quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

 

Governo precisa rever políticas ineficientes

Folha de S. Paulo

Avaliação de programas e qualidade do gasto devem ter mais visibilidade; Orçamento não pode se basear só em mais receita

Já com grande atraso, o governo brasileiro começou a institucionalizar a avaliação técnica de políticas públicas no segundo mandato de Dilma Rousseff (PT), quando se tentava de modo atabalhoado conter o rombo orçamentário gestado nos anos anteriores.

Hoje, procedimentos do gênero já se valem de maior experiência e estrutura na administração federal. As conclusões e recomendações acerca de programas mal desenhados e despesas pouco eficientes, no entanto, mal saem das gavetas da Esplanada brasiliense.

O Ministério do Planejamento tem uma secretaria dedicada ao tema. Há um Conselho de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas (CMAP), formado por representantes de pastas econômicas, da Casa Civil e da Controladoria-Geral da União (CGU).

Com a equipe qualificada reunida pela ministra Simone Tebet, criou-se a expectativa de que medidas mais efetivas seriam tomadas nessa seara —ou, ao menos, que o debate sobre a qualidade do gasto público teria maior visibilidade. Até aqui, isso não ocorreu, como observou a jornalista Adriana Fernandes, em coluna nesta Folha.

Lu Aiko Otta - Haddad mantém a aposta em zerar déficit

Valor Econômico

A aposta nos bastidores é que Lula atuará para apaziguar as relações com o Congresso e com isso reeditar a produtiva parceria entre Executivo e Legislativo do ano passado

Alvo de ceticismo dos especialistas em contas públicas e de ataques da ala política do governo, a busca do equilíbrio das contas públicas federais em 2024 seguirá como norte da equipe econômica. Aposta-se nos bastidores que a entrada em campo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apaziguar as relações com o Congresso Nacional seja capaz de reeditar a produtiva parceria vista entre Executivo e Legislativo no ano passado.

Em 2023, deputados e senadores atenderam em boa parte os pedidos da área econômica. Além de aprovar o novo arcabouço fiscal, deram sinal verde a medidas que ajudarão a colocá-lo em funcionamento neste seu primeiro ano de operação.

Zeina Latif - Crédito às empresas tende a se fortalecer em 2024

O Globo

O ano de 2023 fechou melhor do que o esperado. A tendência é de melhora paulatina ao longo deste ano. Há luz no fim do túnel nos mercados de crédito

O ano passado não foi fácil para o mercado de crédito; um ano marcado por estresse financeiro de consumidores e empresas. E agora, quais as perspectivas para 2024?

Apesar de os indivíduos ainda estarem em difícil situação financeira, o pior já passou. Assim, argumentei em artigo recente que há espaço para surpresas positivas no crescimento do PIB este ano, com a sustentação do consumo das famílias.

O foco de hoje é a pessoa jurídica, sendo que a tendência de melhora no segmento de pessoa física é boa notícia para a saúde financeira das empresas, pelo aumento da demanda de seus produtos e seu impacto benigno na avaliação de risco de crédito feita por instituições financeiras.

Fernando Exman - A ressaca da política externa no pós-carnaval

Valor Econômico

Tema não é considerado decisivo em disputas presidenciais, mas está presente no polarizado debate

Foi diferente o carnaval de 1912. E foram peculiares, também, os dias posteriores à folia originalmente prevista em calendário. Naquele ano, na verdade, o Brasil teve dois carnavais. Paradoxalmente, os festejos em dobro tiveram como origem a morte do Barão do Rio Branco, icônico ministro das Relações Exteriores, considerado por muitos um herói nacional e personalidade fundamental na construção dos pilares da política externa nacional.

José Maria da Silva Paranhos Júnior morreu no Rio de Janeiro no dia 10 de fevereiro, um sábado, exatamente uma semana antes do carnaval. Chefiou por dez anos a pasta, período em que desempenhou papel fundamental na definição das fronteiras do Brasil sem o uso da força. E isso valia até mesmo para os casos em que o desfecho não era totalmente satisfatório para o Brasil.

Um exemplo foi a definição da fronteira com a Guiana Inglesa por meio de uma arbitragem internacional, episódio diretamente relacionado à histórica contenda entre a Venezuela e a Guiana por causa do rico território de Essequibo. Um tema que, aliás, voltou ao topo das preocupações regionais e tem demandado um olhar especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ranier Bragon - Lista atualizada

Folha de S. Paulo

Grupo de 120 deputados une 70% do PL e demais bolsonaristas e antipetistas espalhados por União Brasil, PP, PSD, Republicanos e MDB

pedido de impeachment de Lula que deve ser protocolado nesta quarta-feira (21) é daqueles lances da política em que os próprios autores sabem que não vão dar em nada, mas ironicamente há uma utilidade ao governo.

A lista de signatários reúne de forma didática e atualizada a real oposição a Lula na Câmara.

Quem não acompanha o dia a dia de Brasília até se assusta com a informação de que cerca de 30 integrantes de partidos governistas assinariam o pedido que visa ejetar o petista da cadeira de presidente.

Sinal de erosão do apoio parlamentar do governo? Indignação com a comparação da ação de Israel em Gaza à de Hitler com os judeus? Motim? Nada disso.

Wilson Gomes* - Lula e a retórica do Holocausto

Folha de S. Paulo

É evidente que para criticar Netanyahu não havia necessidade de evocar Hitler com retórica do Holocausto

Lula precisaria fazer tantas declarações sobre o conflito em Gaza, esse que divide o mundo? Certamente, não. Não há interesses nacionais implicados nessa guerra que exijam que o presidente se considere parte envolvida. Um chefe de Estado, além disso, tem canais de influência que não passam por declarações públicas.

Entretanto, mesmo que fosse inevitável dar declarações públicas, Lula poderia caminhar sobre o que é mais consensual e entregar a mensagem humanista que lhe interessa. "Não é uma guerra entre soldados e soldados; é uma guerra entre um Exército altamente preparado e mulheres e crianças" não é uma frase tão ruim.

Poderia ter parado por aí.

Martin Griffiths* - Fracasso moral do mundo em Gaza deveria envergonhar a todos

Folha de S. Paulo

Chanceleres do G20, usem vosso poder para salvar civis da vala comum

No momento em que o G20 se reúne no Brasil nesta semana, o número relatado de mortes nas hostilidades na Faixa de Gaza está se aproximando da marca dos 30 mil. Espero que tal fato dê motivos para que os chanceleres reunidos no Rio de Janeiro reflitam sobre o que seus países fizeram ou não fizeram para parar essa situação.

Dizer que a guerra em Gaza é cruel e constitui um exemplo de fracasso humanitário absoluto não é novidade. Não há necessidade de reafirmar o óbvio. Em vez disso, permitam-me que, em nome dos meus colegas humanitários, faça um alerta não só para o dia de hoje mas também para o que receio que aconteçerá amanhã.

O que tem ocorrido em Gaza nos últimos 137 dias é incomparável na sua intensidade, brutalidade e alcance. Dezenas de milhares de pessoas mortas, feridas ou enterradas sob os escombros. Bairros inteiros arrasados. Centenas de milhares de pessoas deslocadas, vivendo nas condições mais precárias, que foram agravadas com a chegada do inverno. Meio milhão de pessoas à beira da fome e sem acesso às necessidades mais elementares: alimentos, água, cuidados de saúde, latrinas. Uma população inteira está sendo destituída da sua humanidade.

Luiz Carlos Azedo - Diplomacia do governo Lula tem dualidade insustentável

Correio Braziliense

Uma política antiamericana no Brasil não tem a menor chance de dar certo, o que não significa apoio incondicional nem alinhamento automático aos EUA

Toda política externa bem-sucedida precisa de sustentação interna, ou seja, da construção de um amplo consenso nacional, para que seja realmente uma política de Estado e não meramente de governo, suas nuances não podem ser a essência da diplomacia. O que faz do Itamaraty uma das mais prestigiadas e reconhecidas chancelarias do mundo é sua capacidade de sustentar nossa política externa independente e pragmática desde a década de 1970, ou seja, em plena ditadura militar, adaptando-se às circunstâncias políticas sem perder seus objetivos estratégicos. Os presidentes passam, o Itamaraty fica. Em torno dela, construiu-se um consenso nacional.

Ministro Mauro Vieira diz que declarações da Chancelaria de Israel são 'mentirosas' e 'inaceitáveis': 'Nunca vi algo assim'

Por Amanda Scatolini / O Globo

Ministro das Relações Exteriores se manifestou após sua contraparte israelense, Israel Katz, ter chamado fala de Lula sobre Holocausto de 'vergonha para o Brasil'

Em meio à crise diplomática entre Israel e Brasil, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, classificou as manifestações recentes do governo do premier Benjamin Netanyahu como "inaceitáveis" e "mentirosas". Nesta terça-feira, o chanceler israelense, Israel Katz, cobrou um pedido de desculpas de Lula após a declaração sobre a ofensiva de Israel em Gaza — na qual o brasileiro comparou a ação com o extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial —, rotulando-a como "promíscua", "delirante" e uma "vergonha para o Brasil".

— Uma Chancelaria dirigir-se dessa forma a um Chefe de Estado, de um país amigo, o presidente Lula, é algo insólito e revoltante — disse Vieira a repórteres nesta terça-feira na saída da Marina da Glória, no Rio de Janeiro, local de reuniões do G20. — Uma Chancelaria recorrer sistematicamente à distorção de declarações e a mentiras é ofensivo e grave. É uma vergonhosa página da História da diplomacia de Israel, com recurso a linguagem chula e irresponsável.

O ministro ainda expressou indignação com a forma como sua contraparte israelense dirigiu-se ao presidente, afirmando que a atitude do governo Netanyahu "e sua antidiplomacia não refletem o sentimento da sua população".

— O povo israelense não merece essa desonestidade, que não está à altura da História de luta e de coragem do povo judeu — disse Vieira. — Em mais de 50 anos de carreira, nunca vi algo assim.

Vera Magalhães - Política externa precisa mudar

O Globo

Lula não foi sequer alertado sobre as consequências que obviamente adviriam de sua manifestação a respeito da guerra em Gaza

À medida que baixa a espuma da reação das torcidas nas redes sociais à fala em que o presidente Lula resolveu comparar a guerra empreendida por Israel em Gaza ao Holocausto, percebe-se o tamanho do estrago de algo absolutamente desnecessário.

O presidente tem sido pessimamente assessorado nesse episódio, ouvindo só aqueles que aplaudem indistintamente o que quer que faça ou os que já têm inclinação ideológica tão clara no conflito israelo-palestino que o aconselham tendo em vista certa “sede de justiça” sem nenhum efeito geopolítico, diplomático ou ganho de imagem no front interno para Lula. Nada.

Ao pôr de lado o corpo técnico do Itamaraty e deixar de se subsidiar de dados históricos básicos antes de se lançar a uma comparação sob todos os ângulos descabida, Lula não foi sequer alertado sobre as consequências que obviamente adviriam de sua manifestação.

Palavras de um chefe de Estado num contexto tão delicado quanto o conflito israelo-palestino importam e resultam. O uso de termos como nazismo, fascismo, Holocausto e genocídio como muletas pode fazer sucesso com as claques, mas pega muito mal no mundo real, onde as decisões são tomadas.

Elio Gaspari - A irresponsabilidade de Lula

O Globo

Ele reciclou a usina de besteiras de Bolsonaro

Ao mandar Jair Bolsonaro para casa, o Brasil parecia ter se livrado de um encosto. Durante a pandemia, esse espírito duvidava da vacina, sugeria que o vírus da Covid-19 havia sido fabricado na China e exaltava a cloroquina. Lula recolocou o Brasil nos eixos na questão ambiental e atravessou o mundo para resgatar o encosto, escorregando na casca de banana de Gaza.

Nesta semana, em Adis Abeba, ele disse que “o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”. Com isso, abriu uma crise e foi declarado persona non grata pelo governo de Israel.

Lula já havia costeado o alambrado dias antes, no Cairo, com duas frases:

— O Brasil foi um país que condenou de forma veemente a posição do Hamas no ataque a Israel e o sequestro de centenas de pessoas. Nós condenamos e chamamos o ato de “ato terrorista”.

Falso. O ataque do Hamas aconteceu no dia 7 de outubro. Cinco dias depois o Itamaraty informou que a classificação do Hamas como organização terrorista competia à ONU. Posteriormente é que falou em terrorismo.

Bernardo Mello Franco - Netanyahu não quer desculpas de Lula

O Globo

Declaração de presidente brasileiro sobre Holocausto presenteou governo de Israel com a miragem de um inimigo externo

Lula errou ao citar o Holocausto em declaração sobre a matança de palestinos em Gaza. O nazismo escreveu um capítulo único na história da desumanidade. Não é preciso invocar o extermínio de 6 milhões de judeus para criticar as práticas do governo de Israel.

A crise poderia ter sido contornada com uma retratação rápida. Isso não ocorreu, e agora o caminho foi bloqueado pela reação de Benjamin Netanyahu e seu gabinete de extrema direita.

Ainda no domingo, o premiê israelense disse que as palavras de Lula eram “vergonhosas e graves” e apelou ao acusar o brasileiro de “tentar prejudicar o povo judeu”. Até aí, era chumbo trocado entre dois políticos que não podem ser acusados de inexperiência.

Vera Rosa - Lula ajuda ato de Bolsonaro

O Estado de S. Paulo

Após declarações sobre Israel, resta a aliados do governo torcer para que chuva iniba manifestantes

Até mesmo aliados do presidente Lula admitem, nos bastidores, que ele deu munição para adversários ao comparar o ataque de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto, quando 6 milhões de judeus foram exterminados. Em conversas reservadas, apoiadores de Lula calculam que o ato convocado por Jair Bolsonaro para domingo, na Avenida Paulista, tem tudo para reunir no mínimo 100 mil pessoas, incluindo agora uma legião de insatisfeitos com declarações de Lula.

Como na política uma imagem vale mais do que mil palavras, a foto da manifestação pode mostrar que o ex-presidente não está tão isolado como parece. Alvejado por investigações da Polícia Federal que o jogam no centro da estratégia montada para dar um golpe no País, Bolsonaro convocou seus eleitores para dizer que sofre “implacável perseguição política”.

Cláudio Carraly* - O Brasil e seu Poder ou “Soft Power” no Mundo

A política internacional a séculos é influenciada pelo poder do mais forte, o Estado para crescer precisava subjugar o outro e atrela-lo aos seus interesses esse modelo vem se reproduzindo desde a antiguidade, sendo replicada por todas formas de modelos econômicos e políticos da humanidade. O Brasil, porém, tem um diferencial, o poder de influenciar exatamente não pelo uso da força e coerção, mas por sua capacidade de ver os estados nacionais como iguais e soberanos, levando em consideração sempre o poder de sua respeitada diplomacia, não dividir o mundo entre inimigos e aliados é a real força do país chamado Brasil.

O cientista político e ex-secretário de Defesa estadunidense, Joseph S. Nye Jr., cunhou conceitos que explicam muito bem o desenho de forças que emergem do século 20 e adentram o século 21, são esses o “soft power” e “hard power”. Resumidamente para entendermos estas diferentes formas de influência e projeção de poder no contexto das relações internacionais, o soft power seria à capacidade de influenciar e persuadir os outros por meio de meios não coercivos, como cultura, valores, diplomacia e atração, enquanto o hard power se baseia no uso da força militar e econômica para alcançar objetivos políticos. O conceito de soft power foi popularizado por Joseph Nye em seu livro "Soft Power: The Means to Success in World Politics" (2004). Ele argumenta que o poder não se baseia apenas na capacidade de coagir ou forçar outros Estados a agir de acordo com seus interesses, mas também em atrair e persuadir outros a compartilhar suas metas e valores. 

Poesia | Mundo Grande, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Paulo Costta & Moreno Veloso - Meu Rêconcavo

 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Ao comparar Israel a nazistas, Lula agride a História

O Globo

Presidente deveria ter a humildade de se desculpar diante do mundo

O Brasil sempre foi um refúgio para perseguidos de outras partes do mundo. Recebeu e integrou à sociedade imigrantes de todas as origens nacionais, étnicas e religiosas, entre os quais árabes (cristãos e muçulmanos) e judeus. Essa característica acolhedora tradicionalmente deu à diplomacia brasileira uma posição privilegiada de equilíbrio em relação aos conflitos recorrentes no Oriente Médio. Atos e declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, põem em xeque esse equilíbrio, agridem os fatos e, no mínimo, sugerem que ele desconhece a História.

Na tentativa de criticar as ações de Israel na Faixa de Gaza, Lula fez um paralelo frequente entre os antissemitas, que ofende não somente os judeus, mas as consciências justas do mundo todo. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus”, disse Lula. A comparação descabida da guerra em Gaza com o Holocausto que exterminou 6 milhões de judeus na Segunda Guerra recebeu apoio do grupo terrorista Hamas, que agradeceu a Lula nas redes sociais. Isso diz tudo.

Cristovam Buarque* - As dívidas da democracia

Correio Braziliense

Por sorte, dessa vez, o atentado da máfia golpista fracassou devido à incompetência e ao despreparo do líder, um militar da reserva que, por pouco, não foi expulso do Exército por indisciplina na década de 1980

Os fatos recentes mostram que a democracia brasileira foi salva por uma questão de sorte. Foi sorte que, dessa vez, a máfia golpista fosse incompetente e liderada por um presidente despreparado, militar da reserva que por pouco não foi expulso do Exército por indisciplina, na década de 1980. A situação teria sido diferente se no lugar do capitão endiabrado estivesse um general respeitado na tropa, com um mínimo de capacidade de articulação e de pensamento estratégico. Foi por sorte que alguns comandantes optaram pela omissão, no lugar do apoio ao golpe. Foi sorte que havia no STF um Alexandre de Moraes com vontade, coragem e obsessão para enfrentar golpistas; sem um juiz tão comprometido o golpe não teria sido barrado.

Carlos Andreazza -Associação criminosa

O Globo

Jair Bolsonaro, cercado de braga-nettos, nunca esteve sozinho

Perde-se muito tempo com a já famosa — mais uma infame — reunião ministerial de 5 de julho de 2022. Aquela em que a turma do general Heleno, numa (mais uma) peleja por se provar o autoritário mais sabujo da desinformação bolsonarista, fez carga para que colegas menos engajados se lançassem à campanha contra o sistema eleitoral.

(Há preocupações legítimas sobre a segurança do sistema de votação eletrônico. A fiscalização a respeito deve ser rigorosa; os críticos tendo a segurança de que seus apontamentos não serão criminalizados na vala antidemocrática. O encastelado TSE já foi arrogante ao responder a questionamentos válidos. O bolsonarismo, no entanto, opera — existe e se desenvolve — na instrumentalização oportunista das dúvidas honestas; agente de assalto em tudo quanto possa minar as expressões de concretude da República. Tampouco à toa o investimento contra a credibilidade do sistema vacinal brasileiro. São manifestações práticas da “coisa pública”; da amplitude da “coisa pública”, donde inimigas.)

Andrea Jubé - O desacerta e reacerta dos líderes com Lula

Valor Econômico

Relação dos chefes do Executivo com o Legislativo, em especial, com as lideranças da base e da oposição, sempre foi de se tourear

Desde que as primeiras Constituições estabeleceram a separação dos Poderes, a relação dos chefes do Executivo com o Legislativo, em especial, com as lideranças da base e da oposição, sempre foi de se tourear.

Um pouco de história: nos anos 50 e 60, no auge da liderança de Carlos Lacerda e da UDN, que faziam oposição aos governos de Getúlio Vargas, JK e João Goulart, essa bancada oposicionista ficou conhecida como “banda de música”.

Isso porque os líderes udenistas se aboletavam nas primeiras cadeiras do plenário e se revezavam na tribuna com oratórias exaltadas. Nos dias de hoje, a oposição, principalmente o bolsonarismo, mantém os discursos estridentes - a diferença é que a repercussão flui nas redes sociais, não no plenário.

Pedro Cafardo - Nem culto à gastança nem terrorismo fiscal

Valor Econômico

É preciso evitar a polarização ideológica na área da economia, assim como na política

Semanas atrás, quando saiu o resultado do déficit primário do governo central, que atingiu R$ 230,5 bilhões no ano passado, o segundo maior da série histórica, voltaram à rinha econômica cenas de radicalismos.

Terminado o Carnaval, quando o ano efetivamente começa no Brasil, é oportuno voltar a esse tema. A expressão “terrorismo fiscal”, já citada nesta coluna, foi novamente lembrada. A militância fiscalista a repele, naturalmente, com o argumento de que os déficits fiscais aumentam a dívida pública, alimentam a inflação, exigem a manutenção de juros elevados e contraem a economia.

Míriam Leitão – A força e o poder da diplomacia

O Globo

Criticar a fala de Lula não significa aceitar o inaceitável em Gaza ou concordar por um segundo que seja com Netanyahu

A máxima da diplomacia brasileira, por muito tempo, foi a de que “no Itamaraty não se improvisa”. A frase era repetida no Ministério das Relações Exteriores no final dos anos 1970 e começo dos anos 1980, como um alerta de que havia sempre sutilezas a considerar antes de cada ato e cada palavra. O país ainda vivia a etapa final do governo militar, mas a preocupação dos diplomatas de carreira era ter uma política de Estado e não de governo. O objetivo era solucionar controvérsias, ampliar mais os horizontes e refazer laços esgarçados durante o auge do autoritarismo. Ontem, o país se viu imerso numa crise diplomática provocada por um improviso de Lula. Outros ruídos têm nascido de falas impensadas.

Luiz Carlos Azedo - Lula chamou Netanyahu para dançar um minueto

Correio Braziliense

Lula errou politicamente. Não sabemos se foi arroubo de oratória ou deliberado. Não vai se desculpar, porém já sabe que precisa relativizar as declarações sobre a guerra de Gaza

De origem aristocrática, o minueto foi uma dança muito popular na corte de Luís XIV, o Rei Sol, monarca conhecido pela frase-síntese do absolutismo: "L'état, c'est moi" (o Estado sou eu). Nos séculos XVII e XII, difundiu-se pela Europa, com ecos por aqui, por ser uma dança alegre e de passos miúdos, que não exigia um grande vigor físico, mas apenas ritmo para acompanhar o compasso 3/4. O minueto inspirou nossos sambistas a dançarem o "miudinho"; na política, "dançar miudinho" é sinônimo de saia justa, isto é, um grande constrangimento.

Muitos compositores incluíram o "minuit" em suas sonatas, sinfonias e músicas de câmara, como Bach, Haydn, Mozart, Beethoven e Paderewski. O minueto da Sinfonia nº 40 de Mozart, porém, nada tem de elegante nem gracioso, mas exprime um grande sentimento de angústia. É mais ou menos o que está acontecendo com a diplomacia brasileira após as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o massacre israelense em Gaza, em retaliação ao atentado terrorista do Hamas.

Maria Cristina Fernandes - Lula tem mais a perder do que Netanyahu

Valor Econômico

As declarações de Lula oferecem uma chance para Netanyahu se defender com argumentos que unem seu país, dividido pela guerra

A despeito das convocações cruzadas de embaixadores, nem o Brasil nem Israel têm a ganhar com a escalada da crise gerada pelas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparando a matança de palestinos em Gaza ao holocausto. Até que este perde-perde se esgote, porém, Lula enfrenta mais riscos que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

As declarações de Lula oferecem uma chance para Netanyahu se defender com argumentos que unem seu país, dividido pela guerra. Trata-se de um fôlego temporário, visto que o exército israelense está prestes a fazer nova investida em Rafah, na fronteira com o Egito, e levantar nova leva de indignação internacional, mas é uma pausa útil.

Já Lula, que é o anfitrião, esta semana, da primeira grande reunião do G20 sob presidência brasileira, a dos chanceleres, perde a oportunidade de galvanizar uma posição sobre o tema. Arrisca, com isso, afetar sua liderança sobre o bloco. Até o momento, o apoio internacional mais eloquente que as declarações de Lula recebeu foi do Hamas, grupo responsável pelo ataque já classificado de terrorista pelo governo brasileiro.

Merval Pereira - Linha vermelha

O Globo

Lula mistura alhos com bugalhos de maneira absurda, com consequências graves. A não ser por uma tendência ideológica contra o Estado de Israel, completamente fora da política tradicional brasileira, é inexplicável o que aconteceu

A humilhação pública a que foi submetido o embaixador do Brasil em Israel, Frederico Meyer, pelo Estado de Israel, sendo repreendido no Museu do Holocausto diante de jornalistas, é exemplar da passionalidade que o tema desperta no povo judeu. E do erro grosseiro, diplomático, histórico e ideológico cometido pelo presidente Lula ao comparar uma reação excessiva de Israel ao ataque terrorista do Hamas à política de dizimação em massa levada a efeito pelos alemães contra os judeus na Segunda Guerra Mundial.

A única maneira de Israel voltar atrás na declaração de que Lula é persona non grata seria o Brasil pedir desculpas, e o recrudescimento da crise com a convocação do embaixador brasileiro de volta e a correspondente reprimenda ao embaixador de Israel no Brasil mostra que dificilmente teremos uma solução rápida para uma crise desnecessária.

Eliane Cantanhêde - Lula, por que não te calas?

O Estado de S. Paulo

Com Blinken, G-20 e o ato na Paulista à vista, Brasil está como diabo e Bolsonaro gostam

Toda vez que Lula põe os pés fora do Brasil, troca manchetes positivas por negativas e cria tensões desnecessárias, ao lançar frases de efeito irresponsáveis, de conteúdo errado, na hora errada. O alvo da vez é Israel, que entra obrigatoriamente, e de supetão, na agenda dele com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, amanhã de manhã. Não é um tema fácil. Lula vive às turras com Israel e acaba de comparar a ação em Gaza ao Holocausto, e Blinken representa o maior aliado israelense no mundo.

É admissível criticar Israel por reagir ao ataque terrorista do Hamas desproporcionalmente, com milhares de mulheres, crianças e civis mortos em Gaza. Mas daí a comparar a ação israelense com o Holocausto e os 6 milhões de judeus mortos pelo nazismo é inaceitável sob todos os pontos de vista. Netanyahu é tudo o que se sabe, mas Lula lhe deu de bandeja a chance de retrucar, dizendo que a comparação com o Holocausto “ultrapassa a linha vermelha” e foi “vergonhosa e grave”. Como discordar?

Alvaro Costa e Silva - O camarote lotado do golpe

Folha de S. Paulo

À medida que as investigações avançam, surgem nomes no grupo conspiratório de Bolsonaro

À medida que avançam as investigações da Polícia Federal e o zap da caserna é esquadrinhado de uma ponta à outra, o entorno conspiratório de Bolsonaro está se transformando no camarote dos irmãos Marx, cena clássica do filme "Uma Noite na Ópera". Contrariando as leis da física e da decência, sempre cabe mais um. Mais um golpista.

Até quem aparentemente não foi convidado dá as caras, como penetra. Logo após a Operação Tempus Veritatis, o general Mourão correu para ocupar a tribuna do Senado. Mesmo aquele bolsonarista que tem dificuldade para interpretar um texto entendeu que ele havia incitado as Forças Armadas a se insurgirem contra o que definiu como "devassa persecutória". Depois, no morde e assopra, baixou o tom, dizendo-se legalista.

Hélio Schwartsman - Diplomacia em frangalhos

Folha de S. Paulo

Quando fala de improviso, Lula parece mais diretor de grêmio estudantil do que presidente da República

Ah, Luiz Inácio Lula da Silva... Quando ele segue o roteiro preparado pelo Itamaraty, ainda é possível enxergar uma posição minimamente coerente com a tradição diplomática brasileira. Foi o caso do discurso que ele fez no sábado (17) na abertura da cúpula da União Africana em Adis Abeba. Ali, sem deixar de criticar Israel, também condenou os ataques do Hamas e pediu a libertação imediata de todos os reféns.

Dora Kramer - Palpite para lá de infeliz

Folha de S. Paulo

É humanamente indefensável e historicamente equivocada a comparação de Israel a Hitler

Não podem mais ser vistas como dúbias ou meramente polêmicas as declarações do presidente Luiz Inácio da Silva sobre a guerra entre Israel e o Hamas. A comparação da ação militar israelense em Gaza (sem dúvida exorbitante) ao extermínio de judeus na Segunda Guerra Mundial posiciona o mandatário brasileiro muitos degraus acima na escala da temeridade diplomática.

Assumiu um lado, e da pior maneira na cena mundial, ao receber elogios e agradecimentos do grupo terrorista. Não bastassem a condescendência com ditadores e a concessão do benefício da dúvida a Vladimir Putin na morte de Alexei Navalni, agora mais essa.

Joel Pinheiro da Fonseca – Agradando o Hamas

Folha de S. Paulo

Fala de Lula nos isola do mundo democrático e fortalece a oposição no Brasil

A fala do presidente caiu como uma bomba: "O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus".

Não sei se era sua intenção, mas foi o que Lula conseguiu: esfriou ainda mais as relações do Brasil com o mundo democrático e fez com que o assunto central do debate público brasileiro nas últimas 24 horas voltasse a ser o conflito Israel-Palestina.

E com razão. A comparação é esdrúxula. A campanha de bombardeios israelenses na Faixa de Gaza é desproporcional, deve ser publicamente denunciada —como tantos bombardeios em tantas guerras presentes e passadas—, mas genocídio não é.

Poesia | Extravio, de Ferreira Gullar

 

Música | Paulo Costta & Moreno Veloso - Ano Passarinho

 

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

PGR mostra que plenário deve rever decisões de Toffoli

O Globo

Recurso de Gonet traz argumentos convincentes para que caso Odebrecht seja levado aos 11 ministros do STF

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou na semana passada recurso contra a decisão individual provisória do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender o pagamento de multas da Odebrecht (atual Novonor), previstas no acordo de leniência firmado em 2016 na Operação Lava-Jato. Gonet pede que a decisão seja reconsiderada por Toffoli ou avaliada com urgência pelos 11 ministros no plenário do STF, e não pela Segunda Turma, que reúne apenas cinco e julga os casos da Lava-Jato.

A Procuradoria-Geral da República(PGR) apresenta duas boas razões em seu recurso. Primeiro, aponta semelhança do caso com a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 1.051, que pede ampla suspensão de multas e já é analisada no plenário, sob a relatoria do ministro André Mendonça. Segundo, diz Gonet, não falta “relevância singular” ao tema, dada a importância dos acordos da Odebrecht no contexto de combate à corrupção.

Quando suspendeu os pagamentos da Odebrecht no fim de janeiro, Toffoli afirmou que a medida era necessária porque a defesa precisava ter acesso e tempo para analisar as mensagens entre o então juiz Sergio Moro e os procuradores de Curitiba, obtidas ilegalmente e investigadas na Operação Spoofing. A suspeita, segundo Toffoli, era ter havido pressão ilegal para o fechamento dos acordos de leniência. Havia, nas palavras dele, “dúvida razoável sobre o requisito da voluntariedade”. Gonet demonstra que o pedido não fazia sentido, pois a Odebrecht está em posse das mensagens desde setembro.

Paulo Fábio Dantas Neto* - Prudência, voluntarismos e a “questão” militar

Nos contextos da política moderna e contemporânea a noção de prudência assumiu, assume, ou pode assumir significados os mais diversos, até mesmo para disfarçar flertes com a noção oposta de voluntarismo. Geralmente celebrada como habilidade para escolher meios adequados a determinados fins, a prudência, como um bom senso racional, pode ser alegada, inclusive, como atributo de condutas destituídas de boa vontade. É quando a vontade política tenta agir como soberana, politizando tudo. Se a ação quer prevenir o agente e/ou seus supostos beneficiários contra efeitos de ações “dos outros”, pode ganhar, levianamente, a qualificação de prudente, ainda que dos conflitos potencializados por essa racionalidade autocentrada advenha a dilaceração do mundo comum, sem o qual toda razão cambaleia.

Perde-se aí o sentido original da prudência política como qualidade do agir, derivada de um saber prático capaz de escolher meios adequados a fins que nunca são absolutos, primeiro porque sua validade é sempre discutível em sociedades onde a pluralidade é fato; segundo, porque os movimentos que a mesma pluralidade legitima e estimula pressupõem compromisso das partes com a conservação de um mundo comum, onde valem regras e procedimentos desapegados dos vários fins de cada agir.

A confusão não é pouca. Sente-se no ar tanto a escassez gritante desse saber prático, quanto a indiferença para com esse déficit, decorrente da percepção resignada de que um saber virtuoso seria impotente e inócuo no mundo político real. Gradativamente a ideia de prudência política sucumbe e confunde-se com um pragmatismo escravo de vontades de uma realeza que fabrica fatos. Elites políticas são canceladas em favor de mitos-guia e partidos viram times. Alega-se, num “positivismo” tosco, que se trata de nova configuração da política. O que é mesmo novo nessa evidente regressão?  

Fernando Gabeira - O apocalipse de carnaval

O Globo

Visão de Baby do Brasil, estritamente religiosa, é na verdade um instrumento para analisar o mundo

Baby do Brasil pautou o debate de carnaval. Atenção, todos: estamos em Apocalipse, o arrebatamento tem tudo para acontecer entre cinco e dez anos, procurem o Senhor! Houve contestação imediata de Ivete Sangalo, mas essas palavras — apocalipse e arrebatamento — têm força até para invadir um alegre carnaval.

Ambas são expressões religiosas. Arrebatamento é o resgate dos fiéis antes de tudo acabar. Gosto também de Armagedom, a batalha decisiva entre as forças do bem e do mal. Quem sabe não aparece num trio elétrico do próximo carnaval? Apocalipse, arrebatamento, Armagedom e talvez Megido, o lugar onde as tropas se concentram para a batalha?

Dá música, e o apocalipse pode ser cantado de ponta a ponta no Brasil. Estamos em apocalipse, Valdemar, a PF fechou o cerco contra Bolsonaro. Estamos em apocalipse, anunciam as lojas para divulgar suas liquidações de verão.

Sergio Lamucci - Melhora da balança comercial reforça solidez das contas externas

Valor Econômico

Exportações devem superar com folga importações neste ano e nos próximos, mantendo o déficit em conta corrente na casa de 1% do PIB

A balança comercial começou 2024 com um superávit expressivo em janeiro, tendência que deverá continuar ao longo do ano, ratificando a solidez das contas externas. O saldo deverá ser menor que os US$ 98,8 bilhões de 2023, mas ainda assim seguirá elevado - o Itaú Unibanco, por exemplo, estima US$ 85 bilhões. Nesse cenário, o déficit em conta corrente, que mostra o resultado das transações de bens, serviços e rendas do país com o exterior, poderá ficar na casa de 1% do PIB neste ano e nos próximos, nível um pouco abaixo do 1,3% do PIB de 2023, o menor desde 2017. É um fator que contribui para o câmbio se manter abaixo de R$ 5, podendo fechar o ano em R$ 4,70, na visão do Bradesco. Os investidores estrangeiros se sentem mais confortáveis em aplicar em ativos do Brasil, que conta ainda com US$ 355 bilhões em reservas internacionais.

Bruno Carazza * - Mayday, aéreas Gol, Latam e Azul em perigo

Valor Econômico

Pressionando por apoio do governo, companhias erraram no planejamento econômico

No código de comunicações aeronáuticas, mayday é a expressão utilizada pelos pilotos para designar uma situação de emergência que coloca a aeronave, tripulação e passageiros em risco. A origem vem do francês “m’aidez” (“me ajudem”), pedido bem mais direto do que o dramático “salvem nossas almas” (“save our souls”), como ficou conhecida a sequência SOS utilizada anteriormente pelo código Morse.

Passadas as festas de fim de ano, as férias escolares e o carnaval, encerra-se oficialmente o período de alta temporada do turismo nacional. Com a tendência de queda sazonal da demanda, as empresas aéreas elevam a pressão por apoio governamental para enfrentar uma crise.