sexta-feira, 7 de agosto de 2026

E ainda é agosto..., por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Flávio recuperou fôlego e Lula não é imbatível, mas muita água (suja) ainda vai rolar

Quando o governo Trump anunciou a suspensão do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, um sagaz diplomata ironizou, ou efetivamente previu: “E ainda estamos em agosto...” Sim, as várias tensões só vão piorar até outubro, e não só na política externa, mas, principalmente, nas campanhas e nas eleições.

A conclusão da pesquisa Quaest desta semana é clara: Flávio Bolsonaro recuperou fôlego e Lula não é imbatível. Apesar do favoritismo do presidente, as margens são apertadas, se movem de acordo com fatos, novidades e versões. Logo, muita água (suja) vai rolar.

Mal ou bem, Flávio se reaproximou de Michelle Bolsonaro e conseguiu amenizar o estrago do vídeo em que ela reclama de ser maltratada, humilhada e tratada como idiota. O próprio áudio em que ele pede R$ 134 milhões para Daniel Vorcaro também está em banho-maria.

Os atuais problemas de Flávio são políticos e com pouco impacto na maioria do eleitorado, como as brigas de marqueteiros e o abandono dos partidos do Centrão. Se algo pode complicar é o vice, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). Eduardo Bolsonaro, no X: “Com Gaspar, não compensará o impeachment de Flávio”. Não chega a ser elogio...

Como relator da CPMI do INSS, Gaspar tentou incriminar o filho de Lula, Lulinha, e vários outros alvos sem as provas e por motivação política e, assim, o relatório da comissão foi derrubado. Ele também é suspeito de estupro de vulnerável e votou contra o fim da escala de trabalho 6x1, o que pesa. Mesmo assim, o pior parece ter passado para Flávio.

Quem está no alvo é Lula, com os três inquéritos da PF contra Lulinha e um depósito de milhares de reais para seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. Quem fez esse depósito foi a lobista Roberta Luchsinger, envolvida no escândalo do INSS e amigona de... Lulinha. Reação de Lula: “Quem nunca pediu empréstimo para um amigo?” Emenda pior que o soneto.

E ainda estamos em agosto, num clima de desconfiança entre a PF de Andrei Rodrigues, ligado a Lula, e o ministro do STF André Mendonça, ligado a Bolsonaro, em torno de Master, INSS e Lulinha. Muita coisa pode cair na cabeça de Flávio e de Lula, com a propaganda eleitoral na TV e no rádio a mil. Na internet, nunca deixou de estar.

Lula pretende telefonar para Trump na próxima semana para discutir a suspensão do visto de Viotti e os novos tarifaços contra o Brasil e tentar tirar o secretário de Estado, Marco Rubio, do meio do caminho. Trump não dá tanta bola para o Brasil, mas Rubio ainda pode fazer bom estrago contra Lula. É... a campanha vai durar uma eternidade.

 

Um comentário:

ADEMAR AMANCIO disse...

Um dinheirão daquele não se pede emprestado a amigo,pra isso tem banco.