Resultado do Ideb revela progresso desigual no ensino
Por O Globo
País deve aprender com desempenho dos estados
mais bem colocados, como Ceará, Paraná e Goiás
Anunciado nesta semana, o resultado do Índice
de Desenvolvimento da Educação Básica
(Ideb), principal indicador de qualidade do ensino brasileiro, revela avanços
na comparação com a última medição em 2023. Apesar de o dado geral ser
positivo, porém, o progresso é desigual e insuficiente diante da urgência do
país em área tão fundamental para a economia e o desenvolvimento.
Nos anos iniciais de ensino (1º ao 5º), a média nacional da rede pública subiu de 5,7 para 6,1; nos anos finais (6º ao 9º), foi de 4,7 para 5; no ensino médio, de 4,1 para 4,3. O índice tem dois componentes: taxa de aprovação e resultados em testes de língua portuguesa e matemática (conhecidos pela sigla Saeb). Analisando somente o desempenho nas duas áreas do conhecimento, também houve evolução.
Em muitos estados, as mesmas redes atendem ao
ensino médio e ao fundamental. Mesmo naqueles em que apenas o médio fica a
cargo da administração estadual, o papel dos governadores é decisivo para fazer
o ensino avançar também nos municípios. Por isso, a dois meses da eleição, o
Ideb é uma ferramenta útil para o eleitor avaliar o desempenho dos governos eleitos
em 2022.
No ensino fundamental, os principais
destaques são Paraná, governado por Ratinho Junior (PSD), e Ceará, do
governador Elmano de Freitas (PT). “Ambos os estados apresentaram crescimento
na nota padronizada do Saeb em linha com a média nacional, sugerindo que o
avanço no Ideb está conectado a avanços na aprendizagem”, afirma nota técnica
do Todos Pela Educação. Na administração de Ronaldo Caiado (PSD), Goiás se
manteve entre os três primeiros nos anos finais do fundamental e também no
ensino médio, categoria liderada outra vez pelo Paraná.
Infelizmente, nem todos os governos obtiveram
desempenho satisfatório. Quando eleitos em 2022, Fátima Bezerra (PT), no Rio
Grande do Norte, Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe, Jerônimo Rodrigues (PT), na
Bahia, Clécio Luís (União), no Amapá, e Helder Barbalho (MDB), no Pará, sabiam
que seus estados estavam entre os cinco piores do país nos anos iniciais do
fundamental. Três anos depois, os mesmos cinco permanecem entre os
retardatários — e quatro continuam entre os piores na faixa do 6º ao 9º ano
(Amapá, Sergipe, Bahia e Rio Grande do Norte, ao lado de Roraima). Na educação
fundamental, todas essas administrações foram reprovadas.
No ensino médio, o Distrito Federal, onde
Ibaneis Rocha (MDB) foi eleito em 2022, logrou a proeza de ficar na última
colocação. O Rio de Janeiro continua entre os três piores. Os estudantes da
rede pública fluminense puxam a média brasileira para baixo nos três recortes
da educação básica — isso apesar do aumento nas taxas de aprovação, manobra que
eleva a nota do Ideb. São Paulo, estado mais populoso, caiu de posição na
administração de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nos testes de língua
portuguesa e matemática, os alunos paulistas dos anos iniciais, finais e do
ensino médio obtiveram notas iguais ou melhores, mas inferiores ao progresso
registrado no país.
É recomendável que os estados com problemas
aprendam com as práticas dos bem-sucedidos. Elas mostram um caminho a seguir
para elevar o nível do ensino em todo o país. E, ao escolher candidatos na
eleição de outubro, os eleitores têm de considerar o desempenho dos respectivos
governadores.

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