terça-feira, 16 de maio de 2023

Daniela Chiaretti - O Cadastro Ambiental Rural e o boneco João Bobo

Valor Econômico

Qual o recado que está sendo dado com a pressão para que o CAR volte ao Ministério da Agricultura?

João Bobo, também conhecido como João Teimoso, desde sempre é socado pra cá e pra lá, pobre boneco. Mas também desde sempre retorna ao centro graças a um peso de lastro colocado em sua base arredondada. A ideia pedagógica do brinquedo não é ativar o gosto pela luta nas crianças, mas incentivá-las ao equilíbrio. Pois bem: a discussão corrente sobre o Cadastro Ambiental Rural, o CAR, de sair do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática (MMA), seu ponto de origem, e retornar ao Ministério da Agricultura (Mapa), onde foi levado no governo Jair Bolsonaro, lembra o movimento do João Bobo, só que com fundamentos menos nobres e divertidos.

Cristovam Buarque* - Evasão tolerada

Correio Braziliense

Por falta de lutar para acabar com a divisão do sistema escolar entre escolas senzala para os filhos dos pobres, em geral afrodescendentes, e escolas casa grande para os filhos dos ricos, em geral eurodescendentes, essa opção termina fazendo com que o sistema universitário tenha universidades senzala e universidades casa grande

Uma demonstração de nosso racismo institucional é o ensino de história esquecendo o papel dos negros e ignorando a riqueza da cultura africana na formação do Brasil. Esse é um racismo supremacista, mas há um racismo submisso que vem sendo imputado há séculos.

A reserva de vagas para ingresso na universidade tem uma finalidade positiva na luta contra o racismo, mas o debate visando reduzir exigências no conteúdo da disciplina de cálculo, nos cursos de engenharia, para diminuir a evasão de alunos cotistas tem um caráter negativo nessa luta, ao desviá-la para quebrar a desigualdade na educação de base.

Joel Pinheiro da Fonseca – Bolsonaro seguirá Trump

Folha de S. Paulo

O ex-presidente americano mostra o que acontecerá com a direita brasileira

Quando Trump deixou o poder em 2021, em meio ao trauma que foi o 6 de janeiro, ele parecia liquidado. Mau perdedor, tendo que enfrentar vários processos judiciais e ainda com o maior ataque à democracia americana pesando sobre suas costas; suas falas bombásticas agora pareciam simplesmente irrelevantes.

Desde então, tudo mudou. Trump está mais forte do que nunca. Não só seu estilo conseguiu manter uma base de apoiadores forte, como mesmo os problemas jurídicos que ele enfrenta acabaram por fortalecê-lo. Pesam contra ele desde acusações graves (como ter interferido junto a autoridades eleitorais para mudar o resultado da votação) até contravenções menores e que só receberam a atenção da imprensa e do sistema de Justiça por se tratarem do ex-presidente.

O próprio fato de enfrentar um processo judicial e até o de ser condenado o fortalece, por alimentar a narrativa de que é um perseguido pelo sistema. Não tenho dúvida de que isso seja especialmente verdade quando o processo é por algo menor, por alguma tecnicalidade que escapa ao entendimento da maioria. Mas é bem possível que até acusações de crimes mais sérios possam ter o mesmo efeito.

Dora Kramer - Direita esquenta o tamborim

Folha de S. Paulo

Dúvidas recaem sobre prós e contras de Bolsonaro, Tarcísio e Zema

É cedo para falar das próximas eleições presidenciais? É, mas políticos só pensam nisso e movimentam-se nessa direção. O presidente da República sinaliza disputar novo mandato —bem como o antecessor, indica o mesmo, por ora elegível.

Entre o querer e a conquista do poder há as circunstâncias, há o imponderável e há o fator destreza na montagem do xadrez. No meio do caminho também está a corrida municipal do próximo ano.

A despeito do esforço para ganhar nas capitais e grandes cidades em 2024, por ser uma demonstração de força, os resultados não têm relação de causa e efeito entre si. O PT foi mal em 2020 e levou a Presidência em 2022.

Hélio Schwartsman - Sorte ou competência?

Folha de S. Paulo

Impressão é que presidente não se deu conta de que a correlação de forças mudou

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva coleciona acertos importantes, mas já cometeu muitos erros —alguns deles primários. Os decretos do saneamento são um bom exemplo, já que embutem equívocos de mérito (as mudanças pretendidas representariam um retrocesso) e de execução (a derrubada dos diplomas pela Câmara escancarou a fragilidade da base legislativa de Lula).

Parte das barbeiragens pode ser atribuída à equipe do presidente, notadamente a seus articuladores políticos, mas não há como isentar o próprio Lula de responsabilidade. As principais ideias defendidas pelo governo, afinal, têm o seu aval, e vêm de sua própria boca declarações que turvam desnecessariamente o ambiente econômico e afastam potenciais aliados. É grande o contraste com seus dois primeiros mandatos, que costumam ser descritos como um sucesso. Daí que se torna inevitável perguntar se foi sorte ou competência que fizeram a diferença nas gestões anteriores.

Luiz Carlos Azedo - O presidencialismo no Brasil está enfraquecido

Correio Braziliense

O Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) estão mais fortalecidos em relação ao Executivo, por vários motivos, entre os quais as mudanças na legislação partidária e na execução das emendas ao Orçamento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anda triste. Não manda tanto quanto gostaria, o que é normal para qualquer governante que não seja um ditador, mas também porque a diferença nas relações de força entre os Poderes da República também mudou muito de 2010 para 2023. O Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) estão mais fortalecidos em relação ao Executivo, por vários motivos, entre os quais as mudanças nas regras eleitorais, na legislação partidária e na execução das emendas parlamentares ao Orçamento da União. Há uma diferença entre o agir do governo como estrutura de Estado, que é insubstituível, e a liderança do presidente da República.

Não custa nada lembrar a frase famosa de Karl Marx no O 18 Brumário de Luís Bonaparte, de 1852, uma grande reportagem sobre a restauração na França, após o golpe de Estado do sobrinho de Napoleão, escrita sob encomenda para uma revista. “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e, sim, sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”, escreveu.

Eliane Cantanhêde - Lula e PT, Bolsonaro e Cid

O Estado de S. Paulo

Bolsonaro vai dizer hoje que não sabia de nada; e se Mauro Cid disser o oposto?

Cada um com sua agonia. A âncora fiscal começa de fato a tramitar no Congresso, com o presidente Lula às voltas com o PT, o Congresso e sua obsessão de recuperar protagonismo internacional e reinventar a roda aqui no Brasil. E o ex-presidente Jair Bolsonaro vai depor hoje em meio a um turbilhão de denúncias que nunca acabam, cada uma pior que a outra.

Como dizem na Fazenda, “negociar com o Congresso não é nada, duro mesmo é aguentar o PT e a Gleisi (Hoffmann)”. E é assim que a âncora fiscal começa a efetivamente tramitar, com sete partidos “progressistas” esticando a corda para um lado, o centro e os moderados puxando para o outro, e a oposição se divertindo.

Merval Pereira - Um raio justiceiro

O Globo

Anistia proposta impede punição a irregularidades dos partidos políticos

Se um raio divino não cair sobre o Congresso para castigar os pecadores, deve ser aprovada hoje na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara o que já é avaliado como a maior anistia da história política recente, impedindo que irregularidades eleitorais dos partidos políticos detectadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sejam punidas.

O TSE terminou recentemente a análise dos gastos partidários de 2017 — atraso que, por si só, favorece a impunidade — e determinou multas no valor de R$ 40 milhões, corrigidas pela inflação. A anistia pretendida beneficia governo e oposição, esquerda e direita, é ampla, geral e irrestrita, atinge praticamente todos os partidos, acusados de gastos indevidos do dinheiro público ou de não cumprirem a legislação eleitoral, principalmente a que determina cotas raciais e de gênero para as candidaturas.

Andrea Jubé - A base quer cargos, emendas e carinho

Valor Econômico

Às vésperas de votações decisivas no Congresso, como a nova regra fiscal, o governo voltou a abrir os cofres para afagar a base aliada a fim de evitar mais sustos

Às vésperas de votações decisivas no Congresso, como a nova regra fiscal, o governo voltou a abrir os cofres para afagar a base aliada a fim de evitar mais sustos. Nos últimos seis dias, foram empenhados mais R$ 400 milhões em emendas individuais de deputados e senadores. O movimento atinge R$ 1,7 bilhão comprometidos com os aliados em 2023.

Na sexta-feira, o Valor mostrou que até 10 de maio, o governo havia comprometido R$ 1,3 bilhão em recursos para pagar emendas individuais. Com a peculiaridade de que houve um salto exponencial nos valores: até abril, somente R$ 97,3 milhões haviam sido reservados para esta despesa.

Carlos Andreazza - Elmendas

O Globo

O orçamento é secreto. Elmar Nascimento, não. Não há constrangimento. O papo sai reto. Patrimonialista e reto. Os entrevistadores, Gabriel Sabóia e Lauriberto Pompeu, fizeram as perguntas necessárias sem enrolação — e ele entregou sem rodeios. Deu no GLOBO do dia 11.

Se toda a verba outrora do orçamento secreto ficasse com o Congresso, a articulação política melhoraria? Esse não seria um modelo fisiológico, de troca de recursos por votos?

— O governo não teria dificuldade. O Bolsonaro tinha uma base sólida. A estratégia do governo Lula, de participação via indicação de ministros, não traz base consolidada. O chão da fábrica, que é o plenário da Câmara dos Deputados, está muito mais ligado à execução de obras nas bases do que à ocupação desse tipo de espaço, que não chega para eles.

Hamilton Garcia de Lima* - A doença de Chagas da política brasileira

Os quatro anos do governo Bolsonaro deram a falsa impressão a uma boa parte da opinião pública, nacional e internacional, de que os males do Brasil tiveram origem em sua gestão, que só foi possível graças à operação Lava-Jato que “criminalizou a política”. Nada mais distante da realidade.

É mister reconhecer que a “criminalização da política” é tema antigo em nosso país e que não começou com a operação Lava-Jato. A participação política fora dos quadros das elites dominantes nunca fez parte de nosso cotidiano como nação, basta ver como, do período regencial no Império (1831-1840) até 1964, a emergência de novos atores amiúde desaguou em revoluções e contra-revoluções pela fragilidade dos canais de participação que fomos capazes de constituir ao longo deste período.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Apesar da pressão, queda de juros seria prematura

O Globo

Ao contrário do que afirmam Lula e petistas, nossa inflação é de demanda e exige remédio amargo

É prematura a pressão para que o Banco Central (BC) reduza os juros. Pelos últimos dados do IBGE, o BC tem adotado uma política de juros responsável e não deveria ceder às pressões para mudá-la. Apesar de a taxa básica de juros permanecer em patamar alto (13,75%), a queda da inflação tem sido mais lenta que o esperado. Tal lentidão reforça a necessidade de os diretores do BC se manterem imunes aos ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de seus ministros, de cardeais do PT e das alas do empresariado tolerantes com o descontrole de preços.

Há, é certo, sinais positivos. Nos primeiros quatro meses deste ano, a inflação foi inferior à do mesmo período de 2022 (2,72% ante 4,29%). Em abril, o IPCA acumulado em 12 meses sofreu queda pelo décimo mês consecutivo e ficou em 4,18%, menor taxa desde outubro de 2020. Como o teto da meta do BC é 4,75%, é compreensível que muita gente diga estar na hora de baixar os juros. Infelizmente, não é o que sugere uma análise mais cuidadosa.

Poesia | Bertolt Brecht - Anos atrás

 

Música | Alcymar Monteiro - Evocação nº 1 (Nelson Ferreira)

 

segunda-feira, 15 de maio de 2023

O apogeu da influência dos economista

Binyamin Appelbaum, editorialista do “New York Times”, se junta a nomes como Thomas Friedman e Joseph Stiglitz no livro “A hora dos economistas”

Por Diego Viana - Eu & Fim de Semana / Valor Econômico

Lançado originalmente em 2019, “A hora dos economistas: falsos profetas, livre mercado e a divisão da sociedade” se inscreve em um subgênero de não ficção que se consolidou nos Estados Unidos na última década. Trata-se do diagnóstico de uma era, um meio século quase paradoxal, em que o país mais rico do mundo vivenciou uma explosão de consumo e riqueza, ao mesmo tempo que sentia seu poderio se erodir aos poucos. O autor, Binyamin Appelbaum, que é editorialista do “New York Times”, se junta a nomes como o colunista Thomas Friedman (“Éramos nós”, de 2011) e o economista Joseph Stiglitz (“Povo, poder e lucro”, 2019) na tentativa de explicar esse paradoxo.

Seu foco está na ascensão de um determinado grupo de economistas que, mais do que gerir a economia, quiseram revolucionar o mundo e as mentes. Para Appelbaum, é, de fato, uma revolução, cujos componentes são, por vezes, difíceis de distinguir. Na introdução, o leitor é apresentado a três vertentes: o prestígio ampliado do economista, que, segundo o autor, deixou de ser encarado como calculadora humana para se tornar conselheiro governamental em quase qualquer tema; as ideias sobre regulação financeira e política pública adotadas desde a década de 1980; e a relação às vezes conflituosa, às vezes simbiótica, entre o conservadorismo econômico e o social.

Abrindo ao mesmo tempo todas essas portas, o autor busca fazer um registro equilibrado. De um lado, pesa a convicção de que “os mercados são uma das ideias mais geniais da humanidade”, que em 50 anos legaram um acesso quase irrestrito a bens e uma economia global. Do outro, Appelbaum considera que o redesenho dos governos e das sociedades, a partir da visão de mundo dos economistas, “foi longe demais”: agravou a desigualdade, destruiu relações humanas e resultou na crise de 2008. A escolha de termos, porém, desequilibra a balança, já que os economistas são ditos “alquimistas” e “falsos profetas” que dividiram a sociedade.

Marcus André Melo* - O presidente e suas escolhas

Folha de S. Paulo

A margem de manobra do presidente e suas escolhas

O Brasil tem o mais poderoso Poder Executivo do mundo democrático. A afirmação é de Matthew Shugart e John Carey, em Presidents and Assemblies: constitutional design and electoral dynamics, Cambridge, 1992.

Seguiram-se outros trabalhos com foco regional e, invariavelmente, Brasil e Chile têm se alternado nas primeiras posições.

No índice que formularam, distinguem os poderes proativos (áreas de iniciativa exclusiva, etc) dos reativos (veto presidencial, etc). Concluem que há uma relação inversa entre os poderes constitucionais dos presidentes e seus poderes partidários (tamanho e coesão do partido (s) do presidente): quando os constituintes esperam que estes sejam débeis, haverá maior delegação de poderes aos presidentes por receio de ingovernabilidade futura. Foi o que aconteceu em 1988.

Muita coisa mudou desde aquele primeiro trabalho pioneiro de mensuração dos Poderes constitucionais. É certo que ocorreram poucas mudanças substantivas nos poderes reativos --nas medidas provisórias e nos poderes orçamentários (orçamento impositivo). No entanto, as relações Executivo-Legislativo sofreram grandes transformações em virtude de alterações estruturais que afetam os demais Poderes.

Bruno Carazza* - Governo e montadoras, uma história de amor

Valor Econômico

Alckmin e Lula são os novos alvos do lobby da indústria automobilística

No dia 09 de fevereiro de 1957, os jornais anunciaram “o maior investimento de capitais estrangeiros no Brasil”: a empresa americana Ford havia apresentado ao governo de Juscelino Kubitschek a intenção de aplicar US$ 16 milhões (quase US$ 160 milhões atuais, corrigidos pela inflação nos Estados Unidos) para produzir em São Paulo camionetes e caminhões F-100, F-350 e F-600.

Embora a Ford já realizasse desde o final dos anos 1910 a montagem de veículos a partir de peças importadas dos EUA (por isso chamamos as empresas desse setor de “montadoras”), desta vez o Brasil poderia se orgulhar de ter uma verdadeira fábrica de automóveis. Havíamos entrado para o seleto grupo das nações industrializadas, celebrava JK, o político que prometera fazer o país crescer “cinquenta anos em cinco”.

A obsessão com a fabricação de carros no Brasil justificava-se pelo seu poder de alavancar outros segmentos a montante e a jusante, como a produção de placas de aço, autopeças, vidros, plásticos e toda uma rede de revendedores e assistência técnica. Como nosso mercado consumidor não possuía escala, para que o investimento das empresas estrangeiras se mostrasse viável o governo brasileiro prometeu uma série de incentivos. Entre os benefícios estava um tratamento cambial favorecido para a importação de máquinas e equipamentos.

Sergio Lamucci - O dólar abaixo de R$ 5 e os limites para novas quedas

Valor Econômico

As incertezas que persistem sobre as contas públicas dificultam uma valorização adicional do real, assim como medidas do governo que elevam a insegurança jurídica

Nos últimos dias, a taxa de câmbio tem oscilado na casa de R$ 5 ou menos. Para alguns analistas, o real tem potencial para se fortalecer ainda mais em relação à moeda americana, com estimativas para o valor justo apontando para números entre R$ 4,40 e R$ 4,70. As incertezas que persistem sobre as contas públicas, mesmo após a apresentação do projeto do novo arcabouço fiscal, dificultam uma valorização adicional da divisa brasileira. Também atrapalham medidas e declarações do governo que elevam a insegurança jurídica, como mudanças na Lei das Estatais, decretos que buscavam alterar o marco do saneamento e a ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra aspectos da privatização da Eletrobras. Para completar, as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Banco Central (BC) e ao nível dos juros jogam contra um câmbio mais apreciado.

Um real mais valorizado teria efeitos bastante favoráveis neste momento. Ajudaria a reduzir as pressões sobre os preços e as expectativas de inflação, dando mais conforto para o BC começar a cortar os juros, além de contribuir para um alívio das condições financeiras, fator importante para a retomada da atividade.

Entrevista | Tomás Undurraga: ‘Existe um mal-estar real em relação ao dia a dia no Chile’

Tomás Undurraga, da Universidade Alberto Hurtado, em Santiago, avalia a movimentação política no país em torno da redação da terceira tentativa de uma nova Constituição

Por Marcos de Moura e Souza / Valor Econômico

Há dez anos o Chile discute a criação de uma nova Constituição para substituir a atual, que é herança do regime militar de Augusto Pinochet. No entanto, nos últimos anos os eleitores rechaçaram nas urnas dois projetos de uma nova Carta. A primeira, durante o governo Sebastián Piñera; e a segunda, no ano passado, no governo do jovem presidente esquerdista Gabriel Boric, de 37 anos. A terceira proposta está no forno. Um grupo de juristas está delineando o esqueleto do texto e uma comissão de constituintes eleitos no último dia 7 vai se encarregar de dar a redação final dessa terceira proposta, que será levada às urnas em dezembro. Em entrevista ao Valor, o diretor Departamento de Sociologia da Universidade Alberto Hurtado, em Santiago, Tomás Undurraga, avalia a movimentação política no país em torno da redação da nova Constituição. Fala sobre a vitória da direita (dos 50 assentos da comissão constituinte, legendas de direita venceram 34), sobre José Antonio Kast, o principal líder da direita chilena sobre um clima de descontentamento do país em relação ao momento político e econômico e sobre o que esperar da proposta de Constituição a ser definida nos próximos meses.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Demétrio Magnoli - O círculo chileno

O Globo

Esquerda resolveu 'passar o trator', escrevendo um projeto de Constituição à sua imagem e semelhança

O círculo se fechou. Há uma semana, os chilenos deram maioria absoluta à direita na eleição do Conselho Constitucional. O Partido Republicano, de José Antonio Kast, ultraconservador, ficou com 23 das 51 cadeiras. A direita moderada ficou com outras 11. O ciclo iniciado com a vitória da esquerda nas eleições para a Assembleia Constituinte, dois anos atrás, conclui-se na forma de um teorema: a política identitária move o eleitorado para a direita.

As manifestações populares de 2019 e 2020 desaguaram no plebiscito que aprovou a produção de uma nova Constituição, em substituição à Carta herdada da ditadura de Pinochet e várias vezes emendada. Sob o impulso das ruas, que queriam redes ampliadas de proteção social, a esquerda obteve maioria na Constituinte.

Camila Rocha* - Extrema direita não precisa de fake News

Folha de S. Paulo

Mesmo com PL das Fake News, debate manterá conflitos e divisões políticas

Ainda hoje é comum a ideia de que a força da extrema direita repousa na disseminação de fake news nas redes sociais. Por esse motivo, o projeto de lei 2.630/2020, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, e recebeu o apelido infeliz de PL das Fake News, é visto como uma tábua de salvação por certos setores progressistas, sobretudo após a invasão golpista de 8 de janeiro.

É verdade que a aprovação do PL irá dificultar a circulação de conteúdos criminosos nas redes que já se enquadram na lei brasileira, como crimes contra o Estado democrático de Direito, atos de terrorismo e atos preparatórios de terrorismo.

Para tanto, as plataformas serão instadas a conter conteúdos ilícitos de forma análoga ao que já ocorre na legislação recém-aprovada pela União Europeia: o que for ilegal offline também passa a ser ilegal online.

Fernando Gabeira - Big techs como aliadas da pandemia

O Globo

De um modo geral, não temos tempo para comemorar nem para lamentar erros: há sempre uma tarefa à frente

Em maio, tiro férias. Não paro de escrever. Na verdade, dedico-me a escrever bobagens, ler livros inúteis e trabalhar imagens sem nenhum valor comercial.

Continuo com olho no mundo.

OMS suspendeu a emergência internacional, embora a pandemia não tenha acabado. Bill Gates é um bilionário, sou apenas um remediado, como se diz em Minas. No entanto concordo plenamente com ele que é necessário trabalhar para evitar a próxima pandemia.

Gates propõe uma estrutura mundial de vigilância que custaria US$ 1 bilhão por ano, um décimo dos gastos em defesa, uma gota no oceano de trilhões de dólares perdidos com uma pandemia.

No livro “Como evitar a próxima pandemia”, ele fala na necessidade de haver um bom número de pessoas que acordam todas as manhãs pensando no tema. Não é meu caso. Às vezes acordo de pá virada; às vezes, melancólico. Nem todas as manhãs dedico à humanidade.

Edu Lyra - Tecnologias sociais têm de amadurecer

O Globo

É saudável que passemos a encarar a inovação científica como se houvesse uma ‘curva de amadurecimento’

Tecnologias como o ChatGPT são diferentes de tudo o que conhecíamos até então. Tipicamente, um avanço tecnológico ocorria quando uma empresa ou um grupo de pesquisadores desenvolviam um produto ou serviço inovador. Ou ainda quando descobriam uma maneira mais inteligente de realizar uma velha tarefa.

A inovação estava, portanto, no ato de criar ou de aperfeiçoar uma tecnologia. Com o advento da Inteligência Artificial (IA) e das aplicações de machine learning, isso mudou.

O lançamento de uma ferramenta como o ChatGPT para o público geral é apenas uma etapa na sua curva de amadurecimento. Só conheceremos o pleno potencial dessa tecnologia com o passar do tempo, à medida que ela aprender interagindo com os seres humanos e encontrar maneiras ainda mais certeiras de responder às nossas demandas. Se você está impressionado(a) com o ChatGPT hoje, espere só ele atingir altitude de cruzeiro.

Luiz Claudio Latgé* - Algoritmos, jabuticabas e jabutis

O Globo

A receita para avançar é focar nas questões de consenso, essenciais para uma regulamentação efetiva das redes

O Brasil costuma ter problemas com a lei. Estamos no país onde “vale o que está escrito”, existem “leis para inglês ver” e em que “há leis que colam e leis que não colam”. Portanto, no momento em que o Brasil se prepara para escrever a regulamentação das redes sociais, o Projeto de Lei 2.630, é importante evitar singularidades brasileiras, como jabuticabas e jabutis.

Os recentes ataques a escolas em São Paulo, Santa Catarina e Goiás e a onda de posts disseminando o medo mostraram o tamanho do problema. Governo e mídias se mobilizaram rapidamente para conter as publicações que incitavam a violência, em alinhamento com as melhores práticas internacionais. O Twitter, no entanto, se recusou, num primeiro momento, a adotar o mecanismo de proteção. Alegou que as publicações não feriam “os termos de uso da empresa”, como se o contrato particular pudesse estar acima da legislação existente.

Carlos Pereira* - O barato que sai caro

O Estado de S. Paulo

Um dos aspectos mais peculiares do sistema multipartidário, seja no parlamentarismo, mas sobretudo no presidencialismo, é que o chefe do Executivo necessita dispor de moedas de troca para a construção de maiorias legislativas estáveis e disciplinadas. Quase nunca o programa ou a ideologia partidária são elementos suficientes para que outros partidos aceitem fazer parte da coalizão de governo.

Quanto maior e mais diversificada forem as moedas de troca na “caixa de ferramentas”, maiores as chances de o Executivo governar por meio de coalizões eficientes. Ou seja, aprovando mais a sua agenda com menores custos possíveis.

No artigo “Executive Toolbox”, em colaboração com Eric Raile e Tim Power, mostro que cada tipo de moeda de troca (ministérios, emendas parlamentares, cargos na burocracia pública, etc.) no presidencialismo brasileiro tem características próprias que as torna substitutos imperfeitos. A mudança de ministros gera “custos afundados” para o governo e, portanto, proporciona maior eficiência quando implementada para parceiros próximos do presidente; já as emendas orçamentárias são mais flexíveis, permitindo atrair parceiros ideologicamente distantes com um menor impacto nas políticas do governo.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

‘Opep das florestas’ terá de tornar real a promessa ambiental

O Globo

Brasil, Congo e Indonésia pretendem fazer da preservação uma mercadoria tão valiosa quanto o petróleo

O principal item na pauta da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Brazzaville, prevista para o mês que vem, é a aliança entre países com grandes áreas de floresta tropical, ativo valorizado em razão do combate às mudanças climáticas. A iniciativa, cujo objetivo é unificar o discurso e os compromissos de preservação perante os países ricos, vem sendo chamada informalmente de “Opep das florestas”, numa referência ao cartel que controla os preços do petróleo.

Comparecerão à cúpula na capital da República Democrática do Congo países de América do Sul, África Central e Sudeste Asiático. Apenas três dos presentes — Brasil, Congo e Indonésia — concentram 52% das florestas tropicais do planeta. Lula faz questão de levar também Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Guiana, Suriname e Venezuela — integrantes da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) —, além de outros países africanos e asiáticos de grande cobertura florestal, de modo a reunir 80% das florestas tropicais do planeta.

A agenda oficial prevê a troca de experiências na preservação e exploração das florestas úmidas na Bacia Amazônica, na Bacia do Congo e na região do Bornéu-Mekong, no Sudeste Asiático. De acordo com o governo congolês, a proteção e o desenvolvimento das florestas precisam se assentar sobre três pilares: cooperação científica, cadeias de produção sustentáveis e mecanismos inovadores de financiamento para a biodiversidade.

Poesia | Eduardo Galeano - Os ninguéns

 

Música | Tereza Cristina - Você passa eu acho graça

 

domingo, 14 de maio de 2023

Muniz Sodré* - Um modo canibal de ser

Folha de S. Paulo

Mentir é construir realidade falsa com saberes reais

Em tempo de verdade líquida, até mesmo o falso é incerto.

Uma noveleta policial sem maior interesse literário, mas reveladora do imaginário criminoso, retrata um falsário tão obcecado pela perfeição que, com essa reputação, não quer seu nome associado a algo que pudesse ser denunciado como falso. Entenda-se: o transgressor busca a autenticidade, isto é, o ser-fundado-em-si-mesmo, que no limite seria um álibi, um "estar em outro lugar", não criminoso. Ou seja, uma mentira redimível, como uma joia sintética que passa por natural.

Isso vem a propósito da disseminação de falsidades entre nós, em tal grau de dano cognitivo e social que a ala menos mentirosa do Congresso parece convicta quanto a uma lei reguladora. Fake news, porém, é tão só uma fração do fenômeno. Essa expressão, aliás, já está algo envelhecida, considerando-se os desdobramentos e a sua irradiação no meio social.

Celso Rocha de Barros – Para onde, esquerda chilena?

Folha de S. Paulo

Resta ao presidente chileno aliar-se à centro-direita para garantir moderação nas regras do jogo

No domingo passado, o governo de esquerda de Gabriel Boric foi derrotado nas eleições dos novos constituintes chilenos. A coalizão governista Unidad para Chile obteve apenas 17 das 51 vagas no conselho que discutirá o novo texto constitucional.

A coalizão de centro-direita Chile Seguro também foi mal, obtendo apenas 11 vagas. O grande vencedor da noite foi o Partido Republicano, de direita radical, que obteve 23 cadeiras.

Na última semana, proliferaram análises da derrota chilena que eram 100% previsíveis quando já se conhecia a posição política do analista. A esquerda radical acusou Boric de se aproximar demais do centro. A direita acusou o presidente chileno de ter se perdido em seu esquerdismo.

Eu mesmo, social-democrata e simpatizante do velho Partido Socialista Chileno, me sinto tentado a dizer que a nova esquerda chilena deveria se limitar a reformar o Estado de bem-estar do país, cujo caráter privatista foi um dos principais alvos das revoltas da última década. Posso até estar certo, mas também estou fazendo diagnóstico por reflexo ideológico.

Janaína Figueiredo - A hora do voto enfurecido na América Latina

O Globo

Nova onda rosa era apenas expressão de desejo de alguns nostálgicos

Nos últimos tempos, muitos tiveram a expectativa de uma nova onda rosa na América Latina. As vitórias de Alberto Fernández na ArgentinaGabriel Boric no ChileGustavo Petro na Colômbia e Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil entusiasmaram setores que, precipitadamente, comemoraram o fim da onda direitista na região. O recente resultado da eleição para formar o novo Conselho Constitucional no Chile, somado ao fortalecimento da candidatura de Javier Milei na campanha presidencial na Argentina e ao bom desempenho do candidato de extrema direita Paraguayo Cubas no Paraguai — lá considerado um anarquista —, confirmou que a nova onda rosa era apenas expressão de desejo de alguns nostálgicos.

A América Latina vive um novo ciclo, mas ele nada tem a ver com experiências do passado recente. Em tempos de auge das redes sociais — que na região operam quase sem restrições —, a política tradicional está desconectada da sociedade e de suas demandas prioritárias, em momentos de deterioração da economia. Com governos que não entregam bons resultados, a extrema direita tem um terreno fértil para crescer. Com propostas em muitos casos delirantes, seus representantes — sempre habilidosos usuários das redes — estão conectados com uma rede global de extrema direita e aplicam ao pé da letra um manual de operações que inclui questionamento ao sistema eleitoral e aos partidos no poder. O discurso de Milei contra a “casta política” virou mantra entre setores de classe baixa, média e alta na Argentina.

Bernardo Mello Franco – Alerta no bloco 59

O Globo

Ministro pressiona Ibama a ignorar parecer técnico e conceder licença à Petrobras

Lula aproveitou a coroação de Charles III para produzir uma boa notícia na área ambiental. O Reino Unido anunciou a doação de R$ 500 milhões ao Fundo Amazônia. A preservação da floresta não foi discutida apenas com o primeiro-ministro Rishi Sunak. “A primeira coisa que o rei disse para mim foi para cuidar da Amazônia”, confidenciou o presidente, após ser recebido no Palácio de Buckingham.

Alemanha e Estados Unidos já haviam anunciado doações ao Fundo, que ficou paralisado no governo Bolsonaro. Os aportes indicam a retomada da confiança no Brasil como protagonista da agenda climática. A diplomacia verde está funcionando, mas não pode se sustentar só em palavras. Depende de decisões concretas a serem tomadas pelo governo.

Luiz Carlos Azedo - Oposição aposta na desagregação do governo Lula

Correio Braziliense

O intervencionismo do governo Lula na economia provoca um realinhamento de forças políticas na sociedade, que já se reflete no Congresso e fortalece os bolsonaristas

Por várias razões, entre as quais a vitória apertada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a campanha eleitoral de 2026, que normalmente começaria após as eleições de 2024, está sendo antecipada, às vezes pelo próprio estilo palanqueiro do presidente da República. A disputa pelas bandeiras da democracia, da ética e do moderno está instalada no cenário político. Em torno delas se decidirá o destino do país. Lula da Silva, com suas diatribes, ajuda um precoce realinhamento de forças políticas que o apoiaram no segundo turno e já se descolaram ou começam a se afastar do seu governo.

Além disso, também existe vida inteligente no campo da oposição ligada ao presidente Jair Bolsonaro, que já se movimenta para aprofundar essas fissuras na base política e social do governo. Na sexta-feira, isso ficou claro durante a gravação de conversa como o ex-ministro e senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, na Confraria do Brito (um grupo de jornalistas que se reúne semanalmente, criado pelo falecido Orlando Brito, craque do fotojornalismo político), para o Canal MyNews (YouTube).

Bruno Boghossian - Lula e o barulho da esquerda

Folha de S. Paulo

Esquerda petista puxa agenda econômica, e MST promete pressão sobre o governo

Lula tem ouvido um certo barulho à esquerda do Palácio do Planalto. Na economia, alas do PT mantêm uma campanha contra o aperto do arcabouço fiscal negociado pela Fazenda com o Congresso. No campo, o MST promete aumentar a pressão sobre o governo pelo avanço de iniciativas de reforma agrária.

O presidente não é um principiante nessa área. Quando a esquerda petista atacou a agenda econômica do primeiro mandato, Lula deu sinal verde para a expulsão de parlamentares da sigla. Com os movimentos sociais, o governo conseguiu uma relação amigável graças à aceleração de políticas públicas e à partilha de cargos na máquina federal.

Merval Pereira - Lula enfezado

O Globo

Lula deveria apaziguar os ânimos, para que o país possa recuperar sua energia, consumida há anos nessa disputa de “nós contra eles”

O desassombro com que o presidente Lula se referiu aos organizadores do Agrishow de Ribeirão Preto como “fascistas” e “maus-caracteres”, é demonstrativo do seu estado de espírito, enfezado, agressivo e ressentido com “as elites”. É permite que seja chamado de "senil", como fez um vereador da região.

Quando tinha poder para controlar as crises com sua oratória, ao mesmo tempo que levava a massa para onde queria, tudo ia bem para Lula, que se convenceu de que era “o cara” quando o então presidente Barack Obama assim o aclamou em uma reunião internacional de líderes. Com o surgimento dos escândalos de corrupção, Obama arrependeu-se.

O encanto de Lula foi suficiente para terminar o segundo mandato com 80% de aprovação e eleger Dilma presidente da República. Mas, a partir do fracasso de sua criatura, e a escalada da Operação Lava Jato, Lula entrou para o rol dos humanos, e seus defeitos de repente começaram a pesar.

Eliane Cantanhêde - Recuo tático

O Estado de S. Paulo

Lula ameniza o tom, mas as pautas petistas são só questão de tempo e oportunidade

As manchetes e o noticiário em geral deslizam para o escândalo explosivo no futebol, a crise da Light, a crise das grandes varejistas e, claro, as revelações sem fim sobre joias, vacinas, contas e sanha golpista do casal Bolsonaro. Nada disso, porém, tira o foco do presidente Lula, muito menos das preocupações quanto às intenções e ações do governo.

Lula avisou que, na volta da China, iria botar a mão em dois vespeiros, a meta de inflação e os preços dos combustíveis. A mudança da meta ainda corre discretamente nos bastidores, mas a interferência na política de preços da Petrobras será anunciada nesta semana. Segundo o presidente da companhia, Jean Paul Prates, os valores ao consumidor serão “inexoravelmente mais baixos”. Há controvérsias.

A paridade internacional será trocada por uma cesta de indicadores: produção nacional de petróleo, cotação externa e “perfil do cliente”. Mas... como o Brasil importa até 30% dos combustíveis e o governo não tem poder para determinar o preço nos postos, o risco é a Petrobras perder receita e o consumidor não pagar, “inexoravelmente”, menos.

Cristovam Buarque* - Ritaleegria

Blog do Noblat / Metrópoles

Rita Lee é sinônimo de irreverência, rebeldia, coragem, vanguardismo, mas sobretudo sinônimo de alegria

Rita Lee escreveu um divertido auto obtuário, um meu seria menos divertido: “teve o privilégio de ser contemporâneo da Rita Lee, de quem recebeu parte das alegrias que viveu”. Não escolhemos o período de vida, nem o nascimento, nem a morte, por isto é sorte viver no mesmo tempo que pessoas como Chico Buarque, Sebastião Salgado, Pelé, Caetano Veloso e outros personagens. Cada um enriqueceu minha vida, mas Rita Lee foi certamente a contemporânea que mais encantou, mais provocou e mais alegria passou. Ela foi uma “ritaleegria” com suas composições e performances.