sábado, 8 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ministro condenado do STJ deve perder o cargo de juiz

Por O Globo

Punição a Marco Buzzi, acusado de crimes sexuais, será a primeira depois do fim da aposentadoria compulsória

A condenação do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acusado de assédio e importunação sexual, poderá resultar na primeira exclusão de um juiz da magistratura depois do fim da descabida “punição” com a aposentadoria compulsória. Buzzi foi condenado pelo voto unânime de 28 integrantes do colegiado do STJ. Desses, 24 decidiram pela aplicação da nova pena máxima, propondo a perda do cargo de juiz. Ele continuará recebendo salário, pois o caso não se encerra na decisão do STJ. A Advocacia-Geral da União deverá propor em até 30 dias uma ação ante o Supremo Tribunal Federal (STF). O STF decidirá então os efeitos práticos da condenação, como perda de cargo, salário e benefícios.

Morin e o futuro III, por Elimar Nascimento*

Revista Será?

O futuro como construção

Nos dois artigos anteriores apresentamos de forma breve, como este, duas das concepções de futuro do filósofo francês Edgar Morin, falecido aos 104 anos no dia 29 de maio de 2026. A primeira, o futuro inevitável – a morte, cuja recusa alimenta a criação do Homo Sapiens-Demens. A segunda, o futuro como incerteza, que alimenta a obra principal do autor em seis volumes (O Método) sobre o pensamento complexo. Este aborda a concepção do futuro como construção social.

Cedo ainda, nos anos 1960, Morin tem clareza de que a humanidade vive uma crise ímpar, de múltiplas dimensões. Em 1965 (Introduction à une politique de l’homme) ele sinaliza a crise do progresso técnico, que produz evoluções e involuções com a fragmentação do saber, a alienação consumista e o risco de autoaniquilação.

Mitigando vulnerabilidades, por Oscar Vilhena Vieira

Folha de S. Paulo

Temos testemunhado um perigoso processo de erosão da confiança da população no Poder Judiciário

É fundamental ampliar os mecanismos para detectar relações privadas que podem afetar a imparcialidade

O Judiciário está sob ataque de movimentos iliberais em diversas partes do mundo, alertou Margareth Satterthwaite, relatora especial da ONU para a Independência do Judiciário, em recente visita ao Brasil. Múltiplas têm sido as formas de minar a independência do Judiciário, como a perseguição e intimidação de juízes, restrição de competências, estrangulamento orçamentário, cooptação de magistrados, mas também a exploração das múltiplas vulnerabilidades do Judiciário.

No Brasil, temos testemunhado um perigoso processo de erosão da confiança da população no Poder Judiciário, exposto tanto a ataques externos, como a vulnerabilidades internas. Às forças comprometidas com a democracia cumpre defender o Judiciário dos inimigos da Constituição, assim como propor reformas voltadas à qualificação do sistema de Justiça.

Sob o fogo da diplomacia Donroe, por Demétrio Magnoli

Folha de S. Paulo

Trump e Milei invadiram a campanha eleitoral brasileira e se converteram em cabos eleitorais de luxo de Flávio Bolsonaro

Seria um erro, contudo, concluir que Lula colhe o que semeou

Trump e Milei invadiram a campanha eleitoral brasileira. Numa operação coordenada pela Casa Branca, converteram-se em cabos eleitorais de luxo de Flávio Bolsonaro. "Presidente não deve se envolver em eleição de outro país", lembrou Alckmin, em meio ao fogo.

São palavras simples, mas sábias. A interferência veicula desprezo pelo princípio da soberania nacional, que se expressa como soberania popular. Só vale no caso de ditaduras, onde os detentores do poder anularam os direitos do povo. Aí, é quase obrigação a solidariedade com dissidentes perseguidos (uma regra, aliás, que Lula ignora quando se trata de "ditaduras companheiras"). 

O cérebro autoritário, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Eduardo Bolsonaro diz que escolha de Gaspar para vice é escudo contra impeachment

Tal visão denota paranoia institucional, que é característica de personalidades autoritárias

Adorei a reação de Eduardo Bolsonaro à escolha do polêmico Alfredo Gaspar para disputar o cargo de vice na chapa do irmão: "Com Alfredo Gaspar não compensará fazer impeachment de Flávio Bolsonaro". Não é uma observação inédita. Bolsonaristas disseram praticamente a mesma coisa quando o general Hamilton Mourão foi escolhido para concorrer como vice de Jair em 2018.

Governo Lula versus BC nas eleições deste ano, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Crítica aponta contradição entre estímulos fiscais e cobrança ao Banco Central

Pressão eleitoral amplia disputa sobre a responsabilidade pelo endividamento

Pressionados pela repercussão negativa da aceleração da dívida pública às vésperas do início da campanha eleitoral, integrantes do governo federal acionaram as baterias para culpar o BC (Banco Central) pelo crescimento do endividamento em mais de 10 pontos percentuais ao longo de três anos e meio do governo Lula 3.

Mas imagine que você foi contratado para um emprego e o seu trabalho envolve apenas uma única tarefa: manter a temperatura da sala de trabalho em 20 graus Celsius.

Jogada de Eduardo Cunha em Minas derruba outsider Cleitinho, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Com 39% nas pesquisas, favorito ao governo do estado teve a candidatura negada

Espelho das eleições presidenciais desde a democratização, cenário mineiro está embolado

Ele brigou, chorou, rezou, apelou ao luto familiar. Mas até agora nada feito. Cleitinho –cuja presença agressiva nas redes o levou de vereador em Divinópolis (MG) ao Senado com 4 milhões de votos– é a primeira grande baixa nas eleições de 2026. Um favorito que foi sem nunca ter sido.

Com 39% nas pesquisas para o governo de Minas, Cleitinho teve sua candidatura negada pelo presidente do Republicanos, Marcos Pereira, devido à sua "instabilidade". Pereira disse que o partido "não pode submeter o povo a uma situação de insegurança". Conversa. Foi uma rasteira da política fisiológica em quem posa de outsider.

Teoria Geral de Keynes: 90 anos, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

A dificuldade não está nas ideias novas, mas em escapar das antigas

No Ano da Graça de 2026, a Teoria Geral de John Maynard Keynes completa 90 anos. A primeira edição do livro seminal do pensador inconformista foi publicada em fevereiro de 1936. Julgo conveniente iniciar este artigo com o prefácio da Teoria Geral:

“A composição deste livro tem sido, para o autor, uma longa luta de fuga, e a leitura dele deve ser, para a maioria dos leitores, um ataque bem-sucedido para escapar dos modos habituais de pensamento e expressão. As ideias expressas aqui, com tanto esforço, são extremamente simples e deveriam ser óbvias. A dificuldade não está nas ideias novas, mas em escapar das antigas, que se ramificam, para aqueles criados como a maioria de nós, para todos os cantos da mente”.

No célebre artigo O Fim do ­Laissez-faire­, Maynard ironizou a ideia de que a busca do interesse privado levaria necessariamente ao bem-estar coletivo. “Não é uma dedução correta, segundo os princípios da teoria econômica, afirmar que o egoísmo esclarecido leva sempre ao interesse público. Nem é verdade que o autointeresse é, em geral, esclarecido.”

O fator Mendonça, por André Barrocal

CartaCapital

O indicado por Bolsonaro ao STF faz de tudo para “equilibrar” o jogo eleitoral

A campanha presidencial começa no dia 16 na web e 28 na tevê. Flávio Bolsonaro chegará a ela com mais rejeição e menos intenção de voto nas pesquisas, tudo obra da revelação de sua intimidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, das maquinações da família a favor do “tarifaço” de Donald Trump e da briga com a madrasta. Derrotar Lula ficou mais difícil, arrastá-lo para a lama tornou-se uma necessidade. Para que o rechaço ao presidente suba, o senador planeja usar na propaganda eleitoral supostos áudios em que uma empresária-lobista encrencada cita Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do petista. Teria munição ainda contra o ex-chefe de gabinete de Lula no Palácio do Planalto, Marco Aurélio Santana Ribeiro, outra figura próxima da lobista. O roteiro de Flávio foi revelado em 31 de julho no ­ex-Twitter por um sujeito que se identifica como “Thom” e tem entre seus seguidores o senador e um blogueiro morador da Austrália, que é uma espécie de porta-voz do clã Bolsonaro nas redes sociais.

Diplomacia às favas, por Cláudio Couto

CartaCapital

O populismo de ultradireita também destrói as instituições internacionais

A semana que passou foi bastante atribulada em nossa política externa, numa amostra opulenta do que ainda vem pela frente nesse âmbito, ao menos até o fim da corrida eleitoral, em outubro. Claro que essas tribulações não começaram agora. Elas ocorrem desde o início dos governos de Donald Trump e seu títere no Cone Sul, Javier Milei. Contudo, não se pode ignorar a intensificação e a coincidência temporal dos ataques ao Brasil pelos dois presidentes populistas de ultradireita.

O baixo clero recua (por ora), por Maria Inês Nassif

CartaCapital

Desde a Constituinte, parlamentares da velha ordem aprimoram técnicas de assalto aos cofres públicos

O baixo clero sempre existiu, inclusive na ditadura. Também antes. Era constituído por parlamentares eleitos por votos clientelistas proporcionados pelos coronéis locais, os verdadeiros donos dos chamados “votos de cabresto” (sim, uma alusão ao arreio usado em animais, para guiá-los ou prendê-los, transposto para o eleitor). O chefe local dava as cartas: era o prefeito ou o escolhia. O chefe estadual mais forte era aquele capaz de arregimentar mais donos de votos. Em algum momento, esse chefão havia sido governador, em outro voltaria a sê-lo. As eleições para o governo de estado eram indiretas e o executivo “eleito” pelos deputados­ estaduais, os ungidos nos redutos sob seu controle. O depositário dos votos de cabresto elegia sempre a maior bancada federal e os senadores – e assim, conquistava o cartão de acesso aos gabinetes oficiais em Brasília, inclusive durante a ditadura, a que se associavam.

Preso e condenado, Jair Bolsonaro é solução e problema para a campanha do filho, por Laryssa Borges

Revista Veja

A sombra do pai sempre foi — e ainda é — o principal ativo do senador Flávio Bolsonaro

Centralizador, Jair Bolsonaro anunciou ainda em 2025 que a formação dos principais palanques para a campanha dos candidatos de direita nas eleições deste ano passaria pelo crivo dele. Condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente deu instruções sobre a formação das alianças estaduais, escolheu a dedo candidatos do PL ao Senado e, à revelia de conselheiros e para surpresa geral de ninguém, ungiu o primogênito como nome a defender seu espólio como candidato ao Palácio do Planalto. Até poucas semanas atrás, não havia decisão estratégica na campanha presidencial do filho que não passasse por consultas prévias ao antigo mandatário, mesmo preso em regime domiciliar e proibido de ter contato com quem quer que seja do mundo político, a não ser com sua esposa, Michelle, agora candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Nas últimas semanas, Flávio Bolsonaro promoveu até algumas correções de rota para aproximar ainda mais sua imagem e seu discurso aos do capitão. A sombra do pai sempre foi — e ainda é — o principal ativo do senador.

Solidão eleitoral, por José Casado

Revista Veja

Isolamento na campanha mostra o clã Bolsonaro em inédita vulnerabilidade

Flávio Bolsonaro tenta agrupar e liderar a direita que está fragmentada na disputa pela Presidência da República. Não conseguiu grande coisa, mas sobram oito semanas até a votação no domingo, 4 de outubro.

É caso curioso de político que não se emancipou, embora já tenha atravessado metade dos 45 anos de idade em mandatos no Legislativo. Ele segue dependente do sobrenome, seu principal ativo desde os 21 anos, quando o pai, na época deputado federal, conseguiu elegê-lo deputado estadual no Rio. Até hoje Flávio Bolsonaro evoca a figura do pai quando se apresenta aos eleitores, como se fosse um cartão de visita.

A tempestade vem de fora, por Murillo de Aragão

Revista Veja

Nunca a geopolítica pesou tanto na definição do futuro presidente

As eleições presidenciais brasileiras, ao menos desde o segundo mandato de Lula, sempre foram tumultuadas. Lula reelegeu-se em 2006 sob a sombra do mensalão. Dilma Rousseff, em 2010, foi a exceção: Lula gozava de popularidade tão vasta que teria eleito um poste. A reeleição de Dilma, em 2014, veio tisnada pelas manifestações de 2013, pela eclosão da Lava-Jato e pelo acidente que vitimou o candidato Eduardo Campos — e desembocou na tempestade perfeita de escândalos, descontrole fiscal e recessão que resultou no impeachment. Bolsonaro venceu em 2018 em meio à destruição do centro político, à facada e à prisão de Lula. E a eleição de 2022 teve disputa acirrada, atrito com o STF e uma transição tensa, marcada por vandalismo e ensaios de golpe.

Prudentinho*, por Ivan Alves Filho**

Sobre a Semana de Arte de 22, tenho uma ótima recordação de Prudente de Morais, neto, o organizador, ao lado de Sérgio Buarque de Holanda, da Revista Klaxon, o órgão modernista. Presenteei minha filha, Moema - historiadora da arte - com uma edição fac-similar da revista.  

Eu conheci o Prudente ainda na pré-adolescência, por volta de 1963-1964. Ele foi um querido amigo do meu pai. Prudentinho, como seu círculo mais próximo o chamava, participou do Modernismo como Pedro Dantas, seu pseudônimo literário. A meu conhecimento, nenhum crítico e/ou ensaísta literário reuniu, até o presente momento, seus escritos. 

Fica aqui a sugestão, se me permitem. Creio que Prudente publicou, em espanhol, um livro sobre a novela brasileira e nada mais. Prudente tinha uma grande admiração pelo Tropicalismo, movimento que considerava herdeiro da Semana de 22. Ele dizia que Caetano Veloso ainda seria reconhecido como uma figura ímpar da Cultura brasileira. 

Poesia | Amar é pensar, de Fernando Pessoa

 

Música | Rosa de Hiroshima - Ney Matogrosso