O Estado de S. Paulo
Flávio recuperou fôlego e Lula não é imbatível, mas muita água (suja) ainda vai rolar
Quando o governo Trump anunciou a suspensão
do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, um sagaz
diplomata ironizou, ou efetivamente previu: “E ainda estamos em agosto...” Sim,
as várias tensões só vão piorar até outubro, e não só na política externa, mas,
principalmente, nas campanhas e nas eleições.
A conclusão da pesquisa Quaest desta semana é clara: Flávio Bolsonaro recuperou fôlego e Lula não é imbatível. Apesar do favoritismo do presidente, as margens são apertadas, se movem de acordo com fatos, novidades e versões. Logo, muita água (suja) vai rolar.
Mal ou bem, Flávio se reaproximou de Michelle
Bolsonaro e conseguiu amenizar o estrago do vídeo em que ela reclama de ser
maltratada, humilhada e tratada como idiota. O próprio áudio em que ele pede R$
134 milhões para Daniel Vorcaro também está em banho-maria.
Os atuais problemas de Flávio são políticos e
com pouco impacto na maioria do eleitorado, como as brigas de marqueteiros e o
abandono dos partidos do Centrão. Se algo pode complicar é o vice, deputado
Alfredo Gaspar (PL-AL). Eduardo Bolsonaro, no X: “Com Gaspar, não compensará o
impeachment de Flávio”. Não chega a ser elogio...
Como relator da CPMI do INSS, Gaspar tentou
incriminar o filho de Lula, Lulinha, e vários outros alvos sem as provas e por
motivação política e, assim, o relatório da comissão foi derrubado. Ele também
é suspeito de estupro de vulnerável e votou contra o fim da escala de trabalho
6x1, o que pesa. Mesmo assim, o pior parece ter passado para Flávio.
Quem está no alvo é Lula, com os três
inquéritos da PF contra Lulinha e um depósito de milhares de reais para seu
ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. Quem fez esse depósito
foi a lobista Roberta Luchsinger, envolvida no escândalo do INSS e amigona
de... Lulinha. Reação de Lula: “Quem nunca pediu empréstimo para um amigo?” Emenda
pior que o soneto.
E ainda estamos em agosto, num clima de
desconfiança entre a PF de Andrei Rodrigues, ligado a Lula, e o ministro do STF
André Mendonça, ligado a Bolsonaro, em torno de Master, INSS e Lulinha. Muita
coisa pode cair na cabeça de Flávio e de Lula, com a propaganda eleitoral na TV
e no rádio a mil. Na internet, nunca deixou de estar.
Lula pretende telefonar para Trump na próxima
semana para discutir a suspensão do visto de Viotti e os novos tarifaços contra
o Brasil e tentar tirar o secretário de Estado, Marco Rubio, do meio do
caminho. Trump não dá tanta bola para o Brasil, mas Rubio ainda pode fazer bom
estrago contra Lula. É... a campanha vai durar uma eternidade.

Um comentário:
Um dinheirão daquele não se pede emprestado a amigo,pra isso tem banco.
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