vê sinais de recessão, um dos jeitos é recorrer aos parceiros para pedir socorro. Legítimo, pois não seria aos inimigos que o governo poderia apelar.

Há um detalhe de ordem prática, porém: Talvez seja um pouco tarde. Não do ponto de vista dos caciques, os líderes que se reuniram ontem com a presidente no Alvorada. Com certeza saíram de lá respondendo ao toque de reunir com discurso de ordem unida.

O problema está nas bases. Estão fazendo o que bem entendem, conforme pudemos observar pela peculiar mescla de alianças. Consequência da lei eleitoral permissiva, da fragilidade dos partidos, mas também - e muito provavelmente, sobretudo - do tratamento recebido nos últimos anos.

Da presidente em particular e do PT em geral. Na época em que se começou a conversar sobre a formação de alianças nos Estados Dilma não estava nessa situação em termos de avaliação popular. Sua popularidade estava em queda (desde o ano passado), mas a oposição ainda não havia dado sinal de vida.

Com a situação relativamente tranquila no plano federal, o PT tratou de se garantir no âmbito estadual que é de onde sai a formação do Congresso. Precisava eleger muitos deputados federais e o maior número possível de senadores para "quebrar" a força no PMDB no Parlamento.

Movimento mais que legítimo, porém. Ocorre que o PMDB achou por bem reagir em legítima defesa quando foi esnobado (assim como vários outros partidos da aliança) pelo PT que decidiu lançar candidatos próprios aos governos dos Estados onde os aliados reivindicavam o apoio como contrapartida ao tempo de televisão dado à candidatura de Dilma.

Isso provocou a dispersão dos parceiros que se aproximaram da oposição no plano regional. Exemplo mais vistoso é o do Rio de Janeiro. O PMDB pediu que o PT não lançasse candidato; depois passou a exigir e, em seguida, ameaçou romper. A seção fluminense não conseguiu desfazer a aliança nacional, mas pede votos de maneira aberta para Aécio Neves.

Em São Paulo agora o PT quer propor um acordo ao PMDB para que o partido ajude Dilma "para valer". Mas isso só depois que o candidato do partido, Paulo Skaf, ficou numa posição muito melhor que a de Alexandre Padilha do PT.

Tais apelos devem se repetir em outras localidades onde haja os tais palanques duplos, triplos ou múltiplos. Em 2010, aliados nessa situação foram abandonados pelo PT no curso da campanha. Agora são eles que decidem se relevam ou se devolvem o menosprezo.