Folha de S. Paulo
Casos de feminicídio batem recorde e passam
de 1.500 em 2025
Só El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia
matam mais que o Brasil
A fúria, a misoginia e a raiva expressas nos
altos índices de feminicídio,
estupro e violência contra
as mulheres são sintomas de uma epidemia que acomete um número cada vez maior
de homens e faz do Brasil um país que não ama as mulheres.
Os casos de feminicídio bateram recorde nos dois últimos anos. Em 2024, foram 1.459 vítimas. Em 2025, o número subiu para 1.568, ou seja, uma média diária de quatro mulheres assassinadas (Ministério da Justiça e Segurança Pública) pelo marido, companheiro, namorado, pelos "ex-", ou pelo próprio pai.
São números absolutos que nos colocam na
aterrorizante e escandalosa quinta colocação no ranking global de nações que
mais matam mulheres —atrás de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia (Alto
Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos). Importante lembrar
que nós, mulheres, somos a maioria (51,5%) do povo brasileiro (IBGE).
Quando aplicados marcadores de raça, a
conexão entre o feminicídio e as desigualdades de caráter étnico-racial fica
evidente, pois as pretas e as pardas são as principais vítimas. Segundo o
estudo "Retrato dos Feminicídios no Brasil" (Fórum
Brasileiro de Segurança Pública), 62,6% dos corpos tombados por esse
crime hediondo entre 2021 e 2024 eram de mulheres negras; 36,8% de brancas;
0,3% de indígenas; e outros 0,3% de amarelas.
Além disso, a quantidade de brasileiras com
"muito medo de sofrer um estupro" aumentou, passando de 78%, em 2020,
para 82%, em 2025 (Instituto Patrícia Galvão). Não é para menos, já que no ano
passado foram registrados 83 mil casos de estupro, ou seja, um estupro a cada
seis minutos (Ministério da Justiça). E tudo indica que a situação é ainda pior
e mais grave se considerarmos o fator subnotificação.
Em que pesem as várias conquistas femininas
nas últimas décadas, a luta histórica das mulheres por direitos (sobretudo à
vida), equidade de gênero e respeito nunca foi tão atual, necessária e urgente.
Fica a pergunta: até quando o Brasil será um
país que não ama as mulheres?

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