O Estado de S. Paulo
Governo americano quer que Brasil conceda anuência para receber Daniel Perez
Empresários brasileiros acreditam que a crise
entre Brasil e Estados Unidos ainda não chegou ao ápice e estão preocupados.
Fontes do setor privado contaram à coluna que receberam um alerta de
funcionários do Departamento de Estado do governo americano. Em conversas
reservadas, diplomatas americanos confidenciaram aos empresários que a ordem é
escalar se o Brasil não conceder em breve a anuência para receber Daniel Perez,
que foi indicado por Donald Trump para ocupar a embaixada em Brasília.
Nesta semana, o governo americano revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Ela não foi expulsa, mas perdeu o direito de entrar e sair do país. A justificativa americana é que o Brasil estaria segurando o “agrément” (termo em francês para o aval para a entrada de um embaixador) de Perez.
Ainda não se sabe o que mais os EUA poderiam
fazer, mas o receio é de uma nova rodada de retirada de vistos de autoridades
brasileiras ou até da retomada da Lei Magnitsky contra ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes já foi sancionado, mas
teve as restrições levantadas.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL),
filho de Jair Bolsonaro (PL), declarou publicamente que vem trabalhando pela
retomada das sanções da Magnitsky. Os EUA já retiraram o visto diversas
autoridades brasileiras, incluindo ministros de Estado.
A pressão sobre o Brasil prometia aumentar
ainda mais com uma votação no Senado americano prevista para ontem. O governo
de Donald Trump enviou para o Congresso 19 indicações da Casa Branca para
representações diplomáticas, incluindo a de Perez. Com o aval do Congresso
americano, a situação do Brasil fica ainda mais delicada.
O governo brasileiro dificilmente vai
conceder o “agrément” de Perez antes da eleição presidencial. A posição é que
os EUA feriram a praxe diplomática ao revelar o nome do embaixador antes do
aval do país anfitrião. Além disso, Perez é conhecido por ser ligado a ala mais
radical do trumpismo, o que poderia aumentar o risco de interferência no pleito
por aqui.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
no entanto, deu um sinal de tentativa de conciliação ao contar em conversas
reservadas com políticos que pretende tentar entrar em contato com Trump.
No setor privado, o clima é apreensão. A
crise não interfere diretamente na área comercial, mas dificulta qualquer
negociação para a retirada do “tarifaço”. Vários produtos brasileiros estão
sujeitos a uma sobretaxa de 37,5% para entrar nos Estados Unidos – só perdendo
para a China. •

Um comentário:
A crise já interferiu na área comercial.
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