quarta-feira, 17 de junho de 2026

Pré-candidatos fazem promessas vagas de ajuste fiscal em 2027, por Idiana Tomazelli

Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro (PL) defende 'tesouraço', e auxiliares de Lula (PT) acenam com revisão de gastos

Sem detalhes de eventuais medidas, resultado será grave crise ou estelionato eleitoral

desequilíbrio das contas é uma realidade concreta, a ponto de os dois principais pré-candidatos à Presidência ou o seu entorno precisarem acenar com ajuste fiscal a partir de 2027. Isso agrada a Faria Lima, mas não nos enganemos: são promessas vagas o suficiente para evitar qualquer possível desgaste com a maioria que vota.

O senador Flávio Bolsonaro (PLdefende há meses um "tesouraço" nas despesas, mas não diz o que pretende cortar se for eleito. O ministro Dario Durigan (Fazenda), hoje o principal auxiliar de Lula (PT) na área econômica, fala em revisão de gastos obrigatórios, mas tampouco detalha o que mudaria.

Idealmente, o eleitor deveria ser esclarecido sobre tais planos para decidir de forma consciente. Na prática, ninguém vai querer aprofundar o debate agora, pois pode desaguar em desvinculação entre benefícios e salário mínimo, extinção de políticas desfocalizadas e outras medidas que só subtraem votos em vez de agregar.

O passado recente ainda nos permite duvidar da verdadeira disposição de ambos os lados para enfrentar o problema. O governo Lula abriu os cofres para conter preços de combustíveis e ofertar crédito barato, a pretexto de minimizar efeitos da guerra no Irã e impedir uma freada brusca na economia. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador, permitiu a expansão das emendas parlamentares, menos eficientes e em alguns casos protagonistas de esquemas de corrupção. Além disso, acionou o modo turbo nos gastos nas eleições de 2022.

Mesmo que não sejam promessas vazias, o Congresso está aí para mostrar que apoia o ajuste fiscal até a página dois. Quando quer fustigar o governo ou atender ao mercado, cobra gestão séria das contas, mas quando vê na berlinda o privilégio de grupos aliados, reage para manter tudo como está ou até ampliar as benesses.

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Essa equação complexa só pode produzir dois resultados: uma grave crise ou um estelionato eleitoral. Em 2015, tivemos os dois.

 

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