O Estado de S. Paulo
Marcola recebe pagamento de lobista que é amiga de Lulinha e PT culpa PF por crise
A descoberta de que Marco Aurélio Santana
Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, recebeu pagamento da
empresária Roberta Luchsinger serviu para escancarar os atritos que têm marcado
as relações entre a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a
cúpula do PT.
Não é de hoje que o ministro do STF André Mendonça reclama do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A portas fechadas, Mendonça chegou a dizer que a cúpula da PF segurava investigações contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e amigo de Roberta, por causa das eleições. Além disso, avisou que se todas as apurações não fossem enviadas a seu gabinete, o diretor-geral da PF responderia por obstrução de Justiça.
Andrei reagiu e acionou a Advocacia-Geral da
União (AGU). Mas Jorge Messias, chefe da AGU, não vai comprar briga com
Mendonça e tenta promover o armistício. O imbróglio, no entanto, não para aí.
Nos bastidores, uma ala do PT ataca Andrei, sob o argumento de que ele não tem
pulso para conter os “setores bolsonaristas” da PF. Na outra ponta, ministros
avaliam que Marcola – como é conhecido o ex-chefe de gabinete – pode ter de
deixar a coordenação da campanha para evitar que as investigações sejam mais
uma ponta de lança contra Lula.
Homem da confiança do presidente, e
responsável por marcar as suas audiências, Marcola disse, em nota, ter feito um
empréstimo com Roberta Luchsinger, quitado com uma transferência bancária de R$
249 mil.
O problema é que todas as diligências têm
como alvo Lulinha e suas articulações para mostrar influência no governo.
Roberta, por sua vez, é apontada como lobista e atua em negócios com o Careca
do INSS.
Apesar de contar com o apreço de Lula,
Marcola enfrenta “fogo amigo” no governo, principalmente na Secretaria de
Comunicação Social (Secom). Pouco antes de deixar o cargo no Planalto para
entrar na campanha, por exemplo, ele teve uma discussão acalorada com o
ministro da Secom, Sidônio Palmeira.
Marcola e sua mulher Nicole, que administra
os perfis de Lula nas redes sociais, ao lado do fotógrafo Ricardo Stuckert,
sempre acharam que Sidônio vende uma imagem “adocicada” de Lula. O ex-chefe de
gabinete disse ao ministro, com todas as letras, que uma campanha que tem
Flávio Bolsonaro (PL) como principal oponente não pode recorrer a “gatinhos” e
“capivaras” para explicar programas do governo.
O presidente concordou com o diagnóstico. Não
foi à toa que, na convenção do PT, realizada no domingo, Lula disse que não vai
ser mais “Lulinha paz e amor”. Até agora, porém, ninguém sabe qual será, na
prática, o figurino do “Lulinha porreta” que ele pretende vestir. •

Um comentário:
Eu prefiro o ''paz e amor'',apesar de não acreditar nessa ladainha.
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