quarta-feira, 17 de junho de 2026

Eduardo Bolsonaro produziu e divulgou provas que o condenaram, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Na segunda-feira, Eduardo Bolsonaro abasteceu as redes sociais com um vídeo num clube de tiro americano. De boné e camiseta, o ex-deputado se exibiu disparando com três armas: uma pistola, um fuzil e uma metralhadora. Não parecia preocupado com o julgamento marcado para o dia seguinte no Brasil.

O Zero Três foi denunciado pelo crime de coação no curso do processo. Ao pedir sua condenação, o subprocurador-geral Antônio Edílio Magalhães disse que o caso era “relativamente simples”. O próprio réu produziu as provas contra si mesmo, em entrevistas, declarações e postagens virtuais.

Eduardo abandonou o país e o mandato em fevereiro de 2025. Ao desembarcar nos Estados Unidos, anunciou que sua nova “meta de vida” era articular medidas contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Não se pode dizer que a missão tenha sido um fiasco. Usando seus contatos no governo Trump, o Bananinha conseguiu o tarifaço contra o Brasil, a revogação do visto americano de oito ministros do Supremo e a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes. Para seu azar, o Supremo não se curvou à chantagem e condenou o capitão pela tentativa de golpe.

Em gravação exibida no julgamento de ontem, Eduardo admite que a campanha causaria “sacrifício” à economia de seu país. “Na megalomania criminosa, o réu acha que os brasileiros deveriam aceitar o sacrifício do tarifaço em favor da impunidade do pai dele”, criticou Moraes. A ministra Cármen Lúcia observou que o ex-deputado fez questão de documentar o “percurso criminoso” para coagir o Supremo.

Eduardo se recusou a indicar um advogado, o que forçou a Defensoria Pública da União a representá-lo na Corte. O Zero Três vive numa mansão de R$ 6 milhões no Texas, mas obrigou o contribuinte brasileiro a bancar sua defesa. No ano passado, ele já havia recebido salário da Câmara sem trabalhar.

Condenado e inelegível, o ex-deputado deve continuar na terra dos caubóis para não ser preso. Terá tempo de sobra para treinar a mira e encenar o papel de vítima na internet.

 

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