domingo, 2 de março de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Sociedade banca ações pouco transparentes de Itaipu

Folha de S. Paulo

Estatal gastou cerca de R$ 2 bilhões em convênios opacos e geridos por pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores

A conta de luz tem sido um dos principais fatores de pressão sobre a inflação neste início de ano. Segundo a prévia de fevereiro medida pelo IPCA-15, a alta do item alcançou impressionantes 16,3% —elevando o índice geral a 1,23%, o maior para o mês desde 2016.

O preço da energia sofre as mesmas consequências da alta carga tributária, como ocorre com combustíveis e alimentos. Mais de 40% do valor da conta são impostos indiretos e encargos. O restante corresponde a despesas com a geração e distribuição. Há, porém, custos nada transparentes, mas que acabam bancados por toda a sociedade em benefício de poucos.

Com desembolso de quase R$ 2 bilhões, a usina de Itaipu, por exemplo, firmou até julho passado mais de 120 convênios socioambientais desde a posse, há dois anos, do atual diretor-geral no Brasil da binacional, Enio Verri.

Reaprender a navegar é preciso - Carlos Melo

O Globo

Esperava-se um Lula capaz de compreender o espírito do tempo, vislumbrar o futuro, acelerar a História e dar o salto

O GLOBO publicou recente artigo — “Um governo navegado pelo mar” — em que apontei problemas no governo Lula. Dias depois, texto do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro — Kakay, amigo e apoiador do presidente — veio a público com diagnóstico constrangedor das dificuldades do presidente. Paralelamente, pesquisas apuraram maiores quedas na popularidade presidencial e explicitaram a tormenta no petismo.

Indiferente às críticas e apesar de alterações esperadas no ministério, Lula segue a delongar decisões que terá de tomar: definir as linhas de um projeto de futuro, realinhar o governo à maioria do Congresso e estabelecer vínculos efetivos com a sociedade do século XXI. A depender disso, encaminhar a estratégia da reeleição.

O rumo escolhido - Merval Pereira

O Globo

A escolha de Gleisi Hofmann mostra que a reforma ministerial anunciada por Lula não tem o objetivo de ampliar sua base

A escolha de Gleisi Hoffmann para o ministério das Relações Institucionais, que trata da relação política do governo com o Congresso, mostra claramente que a reforma ministerial anunciada por Lula não tem o objetivo de ampliar a base de apoio governista, nem de tornar realidade o governo de frente ampla prometido na campanha presidencial. Ao contrário, marca a confirmação de que o governo Lula 3 será mais do que nunca um governo de petistas, mesmo assim de uma parte dos petistas, não de todos.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não está contemplado nessa turma, pois tem sido frequente alvo de críticas de Gleisi. A explicação do ministro da Casa Civil, Rui Costa, para justificar a escolha parece bizarra. Diz ele que colocar a ex-presidente do PT no ministério é uma maneira de “proteger” Haddad, pois Gleisi não terá mais liberdade para criticar o ministro da Fazenda.

A marca que o tempo dará - Míriam Leitão

O Globo

Governo Lula será reconhecido por ter evitado o risco à democracia, mas isso não abona os erros da administração diária do país

O que mais se diz sobre o governo Lula é que ele não tem marca. Se fosse outro o resultado da eleição, a democracia brasileira estaria em extremo perigo. E mais, se o presidente Lula, no dia 8 de janeiro de 2023, tivesse caído na armadilha de decretar uma GLO, o que teria acontecido? No dia 20 de janeiro, ele foi visitar os Yanomami com oito ministros. Eles viviam um ataque sistemático, incentivado pelo governo anterior. O desmatamento caiu nos dois últimos anos. A pauta da educação era o homescholling. A saúde era anticiência. No futuro, quando se olhar para esse período, essa será a marca, a de ter confrontado essa tragédia. Mas o que as pessoas querem, naturalmente, é um governo que tenha melhor desempenho, e isso não se consegue com truques de marketing.

Há uma diferença muito forte entre o que teria sido a continuidade do governo Bolsonaro, com o projeto de destruição da democracia, e o governo Lula. Isso não dá a Lula indulgência plenária, mas é preciso ter isso em mente. Até porque muito teve que ser reconstruído. Houve um deliberado desmonte da máquina.

Uma girafa no Supremo - Elio Gaspari

O Globo

Boa parte deste ano será consumida pelo julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), do plano de golpe de 2022/2023. O inquérito está na mesa do ministro Alexandre de Moraes a partir de um critério que colocou o golpe no mesmo processo do 8 de Janeiro.

Entende-se que as invasões do Planalto, do STF e do Congresso foram parte de um plano golpista gestado meses antes. Os delinquentes de janeiro queriam a mesma coisa que os planejadores de um golpe logo depois da eleição de Lula, em novembro. É a velha questão: quem vem antes, o ovo ou a galinha? O planejamento do golpe seria a nascente e o 8 de Janeiro, a foz.

Apesar disso, no dia 8 de Janeiro Jair Bolsonaro estava nos Estados Unidos, e o grosso da documentação que instrui a denúncia dos golpistas refere-se a fatos ocorridos entre novembro e dezembro de 2022.

O bloco dos prefeitos-xerifes - Bernardo Mello Franco

O Globo

Orientados por marqueteiros, prefeitos criam fatos e factoides para se mostrar engajados na luta contra a criminalidade

Ricardo Nunes convocou a imprensa para inaugurar um “prisômetro”. O prefeito mandou instalar um painel digital no centro de São Paulo. Nele promete contabilizar, “minuto a minuto”, as prisões feitas pela Guarda Civil Metropolitana com o auxílio de câmeras de segurança.

O painel de lâmpadas de LED tem três metros de altura e um metro de largura. A pretexto de divulgar informações de interesse público, faz propaganda de uma vitrine do prefeito: o programa Smart Sampa, que espalhou 23 mil olhos eletrônicos pela cidade.

O projeto enfrenta críticas e questionamentos desde o lançamento. Seu primeiro edital foi suspenso pela Justiça por usar termos racistas e citar a cor da pele entre os critérios para identificar “suspeitos”. O documento também citava a “vadiagem” como motivo para prisões.

A cultura na era Trump - Dorrit Harazim

O Globo

Em seu primeiro mandato, nas noites de gala do Kennedy Center, Trump sempre deixara vazio o camarote reservado ao chefe da nação. Talvez por receio de ser vaiado, de não saber quando e se aplaudir ou por falta de apetite mesmo

Uma imagem gerada por inteligência artificial mostra Donald Trump em roupa de maestro e expressão enlevada, regendo uma orquestra de magnitude sinfônica. Foi postada recentemente por ele mesmo em sua plataforma Truth Social. Continha um anúncio: “Por unanimidade, o presidente Donald J. Trump foi eleito presidente do Conselho do prestigioso John F. Kennedy Center for the Performing Arts em Washington, D.C. Faremos [da instituição] um lugar muito especial e animado!”.

Somos todos venezuelanos - Sergio Fausto

O Estado de S. Paulo

Manter a mobilização da sociedade civil, quando o mais inofensivo ato de protesto pode levar à prisão, não é tarefa fácil

Antes do início de sua apresentação em evento online da Fundação Fernando Henrique Cardoso, em 13 de fevereiro, perguntei a María Corina Machado se ela se recordava da visita que nos havia feito em abril de 2014. A resposta surpreendeu a mim e a Celso Lafer, atual presidente da fundação, que fazíamos as honras da casa: sim, perfeitamente, foi a última vez que deixei a Venezuela, disse ela falando de lugar desconhecido em seu país, onde vive na clandestinidade desde agosto do ano passado, depois da colossal fraude eleitoral e da onda repressiva que se seguiu, quando a ditadura venezuelana se escancarou de vez.

Trump contra o Brasil - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Confronto entre empresas dos EUA e Moraes é parte da ingerência política de Trump no Brasil

Oque começou como embate entre duas empresas americanas e o ministro Alexandre de Moraes evoluiu para um ataque do Departamento de Estado à justiça e à democracia do Brasil e uniu os ministros do Supremo e também o Judiciário com o Executivo, em nome da soberania e da autodefesa nacional. Escalou, portanto, para um confronto político entre os dois países.

Quando a nota americana saiu, acusando o Brasil de decisões “incompatíveis com valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão”, houve dois movimentos rápidos. O chanceler Mauro Vieira articulou uma nota do Itamaraty em resposta, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro divulgava nas redes um texto a favor da nota de Washington e contra a posição brasileira.

O piloto vacila – Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Se é verdade que no Brasil o ano político e econômico só começa depois do carnaval, é preciso ver se é para apertar os cintos, especialmente depois que Zelenski foi humilhado na Casa Branca; Gleisi Hoffmann foi para a articulação política do governo Lula, mesmo após avaliações negativas de aliados do presidente Lula; e que a cotação do dólar saltou aqui para os R$ 5,91.

Após a Quarta-Feira de Cinzas três coisas vão acontecer no Brasil na área econômica. Na sexta-feira, dia 7, sai o PIB de 2024; quarta-feira, dia 12, o IPCA de fevereiro; e, por esses dias, o governo promete decisões para tentar reduzir a inflação que contribui para o derretimento da aprovação da administração Lula.

Mulheres e sociedade democrática - Jaime Pinsky*

Correio Braziliense

Nenhuma mulher gostaria de fazer um aborto, da mesma forma que nenhum cidadão gostaria de fazer uma cirurgia, mas ele não pode ser proibido. O que cabe a um Estado moderno é permitir o aborto e fazer com que os hospitais públicos sejam autorizados a realizá-lo

Uma das características do Estado Democrático é a separação entre o poder político e a religião. Embora esse não seja um assunto completamente resolvido, pois ainda há ranços de diferentes religiões em vários Estados nacionais, é possível afirmar que a liberdade religiosa é uma característica da democracia e a interferência do universo das crenças na organização política tende a criar problemas que não deveriam aparecer nos dias de hoje. A separação beneficia um e outro, Estado e religião.

Não tem mais nenhum sentido, no atual estágio de desenvolvimento histórico, uma pessoa tentar obrigar outra a acreditar. Se for algo comprovado cientificamente, não é questão de fé, pois é racionalmente demonstrável; se for uma questão de fé, exige a adesão de cada indivíduo. São verdades com origens diferentes, uma da razão, outra da revelação. Confundir, embaralhar fé e razão, não é razoável, como não é razoável questionar, racionalmente, as intenções de uma divindade, uma vez que isso tem a ver com fé, não com razão. 

Ainda estou aqui e o carnaval do ninguém segura este país – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

No ano em que o filme se passa, coube à Unidos de Padre Miguel abrir os desfiles de escolas de samba. Não havia Sambódromo, e a passarela era a Presidente Vargas

A arte existe porque a vida não basta, como dizia o poeta Ferreira Gullar. Em pleno domingo de carnaval, a arte brasileira pede passagem nos desfiles de escolas de samba e na sessão de premiação da 97ª edição do Oscar. Fernanda Torres e o filme do qual é protagonista, Ainda estou aqui, de Walter Salles Júnior, disputam três categorias do maior prêmio do cinema mundial: melhor atriz, melhor filme e melhor filme estrangeiro.

O Brasil vai sambar com um olho na Marques de Sapucaí e outro no tradicional Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia, onde ocorrerá a cerimônia do Oscar. O tapete vermelho será exibido ao vivo, a partir das 20h30, na telinha, enquanto a Unidos de Padre Miguel abrirá a passarela às 22h, com o enredo Egbé Iya Nassô. O Brasil vai parar para assistir a tudo isso, assim como aconteceu na "corrente pra frente" da Copa do Mundo de Futebol de 1970, no México, transmitida pela tevê.

O que fica, com ou sem Oscar – Patricia Machado*

Correio Braziliense

Quando um filme brasileiro sobre a ditadura circula no exterior, ele escancara o fato de que a construção da democracia no Brasil ainda é frágil, que há feridas abertas e que a impunidade dos crimes cometidos pelo Estado segue sendo uma questão latente

Escrevo este texto antes da cerimônia do Oscar. Mais do que celebrar vencedores ou avaliar a dinâmica da premiação, interessa-me pensar no que já foi movimentado por Ainda Estou Aqui desde o momento em que sua indicação foi anunciada. Há momentos em que o cinema é visto como uma forma de transformar realidades, de agir diretamente sobre o presente e sobre a maneira como os espectadores enxergam o mundo. Podemos lembrar do chamado cinema militante dos anos 1960, assim como de Jean Luc Godard, em maio de 1968, segurando uma câmera sem película e mostrando que o ato de filmar era, em si, um ato político. Uma imagem bonita que, talvez, atribua ao cinema mais do que ele pode oferecer. Contudo, se um filme não muda o mundo por si só, ele certamente pode mudar percepções. Pode nos fazer ver o que antes passava despercebido. Pode deslocar narrativas consolidadas e reativar debates que pareciam adormecidos.

Hipermalvadeza acima da razão social - Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

A personalização do poder é própria a sistemas em que a autoridade é alguém carismático que simboliza o Estado

Talvez sem relevância sociológica, é de interesse analítico uma curta frase em entrevista recente do ator Robert De Niro: Donald Trump não é um homem mau, e sim um malvado. A distinção fica mais clara em inglês, onde "bad character", mau, tem conotação diversa de "perverse person", "mean", "wicked", malvado, cruel. Faz sentido prático estabelecer diferenças dessa ordem, como quando se diz que a droga mata, mas o narcotráfico assassina. Por igual que seja o efeito danoso, na avaliação dos riscos sociais muda a estratégia preventiva.

De Niro já interpretou vários homens maus no cinema e bem sabe que a morfologia desse personagem comporta alguma coragem, capaz de ser aferida como virtude. Para enfrentar adversários, o mau precisa de um caráter, que pode oscilar entre o negativo e o positivo na percepção do público. Já o malvado está mergulhado em si mesmo, sem alteridade possível, como o Drácula lendário desprovido de reflexo no espelho, atuando como máquina humana tipo "idiot savant", o autista que incorpora um mecanismo computacional. Mas diferente deste, o malvado, agente ativo do caos, apenas destrói.

Lula mostra que não vai mudar - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Gleisi Hoffmann e plano Mais Petistas confirmam o que presidente faz desde o início do mandato

Gleisi Hoffmann vai liderar as negociações do governo com o Congresso e, parece, de alianças para a eleição de 2026. Vai para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI). A nomeação causou desânimo e consternação entre adeptos, amigos e críticos do governo.

Não se sabe com base em quais razões, essas pessoas esperavam que Luiz Inácio Lula da Silva reorientasse políticas e programas, o que ficaria evidente na reforma ministerial. Gleisi na SRI significa mudar para que tudo continue na mesma, sob o lulismo-petismo de estrita observância, pelo menos. Ou poderia ser mais, como se especula. Seria sinal de que Lula 3 vai ser mais conflituoso e isolado. No limite, Lula jogaria mais gasto e crédito nas caldeiras econômicas a fim de se reeleger.

Opção preferencial pelo embate – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Lula falava sério quando disse que precisava de mais agressividade no governo

A escolha de Gleisi Hoffmann (PT) para comandar a articulação política mostra que o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) não usou de força de expressão quando disse que precisava de "mais agressividade" no governo.

A menos que a nova ministra tenha uma identidade secreta a ser revelada na função, Lula parece ter desistido de aplacar ânimos e fez opção preferencial pelo enfrentamento.

À primeira vista não dá para entender, como, de resto no mundo político, ninguém entendeu qual é o plano do presidente para atender às seguintes urgências: desanuviar o ambiente no Congresso, garantir alianças para 2026, fortalecer o ministro Fernando Haddad (PT) e ampliar o governo ao centro.

A indicação de Gleisi sinaliza o oposto. Por óbvio, a repercussão no Parlamento foi negativa. Uma decisão surpreendente para o desenho de uma equipe palaciana onde Rui Costa (PT) já é objeto de desagrado explícito por parte do Legislativo e de outros ministros.

Gleisi comandará negociação das verbas com o Congresso - Raphael Di Cunto

Folha de S. Paulo

A decisão do presidente Lula (PT) de entregar a articulação política do governo à presidente do PT, Gleisi Hoffmann, deixa o partido na gerência do cofre de emendas, estabelece postura mais incisiva na relação com o Congresso e mira a construção de palanques regionais para 2026.

O movimento é um balde de gelo para políticos de centrão, mercado financeiro e integrantes da equipe econômica, ao deixar claro que a reforma ministerial não terá a abrangência e direção por eles desejadas.

As mudanças nos ministérios, na visão desses atores, seriam a chance de um chacoalhão no governo, com a saída de Rui Costa da Casa Civil e a "despetização" do Palácio do Planalto. A expectativa cresceu quando Lula despencou nas pesquisas de popularidade. Mas o presidente resolveu ir no sentido contrário.

O novo momento das emendas parlamentares, com mais transparência sobre os autores, dificultará a gestão de maiorias pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do SenadoDavi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Trump se rende a Putin e demonstra sua 'energia masculina' - Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Presidente dos EUA e seu cúmplice J.D. Vance tentaram humilhar presidente da Ucrânia no Salão Oval da Casa Branca

Em seu primeiro mês de mandato, Donald Trump demonstrou sua "energia masculina" ameaçando invadir o Panamá e se rendendo incondicionalmente à Rússia.

Na sexta-feira, Trump e seu cúmplice J.D. Vance tentaram humilhar o presidente da Ucrânia no Salão Oval da Casa Branca. Diante das câmeras, e como parte do acordo de rendição americana, trataram Zelenski como se ele fosse um puxa-saco traidor de sua pátria, um Pétain, um Quisling, um Jair Bolsonaro.

Zelenski fez bem em recusar o papel.

Ateliê Humanidades & IEPfD | Diálogos com Marco Aurélio Nogueira com Guilherme Casarões

 

Poesia |Tecendo a manhã, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | Paulinho da Viola - Foi um Rio que passou em minha vida

 

sábado, 1 de março de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Trump estarrece o mundo ao humilhar Zelensky

O Globo

Sem poder confiar nos Estados Unidos, será mais difícil conter Putin e outras ameaças à paz mundial

O mundo jamais viu cenas como a que opôs, em pleno Salão Oval da Casa Branca, o presidente americano, Donald Trump, e seu vice, J.D. Vance, ao ucraniano Volodymyr Zelensky, convidado a assinar um acordo de cooperação que permitisse aos americanos explorar minério ucraniano, em troca, desejavelmente, de apoio militar e de negociações capazes de encerrar a guerra contra a Rússia. Em vez disso, Trump e Vance humilharam Zelensky com truculência inédita diante das câmaras. As imagens já têm lugar na História como evidência da guinada que o governo americano imprime à política internacional.

Zelensky compareceu à reunião na Casa Branca ainda que tivesse sido forçado a concordar com termos menos vantajosos no documento que assinaria — não havia garantia de segurança dos Estados Unidos à Ucrânia. Mesmo tendo cedido, o clima foi tenso. Trump criticou Zelensky por odiar o russo Vladimir Putin, responsável pela invasão da Ucrânia. Quando o ucraniano argumentou que não se deve confiar em Putin, porque ele já quebrou várias promessas, Vance respondeu dizendo que aquilo era um desrespeito a Trump. Daí em diante, Zelensky foi atacado até o fim. No final, humilhado pelos anfitriões, não assinou nada. Numa rede social, agradeceu a Trump e escreveu: “A Ucrânia precisa de paz justa e duradoura, e estamos trabalhando exatamente para isso”. Lideranças europeias reagiram em uníssono em apoio a ele.

Os tambores de Milton - Eduardo Affonso

O Globo

Sob o manto da Portela, pelas lentes da Flávia Moraes, é como se o Brasil fizesse um travesseiro dos seus braços

Lá vem Portela, com Milton em seu altar. Lado a lado, a águia altaneira e o passarim preto de terno azul e branco. E, quando o solidário que não quer solidão emergir daquele rio de asfalto e gente, os tambores de Minas soarão.

Soarão como samba trazendo alvorada, feito uma reza, um ritual. Com sabor de vidro e corte, com cheiro de cravo e canela, para lembrar que o azul e branco da Portela é o mesmo do Cruzeiro. (Milton merecia um samba feito por Paulinho da Viola e Paulo César Pinheiro.) Que falasse dos bailes da vida, do Beco do Mota, dessa gente que ri quando deve chorar — e inventasse na avenida um cais ligando Minas ao Rio, ao mar. Um samba para mostrar à arquibancada que o que importa é ouvir a voz que vem do coração e para deixar mestre-sala e porta-bandeira com a roupa encharcada — e a alma repleta de chão.

Um samba que trouxesse, como puxadoras, Elis, Gal, Lília, Rita Lee e juntasse — numa esquina da Sapucaí, a lembrar que nada será como antes, amanhã — os irmãos Borges, Bituca, Beto, Bastos, Brant. Que abrisse as janelas ao negro do mundo lunar e não nos deixasse esquecer que todo amor é sagrado, que qualquer maneira de amor vale amar.

Governo x BC: quem leva? – Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Enquanto o Banco Central eleva juros para conter a demanda (e a inflação), Lula só pensa em distribuir mais dinheiro, aumentar o gasto público e facilitar o crédito

Há uma contradição entre a política econômica do governo Lula e a política monetária do Banco Central. Pode parecer estranho para muita gente. Afinal, o BC não faz parte do governo? Para complicar ainda mais, a resposta a essa pergunta é mista: sim e não. Sim, porque os diretores do BC são nomeados pelo presidente da República. Não, porque os diretores do BC têm mandatos de quatro anos, isso desde 2021, quando se aprovou a lei que garantiu autonomia à instituição financeira.

A lei fixa também os objetivos do BC, basicamente controlar a inflação e colocá-la na meta. O BC é independente para aplicar a política monetária, seguindo o regime de metas de inflação. Bem resumido, funciona assim: quando a inflação está em alta, a instituição financeira sobe os juros; e inversamente. Aqui aparece a contradição.

Soberanias em conflito – Pablo Ortellado

O Globo

O debate sobre se as decisões de Moraes são razoáveis ou excessivas em relação à plataforma Rumble precisa ocorrer dentro do Brasil, pelas vias institucionais apropriadas

As plataformas de mídia social Rumble e Truth Social (a segunda de propriedade do presidente americano, Donald Trump) processaram o ministro Alexandre de Moraes nos Estados Unidos acusando-o de violação da soberania americana, sob o argumento de que extrapolou sua autoridade ao tentar impor censura extraterritorial sobre empresas do país. A decisão da juíza, que considerou o processo prematuro, foi noticiada, nos Estados Unidos, como vitória da Rumble e, no Brasil, como vitória do ministro Alexandre de Moraes. O caso escalou com uma nota da embaixada americana afirmando que “bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar indivíduos que lá vivem é incompatível com os valores democráticos”. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil respondeu dizendo que “o Departamento de Estado distorce o sentido das decisões do Supremo Tribunal Federal, cujos efeitos destinam-se a assegurar a aplicação, no território nacional, da legislação brasileira pertinente”.

América corrupta ‘again’ - Miguel Reale Junior

O Estado de S. Paulo

Trump ordenou a suspensão da lei antissuborno, com a desculpa de que isso significará mais negócios para os EUA

Após o escândalo de Watergate, o Congresso americano decidiu enfrentar o tema sabido da corrupção de agentes políticos ou administrativos no exterior, como forma de obter ou manter negócios.

Lembra Mike Koehler ( The story of FCPA Act) que a Gulf Oil fez contribuições para a campanha política do presidente da República da Coreia; Northrop realizou pagamentos a general da Arábia Saudita; a Exxon e a Mobil Oil deram dinheiro a partidos políticos italianos. Por fim, Lockheed fez pagamentos ao primeiro-ministro japonês Tanaka e ao príncipe Bernhard – inspetor-geral das Forças Armadas holandesas e marido da rainha Juliana, dos Países Baixos.

Os pagamentos foram feitos para ganhar vantagens, especialmente na obtenção ou manutenção de contratos governamentais ou para influenciar qualquer ato ou decisão de funcionário estrangeiro.

Os próximos quatros anos - André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

O grande acordo a ser perseguido é aquele a ser assinado com Pequim. Trump quer criar um G2. Um pacto entre os novos donos do mundo

Faltam três anos e 11 meses para que o governo Trump termine. Ao longo desse período, o bronzeado político norte-americano vai causar muitos estragos nos Estados Unidos — onde está promovendo o desemprego em massa de funcionários públicos — e no exterior, por intermédio de suas sobretaxas aplicadas sem qualquer critério ou negociação prévia. Ele não quer saber das consequências. É o cowboy norte-americano correndo pelas pradarias, matando índios, invadindo países, expulsando comunidades inteiras para construir hotéis de luxo, como sonha fazer em Gaza, em nome da reafirmação da importância do capital. O negócio é fazer dinheiro. O Deus é o dólar.

Trump já deu um golpe? - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Erosão institucional já está contratada, mas ditadura escancarada é pouco provável

Patrícia Campos Mello, como sempre, levanta ótima questão. Já dá para chamar de golpe o que Donald Trump está fazendo nos EUA?

A própria Patrícia, recolhendo comentários de historiadores, cientistas políticos e outros analistas, constata que é crescente o número de especialistas, da esquerda e da direita, de Timothy Snyder a Anne Applebaum, que classificam algumas das ações de Trump como ruptura institucional, que é uma das definições de golpe.

Existem golpes insofismáveis, como quando militares destituem um presidente (Chile, 1973) ou quando um presidente fecha o Legislativo e o Judiciário (Peru, 1992), mas, especialmente nos dias de hoje, a maior parte das descontinuidades constitucionais se desenrola de modo mais ambíguo.

O dia em que a Otan acabou - Demétrio Magnoli

Folha de S. Paulo

Sob Trump, Europa navega em águas desconhecidas e precisa erguer edifício de segurança independente

O reality show da humilhação de Zelenski promovido por Trump, no Salão Oval, concluiu a ruptura entre EUA e Ucrânia e o alinhamento da Casa Branca à Rússia de Putin. O evento, salpicado por ameaças, insultos e acusações, segue-se às negociações bilaterais EUA/Rússia sobre o futuro da Ucrânia, às declarações de Trump atribuindo aos europeus a responsabilidade por garantias de segurança ao país invadido e ao voto pró-russo dos EUA na ONU. O conjunto da obra assinala o virtual desmoronamento da Otan.

A Aliança Atlântica ainda existe no papel, mas perdeu sua alma, expressa no artigo 5 do tratado fundador que classifica um ataque militar contra qualquer de seus integrantes como agressão a todos. O artigo anulou, no plano geopolítico, a separação geográfica entre EUA e Europa pela vastidão do Atlântico. De agora em diante, volta a existir, nas palavras de Trump, "um maravilhoso oceano" dissociando a superpotência norte-americana das nações europeias.

Trump assume a direção da escola de ditadores - Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Brasil que se cuide com o projeto expansionista que ameaça Canadá, Groenlândia, Ucrânia...

A política dos EUA é agressiva e barulhenta. Trump adaptou a receita dos autocratas que estiveram e estão por aí, cada dia em maior número. Gatos que convivem bem no mesmo saco, apesar dos disfarces ideológicos. nicolas Maduro, Ortega, Bukele, Milei, Erdogan, NetanyahuPutin, Bolsonaro formam uma escola de ditadores. Maquiados de democratas, corroem a máquina do Estado para controlá-la e utilizá-la como arma de repressão.

O roteiro trumpista inclui demissão em massa de funcionários públicos, substituindo-os por aliados; enfraquecimento de agências e mecanismos de controle; imposição de tarifas e adoção de ferramentas econômicas para incentivar certos setores (criptomoedas); assédio judicial; saída de organismos internacionais; ausência de cooperação em temas como aquecimento global.

Homenagem ao papa Francisco - Luiz Gonzaga Belluzzo*

O pontífice rejeita as formas de religiosidade que deságuam no “consumismo do sagrado”

A saúde debilitada do papa Francisco impulsionou meus neurônios a relembrar suas palavras, em uma mensagem aos cristãos:

“Vigiemos o narcisismo e o exibicionismo, baseados na vanglória que levam também nós cristãos a ter sempre nos lábios a palavra ‘eu’ : ‘eu fiz isto, eu havia dito, eu havia entendido’. Onde há muito eu, há pouco Deus.”

Narcisismo, exibicionismo e autoritarismo são as marcas registradas de Donald Trump. Enquanto Donald Trump tomava posse em Washington para o exercício de seu primeiro mandato, Francisco concedia no Vaticano uma longa entrevista ao El País, em que pedia prudência ante os alarmes acionados com a chegada do egótico presidente dos Estados Unidos – “é preciso ver o que ele faz; não podemos ser profetas de calamidades” –, embora advertindo que, “em momentos de crise, o discernimento não funciona” e os povos procuram “salvadores” que lhes devolvam a identidade “com muros e arames farpados”.

Unidos do superávit primário - Marcus Pastana

Viva! Chegou! É Carnaval! Esquentem os tamborins, cuícas, surdos e repeniques. A vida continua e a economia ficará na marcação, esperando as decisões de março. Apesar de seus efeitos impactarem a vida de cada brasileiro, a discussão econômica não é nada popular. Alguém aí conhece algum bloco de carnaval chamado “Unidos do Superávit Primário” ou “Grêmio Recreativo Amantes da SELIC”?  Será que a economia vai ou não atravessar o samba em 2025?

O ano começou com a inflação em alta. Os juros deverão crescer ainda mais. Teremos uma inflação fora dos trilhos acima de 5,5%. O dólar deu um refresco e chegou ao carnaval no eixo dos 5 reais e setenta e cinco centavos. O Brasil não será punido pelos jurados em função das políticas monetária e cambial. A harmonia proporcionada pelo câmbio flutuante, pelas metas inflacionárias e a autonomia operacional do Banco Central asseguram um bom desempenho dessas alas no desfile da escola.

Poesia | Canavial, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | Alceu Valença - Hino do Galo da Madrugada

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Departamento de Estado erra ao criticar Supremo

O Globo

Governo americano se manifestou em conta oficial sobre decisão da Justiça brasileira relativa às redes sociais

Foi correto o repúdio do Itamaraty à manifestação do Departamento de Estado americano sobre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro. O Ministério das Relações Exteriores emitiu nota em que diz rejeitar “com firmeza” uma crítica da diplomacia americana à decisão do ministro Alexandre de Moraes ordenando a suspensão da rede social Rumble. Moraes depois reagiu afirmando que a relação entre os países deve ocorrer sem “coação” ou “hierarquia”. “Deixamos de ser colônia em 7 de setembro de 1822”, afirmou. Ele tem razão, mas não era preciso o rompante nacionalista para dizer o óbvio: no Brasil democrático mandam as leis brasileiras.

É a primeira vez que o Departamento de Estado se manifesta sobre decisões da Justiça brasileira a respeito da operação de redes sociais no Brasil. Moraes já determinara a suspensão das operações do Telegram e do X em território nacional, diante da recusa em suspender perfis ou bloquear conteúdos considerados criminosos pela lei brasileira, como a disseminação de desinformação eleitoral ou propaganda golpista. Nos dois casos, as redes puderam voltar ao ar assim que as plataformas cumpriram as ordens judiciais. E o Departamento de Estado nada disse.

A longa batalha dos democratas - Fernando Luiz Abrucio

Valor Econômico

Vários grupos que aceitam as soluções simplistas e autoritárias dos extremistas querem apenas sementes de esperança. É possível fornecê-las sem ser populista ou defender o extermínio do outro

Desde o final da Guerra Fria, nunca houve um momento tão difícil para a luta democrática. Em várias partes do mundo surgem fortes oponentes à democracia, como nos Estados Unidos, na Alemanha, na França, na Argentina e no Brasil. E mesmo quando extremistas perdem eleições ou não conseguem implementar suas propostas autocráticas, continuam como uma força política relevante e à espreita numa guerrilha contra o sistema político. Não é possível decretar, ainda, a derrota dos democratas, que têm vencido em muitos casos, embora não em todos. Mas também não se pode ignorar o fôlego e o enraizamento desse novo autoritarismo. Uma longa batalha pode ser nosso horizonte.

O novo cenário surgiu depois de uma longa onda de democratização de diversos países pelo mundo, para usar a definição célebre de Samuel Huntington, que se iniciou na segunda metade da década de 1970 e foi até os anos 1990. Chegou-se a acreditar numa vitória definitiva do modelo liberal-democrático. Mas mesmo nesta época havia críticas acadêmicas e de grupos políticos sobre as insuficiências da democracia, procurando construir propostas para reformá-la e melhorar seu desempenho.

O que se vive nos últimos anos é um clima de opinião completamente diferente. Muitos atores políticos e sociais relevantes não querem reformar a democracia. Ela é um empecilho às suas ambições antissistêmicas e autocráticas. Os adversários dos extremistas - ou inimigos, adequando mais o termo à sua lógica belicista - são, em geral, defensores da democracia.

José de Souza Martins - Anomalias dinásticas na política

Valor Econômico

Pais legam a filhos e parentes um suposto direito de sucessão na política por meio dos muitos mecanismos que contaminam e usurpam o protagonismo democrático do cidadão

Dos muitos subentendidos da estrutura do Estado brasileiro e da decorrente política que o caracteriza é possível destacar que o sujeito indireto do processo político não é aqui o cidadão. É cada família dos poderosos. Herdados do Império, a República perfilhou nosso familismo político e o oligarquismo interiorano e rural. Colocam nosso regime anômalo num permanente limiar do atraso.

Pais legam a filhos e parentes um suposto direito de sucessão na política através dos muitos mecanismos que entre nós contaminam e usurpam o protagonismo democrático do cidadão. Muitos candidatos são voz e vontade de parentelas, distribuídos por diferentes níveis da organização política. O eleitorado formalmente moderno manipulado para a farsa do poder do atraso.

Novos e emergentes protagonistas enfrentam de maneira desigual e desfavorável quem já está no poder, os que têm a seu favor o direito a recursos do Estado, que os demais não têm.

Em inflexão, Lula ajusta discurso às pesquisas - Andrea Jubé

Valor Econômico

Em entrevista, presidente constrói novo discurso sobre o combate à violência

“É importante colocar os bandidos na cadeia”, exortou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nessa quinta-feira, em entrevista ao programa “Balanço Geral Litoral”, da TV Record, especializado em casos policiais. Não parecia o mesmo presidente, que raramente aborda temas como violência e criminalidade em suas falas.

Era o mesmo mandatário petista, porém, envergando um novo figurino, mais apropriado ao choque de realidade causado pelas recentes pesquisas de opinião que identificaram uma queda expressiva e inédita na avaliação do governo.

No mesmo programa de TV, ao estilo “Cidade Alerta”, Lula afirmou que o governo quer fazer uma “revolução” na segurança pública, e criticou governadores - em um recado velado ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil) - que se opõem à proposta do governo federal de ampliar as atribuições da Polícia Federal (PF) e de modernizar a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Rejeição de Lula alavanca candidatura de Tarcísio – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A avaliação do governo Lula contrasta fortemente com a dos governadores pesquisados pela Genial/Quaest, que estão com 60% de aprovação, em média

Engana-se quem vê o ex-presidente Jair Bolsonaro como a sombra que ofusca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O maior concorrente do petista é o Lula do segundo mandato. Esse é o preço de uma campanha eleitoral para voltar ao poder sem um programa de metas de acordo com a nova realidade e calcado no resgate de sua gestão anterior. A "reconstrução" do slogan do governo, em tese, uma crítica ao desmonte das políticas sociais pelo governo Bolsonaro, tem como mensagem subliminar exatamente isso, a volta ao passado de 2010, o que é impossível 15 anos depois.

Lula está na situação do Príncipe que já não pode contar com a Fortuna, um contexto histórico favorável, e depende apenas de suas próprias virtudes para se manter no poder, como diria o velho e indispensável Nicolau Maquiavel. A conjuntura é completamente adversa, esgotou-se a possibilidade de navegar num ambiente econômico de expansão da globalização e de mudanças demográficas favoráveis (a ampliação do número de pessoas com renda própria nas famílias). Mas ainda há a soberba reinante na "jaula de cristal" do Palácio do Planalto: "Tem gente que só vem aqui para nos ensinar a governar".

Voo eleitoral depende de Bolsonaro - César Felício

Valor Econômico

Assim como governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), o de São Paulo tem sua avaliação de governo contaminada pela polarização nacional

Apenas o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), têm sua avaliação de governo contaminada pela polarização nacional, segundo pesquisas Genial/Quaest realizada nos oito maiores colégios eleitorais do país. Nos demais seis Estados, não há uma vinculação entre o lulismo ou o bolsonarismo em relação ao quadro local.

O indicativo é um sinal importante para calcular a estratégia de Tarcísio em relação às eleições de 2026. Seja em uma eventual disputa presidencial como em uma nova candidatura à reeleição, ele não tem como se desvencilhar do bolsonarismo.