quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A campanha ‘porreta’ de Lula, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Marcola recebe pagamento de lobista que é amiga de Lulinha e PT culpa PF por crise

A descoberta de que Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, recebeu pagamento da empresária Roberta Luchsinger serviu para escancarar os atritos que têm marcado as relações entre a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a cúpula do PT.

Não é de hoje que o ministro do STF André Mendonça reclama do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A portas fechadas, Mendonça chegou a dizer que a cúpula da PF segurava investigações contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e amigo de Roberta, por causa das eleições. Além disso, avisou que se todas as apurações não fossem enviadas a seu gabinete, o diretor-geral da PF responderia por obstrução de Justiça.

Andrei reagiu e acionou a Advocacia-Geral da União (AGU). Mas Jorge Messias, chefe da AGU, não vai comprar briga com Mendonça e tenta promover o armistício. O imbróglio, no entanto, não para aí. Nos bastidores, uma ala do PT ataca Andrei, sob o argumento de que ele não tem pulso para conter os “setores bolsonaristas” da PF. Na outra ponta, ministros avaliam que Marcola – como é conhecido o ex-chefe de gabinete – pode ter de deixar a coordenação da campanha para evitar que as investigações sejam mais uma ponta de lança contra Lula.

Homem da confiança do presidente, e responsável por marcar as suas audiências, Marcola disse, em nota, ter feito um empréstimo com Roberta Luchsinger, quitado com uma transferência bancária de R$ 249 mil.

O problema é que todas as diligências têm como alvo Lulinha e suas articulações para mostrar influência no governo. Roberta, por sua vez, é apontada como lobista e atua em negócios com o Careca do INSS.

Apesar de contar com o apreço de Lula, Marcola enfrenta “fogo amigo” no governo, principalmente na Secretaria de Comunicação Social (Secom). Pouco antes de deixar o cargo no Planalto para entrar na campanha, por exemplo, ele teve uma discussão acalorada com o ministro da Secom, Sidônio Palmeira.

Marcola e sua mulher Nicole, que administra os perfis de Lula nas redes sociais, ao lado do fotógrafo Ricardo Stuckert, sempre acharam que Sidônio vende uma imagem “adocicada” de Lula. O ex-chefe de gabinete disse ao ministro, com todas as letras, que uma campanha que tem Flávio Bolsonaro (PL) como principal oponente não pode recorrer a “gatinhos” e “capivaras” para explicar programas do governo.

O presidente concordou com o diagnóstico. Não foi à toa que, na convenção do PT, realizada no domingo, Lula disse que não vai ser mais “Lulinha paz e amor”. Até agora, porém, ninguém sabe qual será, na prática, o figurino do “Lulinha porreta” que ele pretende vestir. •

 

Um comentário:

ADEMAR AMANCIO disse...

Eu prefiro o ''paz e amor'',apesar de não acreditar nessa ladainha.