sábado, 28 de setembro de 2024

Pablo Ortellado - Foi erro legalizar as bets

O Globo

Todos os meses, os brasileiros apostam entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões, 19% da massa salarial do país

Relatório recente do Banco Central trouxe dados alarmantes sobre o mercado de apostas on-line no Brasil. Todos os meses, os brasileiros apostam entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões, aproximadamente 19% da massa salarial do país. Segundo a estimativa do BC, 24 milhões de pessoas, cerca de 23% da força de trabalho, fizeram apostas on-line nos últimos 12 meses.

Dezessete por cento desses apostadores são chefes de famílias beneficiárias do Bolsa Família. Outros 4% não são os chefes, mas integrantes dessas famílias. No total, mais de um quinto dos apostadores brasileiros em jogos on-line está em situação de vulnerabilidade social. A mediana da aposta desse grupo é de R$ 100 por mês. Os números podem ser ainda maiores, já que o estudo considerou apenas transações via Pix.

Carlos Alberto Sardenberg - Não é para amadores

O Globo

Os pedidos de seguro-desemprego estão em alta porque o mercado de trabalho está muito aquecido

No original, a frase de Tom Jobim era a seguinte:

— O Brasil não é para principiantes.

Com o tempo, “principiantes” foi substituído por “amadores” e ficou até melhor. Pelo menos, mais popular. E verdadeira?

Digamos que faz sentido em muitos momentos e muitos lugares deste imenso Brasil. Considere a sentença: os pedidos de seguro-desemprego estão em alta porque o mercado de trabalho está muito aquecido.

Pode ler de novo. É isso mesmo que você entendeu: quanto mais a economia gera vagas de trabalho, mais crescem os pedidos de seguro-desemprego a que têm direito os empregados demitidos sem justa causa.

Nos Estados Unidos, é diferente. Os pedidos de seguro-desemprego formam um importante indicador, seguido semanalmente e interpretado conforme uma lógica que parece indiscutível: se caem os pedidos, só pode ser porque mais gente conseguiu trabalho e, pois, a economia está aquecida. O inverso também é verdadeiro. 

O menor desemprego

O Globo / Mayra Castro e Marcos Furtado

Taxa caiu para 6,6%, e ocupação atinge recorde de 102 milhões. Renda cresce

A taxa de desemprego foi de 6,6% no trimestre encerrado em agosto, a menor para o período desde 2012, quando começou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que foi divulgada ontem pelo IBGE. O mercado de trabalho aquecido fez a população ocupada atingir novo pico de 102,5 milhões, aumentando em mais de 1 milhão em um trimestre. O rendimento médio subiu para R$ 3.228, numa alta de 0,5% frente a trimestre anterior.

Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/ Ibre), diz que o resultado veio levemente abaixo do esperado, com a redução do número dos desempregos (menos 502 mil) acompanhado de um aumento na força de trabalho:

— Mercado de trabalho aquecido e renda subindo estimulam as pessoas a voltarem ao mercado. E essas pessoas têm conseguido emprego. Houve alta em todas as atividades econômicas, com destaque para construção e comércio, mas disseminada pelos setores. É um resultado bastante positivo.

Dora Kramer - Batalha de Itararé

Folha de S. Paulo

O esperado embate entre Lula e Bolsonaro na eleição em São Paulo não aconteceu

Não foi desta vez —talvez venha a ser no segundo turno— que a eleição em São Paulo foi palco do embate preconizado por Luiz Inácio da Silva (PT) entre ele e Jair Bolsonaro (PL). Tal qual aquela esperada na revolução de 1930 em Itararé (SP), a batalha não aconteceu.

Gradativamente, por razões diferentes e algumas não muito claras, presidente e antecessor foram se afastando dos papéis de protagonista e antagonista diretos. A motivação mais generosa para ambos poderia ser a decisão de se distanciar da cena tóxica.

A mais realista, porém, indica cálculos objetivos resumidos no seguinte: o cheiro de queimado. Numa disputa tão embolada quanto imprevisível é grande o risco de se virar sócio da derrota. Não valeria o desgaste. Na hipótese de vitória, um dos dois ganharia no máximo o título de tutor do prefeito da cidade mais importante do país.

Alvaro Costa e Silva - A 'jenialidade' no transporte público

Folha de S. Paulo

Cinturão de teleféricos, tirolesa e Uber subsidiado estão entre as propostas dos candidatos

Uma pesquisa feita pelo Ipec mostrou que os passageiros de ônibus, metrô e trem perdem hoje em média duas horas e 47 minutos por dia nos deslocamentos em São Paulo, o que significa dez minutos a mais em comparação com 2023. Os motoristas de carro, no entanto, tiveram um refresco: gastam 18 minutos a menos do que há um ano. Ou seja, a tendência é que cresça ainda mais o uso do carro particular como meio de transporte.

Não é preciso ser especialista, tampouco candidato a prefeito da maior cidade do país, para perceber que o resultado da pesquisa contraria o consenso de que é necessário investir no transporte público para mitigar problemas como congestionamentos, emissão de poluentes e desigualdade de acesso à mobilidade urbana —pautas incontornáveis das campanhas não só de São Paulo como do Rio de Janeiro e outros grandes centros, só perdendo para a segurança, campeã absoluta das atenções.

Carlos Andreazza - Teremos a nossa Las Vegas

O Estado de S. Paulo

Liberaram oferta agressiva – e então correm para tipificar potenciais dependentes e lhes tutelar os gastos

O Congresso aprovou o projeto de legalização das apostas esportivas cantado pela promessa inflada dos dinheiros fáceis, sob a sempre ardilosa miragem do olho grande, tocado pelo lobby vendedor de uma Las Vegas para cada Estado e de receitas bilionárias para os tesouros.

A Fazenda também se encantou, a regulamentação do bicho concebida todinha tendo as possibilidades de arrecadação como norte. Haddad e seus raspadores de tacho de olhos crescidos para aquelas projeções tremendas – os bilhões que viriam compor para lhe fechar a farsa da meta fiscal.

A gula subestimou a complexidade do mundo real. Que se impõe. E de repente todos preocupados com as consequências dos estímulos ao consumo de apostas sobre a vida das gentes.

Michel Temer - A hora da paz!

O Estado de S. Paulo

Nada melhor para a ONU revelar a sua competência do que fazer chegar ao fim o conflito do Oriente Médio

Tenho visto fotos dos bombardeios realizados no Líbano. São dolorosas, já que mostram crianças despedaçadas pelas bombas jogadas pelo governo do primeiro-ministro. São centenas de libaneses mortos nesses conflitos. De fora a parte outros milhares de palestinos mortos em Gaza ou quando dela saem para buscar entrada no Egito.

Também doloroso foi verificar logo no início do conflito a matança daqueles jovens judeus que se divertiam numa festa que veio a ser invadida por integrantes do Hamas. Como angustiante é saber dos reféns que se encontram detidos pelo Hamas. Imagino a dor sentida pelas famílias desses aprisionados. Como sou capaz de imaginar o desespero das famílias palestinas e libanesas que perderam seus entes queridos sem nem sequer participarem diretamente da batalha.

José Natal - Eleições municipais: mudam os sacos, a farinha é a mesma

Correio Braziliense

É desanimador, e perigoso, assistir ao festival macabro dessa eleição paulista e saber que qualquer que seja o eleito vai cair sobre ele a mancha do desatino de que participou

Há quem diga, e são muitos, que eleições em São Paulo, para qualquer cargo, equivale a uma eleição nacional, uma disputa da maior importância. A maior e a mais importante cidade do país, e uma entre as maiores da América do Sul, carece de um quadro melhor qualificado para comandá-la, administrar seus passos e corrigir seus rumos. O gigantismo de São Paulo não pode, ou pelos menos não deveria, ser entregue a aventureiros sem propostas de trabalho, planos que beneficiem a comunidade ou lhes dê o mínimo de ações que sinalizem providências voltadas para saúde, segurança e melhor qualidade de vida.

Brasília não tem eleição municipal, o que, diga-se de passagem, é uma pena que assim seja. Não existe na constituição da capital um artigo que permita ao cidadão escolher seu prefeito, aquele que cuida dos interesses e direitos da comunidade. Geraldo Alckmin, hoje vice-presidente da República, em campanha para a Presidência do país em 2018, pregava que o que mais uma cidade precisa é de um prefeito. Aquele que conheça a comunidade, seus problemas, angústias e ideias que podem gerar soluções. Alckmin dizia que um prefeito já deve sair de casa de manhã anotando os problemas que vê pelo caminho que o leva à Prefeitura. Essa visão matinal dos problemas que afetam a cidade ajuda nos despachos burocráticos com assessores. Indica soluções.

Poesia | Verdade, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Paulinho da Viola - Foi um Rio que passou em minha vida

 

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Espiral de violência na política tem de ser contida

O Globo

Cármen Lúcia foi feliz ao declarar que as agressões durante campanhas ofendem a própria democracia

Não existe dimensão mais alarmante da violência política que o homicídio. Na terça-feira, o candidato a vereador em Nova Iguaçu Joãozinho Fernandes (Avante) foi morto a tiros. Em quatro meses, pelo menos oito candidatos, parentes ou assessores foram assassinados na Baixada Fluminense. Em todo o país, 35 lideranças políticas morreram de janeiro a junho, de acordo com o Observatório da Violência Política e Eleitoral no Brasil, organizado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Na comparação com o último ciclo eleitoral municipal, o registro de ocorrências — de homicídios a agressões ou ameaças — cresceu 9,35%.

Mesmo sem resultar em morte, os casos são preocupantes, como demonstra a campanha degradante para prefeito de São Paulo. Em debate no dia 15 de setembro, o candidato José Luiz Datena (PSDB) respondeu às repetidas provocações de Pablo Marçal (PRTB) desferindo uma cadeirada no oponente. Duas semanas depois, em novo debate, um cinegrafista da equipe de Marçal deu um soco no rosto do publicitário de Ricardo Nunes (MDB). No começo de agosto, o candidato do PSOL à Prefeitura de Teresina, Francinaldo Leão, registrou boletim de ocorrência depois de ter sido agredido com uma cabeçada pelo prefeito Dr. Pessoa (PRD), que busca a reeleição.

Fernando Gabeira - Brasil na ONU: os limites da retórica

O Estado de S. Paulo

Os discursos se sucedem e o tom permanece tranquilo. A burocracia internacional continua enamorada de suas palavras, papéis e documentos

Neste período em Nova York, os discursos dos líderes são o mais interessante na ONU. Cada país escolhe os problemas que preocupam o mundo e alinha algumas propostas para resolvê-los.

Entre outros, o Brasil escolheu o meio ambiente. Num primeiro discurso, Lula da Silva já havia adiantado que os esforços internacionais para combater as mudanças climáticas eram insuficientes.

Até aí nada demais. A própria ONU já admitira que as metas do Acordo de Paris estão ultrapassadas pela realidade. Supor que a temperatura aumentará, acima dos níveis pré-industriais, 1,5 grau até 2030 é uma ilusão, pois esse marco está para ser ultrapassado. Na verdade, o que pode acontecer até o fim do século é um aumento de 3 graus.

Eliane Cantanhêde - O saldo de Lula na ONU

O Estado de S. Paulo

Muita fala sobre Israel e Rússia, do outro lado do mundo, silêncio sobre Venezuela, nas nossas barbas

Ao responder com um sonoro “não”, e em público, no seu discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU, a uma articulação de bastidores entre Brasil e China para uma trégua entre Ucrânia e Rússia, o ucraniano Volodmir Zelenski lançou insinuações graves, provocou um “bate-boca” com o presidente Lula e jogou holofotes nas fragilidades da política externa brasileira.

“Qual o verdadeiro interesse (de China e Brasil)”, indagou Zelenski, sugerindo que os dois países, parceiros da Rússia nos Brics e aliados de Vladimir Putin, um mais explicitamente, outro mais dissimuladamente, na verdade tentam favorecer o regime russo e desconsiderar a condição inegociável da Ucrânia, que não admite abdicar de parte, ou partes, de seu território em nenhuma hipótese.

Vera Magalhães - Sem brilhar na ONU, Lula tem volta tensa

O Globo

Lista de pepinos para presidente descascar inclui cenário eleitoral incerto, incêndios sem resolução e epidemia de endividamento com apostas

O saldo da ida de Lula a Nova York para a tradicional abertura da Assembleia Geral da ONU ficou bem aquém da volta triunfal do ano passado. E, na volta, a lista de pepinos para o presidente encarar aumentou e ganhou enorme complexidade.

Do cenário eleitoral bastante desafiador para PT e esquerda à crise ainda não resolvida dos incêndios e queimadas que devastam o Brasil, passando pela demora em detectar a epidemia de endividamento em apostas esportivas que arrasta para a inadimplência os beneficiários do Bolsa Família e os jovens que deveriam ir para a universidade, o presidente se vê diante de crises capazes de mudar os rumos dos dois últimos anos de seu terceiro mandato.

Luiz Carlos Azedo - Pesquisa aponta segundo turno entre Nunes e Boulos, porém…

Correio Braziliense

O Brasil está de olho nas eleições em São Paulo, porque o ocupante da cadeira de prefeito, com o orçamento de R$ 111,8 bilhões, sempre tem projeção nacional

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (26) sobre a disputa pela Prefeitura de São Paulo mostra Ricardo Nunes (MDB) com 27% de intenções de votos, Guilherme Boulos (Psol) com 25%, e Pablo Marçal (PRTB) com 21%. O empate técnico entre Nunes e Boulos e a resiliência de Marçal, que manteve o terceiro lugar, deixam a eleição ainda indefinida, segundo as respectivas campanhas. Tabata Amaral (PSB), com 9%, teve ligeira recuperação; e José Luiz Datena (PSDB), manteve-se com 6%. A única certeza é a de que haverá o segundo turno, mas quem deve ficar de fora, com esses resultados, permanece uma indefinição.

O prefeito Ricardo Nunes manteve-se no patamar das duas últimas pesquisas do Datafolha. A pergunta é se este é o seu teto eleitoral, depois de uma arrancada espetacular no início da propaganda eleitoral na tevê. Boulos cedeu um ponto e voltou à posição do começo de setembro, depois de ter chegado a 27% na pesquisa passada. Marçal recuperou-se dos desgastes dos debates, chegando ao patamar em que estava em agosto, depois de cair de 22% para 19% dos votos. Tabata cresceu um ponto percentual e Datena manteve se na mesma. Algumas considerações sobre as eleições em São Paulo.

Marcos Augusto Gonçalves - Brasil arde em banditismo e baixaria

Folha de S. Paulo

Influenciadores vigaristas ostentam riqueza e unem-se ao crime em tempos de incêndios, bets e violência eleitoral

O cenário é desolador. O fogaréu que se alastrou pelo país já seria suficiente para causar desespero e apreensões, do despreparo do governo para enfrentar a catástrofe à intenção dolosa que se verificou na origem dos incêndios, passando pelos imensos danos ambientais e prejuízos à saúde pública em tempos de crise climática.

Temos mais, porém. Para onde se olhe nas mídias e redes sociais, a cena brasileira das últimas semanas tem sido sufocante.

Um cortejo de gente esquisita desfila pelo noticiário com sua ostentação boçal, carrões, iates e aviões. Famosos "somos ricos" em férias gregas, influenciadores vigaristas e subcelebridades variadas, com roupas caras e harmonizações faciais de dar susto em criancinha, são alguns espécimes dessa fauna. Imersos em atmosfera de banditismo "posso tudo", exemplares dessa turma se envolvem com falcatruas, não raro no terreno da jogatina que corre solta no Brasil.

Vinicius Torres Freire - Picolé de chuchu da direita

Folha de S. Paulo

Prefeito tem vantagem pequena sobre adversários, mas daria lavada no segundo turno

Ricardo Nunes (MDB) nunca esteve muito à vista. Mas, em pequenas prestações, foi tomando o poder na cidade de São Paulo e pode ser de fato eleito prefeito. Tem apenas 27% dos votos, na prática empatado com Guilherme Boulos (PSOL), com 25%, e pouco longe de Pablo Marçal (PRTB), com 21%, um delinquente. Mas, em um segundo turno, ganharia de lavada de Boulos e Marçal, diz o Datafolha. Isso se não houver daquelas reviravoltas pândegas na véspera da eleição, cortesia das redes insociáveis.

Nunes era meio incógnito. Talvez seja a sua vocação, ainda mais eficaz em um país "polarizado". "Falem de mim, mas não falem nada", deveria ser seu mote. Ainda em agosto, 36% dos paulistanos diziam não conhecer o prefeito ou sabiam dele "só de ouvir falar".

Seus eleitores são os menos animados com a própria escolha. Apenas 40% dizem que Nunes é o "candidato ideal", a menor taxa entre os cinco principais candidatos (outros 60% dizem votar nele por falta de opção). Ou seja, menos de 11% dos paulistanos acham que ele é o "candidato ideal". Não tem tu, vai tu mesmo.

Bruno Boghossian - Divisão na direita mantém eleição aberta

Folha de S. Paulo

Datafolha mostra quadro mais embolado na decisão das vagas no segundo turno

A eleição de São Paulo volta a flertar com um cenário de incerteza que pode manter aberta a disputa pela prefeitura até a hora da votação. A divisão persistente na direita e a campanha morna na esquerda ampliam a probabilidade de manutenção de um quadro embolado na decisão das vagas no segundo turno.

A variação positiva de dois pontos percentuais de Pablo Marçal na nova pesquisa do Datafolha comprova a resistência do influenciador. Os números emprestam algum alívio ao candidato do PRTB, dado o momento de desgaste acumulado por sua campanha agressiva.

Mais que isso, o quadro derruba a hipótese de que um único candidato de direita seria capaz de provar força e arrastar as fichas desse eleitorado ainda no primeiro turno. Com preferências diversas, esses paulistanos escolheram produtos com embalagens distintas: Marçal e o prefeito Ricardo Nunes (MDB).

José de Souza Martins - Os nomes de urna

Valor Econômico

Apelidos com que candidatos se apresentam indicam crise de identidade do brasileiro comum. Propõem uma busca política fora da política

As eleições municipais do dia 6 de outubro nos darão indicações atualizadas do estado do Brasil político, no voto da sociedade local, primeira instância de nossa consciência política.

Nos últimos anos, muita coisa mudou na função do município na estrutura política do país. Ele passou a ser a antessala dos governos dos estados e da própria União. Senadores e deputados federais e estaduais alternam seus mandatos com mandatos municipais, diretamente ou por meio de parentes. O Brasil se municipalizou em seus 5.569 municípios.

Os mandatos locais e regionais, no município e no estado, transformaram-se em instâncias de espera e de passagem, prefeitos e vereadores aspirando a um mandato na escala superior do poder. O município é hoje lugar da política e de pretexto da política.

Andrea Jubé - Sopa de letras e números à mesa do eleitor

Valor Econômico

Em “Vamos comprar um poeta”, romance que “viralizou” no ano passado pelo boca-a-boca, as pessoas não têm nomes, são identificadas por números. Como se no mundo dos algoritmos, nos reduzíssemos aos nossos Certificados de Pessoas Físicas (CPFs).

No livro, a quantidade de números e vírgulas confere status ao “nome”. Em um trecho, a personagem cita “uma das amigas da BB9,2”, a “N7468,1734”, que tem um nome pomposo porque “depois da vírgula, seguem-se quatro algarismos”.

Em um diálogo, a filha pede aos pais que lhe comprem um poeta. O pai reflete e pergunta por que não um artista plástico. A mãe reage: “Nem pensar, fazem muita porcaria, a senhora 5638,2 tem um e despende três a quatro horas por dia a limpar a sujidade que ele faz com as tintas nos objetos brancos”.

César Felício - Pesquisa mostra Marçal vivo e acende alerta para rivais

Valor Econômico

Nos levantamentos de algumas semanas atrás o apresentador José Luiz Datena (PSDB) estancou sua queda nas pesquisas eleitorais de São Paulo e até ganhou alguns pontos, conforme a sondagem. O marco imediatamente anterior havia sido a cadeirada dada em Pablo Marçal (PRTB) no debate da TV Cultura. No Datafolha desta semana, quem oscilou para cima foi Pablo Marçal e Tabata Amaral (PSB). O grande fato dos últimos dias foi o soco dado por um assessor de Marçal em um assessor do prefeito e candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB), no debate do Flow, mesma ocasião em que Tabata chamou atenção por falar palavrões ao atender jornalistas.

O lamaçal de agressividade em que a campanha de São Paulo foi atirada, aparentemente, premia os exaltados — a julgar pela pesquisa divulgada nesta quinta-feira (26). Pablo Marçal subiu de 19% para 21% e novamente está em empate estatístico com Guilherme Boulos (Psol), que desceu de 26% para 25%. Nada mudou para Ricardo Nunes, com 27%. No pelotão de baixo, Tabata foi de 8% para 9% e Datena permaneceu com seus 6%.

Hélio Schwartsman - Aposta errada

Folha de S. Paulo

Ausência de boa regulação em relação aos jogos levou aos impactos negativos que vão se acumulando

Não dá para dizer que os dados sobre impactos negativos da legalização dos jogos no Brasil sejam uma surpresa. O potencial viciante das apostas é conhecido desde a Antiguidade e nossos reguladores, como sói acontecer, fizeram tudo errado.

A falha maior foi ter permitido que os meios de comunicação fossem tomados de assalto por propaganda de jogo —e um tipo particularmente enganoso de publicidade, que insinua que as apostas são rota segura para o enriquecimento.

Se milhões de pessoas jogam regularmente, teremos dezenas de milhares de problemas (a prevalência de ludopatas e apostadores compulsivos fica em torno dos 2% e dos 8%, respectivamente).
Daí não se segue a resposta para o dilema seja a reproibição. O fracasso da guerra às drogas e a experiência da Lei Seca nos EUA mostram que esse não é o caminho. Por razões que não cabe aqui discutir, seres humanos gostam de decidir por si mesmos como conduzirão suas vidas.

Flávia Oliveira - O Bolsa Família e as bets

O Globo

É importante que beneficiários não sejam estigmatizados, criminalizados ou prejudicados

O Banco Central (BC), a pedido do senador Omar Aziz (PSD-AM), produziu estudo preliminar sobre o mercado de apostas on-line e jogos de azar no Brasil que é ouro puro. Técnicos de diferentes áreas da autoridade monetária analisaram transferências via Pix para empresas do setor e descobriram volume de R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões depositados a cada mês por brasileiros pessoas físicas. Identificaram 24 milhões de apostadores, 5 milhões deles beneficiários do Bolsa Família, entre titulares e familiares. Ativaram, assim, uma onda de desconfiança que o levantamento não foi capaz de comprovar.

Nas três páginas do estudo, o BC afirma que 17% dos cadastrados no programa oficial de transferência de renda em fins de 2023 apostaram em bets. Somente em agosto, afirma o relatório, enviaram R$ 3 bilhões via Pix a empresas de jogos. Embora o texto não afirme isso, muita gente entendeu que um quinto dos recursos destinados mensalmente pelo governo ao programa tenha ido parar em apostas, em vez de cobrir despesas de subsistência das famílias abaixo da linha da pobreza. Por precipitada, é conclusão equivocada.

Orlando Thomé Cordeiro - Ceticismo, revolta e ressentimento

Correio Braziliense

O que vem sendo prometido nas campanhas eleitorais há décadas não foi cumprido! É claro que essa situação gera um misto de revolta, ceticismo e ressentimento que pode levar ao colapso do sistema democrático

A partir de 1976, o horário eleitoral gratuito ficou restrito à apresentação de uma foto do candidato com a locução em off destacando breves relatos de sua trajetória de vida. Essa regra estava prevista na Lei nº 6.339/76, conhecida como Lei Falcão, em referência ao Ministro da Justiça da ditadura no período do governo Geisel.

As limitações dessa lei só foram revogadas em 1984, quando se liberou a propaganda eleitoral na televisão. E em 1997, foi sancionada a Lei nº 9.504, que passou a regular a propaganda eleitoral no Brasil até os dias atuais. Desde então, passamos por sete eleições gerais e seis, no âmbito municipal.

No último dia 30, começou o horário eleitoral gratuito em todo o país para a eleição municipal que ocorrerá em 6 de outubro. Durante uma semana, resolvi fazer um exercício: zapear os canais de TV para verificar o que estava sendo veiculado em alguns municípios na disputa pelas prefeituras e fazer uma comparação com propagandas de eleições realizadas há algumas décadas disponíveis no YouTube.

Por mais de 30 anos, praticamente todas as candidaturas têm colocado como prioridades os mesmos temas: saúde, educação, segurança, geração de emprego, transporte e, mais recentemente, meio ambiente. Para cada um deles, as narrativas e propostas apresentadas tiveram pouquíssima variação nesse período. 

Ivan Alves Filho* - Carta aberta aos democratas e humanistas

“Em outros tempos, o Céu estava tão próximo da Terra que bastaria estender a mão para colher um pedaço do Firmamento e se alimentar com ele”. (De uma lenda mursi, da África Negra)

“É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já”(José Saramago)

I

Tenho para mim que o Brasil precisa urgentemente de um projeto de nação, de uma opção democrática ao que vem se desenrolando sob os nossos olhos desde a redemocratização, em 1985, e que acabou nos frustrando em alguma medida. Sair do fim do túnel, antes que seja tarde demais. Eis o que implica, a meu ver, trilhar por um espaço de convergência. Este foi o campo encarnado pela chapa JK - Jango em 1955, que um militar legalista como o Marechal Teixeira Lott defendeu com coragem exemplar. E também foi o campo das Reformas de Base e do ministro San Tiago Dantas no início da década de 60. Ou ainda de Tancredo Neves e seu Colégio Eleitoral, de Itamar Franco e seu Plano Real e, também, de Eduardo Campos, morto tão prematuramente.

Ou seja, chegou o momento de superar essa polarização que assola o país. Não existe autoritarismo de direita ou autoritarismo de esquerda. O que existe é autoritarismo. Não existe corrupção de direita ou corrupção de esquerda. O que existe é corrupção. E a corrupção está para a economia como a tortura para a política: ela mata, tenho reiterado isso. A linha de demarcação política se dá entre Civilização e Barbárie.

Bernardo Mello Franco - Viver por escrito: o país e a política na obra de Armando Freitas Filho

O Globo

Devorador de jornais, um dos maiores poetas brasileiros usava noticiário como matéria-prima e envelheceu sem perder a capacidade de se indignar

No início dos anos 1950, Armando Freitas Filho surpreendeu o pai com um pedido inusitado. Queria que Carlos Lacerda fosse seu padrinho de crisma. O fundador da Tribuna da Imprensa já havia trocado o comunismo pelo direitismo. Tempos depois, o menino faria o caminho inverso. “Eu o imitava em sentido contrário e passei a ler a Última Hora, de Samuel Wainer. Meus pais conservadores não me recriminavam”, recordava.

Quando lançou o primeiro livro, “Palavra” (1963), o jovem poeta já se identificava como militante de esquerda. No ano seguinte, o golpe interromperia os sonhos de sua geração. “Tomei um nojo dos militares por 21 anos”, recordou, em ensaio publicado em “Só Prosa” (2022).

Ao longo da ditadura, os poemas de Armando ecoaram o clima pesado no país. Em “Sociedade Anônima” (1970), ele desafiou a censura ao retratar a repressão: “Pressões e prisões/ pessoas perdidas protestam,/ o povo pulsa no asfalto:/ pop — população palpita e explode/ punhos de pólvora e pânico, no ar”.

Poesia | Adriana Calcanhotto - O elefante, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Xande de Pilares canta Caetano - Gente

 

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

É preciso antecipar monitoramento e fiscalização das bets

O Globo

Inspeção contínua das apostas on-line não pode esperar até janeiro para entrar em vigor

Desde que o Congresso aprovou, no final do ano passado, a legalização das empresas que oferecem apostas on-line (em especial as esportivas), conhecidas como bets, o crescimento do mercado tem sido explosivo. De acordo com uma nota técnica do Banco Central (BC) publicada nesta semana, as transferências de dinheiro às empresas de apostas variaram de R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões por mês neste ano. O BC estima que 24 milhões de brasileiros apostaram no período, tanto em sites de apostas legais — tecnicamente identificadas como “de quota fixa” — quanto nos jogos de azar que permanecem ilegais — como o popular “jogo do tigrinho”. Em agosto, o valor médio apostado flutuou de R$ 100, para os mais jovens, a R$ 3 mil, para os mais velhos.

Desde o início do ano, o Ministério da Fazenda tem baixado diversas portarias destinadas a mitigar os riscos associados à proliferação das apostas, em particular o vício e o endividamento excessivo. Elas estipulam que cabe aos sites fiscalizar o comportamento dos usuários por meio de ferramentas analíticas e de métodos para avaliar o perfil dos apostadores, além de informar desde o cadastro os perigos associados à dependência dos jogos. As regras também impõem restrições à propaganda e às estratégias adotadas para atrair os clientes, protegendo menores e outros grupos vulneráveis. São medidas positivas e necessárias. Ontem algumas empresas anteciparam para outubro a entrada em vigor da proibição ao uso de cartões de crédito nas apostas, antes prevista para janeiro. E o governo pretende antecipar o bloqueio de plataformas que não estiverem registradas oficialmente. Ainda falta, porém, implementar de modo eficaz o monitoramento e a fiscalização constante dos apostadores.

Merval Pereira - Tomem tenência

O Globo

Como é possível as mudanças climáticas, que afetam a todos, sem distinção de classe social, mas atingem mais os mais carentes, não serem o ponto principal das campanhas pelo país?

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia notabilizou-se pela capacidade de transmitir suas ideias jurídicas por meio de frases que se tornam populares, ajudando a média da população a entender seus recados. Foi assim com o refrão do ditado infantil “cala boca já morreu”, quando defendeu a publicação de biografias não autorizadas. E agora, ao chamar a atenção dos candidatos às eleições municipais no papel de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mandando-os tomar “tenência” e darem-se “ao respeito”.

O chamado da ministra foi consequência das cenas de cadeiradas e pugilato entre candidatos e seus assessores na disputa em São Paulo, mas não apenas. Há cenas de violência física e verbal em vários cantos do país. Diversos candidatos foram assassinados, as campanhas eleitorais, de maneira geral, são dominadas mais por excessos que por propostas. Parece até que há intenção de confundir o eleitor, levá-lo à exaustão, para esconder a falha quase generalizada de propostas e projetos visando ao futuro das cidades.

Malu Gaspar – Sinais de alerta

O Globo

A fumaça das queimadas que já duram semanas, sem previsão de alívio à vista, não encobre apenas boa parte do território nacional. Ofuscados pelo fumacê que desafia o governo, sinais de alerta vêm do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), todos apontando para o Ministério de Minas e Energia.

Na pauta do TCU está um relatório sigiloso de 114 páginas que esmiúça a forma como o governo Lula já começou atropelando as recomendações dos órgãos internos e até do conselho de administração da Petrobras para nomear como conselheiros dois secretários do ministro Alexandre Silveira.

De acordo com esses colegiados e com os técnicos do TCU, havia um problema grave na indicação do secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Pietro Mendes, e do então secretário executivo, Efrain Cruz.

Como integrantes do ministério, eles têm a missão de criar leis e decretos e de executar políticas que afetam diretamente os negócios da Petrobras e podem até prejudicá-los. Como conselheiros, têm a obrigação de zelar pelo interesse da companhia — que é controlada pela União, mas tem milhares de acionistas privados, não raros com objetivos diferentes do governo.

Miriam Leitão - Muito além da zoeira paulistana

O Globo

As eleições municipais não antecipam as disputas presidenciais, mas são bons termômetros da votação para a Câmara dos deputados

A lógica de uma eleição municipal vai muito além do barulho que se ouve em São Paulo. Existe uma correlação entre os prefeitos bem avaliados e as intenções de voto. Alguns governadores também estão desempenhando um papel decisivo. No entanto, essa conexão com outras eleições ocorre de maneira diferente do que se imagina. O cientista político Felipe Nunes, da Quaest, avalia, à luz dos dados dos pleitos passados, que dificilmente a escolha nas cidades é um indicador do que acontecerá na presidencial. Mas, até 2018, era possível constatar uma correlação de 90% entre o desempenho nas municipais e a disputa seguinte para a Câmara dos Deputados.

Maria Hermínia Tavares - Sob a fumaça, algo bom para o clima

Folha de S. Paulo

Capacidade técnica não assegura que o Brasil se torne reconhecido por enfrentar as mudanças do clima

As queimadas que devastaram matas em numerosas partes do território e cobriram de irrespirável fuligem muitas de nossas cidades configuram mais do que uma catástrofe ambiental —como se isso fosse pouco. Atingiram em cheio um governo que não esperava tamanho desastre, que o obrigou a reconhecer que lhe faltou preparo para enfrentá-lo.

A constatação não pode, porém, diminuir o que esse mesmo governo chamuscado pelo fogo vem fazendo a fim de prover o país de instrumentos necessários para ajudar a reduzir o ritmo de crescimento da temperatura do planeta e lidar com os efeitos das mudanças climáticas em marcha batida para o pesadelo.

Bruno Boghossian - Pablo Marçal não está fora do jogo

Folha de S. Paulo

Deve ser tarde para grandes mudanças, mas eleitor fiel ainda pode dar ao ex-coach uma chegada firme

Pablo Marçal chega aos dias finais de campanha numa crise de identidade. Entre um lance e outro do jogo sujo que catapultou sua candidatura, o influenciador usa uma voz mansa para confundir o eleitor. "Eu não quero lacrar, mas é minha única saída", declarou, menos de 24 horas após ser expulso de um debate. "Eu não sou esse idiota."

A estagnação nas pesquisas parece ter provocado um curto-circuito na campanha de Marçal. O candidato admite que ainda é dependente da baixaria que o projetou para o primeiro pelotão da disputa, mas também se vê obrigado a ensaiar gestos de suavização para estancar a disparada de seu índice de rejeição. Nenhuma das duas táticas deu muito resultado nas últimas semanas.

Vinicius Torres Freire – A droga das Bets e impostos

Folha de S. Paulo

Apostadores gastam R$ 25 bi por ano em jogo estatal e R$ 21 bi nas bets, só em agosto

Os brasileiros gastam R$ 25,4 bilhões por ano em apostas nas loterias estatais, administradas pela Caixa Econômica Federal: Mega, Lotofácil, Loteria Federal etc. É o que dizem os balanços da CEF dos últimos 12 meses.

Apenas no mês de agosto, os brasileiros apostaram R$ 21,1 bilhões nas bets, segundo estimativa preliminar do Banco Central, divulgada nesta terça-feira (24), estudo solicitado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM).

Do total do dinheiro apostado nas loterias federais, da CEF, 46,6% ficou com o governo nos últimos 12 meses, cerca de R$ 12 bilhões. De um modo ou outro, é imposto: parte é Imposto de Renda da Pessoa Física, parte é "destinação social". Isto é, dinheiro que vai para o governo, direcionado para INSS, fundos nacionais de segurança, esportes e um resto para cultura, saúde e educação. Os apostadores premiados levaram 33,9% do total arrecadado em apostas.

Luiz Carlos Azedo - A violência política de São Paulo à Baixada Fluminense

Correio Braziliense

O ódio de natureza ideológica, que marca a política brasileira nos últimos anos, mostra a cara, novamente, no processo eleitoral, do centro para a periferia

Vamos começar pela Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas, que coincide com a escala da guerra na Palestina e no Líbano, e a penúltima semana de campanha eleitoral no Brasil. Parece uma mistura de alhos com bugalhos, mas não é.

A gramática da democracia está ancorada nos conceitos de igualdade, liberdade, tolerância, direitos humanos e cidadania, a mesma das relações internacionais e das eleições democráticas. De Gaza, na Palestina, ao Vale do Bekaa, no Líbano; de São Paulo, a capital paulista, a Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, em princípio, "todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direito", como proclama o primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em 1948 — inspirada nas declarações de Independência dos Estados Unidos, em 1776, e da Revolução Francesa de 1789.