quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Opinião do dia: Fernando Henrique Cardoso

• Qual é a mensagem?

Esse é o ponto. O partido que tiver uma mensagem que pegue no povo. Não é tanto a mensagem, mas como ela é emitida. No nosso caso, o que é necessário é ter um novo sentimento de coesão nacional. Não dá para levar um País de 200 milhões de habitantes na base de fracionar e destilar uma situação de radicalização, como aparentemente está se formando. Quem tiver uma mensagem mais abrangente tem mais chance. As pessoas querem emprego, segurança – que é um tema que não estava na pauta eleitoral, mas hoje está – e as questões básicas. A mais básica da agenda do Estado é a educação. Não há emprego possível sem educação. Do ponto de vista da agenda das pessoas, há também o transporte e a saúde.

--------------------
Fernando Henrique Cardoso é sociólogo, foi presidente da República. Entrevista. O Estado de S. Paulo, 2/1/2018.

Merval Pereira: Renda estagnada

- O Globo

A medida da nossa tragédia econômica pode ser traduzida pelo recente número divulgado de nosso PIB per capita, o valor de tudo que geramos de renda dividido pelo número de habitantes do país.

PIB revela dimensão da nossa tragédia econômica. Aeconomista Monica de Bolle, professora da Johns Hopkins University e pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, confirmou os números com o Banco Mundial e reproduziu a tabela do Spectator Index: de 2012 a 2017, o crescimento pela Paridade de Poder de Compra( PPC)f oide 0%. Is toé, o PIB perca pita brasileiro está estagnado há cinco anos.

Para recuperar o nível que deveríamos ter tido em 2017 se a economia brasileira não tivesse entrado nessa recessão tão brutal, o crescimento terá que ser muito grande, de 4% a 5% ao ano, por muitos anos.

Nos Estados Unidos, depois de 2008, houve uma reversão muito forte no PIB per capita. Passados dez anos, não houve ainda uma recuperação completa, isso numa economia muito mais for teque ado Brasil.

A economista brasileira faz uma previsão: se, a partir deste ano, retornarmos a uma taxa de crescimento de 2,5% ao ano, o PIB per capita em 2023, 10 anos depois de a economia brasileira registrar a última taxa de expansão de 2,5%, ainda estará menor do que logo antes da débâcle econômica que levou à recessão de 2015 e 2016.

Vera Magalhães: Os obstáculos da Previdência

- O Estado de S.Paulo

Aliados do governo apontam que a negociação para a votação da reforma da Previdência retrocedeu algumas casas nas últimas semanas graças a trapalhadas na política.

A rusga criada pelo ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, com governadores e a dificuldade de substituição no Ministério do Trabalho foram apontados como obstáculos adicionais – e desnecessários – para o fechamento dos 308 votos necessários para votar a reforma na Câmara.

Em paralelo à bateção de cabeça na política, a área econômica insiste em vetar novas concessões no texto que desidratem ainda mais a economia de gastos possível com a reforma.

Por ora, portanto, está engavetada a ideia de estender o período pelo qual servidores que ingressaram até 2003 pudessem manter por mais tempo a integralidade da aposentadoria e a paridade com funcionários da ativa. “Governo não bate pé. Quem bate pé é criança”, diz um ministro enfronhado nas negociações da reforma, num sinal de que as concessões não estão de todo descartadas, apenas afastadas no momento.

A ordem no Planalto é refazer os cálculos diariamente a partir desta semana e chegar ao início de fevereiro com uma avaliação sobre se será possível manter a votação para o dia 19.

As postagens do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, nas redes sociais sobre o erro que seria um novo adiamento já foram vistas como um recado para que o governo se empenhe mais na obtenção dos 308 votos agora – já que, quanto mais se aproximar o calendário eleitoral, mais difícil será avançar com a reforma.

Fernando Exman: A ameaça real que vem da internet

- Valor Econômico

Disseminação de 'fake news' nas eleições preocupa

A proximidade da campanha eleitoral colocou a atual onda de notícias falsas na internet, conhecidas internacionalmente como "fake news", em posição de destaque na lista de preocupações de diversas autoridades. Não só por considerarem que elas têm a capacidade de transformar a já polarizada política brasileira em um ambiente ainda mais hostil. Integrantes do governo, do Legislativo e do Judiciário tratam também a questão como um risco à soberania nacional.

A disseminação de notícias falsas não é um fenômeno novo. Historiadores relatam casos semelhantes ocorridos centenas de anos atrás, quando textos caluniosos eram espalhados para difamar políticos, clérigos ou apenas desinformar a população. A novidade é o uso da tecnologia para criar falsas sensações de apoio ou condenação a ideias e pessoas, assim como disseminar boatos na internet. Os "robôs sociais", perfis controlados por softwares, podem gerar artificialmente conteúdos e interagir com usuários reais. Como resultado, realizar interferências em discussões e até mesmo gerar debates forjados.

O recente surto de notícias falsas ganhou destaque por interferir em processos eleitorais ou consultas populares realizados mundo afora, com acusações de interferências externas em assuntos domésticos dos países envolvidos, além de impactos na política internacional e na economia global.

Bruno Boghossian: O plano Maia

- Folha de S. Paulo

A articulação do DEM para incluir Rodrigo Maia (RJ) na próxima corrida presidencial ganhou contornos definidos na virada do ano. O movimento embaralha ainda mais o centro do tabuleiro político e atravessa as pretensões de Henrique Meirelles (Fazenda).

A empreitada do presidente da Câmara ainda é vista com ceticismo, mas começa a ocupar espaços em que o ministro da Fazenda pretendia erguer sua candidatura ao Planalto: a base aliada do governo Michel Temer e o mercado financeiro.

O DEM acredita que o papel de Maia na aprovação da agenda de reformas permite que ele dispute com Meirelles a posse do discurso de recuperação da economia, apesar de admitir que não será fácil tirar do ministro a coroa de favorito dos bancos.

Almir Pazzianotto Pinto: Os militares e o direito de greve

- Diário do Poder

Mais de uma vez sustentei que soldados, das Forças Armadas ou das polícias militares, não fazem greve. Ao se recusarem a cumprir ordens cometem crime de motim, descrito e punido pela legislação penal militar.

As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e disciplina prescreve o artigo 142 da Constituição da República. As polícias civis e militares estaduais, e os corpos de bombeiros militares integram o rol das instituições incumbidas da preservação da segurança pública e da ordem, e da incolumidade das pessoas e dos patrimônios, ao lado da polícia federal, da polícia rodoviária federal e da polícia ferroviária federal, reza o artigo 144 da Lei Superior.

Ao militar a Constituição proíbe a sindicalização e a greve. O preceito aplica-se às polícias civis e militares dos Estados, bem como aos corpos de bombeiros militares, pela combinação dos artigos 142 e 144 da Carta Política, eis que todos se submetem ao princípio da hierarquia e disciplina, cuja violação põe em perigo a estabilidade política e social.

Elio Gaspari: Um Brasil politicamente incorreto

- O Globo

A agenda do século XXI cai mal num país que não resolveu a do XX e, em alguns aspectos, nem a do XIX

Duas informações trazidas pelo Datafolha podem ser úteis para que se conheça melhor o país que neste ano elegerá o presidente da República, 27 governadores, a Câmara dos Deputados e dois terços do Senado.

Mais da metade dos entrevistados (57%) disseram que as mulheres que fazem aborto devem ir para a cadeia e dois terços (66%) são contra a legalização do consumo de maconha.

Outra pesquisa, do Ibope, informa que 49% de seus entrevistados declararam-se a favor da pena de morte. (Enquanto nos dois outros itens a pesquisa indica que a oposição caiu, neste os defensores da pena de morte aumentaram, pois em 2011 estavam em 31%.)

De pouco adianta adjetivar essas opiniões. A questão é substantiva: a banda do país que ainda vive os problemas do século XX e, em certos casos, os do XIX, está blindada em relação a alguns temas da agenda do XXI. Não faz o gênero politicamente correto.

*Roberto Romano: Indulto e abuso de autoridade

- O Estado de S.Paulo

Lemos e ouvimos frases de Robespierre, em 2017, para invalidar a clemência natalina

Em tempos liberticidas cresce o poder dos que vetam a dissidência. Setores repressivos sequestram o Estado de modo oculto ou claro. O fato aparece na Igreja inquisitorial e no absolutismo, no império napoleônico, fascismos e domínios stalinistas. Durante o século 20 o medo recebe impulso dos aparelhos policiais, muitos unidos a juízes. Como açambarcam os monopólios do Estado (força, leis, impostos), a cidadania perde o controle sobre eles. Surgem ditaduras explícitas ou dissimuladas. Tal é o solo onde nascem as Seções Especiais de Justiça de Vichy, o império dos promotores e magistrados na URSS e na Alemanha hitlerista. O Brasil não discrepa daquela prática. Aqui, setores da ordem social serviram – e muitos servem – aos proprietários da República. Basta lembrar o caso Boi Barrica e a censura à imprensa. Expor dúvidas sobre atos e falas da toga significa crime de lesa moralidade, ética, patriotismo. Quem deles duvida é suspeito.

A caça à corrupção – não o combate ao fato, mas a busca de vigiar e punir a sociedade no seu todo, algo que refaz intentos de Savonarola ou Robespierre – assume ares de Cruzada. Quando ouço ou leio inquisidores pátrios, tenho a impressão de que voltamos aos hábitos que desgraçam a modernidade. Abro o Malleus Maleficarum. O manual traz a panóplia movida contra multidões levadas ao fogo “purificador”. Diz ele: “Se a crença de que existem seres como as bruxas é essencial à fé católica, manter obstinadamente o oposto tem o sabor da heresia. (...) Todos os que acreditam ser toda criatura mutável para o pior ou melhor, ou transformável em outro tipo ou semelhança, exceto pelo Criador de todas as coisas, são piores do que um pagão ou herético”. Dedução perfeita, impiedosamente mendaz. Se existem bruxas, elas fazem bruxarias. Ai de quem duvide dos crimes ou busque atenuar a punição! Acusadores não toleram senões. Quem ignora ou defende suspeitos de malefícios diabólicos merece a fogueira.

Míriam Leitão: Cofre menos vazio

- O Globo

No fechamento de 2017, uma boa surpresa: as contas públicas terão um déficit menor do que a meta em R$ 30 bilhões ou mais. Isso, por ironia, dá em torno de R$ 129 bilhões, igual à meta inicial que acabou alterada para R$ 159 bilhões. A boa execução do Tesouro e o aumento da arrecadação de dezembro tiveram esse efeito de melhorar o resultado final do ano. Isso só será divulgado no fim do mês.

Sobre 2018, a primeira notícia é que não será possível adiar o aumento do funcionalismo federal. Como os salários já foram pagos, eles não podem ser reduzidos. O governo já conta com essa despesa de R$ 5 bilhões a mais do que o orçado. Portanto, o ministro Ricardo Lewandowsky, quando deu a liminar em favor dos funcionários, acabou decidindo o mérito, porque não foi possível cassar a medida a tempo.

Nos últimos dias de 2017 começou a ficar claro que a meta seria atingida com folga. Ontem, o número com que se trabalhava na Fazenda era de R$ 129 bilhões ou menos de déficit. Normalmente o dado final só é oficialmente informado no final de janeiro. O governo terá, então, que dar uma boa e uma péssima notícia.

Monica De Bolle: Certezas

- O Estado de S. Paulo

O fato é que as reformas nada fizeram para consertar nossas contas, nosso déficit elevado e nossa dívida galopante

Alguns atribuem a Benjamin Franklin outros a Mark Twain a famosa citação sobre a morte e os impostos, as únicas certezas possíveis na vida. Em ano que está fadado a ser caracterizado pela incerteza política nos Estados Unidos, no Brasil, no restante da América Latina, este artigo trata das certezas tributárias absolutas. Certezas que já fazem ou haverão de fazer parte da política econômica nos EUA, onde moro, e no Brasil.

Pouco antes do Natal, o Congresso americano aprovou ampla reforma tributária, alvo de muitas críticas e ataques de analistas norte-americanos e brasileiros. A reforma é a mais abrangente desde 1986, quando o então presidente Ronald Reagan reformou o código tributário, abrindo o flanco para os déficits fiscais elevados que mais tarde seriam ajustados pelo governo Clinton.

Vinicius Torres Freire: Venezuela em nova fase de destruição

- Folha de S. Paulo

A Venezuela deve ser invadida pelas tropas de uma coalizão formada por Estados Unidos, Europa e América Latina, a convite da Assembleia Nacional, de maioria oposicionista. Este "exército de liberação" daria apoio a um novo regime, que substituiria o governo de Nicolás Maduro, que teria sido impedido pelos parlamentares.

Quase lembra um roteiro do gênero Rambo escrito por um comentarista da Fox, a TV americana de birutices reacionárias. Mas é a sugestão de um professor da escola de governo da Universidade Harvard, o venezuelano Ricardo Hausmann.

Hausmann em geral não é doido. É um respeitado economista do desenvolvimento. Foi ministro do planejamento (1992-93) de seu país. Participa de conversas a respeito do que fazer da Venezuela. Mas propôs esse seu plano em artigo publicado no segundo dia de 2018, no site Project Syndicate.

A responsabilidade dos partidos: Editorial/O Estado de S. Paulo

Cabe aos partidos comprometidos com o interesse público a responsabilidade de se unirem em torno de um candidato capaz de vencer as várias expressões do populismo

Em entrevista ao Estado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi certeiro ao apontar a necessidade de os partidos comprometidos com a continuidade das reformas aglutinarem suas forças em torno de um candidato à Presidência da República eleitoralmente viável. “É preciso que haja lideranças capazes de organizar. Há o perigo de que um demagogo dê sensação às pessoas de que vão influenciar a favor dos que mais precisam”, disse Fernando Henrique, ao comentar o seu temor de “que não se consiga organizar o centro”.

Não basta que o candidato seja conhecido de boa parte da população ou possua uma história na vida pública. A responsabilidade com o futuro do País deve levar a que os partidos políticos não populistas se unam em torno de um candidato com possibilidades reais de ganhar. Se esse caráter prático deve estar sempre presente na política, ele se torna ainda mais premente nas atuais circunstâncias.

“Chegamos a um ponto em que é preciso unir, colar. Está tudo muito desagregado”, disse Fernando Henrique. A desagregação é parte significativa da crise política, social, econômica e moral que o sr. Lula da Silva instaurou no País, nos anos em que o PT comandou a administração federal e pretendeu ser hegemônico. Agora, o cacique petista movimenta-se intensamente para voltar ao poder, desde já prometendo desmontar tudo o que foi feito no atual governo para superar a herança maldita deixada pelo lulopetismo.

Cabe, portanto, aos partidos políticos minimamente comprometidos com o interesse público a responsabilidade de se unirem em torno de um candidato capaz de vencer as várias expressões do populismo, sejam quais forem as suas cores. Ainda que seja o mais daninho, o sr. Lula da Silva não é o único representante dessa aberração da política. Há, por exemplo, o iracundo Bolsonaro, que tenta suprir sua irrelevância na Câmara dos Deputados, sobejamente demonstrada há quase três décadas, com frases contundentes e grosserias. Até agora, a única posição efetivamente clara do deputado é, além da apologia da violência, seu desprezo pela democracia.

Reformas para além da Previdência: Editorial/O Globo

Enquanto o tempo passa, fica cada vez mais evidente que é também necessário rever as regras da obrigatoriedade de despesas e a indexação de gastos

A sociedade brasileira enfrenta um momento crítico nas finanças públicas, e dependerá da sua posição nas urnas sobre o que fazer, se o país dará um salto de qualidade no manejo das finanças ou continuará cambaleante, em círculos, alternando surtos de crescimento, só na aparência sustentável, com fases corretivas em meio à inflação e recessão. Como a de que se está saindo.

Em entrevista antes da virada do ano a “O Estado de S.Paulo”, a secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi, expôs o cenário: como as despesas se aproximam do teto constitucional, é preciso fazer escolhas. Algo a que governos e políticos em geral não estão acostumados. Continua dominante a visão arcaica, e errada, de que dinheiro público sempre aparece quando dele se precisa. Porém, não é mais assim, com inflação civilizada e controles como a Lei de Responsabilidade Fiscal e o próprio teto inscrito na Constituição.

Expectativa de turbulência eleitoral desafia o Tesouro: Editorial/Valor Econômico

O Tesouro resolveu mudar algumas práticas de financiamento da dívida mobiliária federal neste ano. Um dos principais objetivos é alongar o prazo de vencimento dos títulos que serão oferecidos nos leilões regulares, em troca dos papéis que estarão vencendo. Apesar das perspectivas positivas para a inflação e os juros, a tarefa parece difícil diante da imprevisibilidade que cercará a disputa eleitoral, além das dúvidas sobre a aprovação da reforma da previdência e da política monetária nos países ricos.

Os novos títulos que chegarão ao mercado no primeiro semestre serão as LTNs com vencimento em abril de 2020 e em janeiro de 2022. Serão emitidas NTN-Fs, igualmente prefixadas, com vencimento em janeiro de 2029, no lugar dos papéis que vencem em janeiro de 2027, papéis que atraem especialmente os investidores estrangeiros. O calendário de alguns leilões será alterado. As vendas de NTN-Fs passarão de quinzenais a semanais, como ocorria até 2010. Desde 2011 começaram a ser realizados a cada 15 dias com o intuito de estimular o mercado secundário, objetivo que será posto de lado agora.

A intenção, explicou o Tesouro, é diluir a oferta para dar mais flexibilidade à administração da dívida. Além disso, o Tesouro suspenderá as recompras trimestrais de NTN-Fs e NTN-Bs, que poderão ser realizadas a qualquer momento.

Drogas e realismo: Editorial/Folha de S. Paulo

Em tendência inequívoca, o apoio à descriminalização da maconha, embora ainda francamente minoritário, apresenta-se cada vez maior entre os brasileiros.

A parcela dos favoráveis à medida alcançou 32%, segundo pesquisa do Datafolha. A proporção não passava dos 17% em 1995, no início da série histórica.

Difícil prever se o percentual continuará crescendo ou em que ritmo. A aceitação da tese é desigual na sociedade: chega aos 40% entre os jovens de 16 a 24 anos; cai a 24% entre os evangélicos.

De mais certo, a experiência de outros países deverá influenciar o debate interno nos próximos anos. Tome-se o caso do vizinho Uruguai, onde o plantio e a comercialização da maconha foram liberados ao longo de quatro anos.

Nesse sentido, é notável que nos EUA, onde 8 dos 50 Estados liberaram o consumo recreativo da droga, o apoio à norma, segundo o instituto Gallup, tenha chegado a 64% –a maior cifra em quase meio século de aferição.

Alckmin rebate FHC e reitera pré-candidatura

Cristiane Agostine | Valor Econômico

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), reiterou ontem sua pré-candidatura à Presidência da República, depois de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso colocar em xeque sua viabilidade eleitoral e sugerir o apoio dos tucanos a um outro nome do centro para 2018.

Alckmin afirmou que assumiu a presidência nacional do PSDB por sugestão de Fernando Henrique e disse "ter certeza" de que irá "trabalhar junto" com o ex-presidente para consolidar sua pré-candidatura presidencial. "Estou preparado para essa labuta", afirmou o governador, em entrevista ao Canal Rural ontem, divulgada pela assessoria de imprensa do governo de São Paulo.

A afirmação de Alckmin foi uma resposta a FHC, que em entrevista publicada ontem pelo jornal "O Estado de S. Paulo" disse que o governador precisa provar que pode organizar e liderar esse campo político. O ex-presidente afirmou ainda que o candidato tem de empolgar o eleitorado e deve ser identificado pelo povo como alguém capaz de suprir suas carências. "Se houver alguém com mais capacidade de juntar, que prove essa capacidade e que tenha princípios próximos aos nossos, tem que apoiar essa pessoa", disse FHC.

Alckmin discute ter vice do DEM em chapa

Bruno Boghossian / Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, antecipou a negociação de alianças para sua candidatura ao Planalto e já sinalizou a dirigentes partidários que está disposto a ceder a vaga de vice em sua chapa e oferecer o apoio do PSDB a outras siglas nos Estados em troca da adesão a seu projeto presidencial.

O tucano teve encontros com caciques do DEM, do PP e do PTB nas últimas semanas de 2017 para discutir o apoio a seu nome na disputa deste ano. Aos democratas, o tucano demonstrou disposição em entregar ao partido a indicação do candidato a vice-presidente na disputa.

Favorito no PSDB para concorrer à Presidência da República, Alckmin decidiu deflagrar um movimento ostensivo de negociação com potenciais aliados para tentar evitar o isolamento de sua candidatura e romper o bloco partidário que dá sustentação a Michel Temer.

O tucano e o presidente se distanciaram com as articulações para a saída do PSDB do governo –o que levou o MDB a planejar uma aliança de siglas governistas para apoiar uma candidatura alternativa à de Alckmin.

Além disso, o tucano passou a enxergar movimentos concretos do DEM –aliado que considera prioritário– em busca de um nome próprio para lançar ao Planalto.

Para evitar a perda de terreno, o governador avançou nas conversas com o PTB, do ex-deputado Roberto Jefferson, e iniciou negociações com o DEM e com o PP.

Luiz Carlos Azedo: A razão das incertezas

- Correio Braziliense

A primeira grande definição do processo eleitoral está fora da esfera de decisão dos partidos, do Congresso e dos governos: é o julgamento de Lula

Há um grande divórcio entre o que está sendo chamado de centro democrático e a grande massa do eleitorado que busca uma solução segura para os problemas do país, mas que ainda não consegue identificar uma alternativa para isso. Uma vez que as projeções eleitorais para este ano, com base em pesquisas de opinião, apontam uma possível polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), é natural que o cenário eleitoral seja caracterizado como um grande fator de incerteza na vida nacional.

Em circunstâncias normais, esse campo estaria sendo ocupado eleitoralmente pelos dois principais sistemas de poder instalados no país. O principal é o que se articula em torno do governo Temer, encabeçado pelo PMDB e com amplo apoio entre as forças que a aprovaram o impeachment de Dilma Rousseff. O outro é o governo Alckmin, vértice do sistema de alianças protagonizado pelo PSDB a partir de São Paulo. Uma convergência entre os dois polos, nas condições estabelecidas pela reforma política, em tese, seria eleitoralmente imbatível. Entretanto, nem juntos, nem separados, Temer e Alckmin constituem ainda uma alternativa de poder.

Pelo contrário, a expectativa de poder criada em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que pese o enfraquecimento eleitoral e orgânico do PT, vem se impondo gradativamente ao país, com uma retórica populista e de ajuste de contas. O líder petista renasce das cinzas do colapso do governo de Dilma Rousseff, como se nada tivesse a ver com o fracasso do “poste de saias” que ungiu e levou ao poder. Lula ameaça repetir a trajetória de Getúlio Vargas nas eleições de 1950, quando o ex-ditador voltou ao poder nos braços do povo.

Nilson Teixeira: Quadro político incerto por algum tempo

- Valor Econômico

Resultado pode se tornar ainda mais incerto se o apoio dos maiores partidos não for para candidatos do PT e PSDB

A minha última contribuição para esta coluna em 2017 assinalou que a eleição presidencial de 2018 será determinante para a consolidação fiscal. De fato, essa importância será ainda maior, pois será crucial também para a trajetória dos fundamentos da economia nos próximos anos. Nesse sentido, o assunto deste meu primeiro texto em 2018 não poderia ser outro que não o pleito deste ano.

A eleição de 2018 terá menos recursos ante a de 2014 em virtude da proibição de doações de empresas. As despesas registradas pelos candidatos à Presidência em 2014 somaram R$ 652 milhões, valor correspondente a 13% dos gastos declarados com as campanhas em todos os níveis. Supondo que as doações individuais continuarão insignificantes como nas eleições passadas, o gasto nas campanhas presidenciais em 2018 não será, provavelmente, muito superior a R$ 300 milhões, dados os R$ 2,588 bilhões alocados nos fundos públicos.

Esse ambiente de menos recursos aumenta a incerteza quanto ao resultado das eleições de 2018 e eleva a importância das coligações partidárias frente aos pleitos anteriores - seja para aumentar o tempo de propaganda na televisão e no rádio, seja para garantir maior apoio local na campanha presidencial.

O PSDB e o PT precisarão angariar apoio dos principais partidos políticos, em particular dos maiores, para manter a polarização observada desde 1994. Enquanto o tempo médio de propaganda diária na televisão e no rádio do PT e do PSDB será de, respectivamente, 5'13" e 4'11", os outros seis maiores partidos (MDB, PP, PSD, PR, PSB e DEM) terão 18'12". Isso confirma o quão imperativa será a construção de coligações.

Para minar influência de Bolsonaro, aliados constroem agenda para Alckmin com evangélicos

Painel/Folha de S. Paulo

Missão de fé Tucanos de São Paulo preparam uma extensa agenda com evangélicos para o governador Geraldo Alckmin. Os articuladores atuam para que, logo no início deste ano, o presidenciável do PSDB receba cerca de 80 líderes de igrejas pentecostais e neopentecostais em um jantar na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes. Um dos principais objetivos dos aliados do paulista é minar a influência de Jair Bolsonaro (PSC-RJ)–já identificada pela sigla– nesse nicho do eleitorado.

Tête-à-tête Alckmin tem mantido encontros frequentes com evangélicos. O pastor Eri Alencar, da Assembleia de Deus Paulistana, e o apóstolo César Augusto, da Fonte da Vida, estiveram com o governador. A ideia é que o tucano também vá a um culto de Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus.

Pregação Os evangélicos tucanos defendem que, nas agendas de campanha pelo país, Alckmin inclua as igrejas em seus roteiros.

Oráculo Ainda que tenha feito deferências ao governador, FHC jogou luz em um fato ao cogitar o apoio do PSDB a um nome de fora do partido na eleição presidencial deste ano: a candidatura do paulista ainda é vista como frágil por setores importantes da política e do empresariado.

Quem ganha Mesmo que de forma involuntária, a fala de FHC ao “Estado de S. Paulo” deu força a integrantes do DEM que tentam viabilizar a candidatura de Rodrigo Maia (RJ) e também a partidários de Henrique Meirelles (PSD) e até de João Doria (PSDB).

Me dê motivo Maia e Meirelles querem capitanear o centro. Doria é visto por alguns aliados dos tucanos como um candidato mais competitivo do que Alckmin.

Supertrunfo Líder do DEM na Câmara, o deputado Efraim Filho (PB) diz que “cresce a imagem de Rodrigo Maia como alguém capaz de unificar o centro”. “Não podemos ficar a reboque de disputas internas de outras siglas”, afirma.

Quem avisa… O CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) arquivou representação do ex-presidente Lula contra Carlos Fernando dos Santos Lima, da Lava Jato. Recomendou, porém, que o procurador não use as redes sociais para expressar posições políticas.

Prova do crime Em julho de 2017, a defesa do petista acionou o CNMP com um pedido de verificação de possível desvio funcional por parte do procurador. A representação foi baseada em textos com críticas a Lula publicados por Lima no Facebook.

Tenho dito O corregedor do MP, Orlando Rochadel, recomendou ao procurador “que se abstenha de emitir juízos de valor, por meio de redes sociais e na esfera privada, em relação a políticos, partidos e pessoas investigadas e/ou acusadas” pela Lava Jato, para “preservar a integridade, a solidez, a isenção e a credibilidade”.

Coluna do Estadão: Marun monta tropa de choque por Previdência

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB-MS), ganhou uma tropa de auxiliares formada por líderes de partidos governistas para ajudá-lo a negociar votações de projetos importantes para o Planalto. A partir de fevereiro, o grupo fará reuniões semanais para definir a pauta do Congresso. A reforma da Previdência continua como prioridade do governo, mas o presidente Temer já afirmou à Coluna que também quer tentar convencer os parlamentares a votar a reforma tributária, na intenção de “trazer mais emprego e renda à população”.

Recontagem. Marun diz precisar de cerca de 50 deputados para chegar aos 308 a favor das mudanças nas regras da aposentadoria.

Sujeito oculto. Tucanos ligados ao prefeito João Doria (São Paulo) comemoraram o fato de o ex-presidente FHC admitir, em entrevista ao Estado ontem, que o PSDB pode trocar Geraldo Alckmin por um candidato “mais agregador”.

Quem será? Aliados de Doria enxergaram, na declaração de FHC, sinais de um possível apoio ao prefeito na corrida ao Planalto. Doria recebe deputados estaduais em um jantar na casa dele, em 16 de janeiro.

Clubinho. Quem não gostou nada foi o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio. Presidenciável, ele considerou “precipitado” FHC declarar apoio a um nome de fora do PSDB na eleição.

Desenturmado. “Existe uma panelinha no PSDB formada pelo ex-presidente FHC, pelo senador José Serra e pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin”, criticou Virgílio.

Dono da bola. O senador Romero Jucá (MDB-RR) mandou avisar aos tucanos que cogitam apoiar José Serra à presidência do Senado de que se esqueceram de combinar com o MDB.

Concentrado. Michel Temer disse a interlocutores “ter adorado” despachar do Jaburu. Como a residência oficial é mais reservada do que o Planalto, se sentiu “mais produtivo”. De todo modo ele espera voltar hoje ao Planalto.

Bateu o martelo. O DEM decidiu confirmar a troca do senador Agripino Maia pelo prefeito ACM Neto (Salvador) na presidência da legenda, durante a convenção, em 6 de fevereiro.

Tempo de paz. Agripino diz não haver crise no partido. “O clima é de entendimento e diálogo. Tudo será definido por consenso com integrantes do DEM”, diz.

Deu ruim. Líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO) diz não ter engolido o veto à indicação do deputado federal Pedro Fernandes (MA) para assumir o Ministério do Trabalho no lugar do demissionário Ronaldo Nogueira. O movimento gerou mal-estar entre o líder e o governo.

Sem base. “O Planalto está com muita credibilidade para escolher seus problemas. E precisa decidir se quer o PTB na base aliada ou fora dela”, ironizou o líder na Câmara, referindo-se à aliança com o governo de Michel Temer.

Silenciosos. Para evitar traumas em animais, principalmente no Réveillon, o deputado Ricardo Izar (PP-SP) quer proibir fogos de artifício com estampidos. O texto está na comissão do Meio Ambiente da Câmara.

Sem crise. O Cade, órgão antitruste do governo, vai contar com orçamento 27% maior este ano. Temer sancionou a proposta do Congresso que destina R$ 46,1 milhões ao conselho ante os R$ 36,3 milhões de 2017.

João Cabral de Melo Neto: O sertanejo falando

A fala a nível do sertanejo engana:
as palavras dele vêm, como rebuçadas
(palavras confeito, pílula), na glace
de uma entonação lisa, de adocicada.
Enquanto que sob ela, dura e endurece
o caroço de pedra, a amêndoa pétrea,
dessa árvore pedrenta (o sertanejo)
incapaz de não se expressar em pedra.

Daí porque o sertanejo fala pouco:
as palavras de pedra ulceram a boca
e no idioma pedra se fala doloroso;
o natural desse idioma fala à força.
Daí também porque ele fala devagar:
tem de pegar as palavras com cuidado,
confeitá-la na língua, rebuçá-las;
pois toma tempo todo esse trabalho.

---------------
João Cabral de Melo Neto, in “Melhores Poemas de João Cabral de Melo Neto”. [Seleção Antônio Carlos Secchin], São Paulo: Global Editora, 8ª ed., 2001, pag. 184.

Paulinho da Viola: Foi um Rio que passou em minha vida

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Opinião do dia: Gilmar Mendes

Espero que 30 anos após a promulgação da Constituição da República, o Brasil possa se unir em consensos básicos em 2018 e traçar novos caminhos para o desenvolvimento econômico, a redução da desigualdade social e o avançar da democracia”.


---------------------
Gilmar Mendes é ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em O Estado de S.Paulo, 2/1/2018

Eliane Cantanhêde: Sorte e juízo em 2018!

- O Estado de S.Paulo

Além de Temer no seu último ano, brasileiros precisam de sorte e juízo na eleição

A esta altura do campeonato, faltando dez meses para as eleições, o melhor a fazer é desejar boa sorte para o presidente Michel Temer. Sorte dele, sorte do País. Depois é depois, inclusive para o que vier de investigação sobre delações e vídeos de assessor. Temer, porém, não precisa só de sorte, mas de juízo, para evitar desgastes, recuos e derrotas desnecessárias.

Para quê dar sorte ao azar, ou o azar à sorte, cedendo no projeto de trabalho escravo para agradar à bancada ruralista no Congresso (e no governo), desagradando a todo o resto e sendo obrigado a ceder e voltar atrás? Depois de “apanhar” de procuradores e juízes do trabalho, de entidades de Direitos Humanos, de órgãos internacionais e até de uma então secretária do governo, voltou tudo à estaca zero, de onde nunca deveria ter saído.

Para quê dar sorte ao azar, ou o azar à sorte, cedendo no indulto excessivo de Natal para agradar aos correligionários que temem a Lava Jato (como, aliás, ele próprio), desagradando a todo o resto e sofrendo um vexaminoso puxão de orelhas da procuradora-geral Raquel Dodge e da presidente do Supremo, Cármen Lúcia?

Merval Pereira: O ano da indefinição

- O Globo

A diferença técnica entre a eleição deste ano e a de 1989 é que a de agora será “casada”, isto é, estarão em jogo, além da Presidência da República, todos os governos estaduais, 2/3 do Senado e a totalidade da Câmara. Em 1989, disputava-se apenas a Presidência da República, numa eleição “solteira”, o que dava mais força às individualidades dos candidatos do que ao esquema partidário que os apoiava.

Há ainda uma diferença fundamental, como destacou o cientista político Bolívar Lamounier em entrevista à edição brasileira do “El País”: a mediocridade dos candidatos à vista. Na eleição que acabou elegendo Collor à Presidência, praticamente todas as grandes lideranças políticas do país estavam na disputa.

Collor acabou derrotando todos eles, numa disputa entre o populismo de direita que representava e o populismo de esquerda com Brizola e Lula, que terminou indo para o segundo turno. Hoje, pelas pesquisas de opinião, continuam polarizando a disputa presidencial os populismo de esquerda, na figura do ex-presidente Lula, e o de direita com o deputado federal Jair Bolsonaro.

Igor Gielow: O alerta que vem de Natal

- Folha de S. Paulo

A tragédia ora estancada pelas tropas federais no Rio Grande do Norte é um prenúncio sobre desafio central a ser enfrentado neste ano eleitoral decisivo de 2018.

É de se especular se o sangue dos quase cem cadáveres produzidos durante a greve da polícia local alertou as autoridades sobre o óbvio: o colapso do sistema federativo de 1988.

A partir dali, o Brasil visou dividir o poder central com Estados e municípios, só que isso não foi seguido por um enxugamento da União –como atesta o deficit multibilionário que o país gira em seu Orçamento.

Uma olhada nas contas estaduais mostra que o Rio de Janeiro é apenas um laboratório extremo à espera de replicações. O que levou ao surto de, é preciso deixar claro, irresponsabilidade dos policiais potiguares não foi só vontade de pular ondinha no Réveillon: o Estado está quebrado.

Andrea Jubé: Todo governo precisa de um "Robertão"

- Valor Econômico

A tarefa de Marun é aprovar a reforma da Previdência

Envolto em polêmicas desde quando liderava a tropa de choque do deputado cassado Eduardo Cunha, o novo ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, passou a ser comparado ao ex-líder do governo José Sarney Roberto Cardoso Alves, o "Robertão", morto em 1996. Eles têm em comum o biotipo, a filiação ao MDB, a lealdade e a disposição às missões espinhosas.

"O Marun é o Robertão do Temer, mas não tem jeito, todo governo precisa de um Robertão", conforma-se um ex-presidente do MDB e um dos parlamentares a quem o presidente Michel Temer mais dá ouvidos. Para este cacique emedebista, Marun, parlamentar de primeiro mandato, não tem verniz para o cargo, que assumiu no dia 15 de dezembro.

Avalizado pela bancada do MDB na Câmara, Marun conquistou assento na cúpula do poder em sua estreia parlamentar. Mas a nomeação tem precedente de peso histórico: Tancredo Neves tornou-se ministro da Justiça do presidente Getúlio Vargas em 1953, na metade de seu primeiro mandato de deputado federal.

Embora estreante em Brasília, Marun é filiado ao MDB há mais de dez anos e estreitou laços com Temer tendo como fiador um longevo cacique emedebista, o ex-governador de Mato Grosso do Sul André Puccinelli - preso no dia 14 de novembro pela Polícia Federal na Operação Lama Asfáltica, que investiga desvios de mais de R$ 230 milhões nos últimos dez anos no Estado.

Marun é advogado, engenheiro civil, e foi secretário municipal e estadual de Habitação nas gestões de Puccinelli na Prefeitura de Campo Grande e no governo estadual.

Joel Pinheiro da Fonseca: Nossa escolha em 2018

- Folha de S. Paulo

Com cansaço das brigas e recuperação econômica, no confronto entre a união e a polarização, prevejo que vai dar união

2018 será um ano de definição, ano em que saberemos se o Brasil está ou não à altura de suas maiores aspirações; ou seja, se finalmente conquistaremos o hexa. Tem também uma eleição para presidente em outubro.

Nessa eleição, a escolha será entre populismo e seriedade. Por populismo, entendo as candidaturas que possuem pelo menos um destes dois elementos, que em geral caminham juntos: o primeiro é o uso de retórica inflamada que visa a polarizar o eleitorado. Criam a ideia de uma luta entre o povo comum e bom e uma elite perversa (se ela é rentista e conservadora ou progressista e globalista, tanto faz). O segundo é a promessa de tirar o Brasil das dificuldades atuais com algum passe de mágica, que imporá sacrifícios apenas a uma minoria ínfima de ricaços. Auditoria da dívida, negação do deficit da Previdência, imposto sobre grandes fortunas, são algumas das soluções mágicas que volta e meia aparecem nos discursos.

Por essa definição, Lula (ou seu sucessor na vaga), Ciro Gomes e Jair Bolsonaro são claramente populistas. Se o PSOL adotar a mesma retórica de 2014, também o será. Os diversos outros candidatos restantes ocupam um centro –à direita ou à esquerda– de respostas possíveis dentro das restrições que a crise fiscal e a necessidade de crescimento impõem.

Míriam Leitão: De olho na política

- O Globo

Se os juízes do TRF-4 votarem de forma unânime confirmando a condenação do ex-presidente Lula, os recursos que os advogados do ex-presidente apresentarem não terão efeito suspensivo da pena. Sendo assim, ele estará, muito provavelmente, fora da disputa. Na ligação intensa entre economia e política, o próximo dia 24 está marcado em vermelho no calendário.

A economia sempre tem efeito sobre as eleições. Este ano será o oposto. A disputa eleitoral deve produzir momentos de muita volatilidade cambial e provocar adiamento das decisões de investimento. A política também tornará o ano fiscal muito ruim. No fim de janeiro, o governo divulgará que as contas públicas de 2017 fecharam com alguma folga em relação à meta, mas aumentaram os temores sobre 2018.

Uma das primeiras más notícias nas contas públicas deve ser o anúncio de um contingenciamento de R$ 20 bilhões. E isso porque na política nada andou. O Congresso não aprovou as medidas de ajuste que permitiriam o Orçamento como ele foi pensado. Uma delas, a que adia o reajuste dos funcionários, foi barrada pelo ministro Ricardo Lewandowsky e isso eleva em R$ 5 bilhões as despesas. A receita com a taxação dos fundos exclusivos foi perdida porque a MP não foi aprovada.

Denise Neumann: E se o salário mínimo perder valor em 2018?

- Valor Econômico

Consultoria estima perda de 1,2% no poder de compra

O presidente Michel Temer assinou, na sexta-feira, o reajuste do salário mínimo para 2018: 1,81%, fixando a remuneração em R$ 954 ou R$ 17 a mais em relação ao valor anterior. Como determina a regra, o reajuste foi feito usando o INPC, que ficou abaixo da inflação medida pelo IPCA, porque o peso dos alimentos é maior.

Caso a inflação de 2018 confirme a projeção mediana do mercado (4,03%, segundo o boletim Focus), a correção que foi dada será menor que a futura e o poder de compra do salário mínimo vai cair ao longo do ano. O alerta é do economista Francisco Pessoa, da LCA Consultores, que chama atenção para o fato de que essa situação atípica talvez ainda não esteja sendo totalmente considerada nos cenários de atividade e eleitoral deste 2018.

Em um video-comentário enviado aos clientes da consultoria, Pessoa mostra que o poder de compra do mínimo, na média de 2018, será 1,2% menor do que o de 2017. O valor real é cheio no começo do ano e vai diminuindo, até virar perda, na medida em que a inflação aumenta e encarece o consumo de diferentes bens e serviços. Essa conta foi feita considerando as projeções do Focus tanto para a correção do mínimo quanto para a inflação de 2018. Desde 1996, o poder de compra do mínimo, na média do ano, só havia caído em uma única oportunidade, em 2015, quando recuou 0,4%, como consequência da forte aceleração da inflação daquele ano.

Sérgio Abranches: 2018 o ano da incerteza

- O Globo

Recomendo apertar os cintos em 2018. Será um ano de incertezas e turbulências. Vivemos a era do imprevisto. O ano que se aproxima será um representante legítimo desses tempos de brumas densas. Nos Estados Unidos, o presidente Trump pode ser surpreendido com o avanço dos Democratas e perder a maioria. Entraria na famosa fase do “governo dividido”, mas com complicações, pois teria um presidente republicano fora da curva e maioria democrata disposta a tirá-lo da Casa Branca. Situação que afetaria a economia americana e rebateria na economia global e na brasileira.

Aqui, o presidente Temer, pilotando um governo muito ruim, sonha que a economia o salvará da impopularidade. Nesse cenário de Poliana, imagina que a maioria aprova seu governo em silêncio, constrangida por essa conversa de corrupção pra lá e pra cá. Isso apesar dos 97% de reprovação, apurados pelo Barômetro Político Estadão-IPSOS, da impopularidade de 74%, medida pelos que consideram seu governo ruim ou péssimo, ou dos 88% de desaprovação à maneira como governa. É improvável que a corrupção seja esquecida na campanha e nas urnas. Ou que o governo tenha bom desempenho eleitoral.

Nome do PSDB tem de ter viabilidade eleitoral, diz FHC

Para o ex-presidente, se o candidato que unir o centro e tiver capacidade de aglutinação não for do partido, ‘fazer o quê’

Alberto Bombig Pedro Venceslau / O Estado de S. Paulo.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, em entrevista a Alberto Bombig e Pedro Venceslau, que o governador Geraldo Alckmin ainda precisa provar ser capaz de aglutinar o centro do espectro político e de “transmitir uma mensagem” aos brasileiros para se viabilizar como candidato do PSDB e de seus aliados ao Planalto. “Se houver alguém com mais capacidade de juntar, que prove essa capacidade e que tenha princípios próximos aos nossos, tem que apoiar essa pessoa. Não vejo quem seja”, disse. “Espero que esse (candidato do PSDB) tenha capacidade de aglutinar. Se houver outro que aglutine, vai fazer o quê?”, perguntou. Sobre o julgamento do ex-presidente Lula no TRF-4, no próximo dia 24, FHC disse que, “do ponto de vista do País”, uma eventual condenação é “ruim”, mas afirmou não acreditar que a população vá “tremer nas suas bases por causa disso”.

Para FHC, Alckmin precisa provar que pode unir centro

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, em entrevista ao Estado, que o governador Geraldo Alckmin ainda precisa provar ser capaz de aglutinar o centro do espectro político e de “transmitir uma mensagem” aos brasileiros para se viabilizar como candidato do PSDB e de seus aliados ao Palácio do Planalto neste ano.

FHC foi enfático ao defender Alckmin, mas avaliou que, caso ele não cumpra essas tarefas, os tucanos podem apoiar outro nome para evitar a fragmentação do centro, hoje reunido em torno das bandeiras do governo. “Se houver alguém com mais capacidade de juntar, que prove essa capacidade e que tenha princípios próximos aos nossos, temos que apoiar essa pessoa.”

A seguir os principais pontos da entrevista:

• O senhor tem algum temor em relação a 2018? Está entre os pessimistas ou otimistas?

Tenho, mas estou no intermediário. Do ponto de vista econômico, estamos começando a ter um bom momento no mundo. O mundo conta sempre. Há o momento em que o ciclo é ascendente. Isso ajuda. Nós aqui demos alguns sinais de melhoria. Se tivermos condição de eleger alguém confiável ao País, tem possibilidade de um certo avanço no Brasil. Nesse lado sou otimista. O meu temor é que não se consiga organizar o centro. É preciso que haja lideranças capazes de organizar. Há o perigo de que um demagogo dê sensação às pessoas de que vão influenciar a favor dos que mais precisam. Mas acredito que dá tempo de organizar o centro.

• O sr. inclui o ex-presidente Lula nesta lista de demagogos?

O Lula mesmo se declarou uma metamorfose ambulante. Ele é extremamente sensível aos estímulos do momento. Sabe se posicionar definindo o inimigo. Esse inimigo varia, de acordo com o momento. O que ele tem não é demagogia no sentido banal, mas a capacidade de explicar. É muito importante em uma sociedade de massa que o líder fale. A sociedade nem sempre quer ouvir, mas agora está aberta porque está perplexa. É preciso que alguém toque nas cordas sensíveis à população. O Lula toca de ouvido. O candidato sem capacidade de expressão tem dificuldade de se firmar, ainda que esteja certo. Eu não conheço o Bolsonaro. Ele era deputado no meu tempo e não tinha uma expressão maior. Queria me fuzilar, mas nunca dei atenção. Não sei o que ele pensa sobre qualquer tema. Não sei se ele é capaz de expressar o que pensa sobre qualquer tema. Às vezes a pessoa, mesmo sem ter a capacidade de expressar, simboliza.

Centro ataca populismo contra Lula e Bolsonaro

Coluna do Estadão

A indefinição sobre o candidato do centro na eleição presidencial não impede que os partidos adversários à candidatura de Lula e de Jair Bolsonaro tentem estancar o crescimento deles nas pesquisas. Algumas legendas querem criar uma onda de medo contra candidaturas populistas e carimbar esta marca nos dois. No pronunciamento de Natal, em cadeia de rádio e televisão, o presidente Temer condenou a prática. O prefeito João Doria (SP) também falou sobre isso e o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) atacou o tema no programa do PSD.

Caso pensado. O grupo político de Meirelles identificou, em pesquisas, que o chamado campo azul, que reúne antipetistas e anti-Bolsonaro, considera ambos radicais e populistas. Avaliou-se como fundamental Meirelles atacar a prática para se colocar como opção a quem os rejeita.

Indireta. No caso de Michel Temer, o recado foi direto para o PT. A equipe do presidente diz que, ao criticar o populismo, ele quis alfinetar o jeito petista de administrar o País.

Eles disseram. Temer disse, no Natal, que seu governo não adota medidas populistas. “Nada de esperar por milagres e contar com salvadores da pátria.” Já Meirelles alerta para possíveis retrocessos: “O populismo e os oportunistas fazem mal ao País”.

Para os íntimos. Sem fogos de artifícios, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, serviu um jantar de réveillon para três ministros e alguns deputados na residência oficial. De repouso devido a uma infecção urinária, Michel Temer preferiu não ir.

Me dê motivos. A ausência de Temer foi entendida por alguns aliados como um sinal de incômodo com o movimento do DEM de sair do governo. A amigos, Maia deixou claro que vai brigar para o partido continuar na base de Temer.

Mesa cheia. Na volta ao trabalho, hoje, Temer deve sancionar a lei que concede socorro de R$ 15 bilhões à Caixa, com dinheiro do FGTS e o refis para participantes do Simples Nacional, no programa de Regularização Tributária das Micro e Pequenas Empresas.

Nova moda. Mais três prefeitos de Tocantins avisaram ao presidente da Associação Tocantinense de Municípios, Jairo Mariano, que devem renunciar aos cargos por falta de dinheiro.

Entrega de chaves. No último dia do ano, José de Pádua, de Marianópolis, e Fernando do Osmar, de Araguanã, deixaram seus mandatos sob alegação de colapso nas contas públicas.

Campanha. O partido Novo, único a não receber dinheiro público, diz aprovar a medida para barrar o uso do fundo partidário nas eleições.

Carta na manga. Entusiastas do PSB à candidatura do ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa à Presidência da República dizem que, se ele decidir entrar na campanha eleitoral, fará o debate sobre a questão racial no País.

Debate. A avaliação da equipe do ex-ministro do Supremo é de que, pela primeira vez, esse pode ser um fator determinante na eleição.

MDB negocia vagas a governador para evitar migrações para o DEM

Vandson Lima e Andrea Jubé | Valor Econômico

BRASÍLIA - Dois 'quase filiados' ao DEM são as novidades no MDB na montagem dos palanques para a disputa pelos governos estaduais em 2018. A sigla, segundo seu presidente, senador Romero Jucá (RR), quer lançar o maior número de candidaturas próprias possíveis e já conta com pré-candidatos em pelo menos 16 Estados.

Depois de ser convidado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a mudar de partido, com a garantia de concorrer ao governo de Minas Gerais pelo DEM, o deputado Rodrigo Pacheco passou a contar com o aval de Jucá para buscar o posto pelo próprio MDB. A pré-candidatura foi discutida entre Jucá e o vice-governador de Minas e presidente do MDB mineiro, Antônio Andrade, em uma reunião antes do Natal.

Pacheco postula a candidatura em meio a um partido dividido, em que metade da bancada federal e a maioria da bancada estadual prefere manter a aliança com o governador Fernando Pimentel, do PT. Dos seis parlamentares da bancada mineira do MDB, três são contra a candidatura própria: Saraiva Felipe, Newton Cardoso Júnior e Mauro Lopes. Este último é pai do presidente da Assembleia Legislativa, Adalclever Lopes, fiel aliado de Pimentel no Estado e que lidera a bancada estadual do MDB, favorável à reeleição do petista.

Eleições complicam retomada no Brasil, México e Colômbia

Marsílea Gombata | Valor Econômico

SÃO PAULO - O ano de 2018 será de grande incerteza para a América Latina. Eleições presidenciais em três importantes economias - Brasil, México e Colômbia - estão marcadas por escândalos de corrupção e falta de legitimidade política. O nebuloso cenário adiante pode atrapalhar o ritmo da retomada da economia, dizem analistas.

Os três países vivenciaram em outros momentos crises internas, às vezes acompanhadas de um cenário externo pouco favorável. Mas o que faz este ano ser especialmente complicado é o fato de esses países enfrentarem ao mesmo tempo crises dentro de casa, eleições e um cenário econômico que custa a se recuperar. Paraguai e Venezuela também terão eleições este ano, mas em situações muito particulares, seja pelo bom desempenho econômico paraguaio ou pela pior crise da história recente da Venezuela.

"Brasil, Colômbia e México vivem uma tormenta perfeita: a situação econômica ainda não é boa, o cenário externo é alimentado por incertezas como [o presidente americano] Donald Trump, e os rumos de política doméstica de cada um ainda não estão claros", afirma Sergio Guzmán, da consultoria Control Risks. "Vemos um eleitorado cansado da política tradicional, irritado com os altos níveis de corrupção e um déficit de representatividade, em que as pessoas não sentem que os governos defendem seus interesses."

Há desencanto com a classe política em toda a região, mas nesses três países o nível de descontentamento é especialmente alto, avalia Carlos Petersen, da Eurasia.

PDT é o partido campeão em governismo no país

João Pedro Pitombo / Folha de S. Paulo

SALVADOR - No Ceará e na Bahia, são aliados do governo do PT. No Pará, apoiam o PSDB. Também firmaram alianças com governadores do PSB, do MDB, do PP e do PCdoB.

O PDT, legenda que na esfera federal faz oposição ao presidente Michel Temer (MDB) e lançou o nome de Ciro Gomes como candidato ao Planalto em 2018, tem filiados ocupando 22 secretarias estaduais em 13 unidades da federação. É o partido que mais cargos de primeiro escalão ocupa em governos de outros partidos.

A conclusão é resultado de um levantamento da Folha que apurou o perfil e a filiação partidária dos 547 secretários dos governos dos 26 Estados e do Distrito Federal. Ao todo, são 180 secretários filiados ao mesmo partido do governador, 180 filiados ou indicados por partidos aliados e 184 sem filiação partidária.

Depois do PDT, completam o topo do ranking de cargos em primeiro escalão em governos aliados MDB, PSB, PSDB e PSD, nesta ordem.

Os dados do levantamento apontam para uma capacidade camaleônica dos partidos em apoiar governos de diferentes linhas ideológicas.

Peemedebistas (hoje emedebistas) são parceiros do PT no Piauí e em Minas, a despeito da firme oposição no plano nacional desde a eclosão do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A recíproca acontece em Sergipe, onde petistas são aliados do governador Jackson Barreto (MDB).

O PDT firmou a maioria de suas alianças com governos de esquerda, mas também tem parcerias com o PSDB no Pará e no Paraná e cargo no primeiro escalão do governo do MDB no Rio de Janeiro.

"Cada Estado tem sua característica particular. Em muitos casos, a nomeação é mais da relação pessoal do filiado com o governador do que uma aliança institucional entre partidos", afirma o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.

LICENÇA
Os secretários estaduais pedetistas Thiago Pampolha (da pasta de Esporte do Rio) e Edgar Bueno (de Assuntos Estratégicos do Paraná) licenciaram-se da sigla para assumir ou permanecer no cargo.

Por outro lado, o partido trouxe para seus quadros, nos últimos meses, secretários estaduais que não tinham filiação partidária no Acre, no Espírito Santo e em Alagoas.

Por eleição, dirigentes do PT aconselham Lula a se reaproximar do empresariado

Painel/Folha de S. Paulo

Paz e amor 2.0 Integrantes da executiva nacional do PT sugeriram ao ex-presidente Lula que ele se reaproxime do empresariado nacional. O raciocínio é pragmático. Sem um novo pacto com o que o partido chama de elites, as chances de ele deixar de ser pintado como um dos extremos da eleição presidencial são diminutas. Lula faria o aceno alegando a necessidade de construir um campo competitivo para a centro-esquerda. Um primeiro passo já foi dado quando o petista declarou que não é um radical.

Item por item A direção do PT elaborou um documento com as prioridades do partido para as eleições de 2018. Elencou três pontos: “Eleger Lula para a Presidência; aumentar a nossa bancada de deputados e de senadores; e consolidar e ampliar nossa presença nos governos estaduais e nas Assembleias”.

Pragmáticos O texto não restringe coligações estaduais. Diz que o partido deve “direcionar esforços para compor chapas fortes e balanceadas e buscar as melhores condições nas coligações, mesmo nos Estados onde somos governo”.

Com o que tem O documento petista afirma que, no Senado, a prioridade da sigla é reeleger os parlamentares que já estão na Casa.

Sonho meu Para tentar atrair o apoio do PSB à candidatura do ex-ministro Ciro Gomes ao Planalto, dirigentes do PDT falam em dar a vaga de vice a Aldo Rebelo.

Precavidos Os integrantes do Agora!, de Luciano Huck, têm uma série de reuniões fechadas já no início deste ano. Querem acertar as linhas de um documento com propostas de governo que vão divulgar no final de fevereiro.

Dupla dinâmica Pelo menos dez dos eventuais candidatos a deputados que serão lançados pelo Agora! devem ser financiados pelo RenovaBR, apoiado pelo empresário Abilio Diniz.

2018 à míngua

Poder em jogo/O Globo

Atolado em denúncias de corrupção, o MDB no Rio de Janeiro terá de fazer muito mais que deletar o “P” para repetir o desempenho de 2014 e manter sua bancada na Câmara. Dos dez deputados em exercício, ao menos cinco estão preparando as malas rumo a outros partidos. Devem aproveitar a janela partidária em março, quando será permitida a mudança de legenda sem punição. Outros dois eleitos há três anos — Eduardo Cunha (mais votado) e Celso Jacob — foram para a cadeia. Pedro Paulo aguarda decisão sobre a candidatura de Eduardo Paes ao governo para definir seu futuro.

Caça com gatos
Ante as dificuldades para reeleger quadros, a estratégia do partido é investir em nomes sem mandato na Câmara, mas com bom potencial de votos em seus redutos eleitorais. Entre outros, devem disputar cadeiras no Legislativo o ex-prefeito de Queimados Max Lemos; o presidente da Câmara de Petrópolis, Paulo Igor; e o ex-prefeito de Três Rios Vinicius Farah.

Tic-tac
Sem opções de nome para disputar o governo do estado, o MDB ainda aposta em Eduardo Paes. A conversa com o ex-prefeito do Rio sobre seu futuro eleitoral ficou para o fim deste mês.

Na mira
O ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) atiçou a ira do funcionalismo. O Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), em franca campanha contra a reforma da Previdência, vai denunciá-lo ao Conselho de Ética da Presidência por “chantagens” em troca de votos. Ele ameaça cortar financiamentos da Caixa para governadores que não influenciarem suas bancadas a aprovarem o projeto

Desregulado
O Ministério Público Federal do Rio abriu inquérito para investigar autorização dada pela Agência Nacional de Saúde (ANS) aos planos de saúde para reajuste de até 13,55% no valor cobrado de clientes, entre maio de 2017 e abril de 2018. A apuração começou depois de reclamação sigilosa alegando que o percentual é muito maior que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou 2016 em 6,29%

Entrevista: Marcus Pestana - secretário-geral do PSDB

Poder em jogo/Globo

Geraldo Alckmin entra na disputa presidencial em desvantagem em relação ao desempenho tucano em pesquisas eleitorais. Preocupa?

– As últimas do pesquisas processo revelam eleitoral. embrionário um Tenho momento certeza muito que o candidato do PSDB conseguirá aglutinar as forças do centro político democrático e viabilizar um cenário vitorioso.

Uma ala do partido defendia a aclamação do governador Geraldo Alckmin como o candidato ainda em dezembro. Mas não foi possível. O partido continua dividido?

– A Como democracia temos dois interna nomes dos apresentados, partidos é muito Alckmin importante. e o prefeito Arthur Virgílio, faremos as prévias até a primeira semana de março. Será uma grande oportunidade para ocupar o centro do debate político.

O PSDB está aberto a todo tipo de coligação? Quais são os partidos prioritários para alianças?

– São os partidos históricos daqueles que querem apostar na responsabilidade e equilíbrio.

O desempenho de Jair Bolsonaro assusta o PSDB?

– Os extremos se esvaziarão, e a população perceberá que é preciso harmonizar e pacificar o país.